Notas iniciais
Primeiramente queria agradecer a Nadii e NanyHutcher por terem deixado a terceira e a quarta recomendação, respectivamente, de ANC. Esse é o nono capítulo e o ÚLTIMO! SIIIIIM, O ÚLTIMO CAPÍTULO DE ANC AQUI NO NYAH! Vou deixar tudo explicado nas NOTAS FINAIS. Então boa leitura e até depois.

What would you think if I sang out of tune,
Would you stand up and walk out on me.
Lend me your ears and I'll sing you a song,
And I'll try not to sing out of key.
Oh I get by with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,
hm Gonna try with a little help from my friends.
— With A Little Help From My Friends – The Beatles

Na segunda-feira todos olhavam para mim e comentavam. Na terça-feira os professores passaram a tirar um pouco da atenção das semanas que antecedem as provas para me vigiarem como se eu estivesse prestes a enfartar Na quarta-feira os funcionários da limpeza pediram que eu tomasse cuidado ao andar perto do banheiro, pois o chão estava molhado e eu poderia escorregar. Na quinta-feira até os alunos do turno da noite, que chegaram para fazer um trabalho extra de manhã, estavam olhando-me como se eu fosse um extraterrestre. Agora, na sexta-feira, sou chamada para ir até a sala do diretor e meu coração bate tão rápido que sei que o que me será falado, não sairá agradável aos meus ouvidos.

— Boa tarde, diretor — entro em sua sala organizada e sento-me numa das cadeiras de couro a sua frente.

— Boa tarde, Katniss — ele me responde.

Observo-o descruzar os braços e entrelaçar seus dedos, apoiado os cotovelos na mesa. Sua pele negra faz um grande contraste com a camisa branca que ele usa, seus cabelos enrolados minúsculos acompanham do desenho longilíneo de seu rosto e corpo. Só o vi uma vez em meus quatro anos de estudo uma única vez: quando vim me matricular. De resto, seu nome nunca chegou a ser pronunciado. Ele é o tipo de homem que analisa e encontra o ponto fraco das pessoas sem realmente estar na presença delas.

É como uma paparazzo que se esconde, mas sempre vê os seus piores e melhores momentos.

— O senhor mandou que me chamassem?

— Mandei sim — ele balança a cabeça. — É um pouco desconfortável tratar disso com você, porém acho que, perante a ética, preciso conversar com meus alunos sobre algo que acho que eles devem resolver — cerro meus olhos. Ética? Sério? — Muitos alunos e professores tem comentado entre si sobre você. Não é algo sobre suas notas ou sua amizade, mas sim a dúvida e até a certeza de que você está diferente.

— Diferente?

Ah, não.

— Katniss, existe uma suposição de que você está grávida — ele explica pausadamente. Aperto minha mochila em cima da minha barriga de dezessete semanas. — Eu gostaria de saber da senhorita se essa é uma informação verídica ou não.

— Olha, não quero ser rude, mas acho que isso não é de interesse de ninguém além do meu próprio.

— Claro, eu entendo, porém gostaria de descobrir se está ou não grávida. Nem todos os alunos que estudam nessa universidade possui boas condições, então sabe como é, né? — ele pisca.

Que merda é essa?

— Não, eu não sei.

— Veja, Katniss, você é jovem, está perto de terminar a faculdade, mas não é uma mulher economicamente estável. Eu sei sobre a sua história e sobre como você trabalha de tarde para conseguir ajudar sua mãe a controlar os gastos e acho que esse não é o momento ideal para ter um filho.

— Então não estamos falando especificamente sobre mim aqui, estou certa? — questiono já com os nervos aflorando.

Por favor, alguém me segura nessa cadeira antes que minha mão voe até a cara dele e eu seja expulsa da faculdade!

— Não me entenda mal, Katniss. Mas estamos falando de um bebê. Os pais precisam pensar no que é melhor para ele — ele vira a cabeça para o lado e depois volta a me olhar. — Caso você precise, eu tenho o contato de alguns orfanatos ou pais que querem um bebê, mas não conseguem engravidar.

— Você está me ofendendo!

Lágrimas de raiva começam a se formar por trás dos meus olhos e preciso apertar com muita força o algodão da minha mochila para não sair gritando com ele. Clove – que me espera no corredor – daria um jeito nele em dois tempos, mas não acho que berrar por ela seria algo sábio a se fazer. Muitos alunos e professores ainda circulam pela faculdade e isso só confirmaria tudo que eles fofocam entre si.

— Essa não é a minha intenção, mas peço que pense sobre isso. As vezes a coisa certa a se fazer requer sacrifícios.

— Eu não vou fazer sacrifício nenhum.

— Você ao menos tem contato com o pai da criança? Porque acho que…

— Chega! — ordeno.

Me levanto, enxugando a primeira lágrima que desce e posto minha mochila em minhas costas pronta para sair daqui, ele parece surpreso e até encosta seu corpo na cadeira, mas não deixarei que ele tenha uma última visão de mim fragilizada desse jeito.

— Katniss…

— Eu não sei quem você pensa que é para me dizer o que acha ser certo ou não, mas você não tem o mínimo de direito de opinar na minha vida e dizer que eu tenho que dar as minhas filhas para qualquer um — ele arregala os olhos, assustado. — Eu tenho vinte e um anos, sei quais são as minhas responsabilidades e daria a minha vida pela delas, então trate de medir suas palavras antes de se intrometer em qualquer assunto que não seja de seu domínio — caminho até a porta e encaro-o antes de sair. — Tenha um bom fim de semana.

Acho que nem preciso citar que Clove quase entrou na sala e caiu matando nosso diretor, porém ela nunca chegou perto de Madge – que não nos oferece nenhum risco para o resto da vida – quem dirá brigar ou ameaçar o cara que tem nossas profissões nas mãos. Ela escutou tudo pela fresta da porta que não estava fechada corretamente.

— Ele não pode dizer coisas desse tipo, Katniss! — ela grita enquanto corro para longe da sala dele. Ela se apressa e fica ao meu lado, agarrando meu braço quando passamos pelos portões. — Quando é que você vai parar de deixar as pessoas te tratarem com desprezo?

— Eu não deixo que elas façam isso comigo.

— Claro que deixa! Primeiro foi o Peeta, depois a Madge e agora o diretor da nossa universidade — ela segura meu rosto, forçando-me a olhá-la. — Faça isso parar.

Eu não quero falar sobre isso, eu não preciso tocar nesse assunto. Nunca fui uma garota que gosta de criar intrigas ou armar barraco, exatamente por esta razão que Clove se tornou minha amiga, por isso que deixo as pessoas falarem o que querem e criarem suas especulações. O que não significa que eu não me sinta incomodada.

— Só preciso descansar, Clove — respiro fundo. Meu nariz escorre e as lágrimas deslizam devagar pelas maçãs do meu rosto. — Essa semana está exaustiva demais para mim.

Ela seca a água em minha pele, beija minhas duas bochechas e acaricia minha barriga saliente. Enfim, Clove deixa o assunto de lado e livra meus ouvidos de mais sermões pelo resto do caminho até minha casa.

Almoçamos uma porção de macarrão integral com ovos mexidos e cenouras. Pode parecer um pouco fora do comum, como Clove mesmo disse, mas estou seguindo a quantidade de nutrientes que Daisy pediu e também ainda não tive nenhum tipo de desejo ou sonho estranho. Então sigo o que acho que vai ficar gosto e tento não comer por três, já que ainda enfrento algumas leves dificuldades de me manter no peso estipulado por ela.

— Eu preciso te fazer uma pergunta — confesso para Clove, enquanto ela lava a louca e eu coloco uma almofada em minha lombar e em baixo dos meus pés.

Ela nem se vira para me olhar. Clove sabe quando vou lhe perguntar sobre algo que não é de meu conhecimento e sim do dela. Ela esconde alguma coisa e é isso que vou descobrir.

— Diga.

— No dia em que eu sofri o acidente…

— Que não foi nada acidental — ela interrompe.

— Você que me ajudou — continuo. — Me ajudou ligando para o Peeta. Como você sabia o número dele se nem eu o tinha?

O corpo pequeno da baixinha se tenciona e ela quase derruba um dos copos de vidro que usamos. Encaro a agenda telefônica do meu celular e o número ainda sem nome que Clove usou para falar com ele. Salvo.

— É uma história engraçada — ela enrola.

— Clove… Sabe que não precisa dessas firulas comigo. É só dizer.

Ela suspira e vira-se, secando suas mãos num pano de prato que antes estava sobre seu ombro direito.

— Lembra que no dia em que você descobriu que estava grávida eu quem lhe dei o teste de gravidez? — concordo. — Então, eu meio que estou saindo com o cara que ficou comigo na festa do Hawthorne e ele é amigo do Peeta.

— E esse cara te deu o número do Peeta? Porque?

Clove cruza os braços. Sua mente está trabalhando rápido para me responder e não me deixar com dúvidas. Eu tinha achado estranho na hora em que estava deitada no asfalto, porém também estava com tanta dor que não dei a devida importância para isso depois. Nem mesmo nos dias seguintes.

— Sabe que estou aqui para te servir — ela ri. — Já que você tinha uma relação tão estranha e confusa com Peeta e os pais dele, eu pedi para ele me dar o número do amigo para caso eu precisasse ligar para ele. Por isso que no dia em que a Madge te empurrou, ele foi a primeira pessoa que me veio à cabeça, seu atendimento no hospital foi rápido graças ao Peeta e ao número que Cato me deu.

— Cato?

Ela sorri abertamente.

— É o nome do cara.

— Porque não me contou nada sobre ele? Vai fazer cinco meses da festa e os dois estão saindo desde então. Eu deveria ser a primeira a saber disso — seguro a cintura, com cara de brava. Tudo fingimento.

— Ninguém sabe sobre eu e ele. Ainda estamos tentando nos adaptar. Ele não tem a ficha suja como o Peeta, mas também não é o menino certinho.

Faço sinal para que ela venha até mim e Clove caminha como um zumbi de The Walking Dead. Somos opostas nesse sentindo, mas ainda seremos uma só quando A Guerra dos Cupcakes e Ed Sheeran estão presentes.

— Não posso mentir e dizer que não estou chateada por não ter me contado sobre esse Cato — ela faz biquinho. — Porém, se você diz que estavam tentando ir com calma, eu entendo.

— Sério mesmo?

— Sério. Só que de hoje em diante quero que me prometa que vai me atualizar cem por cento sobre o que ele e você tem feito juntos. Quero me conte como ele é, onde estuda, o que faz da vida e a rotina inteira dele.

— Identidade também? — ela brinca.

— E a ficha criminal — respondo.

— Prometo de mindinho — ela afirma, levanto o dedo e o colocando a minha frente.

— Ótimo — cruzo o seu junto com o meu.

No fim, ela dá um gritinho feliz e balança os braços, me abraçando. Clove está aliviada por poder dividir com alguém sobre sua relação com Cato, então ordeno que ela sente-se ao meu lado e fale-me tudo sobre ele. Duas pés a cabeça, do nascimento até os dias atuais.

Durante seu discurso sobre como ele é incrivelmente loiro, forte e tem uma moto dos sonhos, o meu celular toca e nós duas franzimos o cenho quando o nome de Peeta aparece brilhante na tela.

— Atende logo — Clove me apressa.

Passo o dedo na tela e sustento o telefone longe da orelha, respirando fundo sem saber no que é que isto dará.

— Alô.

— Katniss, é o Peeta.

— Eu sei que é você — ele ri.

— Escute, preciso saber se está em casa e com a tarde livre.

— Estou sim, porque?

Clove faz uma dúzia de sinais e gestos, ansiosa em descobrir o que é que eu e ele estamos falando, por isso que quando entendo que ela quer que eu coloque a ligação no viva voz me apresso em apertar o botão da função.

— Eu e você faremos algo essa tarde. Consegue vestir alguma roupa de ginástica em quinze minutos?

Porque acho que isso é um desafio?

— Consigo.

— Excelente. Daqui a quinze minutos estou aí. Se apresse, Cereja.

E sem uma despedida simbólica ou qualquer coisa do gênero, ele desliga a chamada.

— Qual é esse lance dele com cerejas? É algum tipo de tara ou vício pela fruta?

Sorrio com a pergunta de Clove. Sempre que acho que Peeta esqueceu esse apelido ou que não irá usá-lo, ele acaba por me surpreender e deixar esse cognome para o fim, fazendo-me ter a certeza de que não importa se ele está sendo gentil ou completamente irônico e debochado, ele ainda será o Peeta que conheci na festa do Hawthorne.

Tiro os pés da almofada e levanto-me. Clove vem logo atrás de mim.

— Na noite em que nos conhecemos, eu tinha bebido alguma coisa com cereja. Licor ou qualquer outro drinque assim — subimos as escadas e entramos em meu quarto. — Quando ele me beijou disse que eu tinha gosto de cereja e desde então ele me chama assim.

— É bonitinho até — ela dá de ombros.

Procuro por entre minhas roupas, alguma que eu possa utilizar. Depois que calça jeans se transformou em algo impossível de vestir e ainda achar confortável, precisei recorrer às leggings de uma maneira ou de outra. Com isso, procuro por qualquer uma da época da adolescência.

Não sei qual era o meu problema quando eu tinha dezesseis e dezessete anos, mas todas as roupas que eu comprava era um número ou um tamanho maior do que o que eu realmente vestia. Devia ser algum tipo de moda usar roupas largadas e folgadas. Porém elas estão me servindo e isso é maravilhoso.

Com isso, arrumo a legging vermelha em meu corpo e uma blusa de malha branca, juntamente do meu tênis de corrida, quase não usado, preto e rosa. Meu allstar não é a personificação de ginástica e exercícios.

Quando os exatos quinze minutos se passam, a campainha de casa é pressionada e reverbera por todos os cômodos. Clove se põe de pé e pede para eu vá fazer xixi antes de sair enquanto ela recebe o Peeta. Eu até tentaria fazer com que ela deixasse eu abrir a porta, mas a bexiga de uma grávida de gêmeas é uma bomba relógio.

Desço as escadas sem nada nas mãos a não ser o celular. Peeta está de bermuda e mais uma de suas típicas camisas com estampa na frente, desta vez é um touro vermelho e branco e o nome Chicago Bulls em letras garrafais pretas em cima. Estamos quase que combinando.

— Oi, Peeta — digo quase cobrindo o rosto de tão nervosa.

Da última vez em que estivemos juntos ele me deu vários beijos e ainda um selinho na porta de sua casa. O que ele fará agora? Agirá como se nada tivesse acontecido ou esperará por um instante onde estejamos sozinhos para ter esse contato mais próximo a mim?

É esquisito que eu não me sinta ofendida? Eu deixaria que ele fizesse de nossos beijos um segredo, até porque assim evitamos comentários e perguntas constrangedoras por parte de sua família, de Clove e da minha mãe. No entanto, um pensamento me vem a cabeça: ele tem namorada. Concluo disso que preciso parar de delirar. Mesmo que Madge seja uma louca e a pior namorada de todos os tempos.

— Oi, Katniss — ele sorri. — Podemos ir?

Olho para trás e vejo que Clove me empurra. Saímos de casa e ela tranca a porta para mim, colocando o molho em minhas palmas depois.

— Agora podemos.

Aceno para Clove que já corre para atravessar a rua e entro no carro de Peeta. Sem muita demora, o silêncio predomina o espaço fechado e angustia-me a vontade de ficar quieta.

— Posso saber para onde estamos indo? — pergunto.

Ele vistoria o retrovisor e segura o volante com as duas mãos. Ainda bem.

— Antes de te dizer, gostaria de saber se tem alguma coisa para contar.

Oh, merda. Clove e sua boca grande.

— Clove te contou não foi? — deixo minha testa repousar no vidro gelado da janela.

Esse papo não vai ser nada legal e confortável.

— O que me interessa é se você iria me contar ou não.

Ele não está mirando-me diretamente com seus olhos, mas posso sentir que se não estivesse dirigindo, amarraria uma corda no meu pescoço, colocaria palitinhos entre minhas bochechas e minhas sobrancelhas para que eu pudesse encará-lo sem nenhuma chance de escapar. Exatamente igual às torturas e hipinoses que aparecem em filmes de suspense e terror.

— Peeta… Já acabou, tá? Não preciso voltar mais nesse assunto.

— É claro que precisa, Katniss! — ele berra furioso. Essa atitude me assusta muito. — Que tipo de diretor é esse que fica se metendo na vida dos alunos e opinando sobre coisas que não cabem a ele opinar? Isso é ridículo.

Encolho-me um pouco. Eu já vi esse lado furioso do Peeta uma vez e foi direcionado especialmente para mim, porém a adrenalina era tanta que eu nem conseguia deixar de confrontá-lo, porém agora, vendo o quão irritada ele fica com esse assunto e estando com os hormônios à milhões, dá para ficar muito mais que assustada.

— Eu disse isso para ele, Peeta, já cuidei do assunto.

— Katniss, entenda que pessoa desse feitio não se aquietam com simples palavras — ele encara-me de relance e volta sua atenção para a rua. — É um absurdo. Como ele pode sugerir que coloquemos nossas filhas num orfanato? E é claro que elas têm um pai!

— Ele não sabia…

— Não me interessa! Não é coisa que se diga — ele acelera o carro numa velocidade impressionante. Preciso apertar o couro macio do assento para, pelo menos, conseguir respirar direito sem ter um ataque cardíaco de nervosismo.

Aparentemente ele percebe que está se sobressaltando e diminui lentamente para que não déssemos de solavanco para frente. Num sinal vermelha ele respira fundo.

— Desculpa.

Ele tira o celular e as chaves de mim, para colocá-las num suporte que fica em nosso meio. Feito isso, ele deixa a mão direita repousada em minha coxa e une a minha esquerda a ela, para que possa transmitir a segurança que nem ele sabe que consegue me fornecer.

— Não preciso que me peça desculpas, Katniss, só quero que me garanta que não vai deixar que as pessoas te tratem assim ou digam coisas que não te agradam, entende? Seja quem for, eu quero saber, quero ter a tranquilidade inclusa no meu dia a dia por saber que caso algo aconteça, você não exitará em me contar.

Endireito-me no banco, suas bolas de brilhante azuis estão me observando, então acabo por concordar com o que ele pede silenciosamente para que eu afirme. Não posso deixar que me tratem assim, no dia em que descobri minha gravidez, rebati cada frase repressora que Peeta jogava em minha consciência, não posso deixar que isso mude agora, ainda mais porque preciso proteger outras duas criaturinhas que estão dependendo de mim.

Ele sorri para mim, daquele jeito cafajeste e bobo que é típico dele, coloca a mão que não está junto da minha em minha nuca e puxa-me para frente, o suficiente para que ele também se incline e encoste seus lábios nos meus. Só um encostar mesmo, o suficiente para que eu sinta seu calor e o suficiente para que nos percamos no momento e os carros que estão atrás de nós comecem a buzinar. Não vimos o sinal abrir, culpa nossa, admito.

— Você é demais, Cereja — ele ri, tomando o controle do volante e indo adiante com o carro. —, você é demais.

Sorrio.

— Pode me dizer aonde vamos agora?

— Vamos participar de uma aula em grupo.

— Aula?

— Você vai gostar — ele pisca. — Confie em mim.

¬¬¬

Entramos numa sala com vários tapetes coloridos de yôga postos e abertos no chão, pouco a pouco vejo várias grávidas e seus parceiros se acomodarem em cima deles. Peeta puxa-me para um amarelo e senta nele junto comigo. Uma mulher de quarenta ou cinquenta anos se posta na frente de todos nós – também sentada num tapete – e nos observa, pedindo para que todos se sintam confortáveis e que logo mais começaremos a aula.

— Aula para pais de primeira viagem? — pergunto rindo, enquanto ele faz a gentileza de desamarrar e tirar meus tênis, deixando meus pés cobertos apenas pelas meias.

— Não é legal?

Ele ri junto comigo e depois se deixa ficar ao meu lado, esperando para que a aula comece.

Em que mundo eu pensaria que Peeta Mellark trar-me-ia para uma aula feita especialmente para pais de primeira viagem? Provavelmente ele estava com vários shots de tequila no cérebro quando teve essa ideia. Mais shots ainda para pesquisar sobre isso.

— É incrível — digo-lhe.

— Eu disse que você ia gostar.

Peeta, com certeza, criou uma meta de vida: me enlouquecer com sua tamanha bipolaridade.

Notas finais
Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=SkyqRP8S93Y Bom, sim, COMO EU HAVIA DITO, ANC seria excluída algum dia e esse dia chegou. O capítulo 9 é o último que será postado aqui e, com isso, encerro minha jornada no Nyah! com Peeta e Katniss. Agradeço as 4 recomendações, os 195 comentários, aos vários favoritos e as mais de 6000 visualizações. Óbvio que consegui muito mais que números, tenho leitores que se tornaram amigos que ficarão para o resto da minha vida. Passei quase 3 ANOS com as minhas fanfics e descobri muito sobre mim aqui, só posso agradecer, PORÉM chega um momento onde temos de dizer adeus. Um vídeo com algumas explicações foi colocado lá no grupo das fanfics essa semana, é só procurar lá, o link está aqui em baixo e, ANTES QUE PERGUNTEM NOS COMENTÁRIOS COMO SEMPRE, o link da versão original também está aqui no final. Um grande para vocês, amo muito todo mundo e espero que entendam que está na hora de seguir em frente. Link do grupo no facebook (fanfics): https://www.facebook.com/groups/ProjetosCarolDantas Link do grupo no facebook (originais): https://www.facebook.com/groups/RomancesCarolDantas Link da versão original no Wattpad: https://www.wattpad.com/story/56451669-consequ%C3%AAncias-de-uma-noite
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!