A Night At 221B
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Era sexta-feira e Sherlock estava deitado em seu sofá, os dedos de ambas as mãos doloridas de tanto atirar na parede, sentia profundo tédio e nessas horas Lestrade não aparecia com nenhum caso interessante para lhe tirar da monotonia. Bagunçou os cabelos e jogou-se no sofá.
Seu celular tocou e esticou o braço para pegá-lo e ver quem era na esperança que tivesse algum psicopata a solta e precisassem dele, mas não havia nenhuma mensagem de Lestrade ou Mycroft e sim de John, ele e Mary iriam à festa de comemoração da fundação do hospital em que trabalhava e ele pedia que olhasse de sua filha. Sherlock sorriu, enfim algo que lhe desentediasse, aos poucos aprendera a gostar da companhia da pequena Watson agora no auge dos seus cinco anos, respondeu a mensagem do amigo avisando para não se preocupar que ele a buscaria no colégio e ficaria com ela até que voltassem.
A pequena Watson conquistara sua total afeição quando em um dos natais que passaram juntos na casa de seus pais, depois de mamar a pequena vomitou nos sapatos de Mycroft, como não amar uma criatura assim? Sorriu com a lembrança, levantou-se do sofá num salto e foi trocar de roupa.
Era final de tarde em pleno outono londrino, chegou no colégio dez minutos antes da saída da garota, sentou-se num banco de frente para o portão onde as crianças saiam e ficou observando os pais que chegavam ao local: pai com duas famílias, mãe que traía o cônjuge com o chefe, suspirou, ah! as pessoas.
Os portões se abriram e começaram a entregar as crianças aos seus pais, encaminhou-se até a moça que as entregava, hora de começar a operação babá:
— Sherlock Holmes – anunciou — Vim buscar Charlotte Watson – a moça nem teve tempo de reconhecê-lo como o famoso detetive, antes a menina fez se notar entre as outras crianças:
— Tio Sherl – ela correu em sua direção, ele se abaixou para que ela pudesse abraçá-lo.
Apesar da idade Charlote era muito esperta, tinha os olhos castanhos e os cabelos cor de mel levemente ondulado na altura da cintura, o uniforme perfeitamente alinhado: saia, suéter, boina, sapatos... Exceto por uma pequena sujeira no sapato do pé direito.
— Olá pequena Watson – ela soltou-se do abraço para ficar de frente pra ele, no rosto a tentativa de uma expressão de mau humor, sabia que ela não gostava de ser chamada de pequena e o fazia só por implicância.
— É Lottie – ele se levantou e estendeu a mão para ela:
—Imagino que já saiba que ficará sob meus cuidados hoje, vamos Lottie?
Ela sorriu ao ouvir o apelido, os olhos brilhando, adorava companhia do padrinho, ele nunca era entediante, detestava quando seus pais precisavam ficar fora e ele não podia ficar com ela porque estava trabalhando, considerava todas as babás que sua mãe contratava chatas, nenhuma era melhor ou mais interessante que o querido tio, segurou a mão fria que ele estendeu.
— Vamos! – e começaram a caminhar, sabia que ela preferia ir andando até em casa — Podemos ficar na Baker Street? – enquanto ele ponderava e antes que recebesse uma negativa ela emendou — Gosto de ouvir você tocar...
Sabia que nem John ou Mary se importaria que ele a levasse para seu apartamento, não é como se alguém fosse bombardear a 221B ou que eles fosse destruí-la, segundo o amigo ‘quando se juntavam os dois eram capazes de acordar um dragão em um lugar de outro mundo’, mandou uma mensagem de texto avisando onde estariam.
— Pois bem, iremos a sua casa pegar suas roupas e depois vamos a Baker Street.
— Como eu sabia que você olharia de mim hoje... Coloquei minhas coisas na mochila da escola – e sorriu da própria esperteza.
— Bem pensado minha cara – observava como ela estava feliz, sabia o quanto gostava que ele a elogiasse — Ganhou a corrida?
— Quê? – ela o olhou fingindo não entender
— Seus sapatos – ela baixou o olhar, achava que tinha eliminado todas as evidências, mas nada passava despercebido ás observações do padrinho.
— 3 segundos na frente – ela respondeu orgulhosa do feito — O vamos jantar hoje?
— Não sei talvez a Sra Hudson faça algo gostoso.
— Podemos comer marshmalows na fogueira...
— Depois seus pais me culpam por lhe ensinar maus hábitos
— Não vão fazer isso, até porque mamãe e papai gostam demais de você, uma vez papai disse “você parece com Sherlock quando faz isso” porque virei de costas e fingi que não ouvia o discurso ‘Charlotte você é uma garota e não deve apostar corrida com os meninos’.
O detetive riu, a pequena Watson daria uma ótima pupila, sempre que ele ensinava algo ela aprendia rápido e era toda sorrisos, no caminho pararam num supermercado e depois foram para a Baker Street, Charlotte alternava entre relatar alguns fatos da escola e cantarolar My Fair Lady.
- — — — — — -
Charlotte ao ouvir a porta da frente sendo aberta no andar debaixo e correu para a porta, Sherlock levantou-se de trás de sua poltrona perguntou:
— Quem é Lottie?
— Capitã Lottie – corrigiu-o — E sua namorada agora é minha refém!
A sala do 221B estava com móveis arrastados para todos os cantos, almofadas no chão, parecia que um furacão tinha passado naquela sala, Charlotte estava só de pijamas e meias, tapa-olho, segurava uma espada de mentira, do outro lado Sherlock estava com o ‘chapéu engraçado’, roupão por cima das roupas, e preso ao cinto do roupão tinha uma espada de mentira também, Molly riu da cena, o detetive brincando de piratas com a filha dos Watson certamente era algo engraçado de se ver. Entraria na brincadeira deles.
— Por favor, Capitão Holmes salve-me.
— Agora que Lady Molly é prisioneira no Revenge of The Queen of Hearts posso negociar sua troca pelo arco de ouro – Lottie fingiu uma risada maléfica
— Arco de Ouro? Vingança da Rainha de Copas? – a legista perguntou tentando acompanha-los.
— É o tesouro que ele esconde – do lado oposto o detetive ergueu o arco de seu violino — Gostou do nome do navio?
— Claro Capitã Lottie, e o que pretende fazer caso o Capitão Holmes não me salve?
— Oras, você andará na prancha minha cara.
— Proponho uma troca: me entregue Lady Molly e eu lhe entrego o Arco de Ouro – Sherlock andou até perto de onde elas estavam e estendeu o arco na direção dela.
— Justo! – a menina apanhou o arco das mãos do detetive e soltou sua ‘refém’, Molly correu e ficou atrás de Sherlock.
— Agora – ela disse sorrindo — Ao duelo de espadas Capitão Holmes!
Os dois encenavam uma batalha épica de espadas, a legista percebia o cuidado que ele tinha para não acabar acertando ela com força sem querer, ela por sua vez tirava proveito disso e volta e meia o acertava nas pernas, viu-a subir em cima de uma poltrona e o acertar na barriga, ele dramatizou uma morte e caiu de costas no chão, Charlotte saltou da poltrona e começou a comemorar, foi na direção de Molly que assistia o desfecho da brincadeira deles:
— A propósito Molly, oi – e ia abraça-la se Sherlock não tivesse a tirado do chão e colocado nos ombros.
— Nunca dê as costas ao seu inimigo pequena Watson.
— Lottie, ou melhor, Capitã Lottie – ela protestou.
— Olá Charlotte – a legista tirou-a dos ombros de Sherlock e depois de abraça-la a colocou no chão — Olá Sherlock.
— Olá Molly, o que faz aqui?
— Vim dizer oi, porém caí nas garras da temível pirata Lottie e agora vou para meu apartamento.
— Fica com a gente Molly, Tio Sherl vai acender a lareira e vamos assar marshmallows e ele também vai tocar violino... – a menina puxou a legista pela mão e a fez sentar-se no chão para subir em seu colo
— Sherlock...?! – ela quis saber a opinião dele
— Faça o que ela diz – e saiu do campo de visão delas, ele voltou com os palitos e marshmallows em mãos, agachou-se e começou a mexer na lareira para acendê-la.
— Farei chocolate quente então, me ajuda Lottie?
Quando as duas voltaram da cozinha da Sra Hudson com a bandeja o cheiro do chocolate quente preencheu a sala, Sherlock tocava ao lado da lareira acesa com os olhos fechados, abriu-os quando sentiu a aproximação delas.
— Porque parou? – Charlotte quis saber
— Vocês trouxeram uma bebida quente – ele disse pegando uma caneca — Pode comer seus marshmallows agora Lottie.
Charlotte puxou Sherlock e Molly para sentarem com ela no chão perto da lareira, pediu para a legista trançar seu cabelo depois o detetive tocou até Lottie adormecer no colo de Molly, colocou a afilhada para dormir no seu quarto, depositou um beijo em sua testa e a observou por uns segundos, parecia um anjo, se fosse preciso mataria só para protegê-la.
Voltou para sala, sentou-se ao lado de Molly no sofá e ficaram em silêncio alguns minutos, ia se levantar para ir pra casa quando ele deitou a cabeça em seu colo, ela começou a mexer em seu cabelo brincando com os cachos, não soube quanto tempo levou até que caiu no sono.
No outro dia quando Mary foi buscar Charlote, Sra Hudson a recebeu e acompanhou-a até a sala, assim que abriram a porta se depararam com Sherlock dormindo no colo de Molly no sofá, elas se entreolharam e sorriram, Mary gostava de ver o detetive com a legista, a considerava uma ótima companhia para ele. Foi nas pontas dos pés até o quarto e viu sua filha dormindo, voltou para sala e Sra Hudson sussurrou:
— O que acha de um chá Sra Watson?
— Seria um prazer.
Mary encostou a porta de atrás de si e seguiu Sra Hudson até sua cozinha, precisava contar ao John o que vira quando chegou para buscar Charlotte, segundo seu marido ‘os dois destruiriam Baker Street’, sabia que quando a filha acordasse relataria sobre suas ‘aventuras com o Tio Sherl’, e apesar da bagunça que estava na sala, Mary sorriu satisfeita com o que encontrou
Fale com o autor