Notas iniciais
Jesus! Eu não faço isso ha anos. Por favor me deem um desconto...

Espero que gostem!

Emma Jones — 15 Fevereiro de 2017

Ok, vamos lá. Não pode ser tão ruim assim. Estava no meio do meu horário de almoço, e me preparando psicologicamente para a reunião mais importante da minha vida. A que me tornaria Partner Junior na Parker&Parkson Law LLC, e que havia me feito perder noites e noites de nervosismo, caso ocorresse como eu planejava, quando recebi uma ligação de um hospital em Nova Iorque, sobre um acidente com Charlotte Wilson, minha melhor amiga. Não foi preciso muito mais pra me deixar desesperada, cancelar todos os meus compromissos no período da tarde e dirigir por uma hora e meia até o Bronx.

Lottie, como a chamava, sempre foi minha melhor amiga. Nos conhecemos aos 8 anos de idade e não me recordo de passar por algum momento especial, sem ela ao meu lado. Crescemos juntas em Elizabeth, Nova Jersey, mas quando Charlotte se casou com Josh, acabou se mudando para Nova Iorque, já que era mais perto do trabalho do marido. Eu? Eu continuei em Nova Jersey, mas nos víamos frequentemente, já que bastava pegar um trem e 15 minutos depois estava em Manhattan.

Quatro anos atrás, Lottie teve uma pequena garotinha. Obviamente fui escolhida para ser madrinha, já que não poderia ser diferente. Alice se tornou meu mundo. Bastava piscar os lindos olhinhos cor de mel, para o meu lado, para ter tudo que estivesse ao meu alcance.

Mas continuando. Lottie estaria bem, tenho certeza que foi só um susto. Talvez eu receba algumas multas por atravessar sinais vermelhos, mas tudo bem. Eu poderia conviver com isso.

As 2pm, estacionei o carro de qualquer jeito, no estacionamento do hospital, e não foi muito difícil achar a sala de espera. Parei algumas enfermeiras que passavam pelo corredor, mas obtive apenas a resposta "logo o Dr vira falar com os familiares". Me sentei impaciente ao lado de um homem, que só então percebi sua presença. Ele parecia aéreo. Mas não perguntei nada. Estava preocupada de mais pra qualquer coisa.

Vinte minutos depois, e um médico apareceu, chamando pelos familiares de Charlotte Wilson e Josh Wilson.

— Sim Dr? — levantei junto ao jovem rapaz e dissemos juntos. Dessa vez parecendo bem desperto.

— Meus jovens, infelizmente a senhorita Charlotte e Josh Wilson, não resistiram. Josh já chegou com uma hemorragia interna no cérebro e Charlotte veio a óbito no local do acidente. Eu sinto muito. — o médico suspirou — fizemos o possível para reanima-los.

Naquele momento eu sentia que meu chão tinha desabado. Charlotte era minha família. Seus pais terminaram de me criar quando meus pais faleceram. Tio Kevin e Tia Amélia, haviam falecido a pouco tempo. Isso era de mais pra suportar.

O médico discretamente saiu, e eu me sentei novamente na cadeira. Não tinha forças pra passar por isso sozinha. Eu precisava dela, até mesmo para superar sua perda. E quanto a Alice? Minha pequena vai ficar arrasada. Não pude notar minhas lagrimas caindo sem parar, até perceber que o chão estava todo embaçado. Ou era minha vista.

— Isso não pode ser. Tem que haver algum engano! — A voz do homem desconhecido ao meu lado chamou minha atenção.

— Quem é você? — perguntei em meio a soluços. Nunca havia o visto até então. Saberia se fosse alguém próximo de Charlotte e Josh, afinal, vivia com eles praticamente.

— Meu nome e James Maximus, e sou o melhor amigo do Josh. Nós nos formamos juntos em Princeton.

Aquilo era impossível. Eu conhecia todos os amigos do Josh. Ele nunca havia mencionado nenhum James.

— Desculpa, ele nunca falou de você. — disse sincera, enquanto dava algumas fungadas.

— Eu sou padrinho da filha dele. — ele disse mais para si mesmo do que pra mim, e num súbito se levantou como se tivesse acabado de se lembrar de Alice — Eu preciso vê-la. Busca-la na escola.

Pronto. Agora entendi. Com certeza estava interessado na Alice, apenas pela herança que Emma teria agora. Charlotte nunca foi rica, mas também não era pobre. Quando conheceu Josh, ficou encantada por todo conforto que ele poderia proporcionar a ela, já que ele era dono de uma rede de hotéis nacionais. Herdado de sua família também, por sinal.

— A Emma vai ficar comigo. Não se preocupe. — Disse pegando a minha bolsa e o alcançando. — eu sou madrinha dela. Tenho certeza que Emma e Josh deixaram a guarda pra mim.

— Tenho certeza que deixaram pra mim. — ele respondeu cínico, como se fosse bem obvio — já havíamos conversado sobre isso antes.

Por um segundo me senti ofendida. Mas conhecia Charlotte como a palma da minha mão. Ela não faria isso comigo.

Cada um entrou no seu carro em direção a escola de Emma, em Manhattan. O caminho foi longo por conta do trânsito, mas quando cheguei, o Sr Maximus estava na porta da escola, conversando com uma das professoras de Emma.

— Oi, Senhora Ana, como está? — Perguntei ao me aproximar. — Vim pegar a Alice hoje.

— Oi Emma, que bom que chegou. — ela suspirou em alivio — estava mesmo explicando para o Sr Maximus, que apenas adultos autorizados são aptos a retirar as crianças da escola.

HAHA Obvio que esse louco desconhecido não estava autorizado na direção. Eu pegava a Alice algumas vezes, quando Lottie estava ocupada com o trabalho, então havia sido autorizada desde que a pequena foi matriculada na escola.

De longe pude avistar Alice correndo em minha direção. Sorri triste, por saber que não saberia como confortar a criança em relação a seus pais.

Diferente do que eu pensei, Alice não estava correndo em minha direção, mas sim na de James, que logo a pegou no colo. Ela nem se quer havia me visto ali.

— Tio James, quanto tempo — ela o abraçou — por que você demorou dessa vez?

— Minha pequena, desculpa o tio. — ele disse a ela com a voz embargada — não vou embora mais, eu prometo.

Eu aposto que não, já que agora quer viver às custas de uma criança.

Naquela noite, levei Emma pra casa. Ela não entendia bem, mas estava acostumada a ficar comigo. Quatro dias depois, ocorreu o funeral dos Wilsons. Alguns amigos vieram, mas nenhuma família de Josh apareceu. Quando eles se casaram, os irmãos foram contra e cortaram qualquer relação pessoal que tinham. Josh comprou a parte dos mesmos da empresa, e depois disso nunca mais apareceram. Nem mesmo quando Alice nasceu.

Sete dias depois do acidente, um advogado ligou, pedindo para Alice e eu comparecermos em seu escritório na manhã seguinte. Meu sangue gelou, pois sabia que James não desistiria da menina tão facilmente. Espero que os Wilsons tenham feito um testamento.

22 de Fevereiro de 2017

As oito da manhã, em ponto, já estava na sala de espera de um famoso escritório de advocacia, também em Manhattan. Alice, ainda sonolenta, estava deitada em meu colo, segurando uma boneca de pano que eu havia a dado.

Alguns minutos depois, Dr. Baldwin nos chamou em seu escritório. Respirei aliviada ao me sentar e perceber que o Sr intruso não estava lá, logo, não tinha perigo em relação a Alice.

— Bom dia Sr Baldwin. Podemos ir direto ao que interessa? — perguntei aflita. — Por que estamos aqui?

— Senhorita Jones, me perdoe — ele disse ao retirar alguns papeis de uma pasta, e então escutei batidas na porta e uma cabeça passando por ela.

O que não pude reparar 8 dias atrás, ou no funeral, é que James é bem atraente. Cabelos castanhos, olhos verdes, porte atlético. Mas não importava. Ele me cheirava a problema em todos os sentidos possíveis.

Meu sangue gelou mais uma vez. "Deus, não deixe que tirem minha menina", pensei comigo mesma.

— Agora sim, podemos começar. — o advogado disse sorrindo ao olhar para James que agora sentava-se ao meu lado.

— Bom dia! — James disse e deu um beijo na cabeça de Alice, que agora cochilava.

— Os chamei aqui para tratar do testamento da família Wilson. — Dr Baldwin disse e começou a ler.

Cada clausula fazia o meu coração disparar mais rápido. Comecei a me sentir instantaneamente suada, mesmo com o ar condicionado ligado, e o vento empurrando forte lá fora.

Charlotte e Wilson, haviam sim, deixado a guarda da Alice para mim. Mas para o meu desespero, haviam deixado para James também. Juntamente com a rede de hotéis, que seriamos responsáveis até a Alice completar maioridade. O apartamento de luxo em Manhattan? A mesma coisa? Eu estava presa a esse homem até Alice completar 21 anos. Afinal, quem é ele? Por que ele é tão importante para os Wilsons? Por que nunca ouvi falar dele antes?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.