A New Sun
2 Capítulo 2
Notas iniciais
POV SUZANE
Parecia loucura de mais ...mas como resistir aqueles braços me envolvendo ? aqueles olhos cor de mel me chamando? foi mais forte que eu resistir a tamanha loucura. Nessa hora eu não sentia mais o meu tornozelo , nem o frio e nem fome.
Quando senti aquele homem me protegendo, seus braços envolvendo meu corpo, eu simplesmente senti uma força me puxando para ele e quando nossos olhares se encontraram...
O trouxe para mim numa necessidade inexplicável de tocar seus lábios com os meus. E tudo foi luz na naquele beijo, me senti uma boba e bateu um frio na barriga, como se borboletas pudessem voar mesmo dentro do estômago.
-Ai...desculpa! eu não devia ter feito isso! – disse saindo de seus braços. – É melhor irmos andando e olha... me desculpa, ta?
-Hey...shhh calma, tudo bem. A culpa também foi minha, eu não devia ter me aproximado tanto. Além do mais ainda chove, quando estiar eu te levo daqui.
A julgar pelo sol que surgiu algumas horas depois secando o solo antes encharcado, Jacob me colocou em seus braços de novo e começamos a subir.
-Suzane , acho melhor tomarmos um banho aqui. Quero dizer, seu tornozelo. Esta água é muito fria e talvez sirva como uma compressa de gelo, sei lá.
Assenti sem ter muita certeza se era isso mesmo que queria. Talvez a frase “acho melhor tomarmos um banho” não tivesse ajudado muito.
-Vou ficar de costas , você tira a roupa e entra, ok? Mais não vá até aquele ponto por que é fundo demais e...
-Entendi. Vire-se.
-Tá.
Comecei a tirar minha blusa ficando apenas de sutiã , tirei o cinto da minha calça e muito lentamente fui tirando ela. Apenas de peças intimas entrei na água.
A sensação foi imediata de alivio. Lavei o rosto, os cabelos . Olhei para Jacob e ele se mantinha de costas como prometeu. Só aí pude observar coisas nele que não tinha visto antes. Seu porte muito atlético, cada músculo bem desenhado e visível ...ao menos seus braços e parte do seu tronco. Ele tinha uma tatuagem no braço...perfeito.
Calma Suzane! Você não pode pensar nessas coisas, mantenha-se na sua , ele é só um estranho que está te ajudando e depois disso você nunca mais o verá. Você tem problemas demais para resolver...Brian. – gritava minha mente.
-Ai! – exclamei quando pisei em falso – Jake!
-O que foi? – ele disse espiando pelo ombro.
-Socorro...eu não consigo andar aqui.
-Eu vou ter que me virar, ok?
-Meu pé Jake!
Eu estava próxima a margem e meu pé se enganchou em algo no fundo. Ele mergulhou e foi até onde meu pé estava enroscado .
Ele emergiu e tocou meu rosto.
-Tudo bem agora? – ele disse com a sua voz rouca fitando meu corpo a mostra. Aquela voz quase sussurrando no meu ouvido...era tentação demais para mim. Ele me ajudou a sair e me pôs em terra firme.
-Obrigada Jake! – disse sorrindo sinceramente.
Ele travou o maxilar e surgiu uma ruga entre suas sobrancelhas negras.
-Favor só me chame de Jacob. Não gosto que me chamem de Jake. – ele disse friamente e eu me encolhi. Será que passei dos limites? Mais era só um apelido do nome dele!
Me vesti e não falei mais nada o restante do caminho, me recusei a ser carregada também.
-Qual é? Vai ficar sem falar comigo agora ? você nem quer que eu te carregue! Já podíamos ter chegado em casa.
Não respondi.
Ele bufou forte e quando passou por uma árvore a socou com raiva praguejando numa língua estranha. Me assustei ainda mais. E se ele fosse me fazer algum mal? Ele estava demonstrando ser do tipo violento.
A dor no meu pé voltou a incomodar e eu sentei numa pedra. Ele nem notou que eu havia parado.
-Senhor Jacob, não consigo mais andar. Preciso de dois minutos. – falei.
-Ótimo, por que já chegamos!
Ele andou até uma casa de madeira. Perfeita, e pelo que pude ver bastante aconchegante. Ele voltou com um telefone chamando ajuda.
-Ok, fico aguardando. – ele respondeu e desligou.
-Pediu ambulância?
-Sim. A sua irmã deu parte na delegacia declarando seu sumiço, a polícia achou seu carro e estão à sua procura. Eu já avisei que te encontrei e que está ferida. Logo eles chegam.
-Obrigada.
-Quer comer o que? Eu preparo. – ele já era o mesmo cara amável de antes e isso me assustava assim como me atraia.
-O que fizer está ótimo!
-Você quer entrar?
Pensei em negar mais eu precisa usar o banheiro.
-Claro.
Ele apoiou meu braço em volta de seu pescoço enquanto sua mão livre descansava na minha cintura.
Ele me mostrou o caminho do banheiro e eu segui. Antes de fechar a porta ouvir ele dizer “Samantha, me perdoe não é nada disso que possa parecer”.
Então ele era casado?
Não pude deixar de me sentir mal por tê-lo beijado.
Ele bateu na porta me fazendo acelerar o processo, penteei meu cabelo, me sequei e saí.
-Desculpa a demora.
-Olha só, a polícia e a ambulância já estão aqui.
Jacob me ajudou a sentar no seu sofá de couro branco e me trouxe o que comer. Enquanto os policiais me enchiam de pergunta eu comia. Jacob estava sendo avaliado pelos para -médicos .
-...Então foi isso o que aconteceu. – finalizei.
-Senhora, agradecemos a sua ajuda. Agora os médicos vão te avaliar e depois está liberada. – me disse um policial.
-Ele está bem? – indiquei Jacob.
-Sim, não se preocupe. – me disse o médico que agora me atendia enquanto Jacob falava com a policia.
Eles imobilizaram meu tornozelo e me enfiaram naquela maca pavorosa com um colar cervical.
Quando as sirenes soaram Jacob veio se despedir.
-Vai na paz e da próxima vez que seu carro quebrar, chame um mecânico ou um guincho, ok? Nada de andar por florestas desconhecidas !
Ele abriu um sorriso que mais parecia o sol em dia de verão e meu coração deu um salto alucinado dentro do peito.
Fui embora sem saber se o veria novamente ou se deveria vê-lo novamente.
POV JACOB
-Jake! – Sam gritou quando entrei no meu quarto, ela entrou como furacão bufando.
-Oi Samantha, olha só me desculpa, tá? Não tive a intenção de me perder na floresta com aquela garota.
-Não é isso Jake! Eu vejo o que acontece e já estava na hora , ok?
-Sam nem vem que não tem.
-Eu vi como ela te olhava, eu vi como você reagiu!
-Eu não te entendo! – coloquei para fora. – O que você quer? Que eu vá ou que eu fique? Eu não posso ir Samantha!
-Não é você que vai e você sabe disso!
-Sam eu te amo!
-Eu também Jake, mais isso não é bom para nenhum dos dois.
-Sam, eu não posso superar! Não posso esquecer...- disse em um fio de voz, as lembranças daquela noite me faziam perder o ar.
-Você tem que entender que o que aconteceu ficou lá, no passado.
-Samantha não fale assim. Você é minha e eu não vou esquecer aquilo, não estou pronto para te perder de novo.
-Você não vai me perder por que eu estou sempre do seu lado amor, você me guarda no lugar mais seguro do mundo!
Ela veio até mim e colocou sua mão acima do meu coração.
-Eu estou no seu coração e você sempre estará no meu.
-Eu te amo demais. – disse já chorando.
-E foi lindo enquanto durou. Mais agora eu preciso que você me deixe ir! Nossa relação não vale mais a pena.
-Eu nunca vou deixar você partir de novo Samantha Black. Nunca!
Minha mulher suspirou e saiu.
Tomei um banho relaxante e fiquei remoendo o passado, Sam não podia está falando sério em me deixar sozinho de novo. Ela me ama e eu a amo então..porque ela quer partir de novo? Só pra me ver entregue as noites de sexo casual e álcool? Que tipo de amor era esse?
-Do tipo platônico e altamente destrutivo. – Sam entrou sorrindo no banheiro. – uh..banho de banheira. Boas lembranças.
-E por que não entra?
-Seu pervertido!
-Vou sair amanhã, é sexta e eu só começo a trabalhar na segunda mesmo.
-Ok.
[...]
Vesti uma calça jeans, um tênis , coloquei uma camiseta vermelha e um blazer por cima. Peguei o meu carro – um Troller 4x4 – e desci a estrada de barro até chegar na cidade. Wilmighton era uma cidade boa e agitada apesar de pequena.
Fui até a casa de um velho amigo com quem havia trabalhado na Califórnia anos antes. Ethan havia se casado antes de entrar para a NBA . Eu o ajudei como preparador físico.
Comprei uma garrafa de vinho antes de tocar na companhia da sua casa.
Ele era um cara rico, mas muito humilde.
-Eu não acredito! – disse Amanda ao me ver na porta. – entra!
Entrei e dei um abraço amistoso nela.
-Tio Jake! – um furacão de meio metro e de cabelos loiros veio correndo até se abraçar com a minha perna.
-Oi amigão!
-Querido vá chamar seu pai.
-Certo mamãe.
Will saiu correndo gritado pela casa anunciando a minha chegada.
-Ai Jake como é bom te ver depois de três longos anos. – Amanda disse me abraçando de novo.
-Hey! Vá procurar uma garota para você meu chapa essa já é minha! – Ethan disse brincando.
-Vem cá meu amigo, dá um abraço! – falei .
Conversamos a noite quase toda, bebemos o vinho que havia trazido quando a porta é violentamente batida atrás de nós.
-Su? O que houve? – Amanda se levantou preocupada – O que ele te fez?
Me virei e vi Suzane chorando nos braços de Amanda. Meu coração acelerou só de vê-la e meus punhos se cerraram em seguida ao processar a cena, alguém havia feito mal à ela.
-Essa é minha cunhada mais nova, Suzane . Ela veio passar uns dias aqui em casa já que ela precisa de certa proteção e cuidados. – Ethan disse baixo e logo se levantou para ir até elas. Queria fazer o mesmo mais não sabia se devia.
Suzane pegou as muletas e saiu do meu campo de visão.
-Ethan, Amanda, acho melhor eu ir embora. – falei perto deles três .
-Não Jacob – disse Suzane –, você não precisa ir só por que eu cheguei nesse estado.
-Mas Suzane...- tentei falar.
-Mas nada Jacob. Eu volto logo. – ela saiu.
-De onde vocês se conhecem? – Ethan perguntou.
-Bom, ela se machucou perdida na mata e eu estava por perto então...
-Ah então era você ! – Amanda parecia não surpresa e sim...feliz?
-Obrigado por ter cuidado dela – Ethan disse.
-Faria por qualquer pessoa. – respondi. – Agora vou embora. Depois venho para uma outra visita.
-Te aguardamos então. Aliás domingo seria perfeito já que é aniversário do Will, sete anos! Ele te adora.
-Domingo então.
Saí de lá pensando no que meu amigo disse “Ela veio passar uns dias aqui em casa já que ela precisa de certa proteção e cuidados.”
O que quis dizer com isso? Seria este o motivo dela ter chegado chorando?
Caminhei pela praia em frente a casa de Ethan e Amanda. Sentei na areia vendo as pequenas ondas quebrando na praia quando ouvi ela chamar meu nome.
-Suzane?
-Se você for mais cavalheiro vai me esperar, certo? – ela disse ofegando. – E por favor me chame de Su.
-Ok, Su. – disse a ajudando a sentar na areia. – Como está seu pé?
-Só uma torção das feias. – ela se virou para o meu lado e disse — Eu não sabia que você era amigo da minha irmã e do meu cunhado.
-É, e nem eu – rimos.
-Posso saber o que aconteceu para você chegar daquele jeito? – eu necessitava saber. Por que ? eu não sei! Só sabia que precisava protegê-la.
-Longa história. Um dia te conto. – disse fitando o nada.
O celular dela soou quebrando um incomodo silêncio .
-Alô? — ela disse e seguiu em silêncio por breves momentos- Acabou Brian, simples assim. Eu não te amo mais! Me esquece e não me telefone mais! — outro silêncio- Eu deixei de te amar e você tem que aceitar isso!
Ela desligou chorando e soluçando muito.
-Droga! Me leva daqui Jacob...sei lá, para o primeiro bar. Quero me embebedar até não lembrar meu nome!
-Opa...não é assim que a coisa funciona. – olha quem tá falando! O cara que está sóbrio a apenas 48 horas. Ri internamente do meu próprio sarcasmo .
A levei para dar uma volta e paramos na ponte da cidade para olhar o movimento de barcos no porto.
-Eu ainda to preferindo encher a cara. – ela disse olhando para baixo.
-Eu estou tentando me manter sóbrio . – admiti.
-Sério? E por que?
-Longa história, quem sabe um dia eu te conte. – disse rindo sem nenhum humor.
-Essa longa história se chama ...Samantha?
Travei cada músculo do meu corpo. Como ela sabia?
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