A New Start
7 Assis
Notas iniciais
Abri os olhos violentamente ao som irritante do alarme, desligando-o com um soco. Olhei para o lado e vi o loiro que acordava agora esboçando um sorriso preguiçoso nos lábios. Lembrei-me imediatamente do sorriso cafajeste que ele tinha enquanto me beijava ontem. Acho que é desnecessário dizer que não conseguir dormir a noite toda pensando na cena.
Já estava mais do que na hora de admitir que eu estava atraída por ele. O idiota fez questão de me provar isso. Como pode você odiar e gostar tanto de uma pessoa ao mesmo tempo? Nunca vou entender. Dino mexia comigo, especialmente no sentido bíblico. Agora mesmo, não conseguia parar de encarar o peitoral desnudo dele, venho fazendo isso desde ontem à noite, quando ele tirou a camisa com a desculpa de que estava com calor.
Calor uma ova. Fazia 17°C lá fora e mesmo com as cobertas ainda estava frio. O filho da mãe estava fazendo de tudo pra me provocar, e quer saber? Ele estava conseguindo, e muito! Dino abriu os olhos e mordeu o lábio levemente, não podendo me controlar, deixei um gemido escapar, metade foi pelo prazer de ver aquela cena divina, e a outra metade foi de pura derrota. O desgraçado, obviamente, riu.
Ótimo, perfeito. Já não bastava o jeito como perdi o controle ontem, agora fiz questão de expressar novamente o quanto ele me provoca. O loiro passou o braço pela minha cintura e me puxou para perto, encostei meu rosto em seu peito – algo que venho lutando por seis horas para não fazer. Lá se foi o resto da minha dignidade. – e suspirei fundo.
– Dormiu bem? – Perguntei.
– Podia estar dormindo em um colchão de palha e ainda assim seria maravilhoso contanto que você estivesse do meu lado. – Esse homem vai ser minha ruína. Juro. – Mas devo dizer que a melhor parte foi você me encarando. Sabe que pode me tocar a hora que quiser, não é? E quando digo tocar, quero dizer, realmente tocar. Não precisa nem pedir.
Por acaso ele acabou de sugerir o que eu acho que ele sugeriu? O brilho de divertimento em seu olhar confirmava. Cafajeste. Ok, não vou mentir, a ideia passou pela minha cabeça pelo menos umas três vezes essa noite, mas qual é?! Você também pensaria nisso se tivesse um cara desses na sua cama praticamente pedindo para ser atacado.
– Vem, vamos. Precisamos ir logo se quisermos chegar lá a tempo.
– E para onde estamos indo exatamente? – Perguntei de novo. Não entendia para que tanto mistério.
–Já disse. Surpresa. – Revirei os olhos e ele riu.
Levantei-me e fui ao banheiro me olhar no espelho. Acabada era apelido, minha aparência era mais para destruída. Meus cabelos estavam totalmente bagunçados, pareciam mais um ninho de cobra do que qualquer outra coisa, as olheiras também não ajudaram em nada.
Puxando uma escova da mochila, tentei torna-me mais apresentável. Não sei como Dino não se assustou quando me viu ao acordar. Escovei os dentes e passei um pouco de maquiagem, só para disfarçar.
Pronta para pôr o pé na estrada, saí do banheiro para encontrar Dino sentado na cama com as chaves do carro na mão, ao me ver ele sorriu, levantou e me puxou pela mão, nos guiando até a porta.
Os dedos deles estavam entrelaçados nos meus. Esperava ficar vermelha, mas não fiquei, estava distraída demais observando as mãos dele. Eram grandes, cobriam a minha inteira, e fortes também, meio calejadas, talvez pelo uso constante do chicote.
Lembrei-me de como era ter aquelas mãos apertando minhas coxas enquanto ele me beijava, como se só aquilo não fosse o suficiente. Lembro-me da sua respiração tão próxima da minha, fazendo arrepios percorrem meu corpo. A forma como seus braços me seguravam, fazendo-me sentir protegida, amada. E acima de tudo, lembro-me de como ele gemeu quando eu puxei seu cabelo levemente. Aquilo me excitou mais do que devia ser permitido.
Quando me dei por mim, já estávamos em frente do carro, Dino abrira a porta para mim e esperava eu entrar, fiz isso imediatamente, tentando não corar pelas lembranças revividas a pouco.
Saímos do estacionamento e liguei o rádio, fazendo de tudo para não voltar a pensar sobre ontem à noite. A última coisa que precisava agora era imaginar como seria se não tivéssemos parado nossa sessão de amassos. Olhei para o lado e vi Dino concentrado na estrada, quando me viu encarando, apertou minha mão levemente e sorriu, voltando o olhar para sua frente.
XXX
Meu coração parou, sentia minha boca a aberta e os olhos arregalados. Por um momento esqueci como se respirava. A cidade era maravilhosa!
Estávamos em Assis, cidade onde São Francisco nasceu, e Dino não mentiu quando disse que eu ia amar. Era completamente medieval. Das ruas de paralelepípedos, aos muros na entrada da cidade, tudo aqui exalava história!
Entramos em uma espécie de pátio que dava para a uma catedral e tive que parar um momento para observar a paisagem ao meu redor. Nunca imaginei que visitaria um lugar desses em toda minha vida!
– Cattedrale di San Rufino. – Dino falou, e só então me lembrei que ele ainda estava do meu lado. – É um bom ponto para nos encontrámos, caso a gente se perca. – Concordei. Aqui era amplo, ao contrário das outras ruas, que eram estreitas, verdadeiras ruelas.
– Dino, isso é... Maravilhoso. Sério, não tenho nem palavras. – Vi seu rosto se iluminar com um sorriso. — Como você sabia que eu iria gostar desse lugar? – Perguntei e ele pareceu desconcertado por um momento, trocando o peso de uma perna para a outra.
– Eu talvez tenha perguntado para sua amiga Carolina pelo Facebook. – Meu queixo caiu. – Ela me adicionou e exigiu que eu dissesse quais eram minhas intenções com você, aproveitei e perguntei o que eu poderia lhe dar presente e ela disse que qualquer coisa relacionada à história serviria, então quando te vi tão pra baixo ontem, achei que um tour por uma autêntica cidade medieval ajudaria! – Dino terminou com os braços abertos, como que me mostrando a cidade. O riso nervoso denunciava sua insegurança.
Meu Deus! Eu nem sabia o que dizer. Como assim a Carol o adicionou exigindo que explicasse suas intenções?! Vergonha era pouco para definir o que estou sentindo agora, mas também, não sei por que esperei algo diferente vindo daquelas doidas. Ás vezes elas eram pior que minha mãe em questão de me proteger.
– Não acredito que ela perguntou isso pra você. – Falei com um grunhido enquanto escondia o rosto em minhas mãos. – E como assim presente? Meu aniversário nem está perto. – Dino apenas riu.
– Venho a cinco anos esperando para te ver pessoalmente, não pense que não vou te mimar agora. – Dino passou o braço pelos meus ombros e puxou meu corpo para perto do seu. –Você tem ótimas amigas, nunca as perca. – Sorri. Mas espera, cinco anos?
– Então você só sabe desse casamento há cinco anos?
– Não, sei desde que você nasceu, quando eu tinha quatro anos. – Percebendo minha expressão confusa, Dino riu. – Longa história, até o fim da viagem eu te conto.
Andamos pela cidade inteira até pararmos em frente ao templo de Minerva, construído há quase dois mil anos, só a fachada estava intacta, me arrepiei na hora. A energia do local era indescritível, aquele era o meu paraíso e eu devia tudo isso ao meu possível futuro marido.
XXX
(Dino POV)
Duas horas de viagem definitivamente valeram a pena. Não digo isso por visitar este lugar – que não deixa de ser deslumbrante. – mas sim por ver o enorme sorriso no rosto dela enquanto andamos pelas ruas.
Nunca achei que ela gostasse tanto de história, mas aparentemente, ela sabe tudo sobre a época medieval e da Grécia antiga. Agora mesmo, enquanto observamos a fachada do antigo templo de Minerva, Catarina conta sem parar sobre a história do local. O brilho em seus olhos e a forma como seu cabelo voa com o vento, é de tirar o fôlego. Ela era a mulher mais linda que já havia visto e mal podia esperar para chama-la de minha esposa.
Apaixonei-me quando vi sua foto, cinco anos atrás, desde então venho esperando para conhecê-la. Só Deus sabe como consegui me segurar ontem, tudo o que eu mais queria era jogá-la na cama e torna-la minha. Só de imaginar, minha respiração acelerou. Esta mulher me deixa louco!
Antes que pudesse evitar, coloquei uma mão em sua bochecha, acariciando. Abaixei-me um pouco e aproximei meu rosto do dela. Podia sentir seu nervosismo pelo modo como ela congelou sob minha aproximação, porém, não vi nenhuma hesitação e tomei isto como um sinal para continuar. Toquei meus lábios nos dela e beijei-lhe apaixonadamente, nossas línguas entrelaçadas, me fazendo perder a cabeça.
Afastei e senti que estava sorrindo. Queria fazer mais, muito mais, entretanto não queria assustá-la. Precisava mostra-la que somos perfeitos juntos, e transar com ela no meio de uma ruela deserta definitivamente não é o modo certo.
Peguei sua mão e a puxei para continuarmos a andar. Vi que estava vermelha e tentava esconder o rosto, mantendo-o baixo. Adorava quando ela fazia isso, ficava deliciosamente fofa. Respirei fundo e deixei todos os pensamentos não apropriados saírem da minha mente, tinha que me controlar. Mas ao olhar novamente para Catarina, um gemido baixo escapou de mim. Essa viagem seria uma tortura.
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