A New Start
3 A Notícia
Notas iniciais
Já eram oito horas da noite quando desci para jantar. Tentando me lembrar de onde fica a sala de jantar, acabei me perdendo entre os inúmeros corredores, até uma das empregadas me orientar, agradeci e segui na direção em que ela apontou.
Chegando lá, todos já estavam em seus lugares, e quando digo todos, não estou me referindo apenas ao meu pai e Xanxus. Timóteo sentava na ponta da mesa ,- que todo mundo sabe, é o símbolo do chefe da casa — do lado esquerdo dele, estava Xanxus, com sua cara emburrada de sempre, e no lado direito, estava um homem que eu não havia conhecido ainda. Ele era loiro e tinha um corte de cabelo curto e meio espetado, aparentava ter em torno de quarenta anos e assim como meu pai, ele usava terno cinza riscado e sorria sem parar num belo contraste com Xanxus.
Quando me aproximei da mesa e cumprimentei todos com um breve “olá” e me sentei ao lado de Xanxus. Timóteo prontamente se pôs a falar, apresentando o homem para mim.
– Filha, quero que conheça Iemitsu Sawada, meu braço direito nos negócios da família. – Oh, entendi. Então ele também era parte da máfia.
– Prazer em conhecê-lo Iemitsu. – Disse sorrindo.
– O prazer é todo meu. – Retribuiu o sorriso. – Haha, parece que foi ontem que seu pai chegou para mim com uma foto sua de quando era bebê, dizendo que finalmente tinha uma filha! – Não pude evitar rir. Ao olhar para o meu pai, percebi que ele também ria, porém, tentava disfarçar o rubor do rosto.
O resto do jantar correu sem nenhum problema, a não ser pelo silêncio constrangedor que se seguia de vez quando. Pude perceber que eles lutavam para não falar sobre os assuntos da família na minha frente.
– Ah! Já ia me esquecendo. – Timoteo falou de repente e olhou para mim. — Catarina, tem uma pessoa que eu quero que você conheça. Ele chegará daqui a pouco, depois do jantar.
Seria mais alguém importante da máfia? Provavelmente, já que todo mundo por aqui parece fazer parte da organização. Mas esse deve ser alguém bem especial, já que meu pai faz questão que eu o conheça.
Lembrei-me do loiro que havia visto mais cedo. Seria ele? Provavelmente não, parecia ser muito jovem para estar em uma posição alta. Talvez ele seja um subordinado do Iemitsu, já que ele é o chefe de uma organização da máfia (não entendi muito bem a explicação do meu pai).
Bem, quem quer que fosse, eu descobriria mais tarde. Paciência sempre foi minha maior virtude.
。。。
Sentada no sofá, eu trocava selfies com Carolina e Elena. Morria de saudades das duas, e achei que trocar fotos — das mais idiotas possíveis, devo acrescentar – ajudaria. Ledo engano. A saudade só aumentou e não havia nada que eu pudesse fazer. Mas agora eu não posso reclamar, eu escolhi começar minha vida do zero e não posso voltar atrás nesta decisão.
Olhei para os lados. Meu pai continua a conversar com Iemitsu e Xanxus... Bem, acho que ele estava dormindo, pelo menos era o que parecia, com a cabeça jogada para trás e os olhos fechados. Suspirei pesadamente, e isso não passou despercebido pelo meu pai, que sorriu para mim.
Eu sei que disse que paciência é a minha maior virtude, mas poxa vida! Faz meia-hora que nós estamos esperando esse cara. Onde estão as boas maneiras dele?!
Senti o celular vibrar e olhei para a tela, era uma mensagem da Elena.
Fazendo o quê?
Carolina respondeu dizendo que estava fazendo as unhas. ‘Como sempre’, pensei. Respondi também: Esperando um amigo do meu pai chegar. POR MEIA HORA.
Não demorou muito para uma resposta vir: Se for bonito, manda foto. Revirei os olhos. Porque diabos ela iria achar que um amigo do meu pai é bonito?! Provavelmente ele já havia passado dos 60.
Quando vi todo mundo levantando e encarando a porta que dava para a cozinha, eu percebi que o convidado havia finalmente chegado. Levantei-me, guardei o celular, chequei minha roupa e esperei junto aos outros. Quando o convidado entrou, quase caí para trás. Era o loiro mesmo! E Jesus, Maria e José, ele era mais bonito de perto.
O homem abraçou meu pai e Iemitsu, rindo enquanto se cumprimentavam. Para Xanxus, ele se limitou com um aperto de mão. É, parece que eu não fui a única a ter problemas com ele. De repente, ele abriu um enorme sorriso a me ver. Congelei, não sei por que, acho que foi pela maneira como ele olhava, com tanta... Intensidade.
Caminhou em minha direção e fez algo que se esperaria de um cavalheiro do século XIX, mas de onde eu venho, nem em um milhão de anos um homem faria algo assim. Tomou minha mão e depositou um beijo, isso tudo sem tirar os olhos de mim. Obviamente eu corei na mesma hora e abria e fechava minha boca sem saber o que dizer ou fazer, até que o homem decidiu se pronunciar.
– É um enorme prazer finalmente conhece-la, me chamo Dino Cavallone. – Sorri para ele e me apresentei. – Timoteo, você esqueceu-se de mencionar que sua filha é provavelmente a pessoa mais bela de toda a máfia. – Mas o que?! Minhas pernas acabaram de estremecer? Nem sei mais!
– Obrigada, mas você já deve ocupar esse posto. – Eu disse isso em voz alta?! Meu Deus! Alguém me dê um buraco pra enfiar minha cabeça nele! Eu e minha boca grande.
Dino ficou me encarando por uns cinco segundos, seu sorriso crescia com o tempo, até que ele finalmente pôs-se a rir. Agora eu quero um buraco mais do que nunca. Olhei para os outros e eles sorriam também. Céus, até Xanxus sorria de canto de boca!
Quando Dino finalmente parou de rir, me fitou por mais alguns segundos e disse em seguida:
– Você realmente é encantadora. E se isso for uma competição de beleza, fique sabendo que eu perco fácil para você. – Terminou piscando para mim. Tomate é uma palavra que me representava muito bem agora. Ele afastou-se de mim e dirigiu-se a todos na sala, de uma maneira geral. – Sinto muitíssimo pelo atraso, estava em uma ligação importante e infelizmente não poderia ser tratada outra hora.
– Imagine. Todos nós somos ocupados e sabemos bem como é isso, não há problema nenhum. – Meu pai tratou de dizer logo e em seguida, virou-se para mim. – Filha, Dino é o Chefe da décima geração da Família Cavallone, e possivelmente o melhor até agora. – Dino riu do comentário.
– Uau, você é bem... Jovem. – Novamente, não consegui controlar minha boca. Alguém a feche antes que algo mais grave aconteça.
– Verdade. Tenho apenas vinte e dois anos. Meu pai faleceu quando eu era adolescente e tive que assumir cedo. – Respondeu sorrindo.
– Oh, eu sinto muito pelo seu pai. Certamente não foi fácil perde-lo tão cedo. – Disse sentindo-me estúpida por ter que o fazer dizer aquilo.
– Tudo bem, foi há bastante tempo. – Riu, não sabia como ele conseguia, mas riu.
Sentamo-nos e conversamos por uns minutos. Dino era realmente bastante divertido e fácil de conversar. De vez em quando ele me pegava o encarando, então sorria e, para me deixar mais vermelha ainda, piscava para mim. Juro por Deus, ele estava fazendo aquilo para tirar onda da minha cara, podia-se presumir isso pelo o jeito como ele começava a rir quando o rubor em minhas bochechas aumentava.
– Bem, está ficando tarde e eu preciso ir. Minha família está na cidade e quero passar quanto tempo eu puder com a minha mulher linda! – Iemitsu se despediu. – Boa noite a todos, nos veremos amanha. Catarina, novamente, foi um prazer conhece-la.
Xanxus levantou-se logo em seguida dizendo que ia dormir. Deu um “boa noite” fraco e saiu, sem maiores despedidas, não que se esperasse algo mais vindo dele.
Agora éramos apenas nós três e eu já podia me sentir sendo excluída da conversa, já que não temos nada em comum para conversar. Por isso, levantei e quando ia me preparar para a despedida, meu pai falou:
– Ah, filha, por favor, fique mais um pouco. Há algo que quero conversar com vocês.
Sem entender nada, me sentei novamente, um pouco desengonçada dessa vez. Passamos alguns instantes sem falar nada, apenas nos olhando. Dessa vez o olhar de Dino estava intenso e totalmente em mim, eu podia sentir como se estivesse queimando minha pele. Tentei o máximo que pude não olhá-lo, mas algumas vezes simplesmente não consegui e quando fazia, era difícil desviar. Era como se houvesse um imã que me prendesse a ele, que não me permitia desviar de seu olhar. Era assustador e excitante ao mesmo tempo. Algo que nunca presenciei antes e espero sinceramente que essa não seja a última vez.
Meu pai tossiu para chamar nossa atenção, tirando-nos de nosso transe. Olhou-me sorrindo e naquele momento eu sabia que algo grande aconteceria. Não havia nenhum motivo para eu ficar alí, a não ser que alguma notícia tenha que ser dada. Não conseguia imaginar o motivo que tenha me prendido alí, mas qualquer que fosse, estava me deixando com medo.
– Filha, a notícia que eu vou lhe dar é séria e foi decidida quando você ainda era um bebê. Antes de se pronunciar sobre ela, por favor, deixe-me explica-la. – Timoteo suspirou pesadamente e meu coração acelerou. – Você está prometida em casamento a Dino.
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O QUÊ?!
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