A New Start

2 A Mudança


Notas iniciais
Olá meu povo! Antes de tudo, gostaria de dizer que esse é o MAIOR capítulo que já escrevi na vida! Deu trabalho, mas foi muito bom escrever :) Fiquei muito feliz mesmo com os comentários, então gostaria de agradecer a AnnaKatharina, Mary Reyes e Ashura que comentaram no capítulo anterior e fizeram essa pobre autora sorrir para si mesma >.< É isso aí, boa leitura galera!

Estava no quarto arrumando minhas malas, meu voo saía em três horas. Não coloquei muita coisa na mala, já que meu pai disse que eu iria comprar mais roupas lá. Segundo ele, nessa época do ano faz muito frio na Itália e a maioria das minhas roupas são de verão. Fechei o zíper da mala e coloquei-a no chão, saí do meu quarto e fui para a sala onde minha mãe me esperava. Ela sorriu para mim e abriu a porta de casa, dando espaço para eu passar.

Quando chegamos ao estacionamento do prédio, ela desligou o alarme do carro e destrancou o mesmo. Eu abri o porta-malas e coloquei minha bagagem lá, fui para o outro lado e abri a porta do carona, me sentando no banco. Minha mãe ligou o carro e saímos em direção ao aeroporto.

Enquanto olhava para estrada, pensei sobre o que aconteceu comigo nos últimos dias. Já entrei de férias da escola e o último dia foi bastante triste, pois tive que me despedir de Elena e Carolina, nós combinamos de sempre manter contato, mas mesmo assim sentiria saudade.

Fiquei bastante surpresa quando fui contar para minha mãe sobre a minha mudança e ela já sabia. Aparentemente, a vinda de meu pai e a minha ida para Itália já estava programada há meses e eu como sempre, era a última a saber.

Meu pai voltou para a Itália logo depois que ele veio me ver. Parece que ele tinha alguns negócios a serem resolvidos, mas disse que iria mandar alguém me buscar no aeroporto quando eu chegasse. Só esperava que a pessoa que fosse me buscar, falasse português ou inglês, porque se fosse italiano, teria muitos problemas.

Como eu estava presa nos meus pensamentos, não percebi o carro parar no estacionamento do aeroporto. Só voltei ao mundo real quando minha mãe me chamou.

– Catarina, querida, chegamos.

Olhei para o lado e vi minha mãe me olhando com um sorriso. Dei um pequeno sorriso para ela e saí do carro, ia em direção ao porta-malas, mas não foi preciso, minha mãe já estava com minha mala na mão entregando-a para mim.

Seguimos para dentro do aeroporto que estava movimentado como sempre. Gente falando no celular sobre negócios, crianças chorando, turistas tirando fotos e etc. Fomos até o balcão para fazer o check-in o que aconteceu rápido, já que as férias da minha antiga escola começam mais cedo do que o usual, fazendo assim, com que não tivesse muita gente viajando naquele dia.

Quando estava perto da sala de embarque, me despedi da minha mãe. Abraçamo-nos por um tempo tentando conter as lágrimas que certamente iriam rolar. Ela me deu vários conselhos e orientações, nos abraçamos novamente e entrei na sala de embarque, já com os olhos cheios de lágrimas.

Sentei em uma das cadeiras e sequei as lágrimas, odiava chorar em público e não queria que ninguém me visse assim. Olhei as horas no celular e vi que ainda tinha uma hora até o voo sair. Levantei e fui até uma lanchonete que tinha perto e pedi um café. Tomei cada gole devagar, querendo que o café durasse até a hora de embarcar, para ter alguma coisa para fazer.

Enquanto tomava, parei para refletir sobre minha vida daqui em diante. Quero dizer, parei realmente pra pensar sobre o assunto. Vou ser sincera, aceitei ir pra Itália num ímpeto de adrenalina, vendo uma oportunidade de mudar, de descobrir a mim mesma, afinal, havia acabado de fazer 18 anos e não tinha a mínima ideia de como seria a vida.

Parando agora pra pensar sobre tudo isso, vejo que fui muito ingênua a acreditar que seriam tudo flores, teria muitos desafios pela frente. Uma língua que eu não tenho ideia de como se fala, o que certamente será um problema em relação aos estudos, sem falar que não conheço ninguém lá. Céus, nem meu próprio pai eu conheço direito! Mas eu não era de desistir, ah não era mesmo! Não importa o que aconteça, eu enfrentaria de cabeça erguida, afinal de contas, já cheguei ao aeroporto, 30% do caminho completo (além do mais, seria muito humilhação ligar pra minha mãe vir me buscar)!

Terminei o café e voltei para a cadeira onde estava sentada antes. Olhei para os lados e percebi que não havia muitas pessoas no mesmo voo que eu, apenas alguns homens em ternos, provavelmente viajando a negócios, e algumas senhoras. Olhei para mim mesma, estava vestindo uma calça jeans e uma blusa regata, estava com um casaco na mão pronta para vestir quando estivesse chegando à Itália. Como lá está frio, não achei apropriado vestir um short ou coisa parecida.

Quando fui ver as horas novamente, vi que o portão de embarque estava abrindo e as pessoas entrando. Levantei-me e fui para o portão. Entrando no avião, procurei pela minha poltrona até finalmente achar, sentei-me e coloquei o cinto esperando decolarmos. Coloquei os fones de ouvido e comecei a ouvir Blue Jeans da Lana Del Rey, nunca gostei muito desse estilo musical, mas ela me cativou. Reclinei a poltrona para deitar-me e fechei os olhos na esperança de conseguir dormir um pouco, era sete horas da manhã e eu não havia dormido nada no dia anterior.

Tentei imaginar como seria minha vida no novo país, provavelmente seria boa. Meu pai disse que eu tenho um irmão mais velho e que ele tem um temperamento um tanto quanto... Difícil. Bom, daria um jeito de me entender com ele. Mas o que mais me deixou curiosa foi o que meu pai me disse antes de voltar para Itália. Ele disse que eu teria uma grande surpresa lá. Quando perguntei se seria boa ou ruim, ele apenas sorriu e disse que isso apenas eu poderia decidir.

Com os meus pensamentos viajando pela minha nova vida, senti o mundo ao meu redor desaparecer lentamente enquanto eu me entregava ao sono, logo estava dormindo.

。。。

Abri meus olhos lentamente, com as pálpebras ainda pesadas. Olhei para o lado e vi a aeromoça falando com alguém atrás de mim, quando ela me viu, sorriu e veio até mim.

– Com licença, a senhorita gostaria de ter seu almoço agora? – Ela perguntou enquanto me entregava o cardápio.

– Sim, obrigada. – Respondi enquanto escolhia meu prato.

Apontei o nome do prato no cardápio para a aeromoça, que sorriu e se retirou. Olhei pela janela do avião para ver a paisagem, que consistia basicamente em telhados de algumas casas e prédios. Não tinha a menor ideia de que lugar eu estava sobrevoando e quantas horas faltavam para chegar.

Vi a aeromoça chegando com minha comida e servindo-me. Peguei a taça com vinho e tomei um gole, desfrutando do sabor adocicado. Talvez não demorasse muito para o avião aterrissar, já que eu dormi a manhã inteira.

。。。

Abracei a mim mesma na tentativa de me aquecer. Eu estava certa, essa era a época do ano em que fazia frio na Itália, mas para a minha infelicidade, meu casaco era fino demais e não me esquentava suficiente.

Estava sentado em um banco tentando achar a saída daquele enorme aeroporto. Olhei para os lados, analisando o lugar. Roma realmente é impressionante, além de ser um dos lugares que eu sempre quis conhecer por sua rica cultura e história, também é um lugar belíssimo, e se apenas o aeroporto me passou essa impressão, imagine o resto da cidade!

Fui despertada dos meus pensamentos, ao ver alguém se aproximando de mim. Levantei a cabeça ver quem era: mais um homem de terno preto, mas dessa vez com quepe.

– Miss Catarina? – O homem perguntou em inglês, obviamente, já que eu não falava uma palavra de italiano e ele, de português.

– Yes, it’s me. (Sim, sou eu) – Respondi me levantando.

– Oh, I am Giovanni. Your father sent me to take you to your new house. (Eu sou Giovanni. Seu pai me mandou para leva-la para sua nova casa).

– It’s a pleasure to meet you, Giovanni. (É um prazer conhecê-lo, Giovanni.) – Falei tentando soar o mais simpática possível, já que as pessoas sempre acham que eu estou com raiva ou algo do tipo.

– So, shall we go now? (Então, devemos ir agora?) — Giovanni perguntou já pegando a minha mala. Concordei e fomos para fora do aeroporto.

。。。

Enquanto estava no carro, pude ver um pouco da cidade, que era realmente linda. Passamos por várias construções antigas, que eu esperava ver melhor depois. Falando nisso, teria que arranjar alguém para ser meu guia turístico pela cidade, ou melhor, país. Não tenho vontade de conhecer apenas Roma, a Itália tem vários outros lugares lindos que eu certamente irei ver.

Percebi que a paisagem estava se modificando um pouco. Estávamos entrando em um lugar com poucas pessoas, e sem muitas construções, a não ser pelos autos muros e portões que haviam por alí.

O carro fez uma curva, parando em frente de um desses portões, — que era enorme e se estendia por metros – Giovanni falou algo no interfone e os portões logo se abriram, revelando uma mansão deslumbrante.

Seguimos pela pequena estrada que levava até a tal mansão. Dos lados, era um imenso jardim, com árvores, flores e alguns esquilos pegando nozes. Espere, deixe-me corrigir isso. O jardim parecia mais um parque. Não um parque como o Central Park, ou um daqueles de cidades grandes, não, era menor e menos lotado. Mas não era só natureza, ao fundo eu podia ver uma quadra, mas não pude distinguir o esporte a qual era destinada. No lado oposto ao da quadra, havia uma estufa, gostaria de ir lá depois, deve haver várias flores lindas.

O carro andou mais um pouco, até parar em um pátio redondo com um chafariz no centro. O chafariz era monumental, possuía uma a “piscininha” em baixo dele, onde caia a água, encrustada de pedrinhas que imitam aqueles brilhantes que vemos na praia, havia uma rocha de verdade nele e sentada nela, estava uma sereia maravilhosa, com escamas de uma pedra verde que brilhava a fraca luz do sol, ela estava com as mãos levantadas para cima e segurava um jarro no qual escorria a água. A sereia tinha uma expressão sonhadora, como se estivesse apaixonada. Sortuda, pensei.

Ouvi a porta sendo aberta do meu lado, virei-me e vi Giovanni.

– Here we are. (Chegamos.) – Ele disse dando espaço para eu sair do carro.

Saí do veículo e parei para olhar os arredores. A mansão era gigantesca, estilo colonial, mas com um toque moderno. Perfeita. Percebi que a porta estava sendo aberta, meu pai estava saindo de lá, quando ele me viu, abriu um sorriso e veio em minha direção com os braços abertos para um abraço. O abracei enquanto ele dizia um “Buon giorno” para mim.

– Teve uma boa viagem?

– Sim, obrigada por perguntar. – Respondi sorrindo.

Ele colocou uma mão no meu ombro me direcionando para dentro da mansão, que era tão linda por dentro quanto por fora. Era clássica, com a cor vermelha em destaque. A sala de estar era enorme, com sofás creme no centro cercando uma mesinha de vidro. Do lado dos sofás, havia uma televisão de sessenta e quatro polegadas em cima de uma pequena mesa de madeira. As paredes eram ocupadas por janelas enormes com cortinas na cor vermelho carmim, a luz do sol abaixando-se sobre as mesmas, deixava-as deslumbrantes. Em frente aos sofás, havia uma escadaria que quando chegava a certo ponto, ela se dividia em dois.

– Vamos, vou lhe mostrar o seu quarto. – Meu pai me disse estendendo uma mão em direção à escadaria, me mostrando por aonde ir.

Subi as escadas prestando atenção a cada detalhe. Na parede onde a escadaria se dividia em dois, havia vários quadros que pareciam ser bem antigos, pela qualidade das imagens, deveriam estar em ordem cronológica. A primeira foto era de um homem jovem, — deveria ter seus vinte e poucos anos – loiro e muito bonito. Daí em diante havia mais nove fotos de pessoas diferentes, sendo que a última era do meu pai.

– Essa era a sua avó. – Ele disse apontando para o quadro de uma mulher. – O nome dela era Daniela, a oitava chefe da família Vongola.

A Oitava Líder Vongola. A única mulher no posto. Parecia forte e determinada, tinha um olhar poderoso no rosto, como de alguém que tinha certeza das decisões que tomava. Olhei para o retrato com mais cuidado, ela era realmente bonita, gostaria de tê-la conhecido.

Seguimos pelo lado esquerdo da escadaria, onde dava em um amplo corredor com mais quadros nas paredes, só que as fotos nesses quadros eram diferentes das anteriores, eram fotos familiares, com meu pai e outras pessoas que eu julguei serem meus irmãos. Havia fotos de tempos diferentes: em algumas meu pai estava com os meus irmãos quando menores e outras eram eles já crescidos. Não pude evitar ao sentir um pouco de inveja, já que eles não foram privados do convívio do pai; mas quando chegamos ao meio do corredor vi uma foto que me era familiar: era eu quando o bebê. Parei de caminhar e fiquei encarando a foto tentando entender o que estava acontecendo, olhei para a outra parede e vi que mais adiante tinha mais fotos minhas, desde quando eu entrei na escola até, mais recentemente, na minha formatura do ensino médio.

– Nós penduramos suas fotos para quando esse dia chegasse. – Timóteo disse me despertando dos meus pensamentos. – Sempre esperamos por você.

– Nós? – Perguntei confusa.

– Eu e seu irmão mais velho do qual mencionei antes. – Ele disse sorrindo. – Os seus outros irmãos, que você pôde ver nos retratos, infelizmente faleceram.

– Oh, eu sinto muito. – Não tinha muita certeza do que falar e agora penso que deveria ter ficado calada. Timóteo apenas sorriu, aliviando o meu constrangimento da situação. Fiquei realmente triste por não tê-los conhecido, eles pareciam ter sido legais.

Não precisei andar muito mais até chegar ao meu quarto, à porta era alta e mais larga que o comum, não entendia muito bem sobre tipos de madeiras, mas aquela provavelmente era carvalho. Ela era ornamentada nas laterais com algo que parecia arabescos. Sou péssima em decorações, apesar de ter bom gosto.

Abri a porta e meu queixo caiu. O quarto era surpreendentemente feminino! Não havia quase nenhum rosa, mas tons pastel, porém o design rococó dos móveis deixava claro que aquele quarto era destinado a uma mulher. O quarto era grande, com uma cama que tinha um dossel – sempre quis um desses! – e uma penteadeira de frente para ela.

Entrei no quarto. O piso era de madeira clara, assim como quase tudo no cômodo. Aproximei-me da penteadeira e olhei-a com mais cuidado. O espelho era emoldurado com madeira branca, assim como o móvel, e possuía um formato que me lembravam de ondas. Em cima do móvel havia vários acessórios para o cabelo, uma paleta com sombras e batons. Abri a primeira gaveta e vi que tinham roupas íntimas. Fechei rapidamente envergonhada. Abri a segunda e havia mais maquiagem. A mesma coisa na terceira. Aparentemente alguém havia contado ao meu pai sobre meu pequeno vício em maquiagens.

Olhei para o meu pai que estava parado no batente da porta, ele tinha um sorriso estampado no rosto, ao ver minha reação de alegria. Tirou uma mão do bolso da calça social e disse, apontando para o quarto:

– Vejo que gostou! E em relação às maquiagens e roupas, foi minha assistente que comprou tudo. Sua mãe passou para ela suas preferências. Espero que ela esteja certa. – Soou um pouco apreensivo ao falar essa última frase.

– Estava. Pai, isso é... Eu não tenho nem palavras pra te agradecer. Você acaba de me conhecer pessoalmente e ainda assim me deu tudo isso. – Abanei as mãos ao meu redor, deslumbrada. – Obrigada mesmo.

– Não fiz mais do que minha obrigação e vontade. Mesmo tendo visto você pessoalmente agora, venho acompanhando seu crescimento e trocando cartas com sua mãe sobre você. Ela me contou quando você deu seus primeiros passos, falou a primeira palavra, entrou na escola pela primeira vez e como chorou quando isso aconteceu. – Finalizou rindo.

Ri um pouco sem graça. Foi estranho saber disso tudo. Sempre achei que meu pai não gostava de nós, mesmo sendo minha mãe que o deixou, pois ele nunca veio me procurar. Agora, sabendo que ele sempre esteve lá, mesmo eu não vendo, era reconfortante e me fazia sentir culpada ao mesmo tempo.

– Sua mãe não achou justo me afastar de você, mesmo sabendo que era para sua própria proteção, por isso ela me mantinha atualizado de tudo, além de dividir as preocupações maternas comigo. – Ele me olhou meio sério, mas pude perceber que brincava. Perguntei-me sobre que preocupações ele se referia. – Bom, vou deixa-la sozinha para que possa se situar no seu novo quarto. Quando estiver pronta, por favor, desça para que eu possa lhe mostrar a casa. Até mais minha filha. – Sorriu e se virar, mas parou rapidamente e olhou para mim. – Catarina, estou realmente muito feliz que você tenha vindo. Espero por esse dia há anos. – Virou-se novamente e saiu, fechando a porta.

Olhei em volta, vi uma porta e a abri. Era o closet, e quando digo o closet quero dizer realmente o closet. Era enorme e havia várias araras com roupas lindas de morrer. Sapatos de vários tipos, a maioria não tinha salto. Ainda bem que mamãe sabia da minha relação de amor e ódio com os saltos.

Saí do closet e entrei em outra porta, que dava para o banheiro. Era divino! Tinha uma banheira dourada e a sua frente, uma pia da mesma cor. Se era ouro, não me pergunte. As toalhas eram de um branco creme lindíssimo, com apenas uma faixa de dourado as atravessando, elas tinha meu nome bordado em letra curvada e cheia de firulas. Gente rica... Pensei. Tudo parecia muito clássico, exceto a ducha, o Box de vidro transparente que a cercava dava uma aparência high-tech ao objeto.

Saí do banheiro, deslumbrada por toda a riqueza, o cuidado e exagero do lugar. Se há dois anos, alguém tivesse me dito que eu teria um banheiro daquele tamanho, com tanta coisa que (parecia ser) de ouro, eu primeiramente diria que estava pessoa estava mentido, e segundo, pensaria em qual banco eu teria assaltado e qual teria sido o plano, pra conseguir o maldito banheiro, você sabe, só por garantia, né (sim, sou fã de onze homens e um segredo).

Dirigi-me para a sacada e me apoiei nas grades, observando a paisagem lá fora. A vista era linda, dava pra ver a enorme piscina daqui, além das cadeiras de praia ao redor. Havia também, cerca de duas pequenas mesas com guarda-sóis, algo para tomar café-da-manhã num dia bonito. Italianos têm essa coisa de aproveitar dia. Pffft, internet é vida.

Mas aquela piscina certamente parecia convidativa, mas não agora nesse frio. Por outro lado, acho que ela tem aquecedor... Mas mesmo assim, tinha outras coisas a fazer primeiro, como por exemplo, desarrumar as malas.

Fui para a cama e liguei a Tevê que fica de frente pra mesma. Televisão de 42 polegadas em um quarto de uma semi-adulta. Alguém aqui com certeza não conhece o significado da palavra “economia”. Peguei a pequena mala e tirei tudo lá, jogando na cama.

Quase chorei. Não porque tivesse pouca coisa alí, mas sim, porque aquilo eram lembranças de vida que eu acabei de largar. Peguei meu porta-retratos com a foto que Carolina, Elena e eu tiramos no shopping e lembrei-me daquele dia. Rimos muito enquanto zoávamos no cinema, assistindo Shrek 4.

Coloquei o porta-retratos na cama novamente e dessa vez, peguei uma pulseira de ouro com pedrinhas brilhantes que mamãe havia me dado em meu aniversário de dezesseis anos. Só aí que chorei, mas chorei pra valer mesmo, de fazer careta, dar soluços e tudo. Chorei, porque só alí percebi que não era mais a Catarina do Brasil, de classe média e excluída da hierarquia estudantil. Agora eu era Catarina, filha do mafioso mais poderoso de toda a Itália e certamente chamaria mais atenção, mesmo que eu não quisesse.

。。。

Depois que enxuguei as lágrimas, desci para a sala, onde vi meu pai me esperando ao lado de um homem que eu não sabia quem era. Aproximei-me e meu pai virou-se, abrindo um sorriso na mesma hora, enquanto estendia os braços para mim. Como já estava totalmente na sala, pude ver como era o tal homem. Ele parecia bastante alto, o que não dava pra saber direito, já que estava sentado no sofá, tinha cabelos castanhos e curtos, usava algo como um brinco de pena. Não entendi muito bem aquilo, pra ser sincera.

– Ah! Catarina, tem alguém que quero que você conheça. – Apontou para o homem, que estava fitando o chão como se achasse aquilo tudo muito entediante. – Este é seu irmão mais velho, que lhe falei antes. Xanxus.

Enquanto eu sorria para ele, meu irmão me olhou com um olhar tão intenso que quase caí para trás. Estava me fuzilando com os olhos, o que era raro para mim, geralmente sou eu quem faz isso. Havia algum tipo de raiva nele, mas eu podia entender. Não devia ser fácil ter toda a atenção só pra você – mesmo que tenha tido outros irmãos antes. – e de repente BOOM. “Opa, irmã mais nova no pedaço! Como vai?! Vim roubar seu lugar nos holofotes”. Sim, eu entendia o cara. Só que a único problema, é que eu ABSOLUTAMENTE NÃO QUERO LUGAR NENHUM NOS HOLOFOTES. Mas ao invés de dizer tudo isso apenas disse:

– Oi! Sou Catarina e é realmente um prazer te conhecer. Sempre quis ter um irmão mais velho! – Boa Catarina, se soasse um pouquinho mais falsa, teriam lhe mandado atuar em um filme da Barbie ou algo do tipo. Não que nada do que eu disse fosse verdade, estava sendo verdadeira, havia gostado de conhecê-lo e tudo o que mais quero agora é esclarecer essa história toda, se não, teria alguns problemas...

Xanxus se levantou e veio em minha direção. Juro que achei que ele ia me bater ou algo do tipo, mas ele apenas estendeu a mão e falou:

– Também é um prazer conhece-la. – Só isso, sem sorriso nem nada.

Apertei sua mão e sorri meio nervosa. Acho que ele pode farejar meu medo, já que vi sua confiança aumentar um pouco. Das duas uma: ou ele é um cavalo, ou é fiscal da alfândega.

– Agora que já foram apresentados, os deixarem a sós para que possam conversar. Xanxus deixo-lhe a tarefa de mostrar a casa para sua irmã. Qualquer coisa estarei em meu escritório. Com licença. – Timóteo disse e se retirou da sala.

Ótimo, sozinha com meu irmão mais velho amedrontador. Tudo o que eu queria. Remexi-me meia que sem jeito, enquanto ficava lá parado com as mãos no bolso da calça social, observando nosso pai sair da sala. Quando finalmente me finalmente me olhou, apenas disse “siga-me” e saiu andando. Pra ser franca, ele já estava me irritando.

Sei que queria esclarecer a história, mas sabe, seria bom ter alguém no mesmo cômodo que nós, apenas para não garantir que ele me mate ou algo do tipo.

Passamos por uma porta de vidro, do lado de uma daquelas enormes cortinas e fomos para o lado de fora, aquela área que tinha a piscina maravilhosa. Sentamo-nos numa das mesas com guarda-sol. Uma empregada veio nos servir com café e uns biscoitinhos. Estava morrendo de fome, mas esperei um bom tempo antes de pegar algo, queria parecer refinada.

Xanxus voltou a me encarar, dessa vez eu segurei o olhar, travando uma pequena guerra de quem desviava primeiro e rapaz... Ele era bom nisso, mas eu também era. Antes que alguém pudesse perder a pequena batalha, ele disse:

– Antes de nos conhecermos, – Falou a palavra com certo desdém. – gostaria de deixar algumas coisas bem claras. Papai já me disse que você sabe sobre os negócios da família –

–Pode parar. – Interrompi-o. – Já até sei o que vai dizer então me deixe falar logo. Primeiro, não tenho o menor interesse em assumir esse tais negócios, são todos seus. Segundo, sei que é difícil não ser mais o filho único ou irmão mais novo do dia pra noite, também não estou acostumada a ter um irmão, por isso, vamos tentar nos dar bem, porque acredite, vai ser muito melhor sermos bons irmãos agora e gostar da companhia um do outro, do que acordar toda vez e ficar com ódio pro resto do dia só porque vamos ter de nos olhar.

Soei confiante, soei desafiadora e determinada, mas se você olhasse com mais cuidado, veria que minhas mãos estavam suadas e minhas pernas tremendo, mas para minha sorte, ele não fez isso, apenas arregalou os olhos por uns instantes e depois começou a rir.

– Vejo que você é bem diferente do que eu esperava. Pelo menos se mostrou verdadeiramente dessa vez. – Ótimo, então realmente tinha parecido falsa quando estávamos na sala. – Que bom que pense assim, isso torna as coisas muito mais fáceis. Bom Catarina, vejo que vou gostar de você. – Sua voz grave não me ajudou a eliminar meu medo em relação a ele. – Agora, que já dissemos tudo, vou lhe mostrar a mansão. Venha maninha.

Algo em como ele me chamou de maninha, me fez sentir bem recebida e minha preocupações foram pelo ralo, por enquanto. Levantei-me da cadeira e o segui.

。。。

Estava no quarto jogando Devil May Cry 4 e babando pelo Dante aquele gostoso. Xanxus tinha acabado de me mostrar a mansão inteira, o que não importava muito, porque já esqueci tudo. Sou péssima com orientações geográficas.

Bem na hora em que Dante acabava de dar uma surra no Nero, alguém bateu na porta. Gritei que a pessoa podia entrar e vi meu pai sorrindo, como sempre.

– Gostou do tour? Espero que Xanxus tenha sido legal, ele tem uma tendência a não ser... – Disse meio preocupado.

– Relaxa, ele foi um doce. – Omiti nossa conversa inicial. Nem morta falaria aquilo pra ele. Papai suspirou aliviado.

– Ótimo. Mas então, gostou de tudo? – perguntou com certa expectativa.

– Sim, é tudo muito lindo! E meu quarto, nossa... Nunca pensei que fosse gostar que fosse tão feminino. — Ri enquanto olhava ao redor. – E foi muito boa a surpresa que você havia mencionado.

– Qual surpresa? – Timóteo disse, pendendo a cabeça para um lado com um olhar interrogativo.

– Isso tudo. – Disse abanando as mãos ao redor. – O quarto, conhecer meu irmão...

– Oh, mas essa não era a surpresa. – Ele disse entre risadas. Percebendo meu olhar confuso, continuou. – Ela só será revelada amanha.

– Sério, quero dizer, sério mesmo?! Quer mesmo me matar de curiosidade?! – Falei com minha voz suplicante. O que fez meu pai rir mais. Definitivamente aquele não era o efeito que eu queria causar.

– Sinto muito Catarina, mas é assim que as coisas vão ser. Isso já está planejado faz tempo. – Aquilo em nada me ajudou, apenas me deixou mais curiosa ainda.

– Ok então, esperarei até amanhã já que faz tanta questão. – Disse meio triste.

– Obrigado. – Sorriu gentilmente. – Bom, tenho que ir agora. Trabalho me chama novamente. Mas espero lhe ver novamente no jantar. Até mais tarde filha.

– Até.

Assim que ele fechou a porta, caí na cama, enterrando a cara no travesseiro. Que dia cheio! Amanhã com certeza irei naquela piscina. Virei-me e peguei meus fones de ouvido, meus bons amigos pra qualquer hora. Comecei a ouvir Wrecking Ball e tive que me segurar ao máximo para não cantar a música com toda minha força. Acho que cantaria com mais emoção se alguma vez tivesse me apaixonado.

Levantei-me ainda com os fones de ouvido e fui para a sacada. Suspirei e olhei para baixo, não esperando o que viria a seguir.

Perto das mesas, se dirigindo a porta, havia um homem loiro, vestindo terno. Ele parou de repente e eu congelei. Será que tinha me visto?! Ai meu Deus! Quis me abaixar, mas lembrei de que dava para pelas grades.

O homem olhou para cima, para mim para ser mais direta, e eu tive a visão do paraíso. Os olhos eram castanhas amêndoas, seu rosto era o mais lindo que eu já havia visto. Fiquei paralisada na hora. E agora José?!

Ele arregalou os olhos ligeiramente e depois recuperou a postura. Sorriu um sorriso encantador, gentil e com algo a mais que eu não sabia o que era, acenou brevemente e depois continuou seu caminho até dentro da casa.

Notas finais
E aí? O que acharam?! Espero que tenham gostado! Gostaram de capítulos longos assim? Se tiverem, eu faço mais o/ Vou tentar postar o próximo semana que vem, não sei se vai dar certo, pois estou tendo uns problemas com minha internet, mas vou fazer de tudo! Bjs e até a próxima galera!