A New Order
13 Um Trabalho Surpresa
Notas iniciais
Depois da quase humilhante derrota nas mãos de Masamune, Erin treinava com mais afinco que o normal, fazendo Oliver se sentir um pouco culpado por ela. Aceitou os convites de Tsuki para treinar com Tsubaki, a calma e paciência da arma mais velha o fazendo conseguir ao menos transformar-se parcialmente. A lâmina azul e negra do garoto era extremamente bela. Ambas as lâminas, na verdade. Era complicado e ainda exigia um esforço mental muito grande do garoto, mas também podia alternar os membros onde as lâminas nasciam, porém nada da transformação completa.
A contragosto de BlackStar, ele não podia ensinar o garoto. Oliver não aguentaria seus treinos. Mas o azulado ficou mais animado ao ver que a garota louca assumiria seu lugar. Sua parceira apenas o preocupava mais, Erin estava se desgastando mais que qualquer artesão de sua classe. E logo depois de se recuperar de um “acidente” seríssimo. Também reparou que ela parecia bastante interessada no quadro de missões da EAT, como se estudasse o que chegaria a enfrentar no futuro. A maioria eram missões de coletas de alma, ou como Kise ou Masamune diziam, “apenas mais um dia comum”. Sim, depois do ocorrido, Oliver e Kise continuaram a se falar, Masamune as vezes os acompanhando, mesmo o moreno ainda não entendendo bem o que ele falava. Mas, aos poucos, ele relembrava a falar inglês.
Mesmo depois de semanas naquela escola, finalmente Oliver tinha alguém decente com quem falar, além de Erwin. Não que o loiro falasse muito. Mas, enfim, ele gostava da companhia de Kise, que também descobrira ser uma arma assim como ele. Após as aulas, o amigo também tentava dar algumas dicas de transformação para Oliver, ele precisaria disso antes das próximas provas. Com isso, o esforço mental diminuiu, Oliver usando seu modo arma no próprio cotidiano, como para cozinhar. Era complicado, mas com o tempo foi ficando mais fácil, assim como Tsubaki o disse. Para a felicidade de Erin, ele a deixava mais livre para explorar Death City, graças a alguma força divina ela não destruindo a cidade nesse tempo. Uma decisão horrorosa, mas ele não queria ser babá de sua artesã o resto da vida.
Ultimamente ela vinha se controlando mais. Ainda andava com Tsuki, Ártemis e Erika, esta ultima por vezes não estando presente, mas o moreno confiava na bruxa coelho. Sentia que ela tinha a mesma aura calma e tranquilizante da mãe da Star, e talvez isso fosse o suficiente para controlá-las. Talvez. Mas com os treinos, a albina gastava a energia acumulada, então de fato estava bem mais tranquila. Até demais, na verdade. Tanto Oliver como Erwin estavam assustados, temendo o pior.
Por vezes, Oliver tinha aulas apenas para armas, e nelas aprendeu a origem de sua habilidade, algo que logo repassaria para Erin. Mesmo sendo artesã, mais cedo ou mais tarde descobriria, e sentia que ela não o perdoaria se não a contasse logo já que haviam bruxas envolvidas. Ela realmente possuía um grande interesse na caça às bruxas da classe EAT, mesmo elas agora sendo aliadas, pesquisando nos livros de nível um, os únicos em que ela poderia com seu nível atual, sobre bruxas inimigas e seus possíveis poderes. Mas esta seria impossível, afinal, já estava morta.
Mas Oliver, de fato, não poderia discordar da força, inteligência e habilidade das bruxas. Em especial desta em questão, que conseguiu roubar as pesquisas do Grande Mago Eibon e reproduzi-las em grande escala. Aparentemente, a chamada Arachne também possuía irmãs, mas seu professor disse que estudariam sobre elas com maior profundidade nas aulas comuns a artesãos e armas, provavelmente ensinados por Maka Evans. Aquilo fez Oliver erguer uma sobrancelha. Maka não era professora da classe EAT? Não deveria ser Hito a os ensinar na classe NOT? Ou eles apenas saberiam sobre elas ao ir para a classe combatente?
Sua distração não o permitiu perceber que sua parceira corria desesperadamente em sua direção, almejando arrastá-lo junto, ato realizado com sucesso ao prender seu braço no dele e levá-lo Shibusen afora até chegarem na escada, quase carregando-o nas costas. Oliver estava confuso, surpreso e um tanto tonto pelo ato repentino da garota, só vindo a realmente respirar quando estavam na base da escada, quase vomitando pela tontura. Mas foi forte até o último segundo.
—Erin, o que foi isso? – A garota parecia ignorá-lo, dando breves pulos de alegria enquanto encarava um papel amarelado, sorrindo satisfeita como se um plano complexo de vinte fases obtivesse sucesso.
—Consegui um trabalho para nós, Oliver! Com sorte, quando terminarmos, você também poderá assumir a forma completa de arma!
—Por que sinto que isso vai dar ruim?
—Poxa, confie mais em sua parceira!
—Esse que é meu medo. Mas enfim, do que se trata isso? Posso ver?
—Não precisa. Vem, se a gente quiser chegar a tempo, temos que ir logo. Te explico no caminho.
—Novamente... esse que é meu medo. – E seguiu a garota enquanto se afastava da escola, nem ao menos percebendo os adultos já formados descendo as escadas atrás dela.
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—Erin...
—Sim?
—Pode me explicar por gentileza POR QUE ESTAMOS A DUAS CIDADES DE DEATH CITY?!
—Eu já disse, para um trabalho.
—Que trabalho?! Me entregue a droga desse papel!
Erin encarou bem o seu parceiro na rua que aos poucos era iluminada pelos postes de luz, demorando algumas horas para chegarem a onde estavam. Estavam longe demais para que Oliver pudesse ter alguma escolha, então simplesmente o entregou o papel. Ao simplesmente vê-lo, Oliver ri de nervoso, indo do papel amarelado à sua parceira, perdendo a cor do próprio corpo. Uma aula externa. Uma missão. Não importa o nome que chamavam, era óbvio do que se tratava.
—Mesmo sendo o mais simples e próximo, ainda tivemos que pegar cinco ônibus... acho melhor procurarmos algum lugar pra passar a noite antes de...
—VOCÊ ROUBOU ISSO DO QUADRO DA CLASSE EAT?! – A arma chacoalha os braços, indignado, o folheto com a marca do shinigami onde estava escrito “eliminação urgente de ovo de kishin” mal podendo ser lido.
—Relaxa, nunca vão descobrir, e se a gente conseguir, não vai ter nenhum problema. Eu li e reli diversas vezes ela, tenho certeza de que a gente vai conseguir sair vivo dessa, mesmo que você não consiga se transformar.
—ISSO É UMA IDEIA ABSURDA, ERIN!! MESMO SE VOCÊ SE LIVRAR, PODE SER SUSPENSA, OU PIOR, EXPULSA!
—Relaxa, o shinigami não vai nos expulsar só por causa disso. Tem alunos que fazem coisas bem piores.
—CITE UM!
—Uma vez acompanhei uma briga feia no corredor, um dos alunos foi espancado mesmo já tendo caído e sem ter a arma em mãos. Precisaram de três professores pra parar o cara, e a Kim-sensei quase não conseguiu concertar a cara do outro... – Oliver engoliu seco, com certeza não conseguiria ver pessoalmente algo tão brutal. – Brincadeira! Ahaha, devia ver sua cara!
—Erin, não é hora pra isso! A gente tá realmente correndo perigo de vida aqui! A expulsão é o de menos! Pelo menos me ouça uma ve... – A garota tapa a boca do parceiro, empurrando-o para um beco da rua onde estavam, Oliver vendo pela seriedade em seus olhos que algo grande se aproximava. Mesmo sendo imprudente ao roubar uma missão, as únicas vezes que a viu séria foram quando lutou com Masamune, segundos antes ao conhecerem Crona, e agora. Sua parceira entendia bem que o campo de batalha poderia levá-los a darem adeus a suas vidas, e esse era o tipo de experiência que apenas a prática a daria.
—Oliver... se não quiser lutar, pode continuar aqui. – A garota via o estranho ser com o dobro de sua altura passar pela rua, uma aparência mais grotesca que o de qualquer monstro de filmes, lâminas até onde se podia ver. – Se quiser outro parceiro também, vá em frente. Eu planejo levar isso até o final, e também quero ir para a EAT. Se isso não se encaixa em seus objetivos, tenho certeza de que vai encontrar alguém melhor que eu. – A garota sorri, retirando a mão da arma em sua frente e esticando os braços acima da cabeça, saindo de seu esconderijo.
No segundo em que ela sai do beco, o ovo de kishin para, dando meia volta e analisando a garota em sua frente já em posição de luta, indicando para Oliver se afastar se não tiver intenção de acompanhá-la. Em um pulo, a garota recua de um ataque, o moreno vendo bem a pequena cratera que se formara com o peso do monstro em que sua parceira estava lutando. Ela não teria chance. Não conseguiu nem mesmo encostar em um aluno EAT, não conseguiria derrotá-lo, mesmo com as habilidades adquiridas com os treinos ao lado de BlackStar.
Aos poucos, Oliver se aproximava da saída, temendo a vida de sua parceira mais que a sua própria, podendo ver melhor a luta que ainda se seguia. Erin estava com alguns poucos arranhões, um pouco ofegante, mas o ovo de kishin também não estava intacto, podendo-se ver algumas partes chamuscadas em seu corpo, como se atingido por raios. A velocidade dela havia diminuído, possibilitando o adversário acertar alguns ataques de raspão na garota. Não importa quanta energia se tenha, uma hora ela acaba.
A arma não conseguia aguentar mais, sentindo seu corpo mover-se sozinho e bloquear mais um ataque com ambos os antebraços transformados em lâminas de foice, o ainda fraco Oliver não sendo capaz de segurar por muito tempo e sendo puxado por Erin a tempo de evitar um ferimento fatal. Agora fugir não adiantaria para nenhum dos dois, e nem poderiam. Erin estava quase esgotada e Oliver ainda não havia nem mesmo se acostumado à escada da Shibusen, não teria fôlego para uma corrida. O que os esperava era apenas a vitória ou a morte.
Ao menos mesmo reduzida, a velocidade da albina ainda lhe possibilitava atacar. Oliver defendia como podia os ataques, e nas pequenas brechas possibilitadas, a garota logo atacava com sua projeção de almas, o jogo aos poucos virando a seu favor, embora ainda continuasse duro para a dupla da Shibusen. Mesmo o ovo de kishin tendo consciência de que o moreno era mais fraco, em algum momento ele percebeu que voltar a atacar a garota, obviamente considerando-a mais perigosa, Oliver não podendo igualar-se à velocidade de ambos.
Em um ataque arriscado da garota, ela se via encurralada no fim daquela rua, infelizmente descobrindo tarde demais ser sem saída. Seu estado estava próximo ao lamentável, as roupas quase destruídas devido às evasivas da garota, pensando em uma outra estratégia, ou até mesmo usar “aquilo”, as mãos no bolso da saia que, por algum milagre, ainda estava inteiro. O braço repleto de lâminas se ergue, a criatura hesitando por um milésimo de segundo ao ver os olhos confiantes da garota, e então...
Repentinamente, um brilho forte surge entre Erin e o monstro contra qual lutavam...
Revelando a bela forma de uma foice dupla de lâmina azulada.
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