A New Me
24 Nightmares
Notas iniciais
#Natsu POV:
Escuridão. É apenas isso que consigo ver, um manto escuro, sombrio, tenebroso que envolve todo este lugar estranho. Nunca gostei do escuro, faz-me sentir impotente, fraco, cobarde, mas talvez seja isso mesmo que eu seja. Não consegui proteger aquela que amo, paralisei de medo e deixei ela ser ferida e agora estou aqui, perdido, sem saber o que fazer, sem saber como voltar, sem saber se posso voltar.
Continuo a andar sem rumo, tento usar as minhas chamas para iluminar o caminho mas elas são logo devoradas por esta escuridão infinita. Estou sozinho, não tem ninguém que me possa ajudar, sou apenas eu e a escuridão. Odeio a solidão, odeio estar sozinho, odeio-me por ter sido tão fraco perante aquelas três cavaleiras. Tenho de achar uma maneira de sair daqui, tenho de voltar, tenho de proteger a minha Luce. Começo a correr em direção daquele vazio escuro, talvez houvesse uma saída algures por aí, corro como nunca corri antes mas tudo o que eu vejo é escuro e mais escuro, odeio isso.
Não sei à quanto tempo corro, nem sei que direção estou a seguir. Começo a gritar pelo nome dos meus amigos, talvez assim alguém me ouvisse, talvez assim alguém me pudesse salvar deste sítio. Grito uma, duas, cem vezes mas ninguém me responde. Estou cansado e ofegante, as minhas pernas começam a doer, obrigo-me a parar por um instante, não sei o que fazer.
Já perdi a noção de há quanto tempo ando de um lado para o outro à procura de uma saída, estou a perder a esperança. Ando mais um pouco e para felicidade minha encontro uma porta! Corro desesperadamente até ela, finalmente posso sair daqui. Um enorme sorriso aparece na minha cara quando finalmente alcanço aquela porta, abro-a, a luminosidade é demasiada obrigando-me a tapar os olhos.
Estou num enorme prado, muito bonito por sinal, a relva é de um verde intenso e há flores de todas as formas, cores e feitios por todo o lado. Onde estou? Esta é a única pergunta que me passa pela cabeça. Vou andando por aquele maravilhoso prado, a brisa de verão e aquele sol quente e brilhante animam o meu espírito.
Continuo a caminhar até que me deparo com uma enorme árvore a alguns metros de distância. Lá encontrava-se uma linda mulher com cabelos brancos, mas não aquele branco normal mas sim um branco brilhante, quase prateado. Não lhe conseguia ver bem o rosto, parecia meio desfocado mas percebi que ela esta feliz, sentada debaixo da sombra daquela enorme árvore vi que ela olha sorridente para o sítio onde duas crianças pareciam felizes a brincar. Um deles ainda era um bebé, tinha cabelos rosa espetados, não parecia ter um ano sequer, e tentava andar nas suas pequenas perninhas rechonchudas. A outra era uma menina, aparentava ter uns nove anos de idade e segurava as pequenas mãozinhas do pequeno tentando ajudá-lo a andar. Pareciam muito felizes e percebi logo que deveriam ser uma família e aquelas duas inocentes crianças deviam ser irmãos. Aquela era uma cena muito bonita de se ver, o bebé ria enquanto a irmã o ajudava a andar, acho que o bebé estava-se a achar crescido por fazer isso.
–Leo-chan minha filha tem cuidado, o Natsu é apenas um bebé ainda vê se não o magoas-falou aquela mulher com um sorriso caloroso.
Espera eu ouvi o meu nome, será que esta mulher é a minha mãe?! Se for isso significa que tenho uma irmã mais velha?
Sem que me apercebe-se lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos, aquilo que eu estava a ver era a minha família. Estava tão maravilhado que nem percebi quando um enorme dragão vermelho passou por cima de mim. Ele ia em direção a minha família e foi aí que percebi que aquele era o… Igneel?!?!?!?!?!
O enorme dragão vermelho aproximou-se da árvore virando humano(link nas notas finais). Eu estava em choque, não sabia que o meu pai se podia transformar. Igneel aproximou-se da árvore dando um beijo carinhoso na mulher, agora tinha a certeza de que aquela só poderia ser a minha mãe.
–Olá minha Safira como é que estás?- então aquele era o nome da minha mãe.
–Está tudo bem meu amor, a Leonora adora o Natsu e eles estão a brincar, olha-os ali!- Leonora onde será que eu já tinha ouvido este nome?
–Senhor Igneel seja bem-vindo-falou a minha irmã.
Igneel aproximou-se dela ajoelhando-se e lhe dando um pequeno beijo na testa.
–Leonora se quiseres podes-me chamar de pai agora que eu e a tua mãe estamos juntos-então ela era a minha meia-irmã…
Igneel aproximou-se do mini eu levantando-o e atirando-o ao ar arrancando risadas de mim quer dizer do bebé Natsu e do resto da família. Família, sempre imaginei que nunca tinha tido ninguém para além do Igneel, o que será que aconteceu com a minha mãe e irmã?
A cena de repente mudou. Estava numa pequena casa, a minha mãe chorava juntamente com o meu pai, reparei que na pequena mesa de madeira encontrava-se uma folha e quando a li os meus olhos se inundaram de água. Aquilo era um folheto de “desaparecido” e era da minha irmã. O meu coração batia depressa, o que lhe teria acontecido? Será que ela ainda está viva?
O cenário voltou a mudar, estava outra vez no prado, ao longe uma pequena casa de madeira ardia, corri o mais rápido que pude e então o meu coração parou. O meu eu bebé, agora com cerca de um ano, chorava enquanto estava protegido por uma barreira de chamas, ao seu lado encontrava-se a minha mãe pálida e com dificuldades em respirar.
–SAFIRA!!!!-gritou o meu pai.
–Igneel-minha mãe tossiu- por favor toma conta do nosso filho.
–Mas o que raio estás a dizer, é claro que eu irei cuidar dele, contigo, nós vamos cuidar dele juntos-falou ele enquanto chorava desesperadamente.
–Eu amo-te Igneel, Natsu sê forte e corajoso, encontra alguém que ames, eu estarei a vigiar-vos lá do seu- e então depois de me dar um pequeno beijo ela… ela morreu.
Cai de joelhos, eu não sabia como reagir, as lágrimas caiam sem parar dos meus olhos. Agora sabia que nunca mais a iria ver.
Apareceu diante de mim mais uma porta, esperava que esta me levasse à saída deste lugar. A luz era forte e quando a mesma desapareceu reparei que estava perto da caverna onde vivi grande parte da minha vida.
Um rapazinho encontrava-se agarrado a um cascol, o meu cascol. Agora me lembro, este foi o dia em que o Igneel desapareceu.
A imagem começou a se afastar e quando reparei estava mais uma vez nas escuridão total. Olhava de um lado para o outro mas não havia nada a não ser aquele horrível manto negro. Comecei A andar na esperança de encontrar mais alguma porta e, que desta vez fosse a porta da saída.
–És um inútil- ouvi a voz de alguém.
–Quem está aí!
–Nunca devias ter nascido, se não fosses tu a minha amada Safira ainda estaria viva e a Leo-chan nunca teria desaparecido-esta era a voz do Igneel!
Comecei a correr o mais rápido que podia mas a sua voz fria e sem vida perseguia-me para onde quer que eu fosse.
–És um imprestável.
–És um fraco! Nem a mulher que amas és capaz de proteger! Ainda bem que te abandonei.
–CALA-TE!!!!!!!
Eu corria desesperado, as lágrimas corriam livremente pelo meu rosto. Aquele não podia ser o meu pai, Igneel amava-me, ele nunca diria coisas tão horríveis como aquelas. Não sabia para onde ia, apenas corria em frente rumo a mais escuridão na esperança de que aquela voz se calasse. Uma porta apareceu à minha frente e sem pensar duas vezes entrei na mesma.
Eu estava numa floresta escura e sem vida, as folhas das árvores eram negras assim como as rosas que cresciam nos arbustos. Eu estava perdido, não sabia que rumo seguir mas também não queria continuar ali. Resolvi caminhar, seguir em frente. Nunca me tinha deparado com uma floresta como esta, aquela era uma noite sem estrelas o que tornava a floresta ainda mais tenebrosa.
Ouço o grito de um corvo que pousa numa árvore próxima de onde eu estou, o seu grito estridente é ensurdecedor e então, vão aparecendo mais e mais corvos me encurralando num círculo formado por eles. Eram milhares, e de um momento para o outro todos eles me começaram a atacar. Arranhavam-me com as suas garras e perfuravam-me a pele com os seus bicos.
Eu estava desesperado e comecei a correr dali. Eles não me largavam e eu acabei por tropeçar numa raiz e cair perto de uma poça de água. Decidi mergulhar na mesma para me livrar daqueles pássaros. Nadei o mais que pude até voltar a atingir a superfície e o que eu vi era espantoso. À minha frente encontrava-se um templo velho, uma espécie de castelo e no céu o sol e a lua juntos, cada um numa das extremidades do castelo. Entrei naquele lugar e fui caminhando até me encontrar numa espécie de salão que apenas tinha um trono de pedra já rachado.
Lembro-me da Luce falar que algo parecido acontecia nos sonhos dela e por isso fiquei em alerta. Naquele lugar havia quinze pedestais e sem que me apercebe-se, o sol e a lua começaram a desaparecer envolvendo aquele lugar na escuridão. O trono moveu-se revelando uma passagem por debaixo do mesmo. Decidi ver onde é que aquilo iria parar.
Desci as escadas e à medida que o fazia as tochas acendiam-se iluminando o caminho. Cheguei a uma espécie de sala onde apenas havia um espelho, um espelho que emanava quantidades de energia negra gigantes. Será que era este o espelho de que o sogrinho falava? Resolvi aproximar-me e quando o fiz reparei que havia algo dentro do espelho. Os seus olhos eram mais negros que a noite, maléficos e com um desejo enorme de sangue- Lembro-me da Lucy mencionar algo de uns olhos mas ela não disse que eram azuis?
Ouvi uma risada maléfica, a voz vinha do espelho e então o mesmo quebrou-se em mil pedaços libertando toda a escuridão que se encontrava lá dentro. Os vários pedaços uniram-se formando duas correntes que se prenderam aos meus pulsos.
Não sabia o que estava a acontecer mas assim que olhei para cima vi algo que fez o meu coração gelar. Lucy estava presa a parede, muito magoada e com várias feridas abertas.
–LUCE!!!!!
Vi outra vez aqueles olhos. O sorriso daquela sombra era macabro e foi-se aproximando lentamente da minha Luce.
–AFASTA-TE DELA!!!!- eu gritava tentando desesperadamente soltar-me daquelas correntes.
Aquele riso foi novamente ouvido e então aquele ser que me parecia um demónio começou a espancar a Luce à minha frente. Eu gritava, esperneava tentando-me libertar, eu precisava de fazê-lo, a Luce corria perigo. Ouvir os seus gritos de dor faziam o meu coração ficar cada vez mais desesperado, eu não era capaz de protege-la.
Não conseguia conter as minhas lágrimas, aquele era o meu pior pesadelo: ver o amor da minha vida ser morta sem que pudesse fazer nada. Sinto-me um inútil. Naquele chão frio agora estava o corpo sem vida da minha amada e aquele demónio a rir descontroladamente.
–LUCYYYYYY!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E então a correntes desfizeram-se e um enorme mar de escuridão começou a formar-se aos meus pés onde me comecei a afundar.
–Um dia nos iremos encontrar Natsu. Prepara-te pois quando esse dia chegar eu não serei piedoso.
Estas foram as últimas palavras que ouvi antes de me afundar naquele mar de escuridão eterna. Um mar de dor e desespero do qual nunca irei ser capaz de fugir.
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