A New Love
9 Como nos meus sonhos
Notas iniciais
POV-EMILY
Depois que eu recebi a mensagem da Santana, como vocês já devem saber, pulei a janela, para evitar o interrogatório das meninas. Sabe aquelas perguntas clichês e até mesmo sem noção? Como: “Para onde você vai?, Com quem?, Vai chegar muito tarde?”. Na real, eu nem precisaria responder a todas essas questões, pois sou uma adulta responsável e maior de 18. Mas as meninas ainda acham que são minhas “mães” ou algo do tipo, pois sempre me tratam como uma bebezinha.
Bem, eu cansei disso. E fiquei pensando nessa situação enquanto fugia pelas ruas de Nova York. As vezes eu sinto que não gosto da vida do jeito que eu levo. As vezes me sinto como se eu tivesse oito anos de idade, sendo controlada pelas minhas amigas, tendo de fazer os mesmos passeios que elas e seus namorados, porque não tenho ninguém com quem sair além delas.
Talvez nada disso seja verdade. Mas depois de um tempo morando com as suas melhores amigas, você se questiona se realmente vale a pena essa vida. Eu continuo amando elas. Mas acho que a nossa convivência se desgastou. Não quero mais ter de esperar para dar minha opinião numa conversa, ou discussão. Também não quero mais ter de aturar um interrogatório sempre que eu for sair de casa. Não quero mais ter de pegar carona todo dia com um casal de namorados que quase nunca olha na minha cara.
Você pode estar achando que eu estou dando um ataque de “piti” ou de raiva ou de estresse, por nenhuma razão. Afinal, minha vida está ótima e eu não deveria reclamar. Bem, talvez eu esteja exagerando, mas eh apenas como eu me sinto.
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45 MINUTOS DEPOIS
Finalmente cheguei no café com karaokê. Peguei um táxi em menos da metade do caminho, porque não aguentava mais correr e andar e também a fim de chegar mais rápido ao local esperado. Bem, eu apenas não contava com o transito infernal desse horário ... Enfim, acabei chegando pontualmente (milagre!)
Enquanto eu pago o táxi, eu espio pela janela e não posso deixar de observar uma certa movimentação no café, como se as pessoas estivessem arrumando um salão para uma festa. Mas isso não faz o menor sentido, porque o café fecha as 21 horas na sexta (não me pergunte por que fecha mais cedo justamente na sexta, dia em que tem mais clientes ... Vai entender).
Claro que eu fiquei muito curiosa e até receosa de entrar naquele lugar de novo, mas eu já estava ali. Agora não havia mais volta.
Entrei e estava tudo escuro. Ouvi algumas pessoas cochichando “eh ela?” e outras respondendo, também cochichando: “só pode ser ela” e, por último, outras no mesmo tom: “então acende logo as luzes”.
Nesse momento, as luzes se acenderam e o local simplesmente ficou lindo. Cheio de corações e luzes fluorescentes. Nem parecia o mesmo da última vez.
De repente, eu ouço alguém dizendo no aparelho de karaokê.
–Essa música eh para Emily Fields.
Reconheci a voz de Santana imediatamente.
Ela começou a cantar “Emily” do Mika. Não acredito! Minha musica favorita! Como ela descobriu isso?
Enquanto ela cantava, eu me sentei num sofá confortável, perto do karaokê e pedi uma coca para beber.
Depois, só apreciei a performance. Parecia que a musica tinha sido feita especialmente para mim. E que foi feita apenas para a Santana canta-la para mim.
(Letras nas notas finais e iniciais)
–Muito obrigada, senhoras e senhores- Santana fez uma reverência as pessoas presentes no salão (no caso eu e mais três garçonetes bem no fundo, que aplaudimos enlouquecidamente).
Depois, ela saiu do palco e veio falar comigo.
–E então, gostou da música? – ela perguntou, com um sorriso no rosto.
–Você deve ter algum tipo de poder psíquico. – eu afirmo, rindo.
–Como assim? – ela indaga, confusa e rindo.
– Como você adivinhou que essa era minha música favorita?
–Hm, não sei, talvez por que tenha seu nome nela? – ela diz, brincando. Sim, era o que eu esperava que ela pensasse. Mas não eh por isso que esta eh minha música predileta. – Brincadeira. Você disse isso outro dia, lembra? Foi quando nos encontramos aqui pela primeira vez. Você disse que essa música sempre traduziu a sua falta de independência e a sua paixão pela dança. E eu não sei se você lembra, mas eu também disse que essa era uma...
–Das suas músicas favoritas – eu a interrompi no meio – Sim, eu me lembro. Só queria saber se você realmente se lembrava do que eu disse.
–Eu nunca me esqueço de nada do que você fala- ela diz, séria- Aliás, você já olhou em volta? O cenário foi inspirado naquela vez que você disse que adoraria que alguém te pedisse em namoro em um lugar cheio de corações e luzes fluorescentes, e que esse fosse um lugar simples, mas que tivesse algum significado com a história das pessoas. Além disso, você também disse que não queria um anel – ela pega uma caixa da Tiffany’s (como ela tem dinheiro para essas coisas?) e retira uma pulseira com o meu nome e o dela, envoltos num coração – e sim uma pulseira, com o nome de ambas as pessoas. Para...
–Todo mundo saber que eu estou comprometida e amo essa pessoa. – eu a interrompi de novo – Desculpa, prometo que não vou mais atrapalhar.
–Que nada – ela diz, rindo. Poxa, acho que eh a primeira pessoa que não fica brava quando eu a interrompo. Não que eu faça isso muitas vezes, por conta de ser falta de educação, mas quando eu faço, geralmente levo bronca. Mas Santana pareceu normal com isso – Eh o seu sonho e se não estiver perfeito como você imaginou, eh seu dever corrigir.
Ela ficou esperando que eu dissesse algo, mas tudo o que eu consegui dizer foi:
–Eu aceito.
–O que? Mas eu nem fiz o pedido!!! Olha, você disse que queria que a pessoa preparasse um discurso e eu preparei um de duas páginas e...
Ela parecia completamente atrapalhada e desapontada. Eu ri e disse para ela.
–Santana, olhe para mim- ela olhou e a olhei de volta, bem fundo nos seus olhos. – Isso são sonhos. Eu nunca esperava que eles fossem se realizar. E, se eles se realizassem, não seria como eu imaginei. Seria como eu quisesse. Tudo o que fez hoje aqui por mim, demonstra o quanto você me ama e presta atenção em mim. Isso eh tudo o que basta. Eh tudo que eu preciso para ter certeza de que te amo de volta.
Dito isso, nós nos aproximamos e nos beijamos. Como nos filmes. E somos aplaudidas pelos funcionários presentes, também como nos filmes.
E nos meus sonhos.
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