A New Chance
20 No final é o amor que vence!
Notas iniciais

Regina respirava com dificuldade, puxava o ar numa tentativa desesperada de normalizar a respiração após a corrida até seu carro. Tinha as mãos firmes no volante, as pontas dos dedos brancas mostrando a falta de sangue correndo por aquela região. O olhar fixo em qualquer ponto do volante, a verdade era que Regina não enxergava nada, seu objetivo era apenas normalizar sua respiração para que pudesse arrancar com o carro. Foi puxada de seus pensamentos com batidas no vidro, hesitou em olhar, não queria ninguém a atrapalhando, nada a faria desistir de sair as pressas dali. Outra batida mais forte e então ela virou deparando-se com dois olhos verdes que a iluminavam como faróis, embora transparecessem apreensão com toda a situação. Regina apenas sacudiu a cabeça e tentou dar partida no carro.
"Regina, não! Deixa eu ir com você! Por favor!" Emma batia com mais força no vidro, mas Regina parecia não a ouvir. "Regina, você não pode dirigir assim nesse estado!" Quando viu que seus pedidos não tinham nenhum efeito, foi até a frente do carro da morena e subiu no capô. Escorregou quando Regina deu uma freada quando saia com o carro.
"Garota, você está louca?" Regina gritou assustada em meio as lágrimas, sem entender muito bem o que tinha acontecido. "Sai daí Emma, eu vou arrancar com o carro!" Emma balançou a cabeça dando de ombros. "Emma..."
"Regina..." retrucou séria, secou as lágrimas com as costas das mãos, se ajeitou no capô e cruzou as pernas. "Não existe possibilidade nenhuma de eu te deixar sair com o carro sozinha, se quiser sair, vai ter que me levar no capô!" Observou Regina pular para o banco do carona, brava, bufando, resmungando qualquer coisa enquanto as lágrimas continuavam descendo desenfreadas. Desceu rapidamente e entrou no carro dando partida logo em seguida.
O trajeto era feito em silêncio, Emma as vezes olhava de canto de olho e percebia que Regina tinha o olhar longe, triste e em qualquer lugar para fora da janela decorada com gotículas de chuvas que escorriam fazendo uma perfeita coreografia com suas lágrimas. Percebeu a morena se encolher ainda mais no banco, cruzando os braços e afundando no banco. Respirou fundo ao observar aquela cena, Regina sempre fora uma mulher segura, forte, e vê-la assim era mais do que angustiante.
"Onde você está indo?" Regina tinha a foz fraca, rouca, o nariz entupido denunciando seu choro incessante, a maquiagem um pouco borrada no canto dos olhos e os cabelos bagunçados. Olhava para as ruas, buscando entender o caminho que Emma estava fazendo.
"Eu vou te levar para minha casa!" Emma respondeu sem a olhar. "Vou te levar pro hotel Swan, não é cinco estrelas maaaas..."
"É confortável!" Regina completou lembrando-se da frase usada por ela uns meses antes quando acolheu Emma em sua casa na noite em que Gold estava na festa de Elsa. Soltou um riso fraco e voltou a olhar para janela. O clarão de um relâmpago iluminou o carro e talvez aquela fosse a única luz do momento, pelo menos para ela.
~~X~~
Coração Selvagem — Ana Carolina
Regina manteve-se em silêncio durante todo o trajeto do carro até a entrada do apartamento de Emma. Antes de entrar sentiu suas pernas falharem e parou encostando-se ao batente da porta. Um turbilhão de pensamentos a engolia naquele momento, tantas dúvidas, tantas mágoas, talvez ela não devesse estar ali. Mas desistiu de se questionar ao sentir a mão de Emma tocando suavemente a sua que tinha os punhos cerrados. Sentiu o dedilhar suave abrindo cada um de seus dedos até por fim entrelaçar os dedos aos seus. Soltou a respiração presa em seus pulmões e junto com ela o choro entalado em sua garganta. Talvez aquela fosse a primeira vez que Regina deixava alguém assistir a sua dor, era a primeira vez que alguém a via tão vulnerável. Soluçava e puxava o ar com dificuldade, um misto de emoções se apossava de Regina naquele momento. Sentiu Emma a abraçando e então fechou os olhos permitindo-se chorar livre, sem barreira nenhuma. Emma apertava Regina em seus braços como se sua vida dependesse daquilo, talvez dependesse mesmo. Chorava junto com ela, era como se aquela fosse sua dor também, talvez realmente fosse. Emma sentiu que a respiração de Regina foi acalmando e o choro cessando, depois de tanto tempo conseguiu respirar aliviada. O silêncio era companheiro fiel das duas naquela sala. Continuavam abraçadas, Emma tinha os dedos perdidos nos fios negros de Regina, enquanto ela tinha os braços em volta da cintura da loira e a abraçava apertado.
"Me desculpe!" Emma falou depois de um tempo em silêncio. Regina se desfez do abraço, tinha as sobrancelhas juntas e uma expressão confusa. "Por tudo isso, por ter te enfiado nessa confusão da minha vida e ter piorado aind..."
"Não, você..... não, pelo amor de Deus não fale uma coisa dessas. Eu pedi que nossa relação fosse transparente desde o começo, pedi que você se abrisse comigo, mas na verdade eu mesma não estava fazendo nada daquilo. Quando você me contou toda sua história eu tive a opção de te deixar ir, você deixou isso bem claro, mas eu escolhi ter você na minha vida, escolhi fazer parte disso. Mas, acho que, talvez eu não estivesse preparada, talvez a minha confusão fosse maior que a sua e então eu não soube lidar. Todas as vezes que você sangrava e toda sua dor vinha a tona, eu sangrava junto, sangrava por você, sangrava por toda a minha história mal resolvida. Se tem alguém que precisa pedir desculpas, esse alguém sou eu. Por não ter sido transparente, por ter desconfiado de você, por tant..."
"Não, por favor! Podemos não falar disso agora? Você precisa comer, você precisa descansar." Emma não queria ter que conversar naquele momento. Sentia que Regina precisava descansar.
"Eu só preciso que você me perdoe. Ter desconfiado de você foi algo imperdoável, eu sei, mas eu acho que foi tanta coisa vindo a tona na minha cabeça que eu acabei me desesperando e o medo de você ter se sujado com aquilo tudo me cegou e eu acabei descontando em você!" Regina até queria falar mais, pedir perdão por inúmeras coisas, mas, aquilo que ela falou, foi o que conseguiu. Seu cansaço físico e mental deixaram que só aquelas palavras fossem proferidas.
"Eu não posso dizer que não me magoei com tudo aquilo, era um momento difícil para mim e eu só precisava do apoio de alguém que me amasse." Emma teve sua fala interrompida por um soluço discreto acompanhado de um choro preso em sua garganta. Sacudiu a cabeça e apertou a mão de Regina. "Mas diante de tudo que presenciei hoje, eu não posso de maneira nenhuma dizer que não te perdoo e que não entendo. Eu imagino o quanto ter que lidar com a minha história tenha sido difícil para você, porque eu me senti despedaçada e nunca tive um momento tão difícil quanto o de ter que ouvir a sua história e imaginar tudo o que você passou. Pior ainda, foi imaginar tudo que você reviveu com minha história." Calou-se por um momento ao se deparar com Regina de olhos fechados com um sorriso discreto nos lábios sentindo os dedos de Emma que fazia um carinho com o polegar na palma de sua mão. O nariz vermelho inchado, resquícios de lágrimas no canto dos olhos e o cabelo ainda bagunçado. Emma tinha certeza que nunca havia visto Regina naquele estado, mas tinha a certeza que se essa fosse a primeira vez que estivesse a vendo na vida, se apaixonaria sem sombra de dúvidas. Era a primeira vez que via Regina tão sem barreiras, tão a vontade, tão... Regina. A morena abriu os olhos rapidamente ao perceber que Emma havia se calado. Sorriu timidamente e apertos os olhos ao se deparar com Emma a encarando com uma expressão curiosa. "Regina Mills, você estava gostand..."
"NEM MAIS UMA PALAVRA SOBRE ISSO!" Regina falou em seu tão conhecido tom autoritário, mas sorriu logo em seguida.
"Eu vi isso Regina Mills, eu vi isso!" Emma retrucou sorrindo docemente. A conversa das duas foi interrompida por um relâmpago que iluminou aquela sala inteira seguido de um trovão preenchendo o silêncio. Um vento frio passou por elas e só então se deram conta que a porta ainda estava aberta, haviam parado logo na entrada e ali ficaram. "Você está com fome?" Emma perguntou voltando para perto de Regina após ter acendido as luzes e trancado a porta.
"Você vai...." Regina sinalizava com a mão em direção a cozinha alternando os movimentos entre Emma e o cômodo.
"Ah não me venha você também ficar com medo por eu estar indo cozinhar!" Emma defendeu-se levantando as mãos.
"Eu só... perguntei. Acho que agradeço, mas podemos pedir uma pizza?" Regina respondeu dando de ombros arrancando uma risada e uma falsa cara de ofendida da loira. "Ok, eu posso passar por isso!" Rendeu-se por fim.
"Você vai comer a melhor pizza da sua vida!" A loira gabou-se indo em direção a cozinha.
"Pizza Emma Swan? Sério?" Regina perguntou acomodando-se no banco junto ao balcão da cozinha.
"Eu disse que sabia cozinhar, não disse o que!" Respondeu dando de ombros. Regina soltou um riso baixo e balançou a cabeça com conformidade. "Você quer tomar um banho?" Emma perguntou casualmente enquanto fazia um coque desajeitado em seus longos fios loiros. Regina acompanhou cada detalhe daqueles movimentos. Se perguntou como uma mulher tão sofrida não conseguia perder aquele jeito encantador e mesmo em meio ao seu caos, conseguia ajudá-la. "Regina?" A morena foi puxada de seus pensamentos com Emma a chamando, obviamente ela não ouvira a pergunta, estava ocupada demais apreciando seus movimentos.
"Hum?" Perguntou piscando rapidamente e voltou sua concentração ao que Emma falara.
"Eu perguntei se você quer tomar um banho, enquanto eu... bem...enquanto eu vou fazendo a pizza." Respirou fundo e a encarou novamente. "Está tudo bem?" Perguntou aproximando-se do balcão em que Regina estava apoiada.
"HÃ? Sim, claro, é... bem..." Pigarreou e ajeitou-se no banco. "Eu não..." Gesticulava mostrando suas roupas.
"O quarto você sabe onde é, escolha qualquer roupa e tome seu banho tranquila! Eu vou fazendo tudo por aqui!" A loira disse e logo voltou sua atenção aos seus armários em busca dos ingredientes de sua pizza.
"Eu, não sei!" Regina proferiu em voz baixa. "Eu não sei se devo ficar aqui, eu deixei todos naquela casa, sem dar nenhuma satisfação, sai correndo feito louca. E ainda tem Henry." Regina estava confusa, falava rapidamente, levantou-se do banco e andava de um lado pro outro.
"Regina, Henry está com o pai, ele não está sozinho. Daniel vai explicar o que estava acontecendo, e amanhã, quando você estiver bem, você volta para ele. Mas, se você quiser, você pode ir embora. Está tudo bem!" Embora quisesse parecer firme, Emma falhou consideravelmente no final de sua frase. Encostou-se do balcão parando tudo que estava fazendo e observou Regina. A morena sentou-se novamente no banco ainda parecendo confusa e logo levantou-se rapidamente fazendo com que Emma endireitasse sua postura para observar Regina virando-se de costas e indo. Prendeu a respiração e fechou os olhos, não queria ter que ver Regina indo embora mais uma vez.
"Eu posso usar sua toalha?" Regina gritou do banheiro fazendo com que Emma soltasse todo o ar preso dentro de seus pulmões. Soltou um riso frouxo antes de gritar um sonoro sim.
Regina entrou no quarto e observou rapidamente a cama de Emma, não queria lembrar, mas não conseguia controlar seus pensamentos que corriam por todas as vezes que as duas estiveram ali. Regina respirou fundo e foi em direção ao closet, pegou um dos pijamas de Emma e abriu a gaveta de calcinhas com cuidado. Passou o olho por várias, a maioria de renda e engoliu em seco ao imaginar a loira vestindo aquelas peças. "Banho Regina Mills, banho!" falou para si mesma fechando aquela gaveta com força. Tomou um banhou não muito rápido, mas também nada que tomasse muito seu tempo. Não queria ter que pensar em muitas coisas, não aquela hora. Assim que saiu do banho aproveitou para ligar para Daniel, que como já era de se esperar, foi muito compreensivo e estava extremamente preocupado com ela. Mas sabia que estando com Emma, ela estaria bem. Falou um pouco com Henry apenas para dizer que o amava, desligou e tomou seu caminho para cozinha. Quando chegou a sala de jantar, avistou uma mesa preparada com vinho e em seguida Emma chegou colocando a pizza recém saída do forno, sob a mesa.
"A pizzaria entregou rápido até, eu não demorei no banho!" Regina Mills não daria o braço a torcer rápido assim. Emma soltou uma risadinha ao ver Regina com seu pijama.
"É um dos meus pijamas..."
"Favoritos, eu sei!" Regina completou a frase de Emma automaticamente. Não queria ter feito, mas simplesmente saiu, como se sua boca não a obedecesse. "Bem, eu não vou nem perguntar se precisa de ajuda, porque pelo visto você já fez tudo!" Regina voltou a falar quebrando o clima instalado.
"Esse é o ponto, eu que fiz!" Emma falou revirando os olhos e apontando a cadeira para que a morena se sentasse.
O jantar transcorreu bem, as duas mantinham um papo agradável, claro que vez ou outra Regina fazia piadinhas sobre a pizza comprada, a morena conseguiu mante sua mente ocupada, livre de problemas, embora Emma fosse um grande problema a ser resolvido. Após o jantar foram até a varanda, a mesma varanda na qual alguns meses antes a loira havia contado toda sua história. Tomaram mais algumas taças de vinho e logo estavam sendo vencidas pelo sono.
"Tenho uma coisa para te falar." Emma falou levantando da cadeira rustica que combinada com a decoração daquela varanda.
"Devo me preocupar?" Regina perguntou e seguiu logo atrás de Emma que colocou as taças e a garrafa vazia sob a mesa.
"Não sei se você se lembra, mas não tenho quarto de hóspedes!" Emma falou apreensiva, sabia que ela e Regina não estavam bem a esse ponto.
"Acho que já passamos dessa fase, eu não ligo, mas o canto direito é meu!" Regina disse dando de ombros e saiu em direção ao quarto.
Emma sorriu, era só isso que conseguia, sorrir. Regina Mills estava sendo surpreendente, mais uma vez.
O sono veio rápido, pouco tempo depois que tinham deitado, ambas dormiram. Aquele era o fim de um dia que poderia ser apagado da vida de Regina.
~~X~~
Like I'm Gonna Loose You — Meghan Trainor feat. John Legend
Emma acordou e assim que abriu os olhos os fechou novamente. Não queria ter acordado, tinha certeza de que era muito cedo e se xingou por não conseguir dormir até mais tarde aos finais de semana. Respirou fundo e logo abriu os olhos rapidamente quando lembrou-se de Regina, olhou para o lado e não a encontrou mais na cama. Saltou rapidamente e saiu andando apressadamente pelo corredor que ligava o quarto até a sala. Enquanto andava, perguntava se Regina seria capaz de ir simplesmente embora e não deixar nenhum bilhete, e chegou a conclusão de que sim.
Interrompeu seus pensamentos bruscamente ao se deparar com Regina sentada em seu sofá. A morena a olhava por cima da xícara de café que tinha em suas mãos perto da boca, tinha uma das sobrancelhas levantadas e um olhar de dúvida.
"Eu achei que você tivesse..."
"Ido embora!" Regina completou olhando fixamente para Emma que tinha as maçãs do rosto rosadas, os cabelos completamente desordenados e a respiração descompassada devido a sua quase corrida. "Eu só não consegui dormir muito bem e resolvi levantar e fazer café. Você sabe, não quis correr o risco de comer pizza no café." Deu de ombros e finalmente levou a xícara a boca. Emma respirou aliviada e ficou um pouco envergonhada por sua atitude. Regina realmente não tinha motivos para ir embora, não assim, fugindo. Ela poderia até não ficar, mas com certeza falaria com Emma. A loira deu as costas e foi direto para a cozinha em busca de café, sem falar nada. Abriu o armário, pegou sua xícara preferida, com alguns desenhos coloridos e abstratos e assustou-se quando virou e encontrou dois olhos castanhos brilhantes a encarando perto do balcão.
"E se eu tivesse ido embora?" Regina perguntou sem se mover, ainda encostada no balcão, com as duas mãos apoiadas no móvel. Quase não sentiu o mármore gelado, pois fazia um perfeito contraste com suas mãos quentes, suando. "Você faria o que?" Seu tom rouco denunciou a seriedade daquela conversa. Cruzou os braços e aguardou a resposta de Emma.
Emma respirou fundo, e sentiu gotículas de suor juntando em seu pescoço, taí uma questão difícil de ser respondida. Ela queria Regina, por Deus, como ela queria aquela mulher, mas essa pergunta da morena a pegou de surpresa, o que ela faria? Respirou fundo mais uma vez e jogou os braços equiparando a seus quadris.
"Eu não sei, para ser sincera. Eu só precisava ter certeza de que você tinha ido realmente." Soltou depois de um tempo em silêncio. "Eu só fiquei um pouco desesperada com a possibilidade." Disse gesticulando com os braços em movimentos desordenados. "E você, queria ter ido embora?"
A pergunta de Emma pegou Regina completamente desprevenida. Ela sabia que a loira era petulante e bem direta, mas, muitas vezes em relação a ela, a loira demonstrava insegurança.
"Se eu não fui ontem, dificilmente eu iria embora hoje, quer dizer, não sem falar nada, não sem antes resolvermos nossa situação. Não foi bem para isso que eu vim aqui, mas já estamos aqui..." Regina resolveu ser direta, era só assim que funcionava em relação a Emma.
"Existe algo ainda para ser resolvido?" Emma perguntou direta, sem nem ao menos dar tempo de Regina fechar a boca. "Digo, eu achei que para você tudo estivesse resolvido!" Sorriu ao final, seu sorriso demonstrava esperança, e era exatamente isso que ela sentia no momento, esperança, a maldita esperança.
"Eu fui injusta com você, conversamos sobre isso ontem. Eu não sei como nós ficamos. Não sei nem se existe um nós!" Regina tentava não ser vaga, mas a verdade era que não sabia o que falar, mas tinha muito o que dizer.
"É claro que existe!" Emma disse firme. "Talvez até ontem, antes de tudo, para mim não existisse mais, mas, eu não sei o que te dizer, eu só sei que eu quero você!" Emma finalmente falou o que estava preso em sua garganta.
"Você me assusta as vezes!" Regina disse deixando escapar um riso frouxo.
"E...?" Emma perguntou dando alguns passos em direção a Regina, seu sorriso vitorioso iluminava aquela cozinha.
"E..." Regina pigarreou nervosa, sentiu-se ridícula por aquilo, mas esse era um dos efeitos que aquela loira petulante causava nela. "E eu adoro!"
"Adora?" Emma continuava se aproximando cada vez mais de Regina, sentia seu coração bater descompassado a cada passo que dava, parecia fazer uma coreografia com o coração de Regina, que batia igualmente desesperado em seu peito.
"Sim, mas você não comece a se achar a...." Regina não conseguiu terminar a frase, foi calada por um beijo roubado de Emma. Sorriu em meio ao beijo por ter sido surpreendida mais uma vez por ela. Não existia urgência naquele beijo, embora urgência era o nome mais apropriado para se dar ao que elas sentiam naquele momento. Emma agarrou nos cabelos de Regina perdendo seus dedos por entre os fios. Regina subia e descia suas mãos por toda as costas de Emma, por vezes subia uma das mãos para o rosto enquanto a outras puxava a loira pela cintura para aumentar o contato entre elas. Separaram-se quando a busca por ar foi maior do que podiam suportar. Emma permanecia com os olhos fechados, os lábios avermelhados e um sorriso discreto perambulava por seus lábios. Regina acompanhava cada detalhe dos movimentos de Emma.
"Eu senti a sua falta!" Disse num sussurro enquanto desenhava a curva do sorriso de Emma com os dedos em suaves movimentos.
"Então vamos resolver isso, não sabemos o dia de amanhã, então a gente aproveita o hoje, e amanhã a gente aproveita o amanhã." Grudou novamente nos cabelos de Regina e a puxou para um novo beijo, esse sim era repleto de urgência e malícia. As duas foram cambaleando, esbarrando nos móveis, peças de roupas eram deixadas pelo caminho. Chegaram finalmente ao quarto entre pausas para recuperar o folego, mãos bobas e troca de olhares carregados de luxúria. Caíram na cama e naquele quarto a única coisa que se ouvia eram os sons de suas respirações. Talvez se os batimentos acelerados, completamente descompassados, pudessem ser ouvidos, os de ambas estariam travando uma batalha digna de bateria de escola de samba. Emma encarava Regina com um olhar de expectativa e ansiedade, achou que as borboletas no estômago haviam ficado em sua adolescência, mas elas estavam ali presentes a cada engatinhada que Regina dava na cama aproximando-se dela. A morena que tinha uma sensualidade natural, conseguia ficar ainda mais sexy quando queria. Tinha um sorriso de criança travessa nos lábios e trilhava com a ponta do dedo o caminho do abdome até a borda da calcinha preta rendada que Emma usava. Sorriu maliciosamente ao presenciar o corpo da loira reagindo a seu toque e seus pelos arrepiando-se instantaneamente. Ainda por cima do fino tecido rendado, passeou com a ponta do seu dedo até a entrada de Emma e pode constatar o que já tinha certeza, ela estava molhada, pronta para recebê-la. Voltou a passear com o dedo pelo corpo branco, como a seda, de Emma, subiu até o sutiã e num golpe rápido o arrancou, soltou um riso malicioso ao ouvir um gemido da loira escapando de seus lábios que formavam uma linha fina e estavam secos. Regina atacou os lábios de Emma e foi surpreendida por sua língua quente procurando contato desesperado, explorando cada canto de sua boca, fazendo uma dança incrível com sua língua, pode sentir seus seios roçando aos dela, ambos os mamilos duros denunciando o desejo preso em seus corpos. Emma sentiu um vazio assim que o beijo foi interrompido, mas que logo foi preenchido por Regina desenhando a extensão de seu pescoço com a língua, e por vezes com leves mordidas. E assim a morena continuou traçando um caminho perigoso entre colo, seios e barriga, sentiu Emma contraindo o abdome quando ela deixou uma mordida seguida de uma chupada. Voltou a descer o caminho pelo corpo daquela mulher que ela tanto sentiu falta e chegou onde mais queria. Chupou seu clítoris de uma vez, sem aviso, sem delongas e sorriu contra a pele de Emma ao ouvir seu gemido alto. A loira se contorcia com a língua ávida de Regina a chupando e lambendo toda sua intimidade. Mordeu seu lábio forte ao sentir a morena a penetrando com um dedo sem parar de chupar e lamber seu clítoris. Sentia gotículas de suor se juntando por seu corpo enquanto sua respiração ficava cada vez mais falha. Gemia sem pudor e cada vez mais alto a cada toque dos dedos, da boca ou língua de Regina. Agarrou o lençol com força ao sentir que a morena havia lhe penetrado com mais um dedo, sendo dois dedos fazendo com que ela sentisse seus nervos ficarem cada vez mais rígidos.
"Regina, por Deus eu não vou..." Emma tentou falar, mas sua foz falhou.
Regina pôde sentir o corpo de Emma dar os primeiros sinais de que não aguentaria por mais muito tempo e parou com tudo que estava fazendo, ouviu um gemido frustrado da loira e quando buscou seu olhar só enxergou confusão. Puxou Emma pelas pernas para que ficasse mais perto, entrelaçou suas pernas as dela e pode ver um olhar iluminado vindo da loira ao perceber qual era sua intenção. Grudou seu sexo ao dela e ambas soltaram um gemido alto com o contato, as duas molhadas, encharcadas, seus sexos quentes roçando um no outro, os movimentos perfeitos acelerando na medida em que os gemidos iam aumentando e ficando cada vez mais altos.
"Isso aqui que nós estamos fazendo Emma, é amor." Regina falava rouca tentando prender os gemidos que vinham cada vez mais fortes e altos. Tinha os olhos presos, fixos aos de Emma. "E amor, de verdade, com vontade, com tesão, eu só fiz com você Emma Swan." Regina mal conseguia falar, puxava o ar numa busca desesperada de controlar sua respiração. Agarrou-se mais forte ao lençol e passou os olhos por Emma que rebolava de olhos fechados diante dela com os seios acompanhando os movimentos do corpo. Acelerou os movimentos quando sentiu os corpos darem leves tremores e, dali até atingirem o orgasmo foi rápido, ambas caíram exaustas sobre a cama, Regina por cima de Emma, que a segurou em seus braços e puxou seu rosto para que se olhassem.
"Eu amo você!" Emma disse firme, com um brilho nos olhos e um sorriso que Regina jurou nunca ter visto.
"Eu também amo você, garota!" Sorriu e roçou seu nariz ao de Emma. Voltou a encostar sua cabeça ao colo da loira e sorriu novamente ao sentir um cafuné muito bem vindo naquele momento.
Pouco tempo depois ambas caíram no sono, exaustas e felizes. A chuva fina e fria que caía na rua contrastava com o clima quente em que elas estavam.
~~X~~
Emma tocava o rosto de Regina com cuidado, passava o polegar pelas maçãs rosadas do rosto da morena que dormia tranquilamente. Estava tão pesarosa de ter que acordá-la, suspirou aliviada quando a viu dando sinais de que estava acordando. Sorriu abertamente ao ver o sorriso de Regina olhando-a com cara de sono.
"Eu juro que eu queria ter te acordado da melhor maneira possível, não, na verdade eu queria ter ficado te observando dormir até você cansar e acordar, mas..." Emma manteve o tom leve em boa parte da sua fala, mas seu tom nervoso e angustiado ao final de sua frase, alertou Regina.
"O que houve?" Regina perguntou virando-se completamente para a loira e só então pôde perceber seus olhos carregados de preocupação.
"Zelena está aí na sala e, bem, não consegui fazer com que ela fosse embora. Ela disse que quer falar com você e só sai daqui quando fizer isto." Emma estava nervosa e não conseguia disfarçar.
"Tudo bem, eu vou! Uma hora eu teria que ir mesmo." Falou levantando-se de uma vez após uma densa respiração.
"Regina..." Emma a chamou e a morena olhou sem entender. "Acho melhor você pegar uma roupa no meu armário!" Falou rindo e levantou para perto de Regina. "Te espero na sala." Falou passando por ela e roubando-lhe um beijo no pescoço.
Regina não se demorou muito, não queria ter que pensar em nada, pegou uma roupa qualquer e foi até a sala. Cada passo em direção a sua irmã, uma lembrança dela sofrendo por ter sido abandonada pela namorada lhe atingia como um golpe. Tomou uma respiração mais densa ao entrar na sala e avistar Zelena ao lado de Ingrid e Emma.
"Nós vamos para o quarto, qualquer coisa..." Emma falou passando por Regina que apenas assentiu com um gesto, foi seguida por Ingrid que passou deixando um beijo cheio de significado no topo da cabeça da morena.
Don't Wait — Mapei
Regina continuou parada onde estava, não quis se aproximar, não sabia o que lhe aguardava. Tinha os braços cruzados, mordia a boca nervosamente e sentia as lágrimas se juntando, contra sua vontade, no canto de seus olhos. Respirou fundo, soltou os braços ao longo do corpo, esfregou as mãos na coxa e olhou para cima na falha tentativa de segurar as lágrimas.
"Não teve um só dia da minha vida que eu não me perguntei o porque de Samantha ter ido embora, assim, sem mais nem menos. Nem mesmo agora com Ingrid, que eu amo muito, eu deixei de me perguntar." Zelena parou por um minuto para limpar as lágrimas que embolavam-se escorrendo por seu rosto. Regina nada dizia, apenas deixava suas lágrimas escorrerem em silêncio. "Nós íamos nos casar, dali a dois anos. Eu estava tão feliz, nós estávamos tão felizes. Era algo fora do comum nossa relação, nos dávamos tão bem, dificilmente brigávamos e sempre estávamos apoiando as decisões uma da outra. Mas aí, um dia eu voltei para casa e não consegui falar com ela, no dia seguinte também não e não a encontrei mais na casa dela. E aí, eu me afundei numa lama mista de desespero e sofrimento. Mas, você estava lá, para me fazer levantar, para chorar junto comigo, para sofrer junto comigo e principalmente para me fazer sorrir quando eu mais precisava. Na época eu pensei que não saberia viver sem você e sem o seu apoio. Hoje eu tenho certeza que seria impossível eu ter sobrevivido aquela época sem você. Hoje eu entendo que você guardou sua dor para cuidar da minha, assim como tantas outras inúmeras vezes da minha vida. Eu sempre senti muito orgulho de você, mas hoje Regina, hoje você superou todas as minhas expectativas e me fez sentir um orgulho imenso por ter você como protetora, irmã e principalmente minha metade. Eu jamais vou conseguir agradecer tudo o que você fez por mim!" Zelena falou tudo de uma vez, com uma emoção exposta em cada palavra que ela proferia, Regina, surpreendida pelas palavras da irmã, ouvia tudo em silêncio e foi surpreendida por um abraço apertado, repleto de significado, repleto de coisas que precisavam ser ditas, ainda que ambas permanecessem em silêncio.
"Me desculpe!" Regina falou com a voz abafada por um abraço apertado, difícil de ser desfeito.
"Shiii, jamais se desculpe por proteger alguém!" Zelena falou desfazendo-se do abraço e a olhando fixamente. Secou as lágrimas de Regina com a ponta dos dedos e encostou seu nariz ao dela. Ambas sorriram. Era um sorriso que demonstrava todo alívio que elas sentiam. Foram interrompidas pelo som da porta do quarto de Emma que se abriu anunciando que ela e Ingrid vinham ao encontro das duas.
"A gente veio ver se... bem... se vocês estavam bem!" Emma falou ainda apreensiva com a situação.
"Eu estava apenas dizendo que ela fica bem com suas roupas." Zelena quebrando todo o clima tenso daquela sala. Zelena, sempre Zelena. Todos riram menos Emma que, que estava envergonhada com o comentário.
"Eu acho que ela prefere me ver sem elas!" A Regina irônica que todos amavam estava de volta.
"Reginaaaa!" Emma falou por fim, tampando o rosto com as mãos.
"Isso significa que Regina voltou a ser minha prima cunhada?" Ingrid se manifestou pela primeira vez assim que ficou ao lado de Zelena.
"Sim!" Regina respondeu após trocar um sorriso sincero com Emma.
"Regina, Cora Mills está desesperada atrás de você!" Zelena falou arrancando uma risada de todos.
"Eu vou voltar para casa, preciso ver Henry, preciso conversar com todo mundo eu simplesmente..." Foram interrompidas pelo som do celular de Emma que tocava jogado num canto do sofá. A atenção foi voltada toda para loira que gesticulava nervosa e toda desengonçada.
"O que foi?" Regina perguntou assustada com a expressão de Emma que tinha os olhos arregalados e andava de um lado pro outro.
"Era Daniel." Falou vaga ainda gesticulando nervosa com as mãos.
"E o que ele queria? Emma pelo amor de Deus!" Regina estava ficando nervosa, sua calma havia se esvaído.
"Ele está no hospital, O bebê vai nascer!" Emma falou mais nervosa do que o comum. "E eu não sei o que eu faço!"
"Você não faz nada! Nós vamos para lá agora!" Regina disse sorrindo, achando adorável o desespero de Emma.
Saíram todas em direção a maternidade, aquele seria realmente um dia que ficaria marcado.
~~X~~
Regina chegou ao hospital acompanhada de Emma, Zelena e Ingrid. Passaram rapidamente na recepção em busca de notícias e a recepcionista as direcionou para a sala de espera. Quando chegaram, encontraram Cora, tentando fingir calma para Henry que demonstrava não estar acreditando em sua avó. Granny acompanhava a interação dos dois, tão nervosa quando Cora.
"Mamãããe!" Henry foi correndo ao encontro de Regina que prontamente o recebeu sorrindo.
"Meu amor, perdoe a mamãe! A gente vai conversar, eu prometo." Regina falava calma, passava as mãos pelos cabelos lisos do menino que a olhava atentamente.
"Mamãe, você está bem? O papai conversou comigo, eu sei que você estava triste e que mais uma vez o problema era aqui, não é?" O menino apontou para o coração de Regina que sorriu em resposta. "Só não fique muito brava com o vovô, o que ele fez foi muito feio mesmo, mas ele só precisa de amor agora!" O menino disse sério, e ao contrário do que todos imaginavam, ele tinha sim muita consciência da gravidade da situação.
"Oh meu amor, como eu queria que o mundo fosse igual a você!" Regina disse emocionada, Henry era um menino especial no qual ela tinha muito orgulho.
"Você e a garota voltaram a ser tipo tia Zelena e tia Ingrid?" O menino disse cochichando com a mãe que riu com seu jeito. Regina afirmou com a cabeça e então Henry sorriu abertamente para Emma que acompanhava a interação dos dois, mesmo sem escutar o que falavam.
"Garota, agora a gente pode voltar a fazer cabaninha no meu quarto!" Henry disse baixinho só para que ela ouvisse.
"Sim, agora a gente pode!" Emma respondeu e foi surpreendida com a mão de Henry para cima para que ela tocasse.
"Alguma notícia?" Ingrid perguntou nervosa, ansiosa e desesperada por notícias.
"Não, mas assim que nascer, eles vão colocá-la ali!" Granny apontou pelo vidro para o local do berçário destinado a Sophia.
Regina aproximou-se de Cora que até então somente observava a interação de todos. A abraçou como a muito tempo não fazia, ouviu um 'Eu te amo' sussurrado, e sem que precisasse dizer nada, pois sabia que não era necessário, sorriu e plantou um beijo na testa de sua mãe.
"Olha, eu estou ficando confusa, agora é ela quem vai dormir lá?" Granny tinha que soltar uma de suas pérolas, ainda que sem querer, para amenizar o clima.
"Grannyzinha, Kristin dormiu lá, mas foi por outros motivos!" Regina disse em meio a sua risada.
"Eu não entendo essa modernidade, mas se vocês se entendem, é o que vale!" Granny rendeu-se por fim dando de ombros e arrancou mais uma risada de todos que ali estavam.
O momento foi interrompido por uma campainha da TV que ficava ali na sala de espera, um aviso dizia: 'Sophia Colter — Leito 9'. Então todos comemoraram, a princesa havia nascido para trazer alegria aquela família que precisava de uma renovação. Todos grudados junto ao vidro observando a menina que viera ao mundo com 2k100, pequena, frágil e que dormia tranquilamente. Segundos depois Daniel apareceu ao lado de sua caminha, segurando-a no colo, com um sorriso bobo e mostrando para sua família, porque sim, aquela ainda era sua família, a nova integrante dela.
~~X~~
Depois de Regina praticamente ameaçar a enfermeira juntamente com toda a equipe médica, todos foram liberados para entrar de uma vez no quarto, e assim ver Victoria, Daniel e a pequena Sophia. Henry foi o primeiro a correr até a cama, mas antes que conseguisse pular, foi pego por Daniel.
"Opa, rapaz, cuidado!" Daniel disse o colocando com cuidado na cama perto de Victória para que ele visse sua irmãzinha.
"Ela é tão linda! Tão pequena!" O menino disse emocionado, tocando de leve nas mãozinhas de sua irmã.
"Ai meu Deus que coisinha pequenininha!" Granny disse encantada com a menina.
Daniel pegou Sophia do colo da mãe, deu um beijo em sua testa e sorrindo disse: "Hey princesa, olha quem chegou pra te conhecer, sua madrinha!" Trocou um sorriso com Regina que estava surpresa com o que ele dissera e passou a menina para o colo dela.
“Oi meu amor! Parece que sou sua madrinha. Seja bem vinda a esse mundo louco, espero que você traga muito amor e que seja doce como seu irmão. Sabe, seu pai é bem chato as vezes, aí você vai poder correr para minha casa e a gente vai poder fazer bagunça!” Regina terminou de falar e sorriu ao ouvir um resmungo vindo da pequena que dormia tranquilamente.
“Gravou isso? Porque Regina falando que pode fazer bagunça, a gente tem que gravar!” Ingrid disse apontando para sua cunhada que lhe lançou um falso olhar de decepção.
"Ô chatice, venha ver a criança que você vai cuidar, trocar fralda e limpar a sujeira do nariz enquanto eu estiver em reunião!" Daniel disse referindo-se a Emma que prontamente o abraçou e depois foi observar Sophia que ainda dormia tranquilamente no colo de Regina.
“Essa parte a gente conversa depois.” Emma respondeu gesticulando com as mãos e fazendo uma cara de nojo.
“Mamãe, você também podia ficar grávida, assim eu tenho dois irmãos!” Henry com toda sua inocência arrancou gargalhada de todos.
“Henry, pelo amor de Deus!” Regina falou alto beirando o desespero e Sophia reclamou em seu colo. “Parem vocês estão assustando a menina!”
Kristin entrou no quarto em meio a gargalhada de todos, sem entender muito bem o que acontecia.
“Tiaaaa, fala para minha mãe ficar grávida!” Henry saiu correndo em sua direção, confundindo ainda mais sua cabeça.
“Como?” Kristin perguntou assustada entrando com o menino agarrada em seu pescoço. “Isso é com a Emma!”
Emma apenas sinalizou com seu polegar e sussurrou um irônico ‘Obrigada’.
Todos ainda ficaram naquele quarto de hospital celebrando a vida durante algum tempo e depois resolveram almoçar juntos. Sem pressa, sem ressentimentos, sem mágoas.
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02 meses depois
Mesas decoradas com flores e toalhas brancas estavam espalhadas por toda área de lazer da casa dos Colter. Era batizado de Sophia e os convidados chegavam e se espalhavam pelo local. Essa seria a primeira vez que a família de Emma estaria junto com a de Regina, depois que elas estavam juntas, e para espanto de ambas, todos se deram incrivelmente bem. Augusto, pai de Emma, como sempre, acolheu a todos como filhos dele. Cora e Alice conversavam animadamente como se já se conhecessem há tempos. Uma coisa era perceptível a todos, Emma e Regina nunca pareceram estar tão bem, tão leves e tão felizes.
“Eu estou tão feliz por vocês! E estou mais ainda por estar conseguindo dormir uma noite inteira há dois meses, sem que eu receba ligações no meio da noite porque Regina não estava suportando viver sem você!” Kristin falou para Regina e Emma que estavam a mesa com ela.
“Deixa de ser ridícula que eu nunca falei isso!” Regina falou revoltada antes de dar um gole em seu champanhe.
“Nossa, tinha ficado até feliz!” Emma usou um tom falso de revolta e decepção.
“De verdade, eu estou feliz por vocês terem finalmente se acertado. Eu desejo que vocês sejam imensamente felizes.” Kristin falou sincera sorrindo para ambas. “Apesar de ter perdido minha companheira!” Falou por fim dando de ombros.
“Eu sabia que você não perderia essa oportunidade, mas, só sinto muito por você!” Emma devolveu sorrindo ironicamente.
Regina havia prendido seu olhar em um ponto, inquieta se remexia em sua cadeira e sentia sua respiração ficar falha. Emma e Kristin acompanharam seu olhar e depararam-se com Meghan vindo em direção a elas.
“Calma! Eu vim somente com Katie e o namorado!” A senhora dona de uma elegância impecável tranquilizou a todas, mas, principalmente a Regina. Ela não estava pronta para rever seu pai tão cedo, embora soubesse que seria inevitável que isso viesse a acontecer um dia. Henry era apaixonado por seu avô, e o menino não desistiria de apoiá-lo. Katie chegou com o menino e timidamente tinham as mãos dadas.
“Eu vou falar com as outras pessoas!” Kristin disse após cumprimentar a todos.
“Eu vou deixar vocês, qualquer coisa...” Emma falou para Regina que assentiu e sorriu agradecendo.
“Eu e Robert nos separamos.” Meghan disse suave, de uma vez, sem delongas.
“Eu não sei exatamente se lamento por isso!” Regina disse sincera, gostava muito de Meghan e sabia que ela não merecia alguém como seu pai.
“Não dava mais! Depois de tudo que soube, ficou impossível conviver com alguém assim!” Meghan completou com um ar triste, os olhos marejados denunciando a dor que sentia por tudo aquilo. “Bem, eu vou falar com sua mãe! Estou feliz por te ver bem!” Falou passando por Regina que sorriu em agradecimento e logo voltou seu olhar para Katie que sorria nervosamente para ela.
“E vocês?” Regina disse apertando os olhos numa falsa expressão de repreensão.
“Esse é o Dylan!” Katie disse tímida, com as mãos suando e pedindo aos céus que um buraco se abrisse ali mesmo. “Meu namorado!” Completou insegura.
“Prazer senhorita Regina!” O menino tão nervoso quanto a namorada, estendeu a mão para cumprimenta-la.
“Pode ser só Regina mesmo! Muito prazer Dylan, saiba que essa menina é o meu amor, não queira nem saber o que eu faria caso ela sofra por você!” Regina disse cordial, embora tenha assustado o garoto. “Seja bem vindo!” Estendeu finalmente a mão para cumprimenta-lo. Recebeu um abraço da irmã caçula que agora sorria aliviada e logo saiu a procura de Emma.
Procurou a loira por toda a área de lazer, mas não a encontrou. Decidiu ir então para a área da entrada da casa, onde todos haviam parado os carros. Avistou Emma sentada a beira de um chafariz, olhando para o céu, distraída, longe de tudo que acontecia ali.
“Estaria eu autorizada a tirar você de seus pensamentos?” Falou aproximando-se lentamente de Emma que sorriu mudando seu foco completamente para Regina.
“Não estaria me tirando completamente deles!” Estendeu a mão para que Regina sentasse ao seu lado. A morena a olhou com dúvida, sem entender exatamente o que a loira havia dito. “Estava pensando em nós!”
“Em nós?” Perguntou curiosa, entrelaçou seus dedos aos de Emma e pousou as mãos dadas sobre sua coxa.
“Sim, em tudo que passamos! Em quando nos envolvemos há dez anos atrás, em como foi minha vida longe de você, no nosso reencontro, em quando conheci Henry e sua família, quando você me apoiou quando eu surtei e tive uma crise revendo Gold, na festa surpresa que você organizou para mim, em todo nosso sofrimento, nosso amadurecimento, e em como estamos agora.” Emma tinha a fala e a expressão tranquilas, não se alterou nem quando mencionou seus piores momentos. Seu polegar fazendo um carinho na mão de Regina que a olhava fixamente.
“E o que te fez pensar em tudo isso?” Regina perguntou tão calma e tranquila quanto Emma.
“A felicidade que eu estou sentindo! A gratidão que eu tenho por você! O amor que eu tenho por você! Foram essas coisas que me fizeram pensar.” Falou sorrindo do jeito que Regina amava. “O que Meghan disse?”
“Que separou do meu pai!” Respirou fundo antes de continuar. “Querendo ou não, é meu pai e eu sei que ele está velho e agora sozinho no mundo, mas, foi o destino que ele escolheu e eu não tenho muito o que fazer. Mas, eu sei que meu filho vai cuidar disso.” Secou uma lágrima que tentava cair e prosseguiu: “Eu aprendi com você, que seja qual for o nosso destino, por mais trágica que a vida tenha sido, nós devemos correr atrás da nossa felicidade, do nosso amor.... e é por isso que hoje eu estou aqui com você, orgulhosa de tudo que vivemos, mesmo dos momentos difíceis, porque agora temos uma vida inteira pela frente, e eu sei que estaremos ali, uma para outra quando a vida nos der um golpe, nos atacando com lembranças que sempre existirão. Obrigada por ter me aceito de volta! Eu te amo!” Regina apertou seus dedos aos de Emma e puxou sua mão para beijá-la.
Um gesto simples, livre de qualquer malícia, mas que representava o amor, porque no final é sempre ele quem vence!
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