A New Chance

18 Capítulo 18 - Está com medo papai?


Notas iniciais
Olá! O capítulo está médio, nem muito grande nem muito pequeno. Chegamos a parte de entender um pouco mais de Regina e tudo que aconteceu. Capítulo difícil de ser escrito, porque escrever os sentimentos e mexer na dor de Regina para mim, é dilacerante, mas.... Para quem pediu, Kristin está de volta! A história está chegando ao final! Boa leitura!

Regina sentiu um alívio imenso com a chegada de Kristin. Mais do que alguém que ela teve um envolvimento, sua relação com ela ultrapassava todas as barreiras de qualquer relação com nome. Era mais do que sua amiga, era algo sem necessidade de ser nomeado, talvez por isso desse tão certo.

"Você me assustou!" Kristin soltou depois de um bom tempo. Tinha Regina encolhida em seu colo, uma de suas mãos acariciava os fios negros onde seus dedos se perdiam em um cafuné infindo enquanto a outra mão tinha os dedos entrelaçados aos dela, os nós praticamente brancos denunciando a falta de sangue circulando por ali. Tinha algo errado com Regina, era fato. "Henry, onde está?" Perguntou mais para manter um diálogo e assim mudar o foco ou então descobrir de um jeito manso o que acontecia. Perguntou também por curiosidade, sabia que tinha algo acontecendo e saber onde ele estava, era necessário. Ouviu Regina respirar fundo, tinha certeza que só então ela havia se dado conta que Henry estava por perto e que esse comportamento não era comum quando ele estava por ali. "Eu sei que eu sempre digo que talvez você não precise falar, que só ficar em silêncio faz bem, mas você está me assustando!" Falou calma, num tom bem baixo, com medo. Talvez essa fosse a primeira vez que Kristin estivesse com medo do que acontecia com Regina. O silêncio voltou a reinar naquela sala, escura, iluminada apenas pelo abajur posicionado na mesa de canto ao lado do sofá.

"Victória acha que eu devo falar com minha mãe e minha irmã sobre meu pai!" Soltou depois de mais um bom tempo em silêncio. Levantou a cabeça para buscar o olhar de Kristin mas só enxergou confusão e dúvida. "Sobre o que realmente aconteceu antes de descobrirem a traição." Completou e viu Kristin fechar os olhos e deglutir com dificuldade.

"Regina..." Respirou fundo antes de continuar, remexeu no sofá e ajeitou a morena em seu colo. "Eu acho um assunto bem delicado, difícil de ser mexido depois de tanto tempo. Mas, ainda assim, eu acho que ela tem toda razão. Eu sempre te disse isso e, embora você nunca tenha me ouvido, eu continuei te apoiando. Talvez essa seja a hora de contar tudo, talvez essa seja exatamente a hora certa de abrir a verdade, você sofre sozinha com isso a anos e isso vem te atrapalhando desde então. Você perdeu pessoas que amava por conta dessa sua dificuldade de confiar em alguém e essa história com Emma só serviu para te mostrar isso. Eu entendo o quão difícil isso será, mas vai ser importante para você."

"Assim como vocês não acham certo eu carregar isso, eu não acho certo Zelena saber de tudo, minha mãe, Deus que horror, minha mãe vai ficar horrorizada!" Regina levantou do sofá atônita, uma das mãos na testa num sinal claro de confusão.

"Hey, calma, por favor! Vamos pro quarto, você precisa de um banho e depois dormir!" Kristin abraçou Regina e a acompanhou até o quarto.

Ajudou Regina a se despir e a tomar banho, aquela poderia até ser uma tarefa divertida e cheia de brincadeiras, mas em outros tempos, não agora, não com tudo que havia acontecido. Por ser uma das únicas pessoas que conhecia Regina tão profundamente, ela já havia visto a morena despedaçada e quebrada, diversas vezes. Mas, assim, como ela presenciava nesse momento enquanto a ajudava esparramar o liquido quase transparente do shampoo nos cabelos, nunca. Talvez esse fosse o momento em que ela, Daniel e Victória tanto esperaram, o momento de crise, mas que era necessário para Regina se livrar de todo o passado de seu pai. Tirou Regina do banho, ajudou-a a se trocar, secou seus cabelos e a botou na cama. Regina estava em silêncio, pensativa e Kristin não quis atrapalhar aquele momento. Cobriu-a com a coberta e beijou-lhe a testa. Viu Regina sorrir pela primeira vez aquele dia.

"Você não vai embora, vai?" Regina até tentou não parecer desesperada, mas falhou. Soltou o ar preso nos pulmões quando viu Kristin sorrir.

"Não, eu só vou ali no quarto ao lado ver se está tudo bem." Passou as mãos nos cabelos de Regina e saiu em direção ao quarto de Henry.

Abriu a porta devagar com medo de acordá-lo, e o viu dormindo tranquilamente. Aproximou da cama, deu um beijo leve no topo de sua cabeça e sorriu ao vê-lo abrindo os olhos devagar. "Não era para acordar, era só para eu matar a saudade!"

"Você vai dormir aqui comigo hoje?" Perguntou sonolento, mas com uma voz tão manhosa que Kristin quase caiu.

"Olha, hoje aqui com você não, vou ali cuidar da sua mãe. Mas amanhã podemos tomar café juntos!"

"Muffins???" Henry perguntou tão eufórico e alto que Kristin quase se enfiou na coberta com ele com medo de Regina já estar boa e ir dar uma bronca.

"Shiiiu, se sua mãe souber que você acordou ela me mata e não tem muffins!" Falou rindo, arrancando uma gargalhada gostosa do pequeno. "Pelo amor de Deus, fica quieto!" Impossível segurar a gargalhada ao ouvi-lo gargalhar tão inocentemente e alheio a tudo que acontecia. Não perceberam quando e nem como exatamente, mas estavam se olhando com olhos arregalados após ouvir Regina pigarrear. Não ousaram olhar para outro lugar a não ser seus próprios olhos, mas pelo som, ela estava perto, muito perto.

"Quem vai me explicar?" Regina perguntou forçando seu tom mais autoritário.

"Desculpa? Eu acordei sem querer!" Henry se pronunciou encolhendo-se. Só então Kristin voltou seu olhar para Regina que tinha os braços cruzados, mas sua boca denunciava o riso preso. A loira revirou os olhos e com uma mão só puxou Regina para a cama, arrancando a gargalhada presa de mãe e filho.

"Eu ainda estou brava!" dizia tentando controlar a risada.

"Tudo bem, os bravos não comem muffins, certo?" Kristin perguntou olhando para Henry.

"Certo!" respondeu rindo de tudo que estava acontecendo.

"Ok, tá tudo muito lindo, mas amanhã eu acordo cedo, tenho uma reunião na universidade!" Regina falou entrando debaixo das cobertas.

"Mas, a minha cama é pequena para todo mundo!" Henry falou confuso olhando para Kristin em busca de compreensão.

"Calor humano Henry, calor humano. Já ouviu isso? Sua mãe adora!" Kristin pôde ver Regina revirando os olhos com o comentário. "Vamos todos dormir juntinhos pequeno polegar!" Falou e arrancou um sorriso do menino ao chamá-lo assim como o chamava quando era mais novinho.

"Eu não sou mais tão pequeno!" Henry defendeu-se no meio das duas.

"Então não precisa de muffins no café!" Kristin retrucou.

"Eu quero dormir, podemos fazer silêncio?" Regina disse de olho fechado tentando segurar o riso.

"Mas eu estava dormindo!" Henry deu de ombros.

Regina não teve tempo de buscar o olhar de Kristin para reclamar, pois ela havia coberto o rosto com o lençol.

"Ótimo, boa noite!" Regina falou rindo. Deu um beijo em Henry que logo fechou os olhos e por fim fechou os olhos também. Precisava descansar, merecia dormir.

No dia seguinte, Regina e Kristin acordaram com dor nas costas, reclamando do aperto e tiveram que ouvir de Henry que ele estava ótimo! Granny ao chegar para preparar o café estranhou Kristin ali, mas decidiu não falar nada. Sempre que a loira dormia lá era quando Henry não estava, sabia que tinha algo errado. Preparou o café e deixou a cozinha reclamando ao saber que a loira iria preparar os muffins. Esperou com Regina na sala que ria das reclamações enquanto arrumava suas coisas para trabalhar. Tomaram café todos juntos com Granny ainda reclamando de sua cozinha.

"Mamãe, tia Kristin pode me levar para passear?" Henry pediu quase suplicando.

"Mas vai te levar mesmo, quem mandou te acordar na madrugada?" Regina falou tomando seu café e dando de ombros. "Aliás, termina esse muffins que deve ser o quinto que você come, e vai escovar os dentes!" O menino logo saiu em direção ao quarto acompanhado de Granny, Regina revirou os olhos pois com certeza ela deveria achar que o menino de oito anos não poderia escovar os dentes sozinho.

"Eu sou arrancada da minha cama, levo bronca por acordar uma criança as 03 da manhã, durmo apertada, faço café da manhã para todo mundo e ainda ouço isso!" Kristin falava alto para que todos ouvissem enquanto a cada item apontava um dedo de sua mão. "Ok, eu adorei! Estou brincando!" Falou mais alto ainda quando viu Regina a fuzilando com o olhar.

"Obrigada!" Regina disse com um sorriso sincero levantando da cadeira e abraçando Kristin.

"Devo me preocupar e ligar para Daniel? Receber um abraço assim a essa hora vindo de você meio suspeito!"

"Vá se ferrar!" Regina falou dando um tapa no braço de Kristin que caiu na gargalhada e a puxou para outro abraço.

"Você sabe que pode contar comigo! Pense no que vai fazer, e considere o que Victória lhe falou." Apertou-a um pouco mais no abraço e logo foram interrompidas por Henry que tagarelava coisas da escola. Saíram os três logo depois, Henry com Kristin para um passeio e Regina para a universidade. Mais um dia se iniciava.

~~X~~

Regina chegou rápido a universidade e agradeceu por saber que as pessoas chaves para a reunião já haviam chego, assim poderia iniciar e logo estaria livre para curtir o sábado com seu filho. A reunião transcorreu como planejado e dentro do prazo, Regina arrumava suas coisas para ir para casa quando foi surpreendida por quem ela menos queria no momento, seu pai. Deglutiu com dificuldade ao ter que enfrentá-lo naquele momento.

"Não vai dar um abraço em seu pai?" Robert provocou, sabia que ela odiava aquele tipo de afeto, principalmente vindo dele.

"Henry está me esperando, se você puder pular a parte do sentimentalismo eu agradeço!" Regina falou soltando todo o ar preso nos pulmões.

"Até quando você vai me tratar assim Regina?" Robert perguntou tentando não parecer arrogante, mas falhou. Regina soltou um riso sarcástico, não acreditava que teria que ter aquela conversa, não naquele momento."Eu me arrependo muito do que eu fiz!"

"Por favor, agora não!" Regina tentou cortar o assunto, mas Robert parecia querer provocar.

"Foi uma infelicidade você ser a primeira a saber da traição daquela forma!"

"Não me surpreendi com a traição. Não foi a primeira!" Regina estava fria.

"Regina, pelo amor de Deus, esqueça essa outra história. Eu já te pedi milhões de desculpas." Robert tentou se aproximar, mas Regina afastou-se bruscamente.

"Não era bem para mim que você devia pedir desculpas, mas sim a Samantha, foi a vida dela que você desgraçou. Você acabou com a vida da Zelena por tabela, porque Samantha sumiu da vida dela sem ao menos se despedir. Sem falar na minha vida, essa você fez um duplo trabalho muito bem feito." Regina tentava segurar as lágrimas, mas era impossível.

"Eu sou muito grato por você nunca ter contado isso para sua irmã e sua mãe. O que elas pensariam de mim?" Robert falava calmo, não perdeu seu tom suave em momento algum.

"Dani-se sua gratidão, dani-se o que elas pensariam de você. E eu? E todo inferno que eu vivi por presenciar aquilo e ter que ficar em silêncio por achar que elas não mereciam saber o lixo que você é? Como se não bastasse, quando tudo estava ficando mais calmo você traiu a minha mãe, mais uma vez, pelo menos dessa vez foi com o consentimento da mulher né? Você não precisou força-la a fazer nada." Regina soltou de uma vez, cuspiu as palavras deixando Robert incrédulo.

"Não fale assim Regina! Eu estava um pouco alterado e fiz coisas lamentáveis das quais eu me arrependo até hoje." Robert permanecia calmo.

"Um pouco alterado? Você estava completamente bêbado e se eu não tivesse chegado, sabe-se lá o que mais você não teria feito com Samantha, que eu não sei se você se lembrava na hora, mas era namorada de Zelena, que no caso, é sua filha!" Regina proferia as palavras cada vez mais alto, com uma raiva que só fazia crescer.

"Fale baixo porque alguém pode nos ouvir!" Robert pareceu perder a calma nesse momento, mas logo acalmou-se novamente.

"Ah, está com medo papai? Com medo das pessoas descobrirem o quão nojento Robert Mills é? Que se exploda e que vá para o inferno a sua reputação!" Regina socou a mesa com toda força que tinha tentando fazer com que a raiva se dissipasse. "Você tem noção o quanto eu sofri por isso? Você tem noção quantas pessoas eu perdi por medo de ter de conviver com elas? Você tem noção que eu perdi o amor da minha vida por causa dessa cena deplorável que eu presenciei e não superei até hoje? Pois então, não me peça para ficar calma e muito menos para ser compreensiva!" Regina tinha o rosto banhado por lágrimas, assim como seu pai.

"Eu não imaginava o quanto isso tinha te afetado, afinal, nem foi com você!"

"Você é o pior ser humano que eu conheço. Some daqui e por favor, não apareça tão cedo na minha vida!" Regina tinha os olhos fechados e não ousava abrir os olhos e encará-lo.

"Regina..." Robert insistiu.

"Por favor!" Pediu num sussurro, não tinha mais forças. Ouviu a porta batendo levemente atrás de si e então permitiu-se cair num choro compulsivo.

Kristin andava com Henry pela universidade a procura de Regina quando o menino soltou de sua mão e saiu correndo.

"Garoooooootaaaaaa!" Foi o tempo que Emma teve de olha-lo e segurá-lo enquanto ele pulava em seu colo.

"Garoto, que saudade! Tudo bem?" Emma perguntou sorrindo, ela realmente sentia falta dele. "Kristin, tudo bem?" perguntou sincera, gostava de Kristin.

"Emma! Tudo bem!" Kristin devolveu na mesma simpatia.

"Garota você sumiu!" Henry disse com um semblante triste. "Você estuda sábado?"

"Estive ocupada com algumas coisas garoto!" Falou e respirou fundo lembrando dos últimos acontecimentos. "Não, na verdade preciso repor algumas aulas e aí vim aqui para conversar na secretaria, mas esqueci que hoje não consigo ver isso. Só sua mãe que estava na sala dela com seu avô e eu não quis atrapalhar."

"Como?" Kristin perguntou assustada com a informação passada por Emma. "Robert está aí?"

"Sim, na sala com Regina!" Emma respondeu estranhando a reação de Kristin.

"Emma, que tal levar o garoto para tomar um sorvete???" Kristin pediu trocando um olhar com Emma que tentava entender a situação.

"Claro! Vamos garoto?" Emma sabia que tinha algo errado.

"Eu vou ligar para Victoria e Daniel, você pode deixá-lo lá depois?" Kristin tentava explicar em meio a pressa de ir atrás de Regina.

"Mas esse final de semana eu fico com a mamãe!" Henry tentava entender a situação.

"Eu sei meu amor, mas sua mãe vai demorar um pouco aqui, ela vai te buscar lá, ok?" Kristin falou abaixando para ficar da altura dele. Recebeu um sorriso em resposta e logo fez um sinal para Emma que ligaria para ela depois.

Assim que conseguiu que os dois fossem embora, saiu rapidamente em direção a sala de Regina. Fazia preces mentalmente para que ela estivesse bem. Quando chegou a sala de Regina, a encontrou mais destruída e inconsolável que nunca.

Notas finais
Emma voltou! No próximo nós iremos botar todas as cartas na mesa, inclusive entre Emma e Regina. Até!