A New Chance

17 Capítulo 17 - Não é justo!


Notas iniciais
Como muitas pessoas já confundiram no início da fic, eu prefiro explicar novamente: Robert é o pai da Regina e Gold era o vizinho de Emma. Não são a mesma pessoa! Sem mais, Boa leitura!

Sabe aquela máxima que fala "Os dias não passavam, se arrastavam"? Pois bem, isso se aplicava a Regina. Desde que voltara de Storybrooke não havia mais visto Emma, ficou sabendo por Ingrid que ela tinha ficado lá para prestar depoimentos, colher provas antigas no hospital e ela sabia que isso demandava tempo. Agradeceu por isso, não saberia lidar com o fato de rever Emma tão cedo. Quando voltou para casa sentiu seu peito queimar ao ouvir Henry, no auge de sua ingenuidade, perguntar "Onde está a garota?". Sabia que ela não deveria ter deixado as coisas chegarem a esse ponto, desde sempre ela soube que não aguentaria e uma vez que deixasse Emma entrar em sua vida, ela jamais conseguiria tirar com facilidade. Não se tratava somente dela, mas de toda sua família, que aliás, estava indiretamente interligada a família dela. Tinha Ingrid sendo prima de Emma, tinha Daniel trabalhando com Emma. Tinha Emma sendo sua aluna. Tai um ponto que ela não pensou, Emma sendo sua aluna. Faltava pelo menos dois meses para que Mary voltasse da licença maternidade e ela estava cogitando pedir que Ingrid a livrasse desse cargo. Não havia conversado profundamente sobre isso com ela, pois Ingrid havia viajado até Storybrooke quando soube de tudo que sua irmã Elsa havia passado. Regina então resolveu deixar as coisas acalmarem e aí então conversaria com sua cunhada.

~~X~~

Regina estava em meio a papéis, reuniões e seu almoço esquecido em um canto da mesa, mais uma vez não havia conseguido comer. Sua secretária até tentou lembra-la de fazer tal coisa, mas desistiu ao ver Regina lendo algo no computador enquanto falava no telefone com um dos professores. Era fato, Regina estava afundada no trabalho e Ruby sabia que algo errado tinha acontecido. Sabia também que quando isso acontecia, era melhor não insistir muito. Bufou ao ouvir alguém batendo em sua porta, pensou ser Ruby que iria lembra-la de mais uma reunião, mas surpreendeu-se ao ver Ingrid sorrindo fraco.

“Hey!” Ingrid falou com a voz baixa.

“Hey, entre!” Regina agora tinha seu foco todo em Ingrid. “Chegou hoje?” Tirou os óculos e apertou a ponte dos olhos afim de tentar fazer com que sua dor de cabeça sumisse.

“Acabei de chegar!” Ingrid respondeu ao sentar de frente para sua cunhada. Respirou fundo, aquilo não estava sendo nada fácil para ela.

“Eu sinto muito, por tudo!” Regina sentia mesmo. Procurou a mão de Ingrid, apertou e iniciou um carinho com o polegar. Recebeu um sorriso fraco, mas sincero da parte de Ingrid. Era uma de suas melhores amigas, independente de Zelena, as duas sempre foram próximas e confidentes.

“Eu também sinto muito!” Ingrid respondeu após um silêncio significativo para ambas. Regina sabia o que ela quis dizer. Apertou os olhos e respirou fundo buscando forças para ter aquela conversa, não seria fácil.

“Eu tentei, mas não consigo! Eu achei que com o tempo eu conseguiria lidar com os problemas dela, com os meus, mas, foi impossível!” Regina tinha lágrimas nos olhos, fez de tudo para que elas não aparecessem, mas foi impossível, falar sobre aquilo era sinônimo de tristeza. “Por favor, não me peça para continuar dando aula, não agora. Isso seria difícil demais, por mais profissionais que sejamos, não será fácil!” Regina tinha a voz mais rouca do que o normal, sua expressão cansada e abatida denunciava seu estado. Aquela pausa era necessária.

“Você sabe que não poderá fugir por muito tempo, certo?” Ingrid perguntou olhando fixamente nos olhos de Regina que apenas respondeu com um aceno de cabeça quase que imperceptível. “Só hoje! Emma ainda está em Storybrooke e eu preciso de pelo menos um dia para conseguir alguém. Só te peço mais hoje!” Ingrid sorriu docemente ao final da frase. Tinha lágrimas em seus olhos também, imaginava a dor de Regina e isso a machucava mais do que tudo. “Eu estou aqui, por você e para você, sempre!” Levantou indo ao encontro de Regina de braços abertos. A abraçou como há tempos não abraçava, apertou-a em seus braços e beijou o topo de sua cabeça. “É você está ruim mesmo, geralmente você dispensa meus abraços quentinhos!” Sentiu Regina rindo contra seu pescoço, beijou novamente sua cabeça e sorriu verdadeiramente, sabia que tudo era uma questão de tempo, tudo era uma questão de tempo!

~~X~~

Durante a aula Regina teve que lidar com perguntas sobre Emma, por mais que a maioria não soubesse do relacionamento das duas, sempre perguntavam da aluna. Ela soube lidar bem com a situação, mas toda vez que ouvia o nome dela, sentia seu estômago embrulhar. Fez o que pode para manter a qualidade de sua aula e no final respirou fundo por ter finalizado aquela ultima aula. Estava arrumando suas coisas com calma, tentava organizar seus pensamentos e procurava uma forma de conversar com Henry sobre Emma. Era sexta-feira, e como sempre, seu dia de passear com o filho, durante a semana conseguiu driblar as dúvidas dele, mas sabia que hoje ela não escaparia. Escutou duas batidas na porta e respirou fundo, pediu aos céus que não fosse Milah com August perguntando mais afundo sobre Emma. Soltou o ar preso em seus pulmões ao ver Daniel encostado no batente da porta.

“Marcamos alguma coisa?” Perguntou com medo de ter esquecido depois de todo o ocorrido. Daniel e sua esposa, Victória, era uma das poucas pessoas que sabia de tudo. Ele a fez contar o que a estava afligindo, após conversar com ele quando voltou de Storybrooke. E, como já era de se imaginar, Daniel e Victória a apoiaram sem julgamentos.

“Você costumava me dar pelo menos um boa noite!” Falou sem se mover fingindo indignação.

“Desculpe!” Beijou-o no rosto e recebeu um abraço carinhoso do ex marido. “Ainda não estou entendendo!” Falou com a voz abafada pela camisa de Daniel que ainda a apertava no seu abraço.

“Oh, sabia que um dia eu pegaria vocês dois!” Victória falou a chegar perto dos dois.

“Shiii, não estraga que ela ainda não reclamou do abraço!” Daniel respondeu segurando o riso e pode ouvir sua esposa rindo baixo.

“Ok, eu devo estar muito acabada, é a segunda pessoa que me abraça hoje!” Regina respondeu afastando-se de Daniel. “O que está havendo?”

“Então venha receber o terceiro abraço!” Victória falou rindo pois sabia que Regina reclamaria, como assim o fez.

“Ok, chega!” Revirou os olhos, mas em seguida abraçou Victória e abaixou para dar um beijo carinhoso em sua barriga que estourava os oito meses.

“Viemos para ir ao cinema com você e Henry!” Daniel respondeu dando de ombros e sorriu abertamente ao ver Regina mais confusa. Era uma das únicas pessoas que tinha esse poder sobre ela. “Conhecemos bem a pecinha que está te esperando para ir ao cinema e sabemos quão curiosa ela pode ser, estamos aqui para ajuda-la a se livrar das perguntas indesejáveis” Completou a frase dando de ombros e recebeu um sorriso sincero da ex mulher.

“O que eu fiz para merecer vocês?” Perguntou beijando a testa de Daniel e repetiu o gesto em Victoria. “Vou pegar a minha bolsa e podemos ir!”

“Fica tranquila que daqui um mês a Sophia nasce e você poderá nos agradecer!” Victória respondeu abraçando Regina de lado enquanto caminhavam pelos corredores da universidade.

Aquela não era a primeira vez que saiam os quatro, Regina e Daniel fizeram de tudo pra manter o relacionamento saudável após a separação. Eles sabiam o quanto Henry sentia-se bem quando faziam aquele tipo de programa, e como Daniel imaginou, o menino nem teve tempo de perguntar sobre Emma, acabou distraindo-se com outras coisas e caiu num sono profundo.

“Dormiu sem banho, a mãe vai ter uma síncope!” Daniel falou provocando Regina após voltar do quarto de Henry. Havia subido para ajuda-la a colocar o filho na cama, já que o pequeno tinha caído no sono.

“Eu até iria oferecer um café, mas depois do desaforo eu acho...”

“Duas gotas de adoçante, por favor!” Daniel disse interrompendo-a.

“IN-SU-POR-TÁ-VEL!” Regina retrucou revirando os olhos e indo até a cafeteira.

“Relaxa que daqui um ano serão dois sem banho para você cuidar!” Victória entrou na provocação.

“Eu já pedi o divórcio faz um tempo, sabia?” Regina respondeu mexendo na cafeteira.

“Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossas vidas! Eu ainda não morri, Regina!” Daniel argumentou enquanto colocava as xícaras no balcão da cozinha.

“Sério, obrigada por hoje!” Regina disse alternando seu olhar entre os dois. “Ok, sem abraços!” Defendeu-se levantando as mãos e arrancou risadas dos dois. “Eu ainda não sei muito bem o que dizer a ele, minha mãe até se ofereceu para conversar, mas eu não deixei. Eu tenho que desfazer essa bagunça na cabecinha dele e eu sei que ele vai querer vê-la e eu não posso impedir, eu só preciso estar bem para que isso aconteça.”

“Se precisar de ajuda para conversar com ele, a gente ta aqui!” Daniel disse após afagar o braço de Regina que sorriu em resposta.

“Regina, quanto a Emma, vocês se falaram?” Victória perguntou após bebericar seu café.

“Não! Só nos falamos por email. Eu sei que uma hora vamos ter que conversar pessoalmente, nem que seja para finalizarmos tudo civilizadamente, mas acredito que essa não seja a hora.” Regina respondeu mexendo a colher enquanto brincava com seu café quase frio.

“Ela sabe sobre Robert?” Victória perguntou num tom baixo, sabia que falar sobre o pai era delicado demais para Regina.

“Não tudo! Sabe o que todos sabem, a meia verdade! Eu não estava preparada para contar, seria demais para cabeça de Emma e além do mais, tive medo de um dia ela acabar comentando com Ingrid, mesmo que sem querer, e enfim... Meu medo maior é Zelena descobrir tudo! Acredito que se minha mãe descobrir, talvez não seja tão doloroso quanto será para Zelena!” Regina respondeu num tom tão calmo, que causou estranhamento em Daniel e Victória.

“Regina, até quando você vai pensar assim?” Victória perguntou séria e direta.

“Eu não posso deixar que Zelena e minha mãe descubram isso, por Deus, elas não aguentariam!” Regina tinha um certo pânico em sua voz e já sentia as lágrimas embolando no canto dos olhos.

“Não estou falando de sua mãe e Zelena, ok, eu entendo que isso seria realmente demais para elas, mas e você nessa história toda? Você carrega isso há anos Regina, por Deus! Não é justo com você! Olha o inferno que sua vida se transformou por conta disso. Olha quantas pessoas você afastou da sua vida por conta disso. Quantos anos você fez análise? Para de pensar nos outros, você merece ser feliz. Enquanto isso seu pai está lá, sendo amado por todos como o cara que traiu a mulher se arrependeu e agora a filha mais velha é rebelde e não o perdoa! Me desculpe, mas eu não consigo me conformar com isso!” Victória parou de falar ao sentir Daniel pousar a mão em seu braço num pedido claro e silencioso para que parasse com o assunto. “Me desculpa! Eu não tenho nada a ver com isso, mas, eu não suporto te ver carregando isso sozinha! Não é justo!” Falou mais baixo, quase num sopro e em seguida abraçou Regina que chorava silenciosamente.

“Eu vou tentar, eu juro!” Foi o que Regina conseguiu responder.

~~X~~

Após Daniel e Victória irem embora, Regina ainda ficou um tempo na sacada de seu apartamento olhando o céu. Talvez aquele fosse um momento só dela, como há tempos não tinha. Demorou um pouco ali e em seguida foi pro banho, sentia-se suja, precisava lavar sua alma, mas sabia que por mais que tentasse, não conseguiria limpar o que precisava. Quando saiu do banho ligou para a única pessoa que iria acalmá-la.

“Você pode vir aqui? Eu preciso de você!” Era uma súplica em meio ao choro.

Vinte minutos e sua campainha tocou, a porta revelou uma Kristin confusa, sonolenta, mas 100% ali, só para ela!

Notas finais
Tudo vai começar a se encaixar! Não se desesperem e nem tenham crise de abstinência, Emma volta no próximo capítulo!