A Nevasca
3 Capítulo 3
Fui andando pelo quarto sem menos pedir licença, achei que não era preciso.
Olhei os pôsteres nas paredes, um a um, depois peguei uma bola de futebol nas mãos e sentei-me na cama.
Ele estava de braços cruzados encostado na porta olhando meus movimentos. Quando viu que me sentei em sua cama, logo em seguida, sentou junto a mim.
Estávamos nós dois, ali, olhando para os detalhes do tapete bordado que ficava ao lado de sua cama.
– Gosta de The Others? – Perguntou-me.
– Já ouvi falar.
– Quer jogar? — Ele apontou para a televisão que eu mal havia notado ao meio de todas aquelas coisas.
– Pode ser.
Aidan levantou-se para ligar o televisor e o videogame. Depois daqueles processos, ele me entregou o controle para eu ser a primeira a jogar.
– Olha... Eu não jogo faz um bom tempo.
Ele sorriu como quem quisesse dizer “isso é normal, você é uma garota”.
– Tudo bem, eu te ensino caso você não souber de alguma coisa.
Enquanto o jogo carregava eu olhei da janela para fora, estava nevando. De onde eu estava sentada dava para ver de um ângulo ótimo a janela. Olhei para fora e vi uns poucos flocos de neve caindo. Levantei-me depressa e fui o mais próximo possível da janela para ver melhor.
Virei-me para ele com os olhos piscando rapidamente que era o que acontecia quando eu visse algo que me deixasse eufórica. Fechei os olhos profundamente e respirei fundo. Aquilo era muito pra mim.
– Aidan, está nevando.
Olhei para ele e disse todo o porquê de a neve ser tão importante e impressionante na minha vida.
– Você não faz ideia do quão eu perco o fôlego vendo a neve cair.
Ele me olhou meio que surpreendido com o que acabara de ouvir.
Disse-me:
– Meu pai biológico morreu na última pior tempestade de neve em Ashley, quero dizer, ele não morreu por causa da tempestade, foi naquela época, entende?
– Eu sinto muito.
– E por mais incrível que pareça eu não tenho problemas com a neve. Meu pai gostava de tudo que relacionava a neve. Hoje ela faz parte da minha vida, é inevitável. — Ele falou, ignorando os meus pêsames.
– Acho que nós iríamos nos dar bem.
– Ele iria gostar de você. Aliás, como é seu nome?
– Nossa, é verdade! Você ainda não sabe meu nome... Brooke!
Ele olhou e sorriu sem mostrar os dentes, foi decepcionante não ver seu sorriso.
O jogo já havia começado. Peguei o controle que estava em cima da cama, sentei-me e tentei andar com a personagem.
Indaguei-o:
– Qual é o nome dele?
– Erick.
Quando eu fui a um carro para roubá-lo, (no jogo, claro) a mulher gritou:
– O jantar está pronto!
– Percebi que sua mãe gosta de falar alto, isso é uma característica forte da personalidade dela. — No fundo eu queria dizer que eu estava indignada com o quanto ela gritava. Lá em casa é divergente, eu quase nunca falo alto, e muito menos meus pais. É um silêncio agoniante.
– Eu já disse pra ela que as pessoas percebem isso, mas ela não está nem aí.
– Está mais do que certa.
Levantei e indiquei a porta, interroguei-o:
– Vamos?
Ele levantou-se, desligou os aparelhos e andou em direção à escada, de mais ou menos uns dez degraus, ele desceu e eu fui indo atrás. Fomos indo um pouco depressa para os convidados não ficarem esperando somente nós dois.
Na metade do caminho, ele disse:
– Primeiro irei mostrar o lugar onde passo a maior parte do meu tempo.
Ele abriu uma porta e ficou esperando que eu entrasse, então entrei.
Além de a casa ser enorme e o corredor pagar a Van que meus pais têm, eles ainda tinham uma sala só para instrumentos musicais.
Sentou-se no banco que ficava de frente para um piano.
Quando ele tocou uma tecla, meus olhos começaram a piscar rapidamente e senti que precisava respirar mais fundo.
Eu nunca havia sentido isso a ouvir uma música, era inédito.
O som que saia de seus dedos era tão brilhante quanto à neve que caía lá fora.
Fale com o autor