Sentei-me ao seu lado, e olhei os movimentos que seus dedos faziam para promover aquele som.

Quando ele terminou, olhei para ele e abri um sorriso pela metade, fechei-o e depois o abri novamente demorando em abri-lo por completo.

A mulher gritou, novamente:

– AIDAN!

Falei:

– Acho que temos que ir, Aidan.

Ele passou os dedos nas teclas do piano e disse:

– É a primeira vez que toco para alguém.

– É a primeira vez que escuto alguém tocar.

Olhou-me e sorriu.

– Eu treino há alguns anos. Sabe, não tenho muito que fazer.

– Quando me sinto entediada, eu leio.

Nunca iria pensar que para encontrar alguém assim era só ir até o fim da rua.

– AIDAAAAN! – Gritou, novamente, já me deixando um pouco irritada.

Saímos da sala de música e descemos para irmos jantar.

Eles já estavam na mesa, comendo. Havia várias pessoas lá. Também estava a Kacee, umas das minhas poucas e únicas amigas. Acenei discretamente para ela que sorriu. Minha mãe me olhou e fez uma expressão de decepção. Sentei-me ao lado dela e disse no seu ouvido:

– Ele estava tocando uma música para mim, mãe.

– Tudo bem.

Eles tinham preparado um verdadeiro banquete, tinha de tudo. Peguei o prato que estava preparado com uns cinco tipos de talheres e vários tipos de taças sendo que não tomo nada que vá em uma daquelas taças. Pensei em chamar uma das empregadas que estavam esperando ao redor da mesa, mas, quem chamaria alguém para pedir um copo sendo que há vários tipos ali, só para você?! Então fiquei com aquelas mesmo.

Percebi várias vezes o olhar de Aidan direcionado a mim.

– Onde vocês dois estavam? – Disse a mãe de Aidan.

Pensei: “NOSSA, ELA FALOU.”.

Ele olhou para mim, piscou e disse:

– Eu estava mostrando a casa para ela!

E eu, sem saber o que dizer, apenas assenti com a cabeça. Não sei o motivo dele não querer dizer a verdade.

Minha mãe me olhou com um sorriso contido e, também piscou.

Kacee tossiu ironicamente. Olhei para ela e senti as maçãs do meu rosto ficarem vermelhas, regalei meus olhos para ela e sorri sem mostrar os dentes.

Coloquei a quantidade de comida que eu achava que iria comer. Quando comi a primeira colherada, senti um desejo enorme de comer aquilo repetidamente em porções absurdas durante horas. Cutuquei minha mãe que me olhou, abri os olhos e olhei para a comida querendo apontá-la.

Ela sussurrou ainda olhando para o seu prato:

– Aproveita porque não temos isso todos os dias.

– Mãe, nós não temos isso nunca.

Comecei há comer um pouco mais rápido que o normal, e depois de uns instantes já havia algumas pessoas me olhando, até porque aquele era um jantar um pouco formal, as pessoas comiam em poucas quantidades e bem lentamente. Eu estava bem diferente deles, comendo rapidamente e em grandes porções. Comecei a comer adequadamente para aquela ocasião.

Quando terminamos de comer, saímos da mesa e fomos para a sala de jogos. Os adultos iam jogar cartas, e sobraram somente eu, Kacee e Aidan. Aidan tinha uma irmã de apenas oito anos, e eu não a incluí porque ela já tinha ido dormir, ela tinha uma babá e nem comeu conosco na mesa.

Olhei para Kacee e sorri de canto.

– Qual é gente? Não vamos ficar aqui sem fazer nada, não é? – Questionou Kacee, como sempre, bem comunicativa.