Fui andando pelo quarto sem menos pedir licença, achei que não era preciso.

Olhei os pôsteres nas paredes, um a um, depois peguei uma bola de futebol nas mãos e sentei-me na cama.

Ele estava de braços cruzados encostado na porta olhando meus movimentos. Quando viu que me sentei em sua cama, logo em seguida, sentou junto a mim.

Estávamos nós dois, ali, olhando para os detalhes do tapete bordado que ficava ao lado de sua cama.

– Gosta de The Others? – Perguntou-me.

– Já ouvi falar.

– Quer jogar? — Ele apontou para a televisão que eu mal havia notado ao meio de todas aquelas coisas.

– Pode ser.

Aidan levantou-se para ligar o televisor e o videogame. Depois daqueles processos, ele me entregou o controle para eu ser a primeira a jogar.

– Olha... Eu não jogo faz um bom tempo.

Ele sorriu como quem quisesse dizer “isso é normal, você é uma garota”.

– Tudo bem, eu te ensino caso você não souber de alguma coisa.

Enquanto o jogo carregava eu olhei da janela para fora, estava nevando. De onde eu estava sentada dava para ver de um ângulo ótimo a janela. Olhei para fora e vi uns poucos flocos de neve caindo. Levantei-me depressa e fui o mais próximo possível da janela para ver melhor.

Virei-me para ele com os olhos piscando rapidamente que era o que acontecia quando eu visse algo que me deixasse eufórica. Fechei os olhos profundamente e respirei fundo. Aquilo era muito pra mim.

– Aidan, está nevando.

Olhei para ele e disse todo o porquê de a neve ser tão importante e impressionante na minha vida.

– Você não faz ideia do quão eu perco o fôlego vendo a neve cair.

Ele me olhou meio que surpreendido com o que acabara de ouvir.

Disse-me:

– Meu pai biológico morreu na última pior tempestade de neve em Ashley, quero dizer, ele não morreu por causa da tempestade, foi naquela época, entende?

– Eu sinto muito.

– E por mais incrível que pareça eu não tenho problemas com a neve. Meu pai gostava de tudo que relacionava a neve. Hoje ela faz parte da minha vida, é inevitável. — Ele falou, ignorando os meus pêsames.

– Acho que nós iríamos nos dar bem.

– Ele iria gostar de você. Aliás, como é seu nome?

– Nossa, é verdade! Você ainda não sabe meu nome... Brooke!

Ele olhou e sorriu sem mostrar os dentes, foi decepcionante não ver seu sorriso.

O jogo já havia começado. Peguei o controle que estava em cima da cama, sentei-me e tentei andar com a personagem.

Indaguei-o:

– Qual é o nome dele?

– Erick.

Quando eu fui a um carro para roubá-lo, (no jogo, claro) a mulher gritou:

– O jantar está pronto!

– Percebi que sua mãe gosta de falar alto, isso é uma característica forte da personalidade dela. — No fundo eu queria dizer que eu estava indignada com o quanto ela gritava. Lá em casa é divergente, eu quase nunca falo alto, e muito menos meus pais. É um silêncio agoniante.

– Eu já disse pra ela que as pessoas percebem isso, mas ela não está nem aí.

– Está mais do que certa.

Levantei e indiquei a porta, interroguei-o:

– Vamos?

Ele levantou-se, desligou os aparelhos e andou em direção à escada, de mais ou menos uns dez degraus, ele desceu e eu fui indo atrás. Fomos indo um pouco depressa para os convidados não ficarem esperando somente nós dois.

Na metade do caminho, ele disse:

– Primeiro irei mostrar o lugar onde passo a maior parte do meu tempo.

Ele abriu uma porta e ficou esperando que eu entrasse, então entrei.

Além de a casa ser enorme e o corredor pagar a Van que meus pais têm, eles ainda tinham uma sala só para instrumentos musicais.

Sentou-se no banco que ficava de frente para um piano.

Quando ele tocou uma tecla, meus olhos começaram a piscar rapidamente e senti que precisava respirar mais fundo.

Eu nunca havia sentido isso a ouvir uma música, era inédito.

O som que saia de seus dedos era tão brilhante quanto à neve que caía lá fora.