A Nereida

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Betado por Chiba Makoto.

A tensão pelo reencontro entre os deuses era bem aparente, parecia possível ouvir as batidas dos corações dos presentes ante o silêncio imposto pela presença de ambos.

—Irmã, quanta honra!

—Dionísio...

Mu e os demais não puderam exprimir o medo e a tensão quando o ataque de Dionísio era direcionado para a deusa Atena, que permanecia impassível, nem sequer a presença do cavaleiro de Virgem que se interpôs entre o ataque e ela, como um defensor inabalável criando uma barreira que conteve o golpe, alterara sua expressão.

Talvez fosse a presença de três dos mais poderosos cavaleiros de ouro em um único local, e a certeza de que jamais permitiriam que fosse ferida, fosse o fator predominante dessa absoluta calma.

Quando Dionísio se preparava para atacar novamente, Atena o impede com um comando de sua voz:

—Pare irmão. Não vim para lutar com você.

—Está se acovardando, irmãzinha? -Dionísio desfaz a esfera criada com seu cosmos e sorri cerrando os olhos. -Está muito mudada, em outros tempos não hesitaria em desembainhar uma espada e atacar seus inimigos. -Ele a olha malicioso. -Eu me lembro do quanto se regozijava com isso. Era lindo!

—Isso foi durante uma era em que eu ainda não havia descoberto o quão maravilhosa era a raça a humana. E que precisava ser protegida, irmão. Agora, por favor, pare com essa loucura. -apontando para ele com seu báculo.

—Ou o que? –provocou, estreitando o olhar. –Fará Nike me ferir novamente?

—Não ousaria fazer isso novamente, irmão. Até mesmo você sabe que enfrentar três cavaleiros de ouro não seria prudente, Dionísio. -replicou Shaka.

—Mas seria divertido tentar. -ele ri e faz um gesto com a mão em rendição. -Pretende o que irmã? Enclausurar-me por mais alguns séculos e fingirmos que nada aconteceu?

—Dionísio... -a deusa tinha uma expressão de pesar.

Dionísio cerra o punho em riste e seu cosmo aumenta de repente.

—Esse é o meu templo, Atena. Aqui meu cosmo é superior até mesmo ao seu! Jamais serei selado nessa maldita prisão que criou!

Ele com um gesto usam seu cosmo e repele os cavaleiros e o jovem aprendiz de Áries, em seguida uma barreira se ergue mantendo-os afastados dos deuses como um muro. No entanto, Naru e Nadeshiko permaneciam dentro da mesma.

—Agora, podemos conversar sem sermos incomodados por seus cavaleiros. -a divindade estende a mão. -Entregue-me a urna.

A deusa da justiça a mantem contra o peito, olhando com seriedade para Dionísio. Os cavaleiros de ouro já recuperados tentavam quebrar a barreira utilizando seus golpes, mas parecia em vão.

—A barreira vai ceder logo e sabe disso. -disse-lhe Atena. –Se entregue pacificamente.

—Certamente ela cederá. Mas terei tempo de lhe punir.

Nadeshiko sorria, se regozijando com o que presenciava.

—Sim, meu senhor. –ela dizia baixinho. –Mate Atena e cumpra a promessa de me vingar pelo o que o Santuário fez a mim!

—Fique longe dela!

Naru se interpõe entre o deus e Atena. Nadeshiko cerra o punho, tensa.

—Naru! Se afaste! –pediu a mulher em vão.

—Ora, ora... Acha que pode, um peixinho fraco como você, fazer algo contra mim?

Com um gesto ele a lança longe com seu cosmo. Volta a andar na direção da deusa, mas é detido pela voz da amazona, novamente.

—Fique onde caiu, mortal. Não me faça matá-la na frente de Nadeshiko.

—Acha que pode fazer o que fez e não ser punido? –Naru indaga com a voz alterada pela raiva, se levantando cheia de escoriações.

Dionísio apenas a olhou de lado, dando um meio sorriso.

—Cuidado com o que fala, mulher.

A Amazona de Dorado motivada pela raiva e indignação explode seu cosmo e ataca Dionísio saltando e desferindo um chute contra o deus. Ele nem sequer se mexe ao repeli-la apenas com seu cosmo. Ela é jogada contra a barreira erguida pelo deus do vinho, se ferindo nela. Nadeshiko apenas observava a cena sem se mexer.

—Alguém do seu nível de poder tão inferior jamais poderia me ferir, mulher. -diz com calma, observando pelo canto do olho as tentativas dos cavaleiros de tentarem derrubar sua barreira com seus socos e golpes, depois voltou seu olhar para Atena que verificava se a amazona estava bem. -Saia da frente agora.

—Não... Vai chegar perto de Atena. -a jovem diz com determinação, apesar dos ferimentos ficando entre as divindades.

—Naru, pare, por favor! –pediu a deusa e está recebe o sorriso da amazona de volta.

—Sou uma amazona, é meu dever protegê-la mesmo ao custo da minha vida! –voltava a ficar em pé, se mantendo como um escudo para a deusa da justiça. –Seiya foi meu amigo quando estive em sua mansão anos atrás. O mais perto que tive de um irmão. Ele não me perdoaria se eu falhasse em te proteger. Minha mestra Dóris ficaria zangada se eu não der tudo de mim por Atena.

—Uma coisa que nunca entendi. Por que mortais são tão teimosos? Sabem que não possui força alguma contra mim, Naru. -a atenção dele desviou-se de Atena para a jovem. -Talvez em alguns anos seu cosmo amadureça o suficiente para me preocupar, mas em seu atual estado seus golpes são como o tapa de um bebê.

—Não interessa. -dizia a jovem com ira em sua voz e cosmos. -Usou minha mãe, atacou o Santuário e Atena. Você brincou comigo... me usou! Acha que posso ficar quieta, maldito?

—Já basta de seu atrevimento, humana. -Dionísio eleva seu cosmo, concentrando-o em sua mão.

—Meu senhor... -murmurou Nadeshiko, finalmente saindo de seu torpor e demonstrando alguma reação. –Por favor... ela não.

— Humanos... Precisam aprender seu lugar nesse mundo.

—NARU! -Mu percebia o que iria acontecer.

A divindade lança contra a amazona seu poder, sem uma armadura seu corpo seria fatalmente ferido. No entanto, alguém se interpôs entre o golpe e a jovem, usando seu corpo como escudo.

Para a surpresa de Naru, se tratava de Nadeshiko. A japonesa grita de dor ao ser atingida, e quando tudo se encerra ela apenas sorri debilmente ao cair nos braços de sua filha.

—Não... -murmurava a amazona com desespero em sua voz ao segurá-la. -Por... que?

—Por quê?... -ela estende a mão tocando o rosto da filha. Queria que me deixasse ser sua mãe... mesmo por alguns segundos.

—M-mãe?

Nadeshiko não responde, deixando sua segunda vida esvair-se em um último suspiro, restando a Naru apenas abraçá-la, tentando inutilmente evitar isso. Mu observava a cena e cerra seus olhos momentaneamente, sentindo a alma dilacerada pela dor da mulher que amava e odiando o responsável por lhe causar isso.

No entanto, para seu espanto, o deus do vinho parecia chocado com o que acabara de fazer. Podia notar até mesmo que sua face estava transtornada, como se sentisse uma terrível dor pelo o que fizera.

—Essa barreira não vai ceder assim. –diz Aiolos dando mais um soco, que é repelido pelo poder do deus dos vinhos. –O que faremos?

Mu permanecia calado, observando a barreira com atenção. A hesitação de Dionísio lhe daria o tempo que precisava. Ele tinha a capacidade de reconhecer os pontos frágeis de uma armadura, por que não percebê-los naquela barreira? Um único ponto era o que precisava.

—Aqui. -Avisou o Ariano dando alguns passos para trás e elevando seu cosmo ao máximo. -Aiolos, use a flecha. Que ela receba nossos cosmos.

Os outros cavaleiros de ouro concordaram com um aceno de cabeça e fizeram o mesmo. Aiolos prepara seu arco e flecha e se concentra, sentindo os cosmos de Shaka e Mu unindo-se ao dele. E então, unidos como se fossem um só poder, Aiolos dispara sua flecha contra a barreira.

Tal movimentação não passa despercebida pelos demais dentro da barreira, e antes que Dionísio pudesse fazer algo, os cosmos energias concentradas naquela única arma consegue destruir a barreira que se desfaz como uma vidraça ao ser estilhaçada por um tijolo. A barreira foi reduzida a incontáveis pontos de luz que desapareciam ao tocar o chão, diante do olhar surpreso do deus.

—Deveria ver a sua cara de bobo. –diz Aiolos, com um meio sorriso.

No instante seguinte, um clarão dourado passa rente ao corpo do cavaleiro de Sagitário, bastou alguns momentos para perceber que era Mu, atacando Dionísio com tudo. Chocado demais com a morte de Nadeshiko, por sua barreira ter caído, não demonstrou reação alguma a agressão, nem mesmo quando o soco desferido atingiu sua face, deslocando sua mandíbula e jogando-o contra uma parede próxima.

Mu, ofegante e para não dizer surpreso com a falta de reação da divindade, apenas o fitava, sem baixar sua guarda.

—Essa dor... -Dionísio toca seu peito. -Não a entendo. Ela dói mais que o golpe de seu cavaleiro. Nem quando Nike ficou ao seu lado doeu tanto... Irmã... O que é isso?

Dionísio erguia a rosto na direção de Atena, marcado pela escoriação do soco e com os olhos marejados. Ela tinha um olhar desolado.

—Você não consegue entender, meu irmão? Você a amava e não sabia?

—Eu? Isso era amor? -Atena caminhava até seu irmão caído, e se ajoelhava diante dele com ar penalizado. –Amor é isso? É essa dor? Eu não quero... Eu a matei... Eu não quero mais sentir essa dor.

—O amor não é somente dor, meu irmão. Eu sinto muito por isso, Dionísio. Sinto que tenha descoberto dessa maneira que amou uma pessoa, e a perdeu assim. -Atena tocou a rosto banhado em lágrimas do irmão.

Em seguida uma luz envolveu a ambos e quando ela se desfez Atena estava sozinha, fechando a urna em suas mãos com cuidado.

—Queria dizer que com o tempo a dor passará meu irmão. Mas, não posso prometer algo assim.

—Atena? -a voz de Aiolos chama a atenção da deusa que se ergue com um sorriso em seus lábios, mas era perceptível que ela tentava disfarçar sua tristeza. -Tudo bem?

—Sim.

E em silêncio observaram Naru aninhando o corpo de sua mãe, tendo o cavaleiro de Áries ao seu lado.

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Algumas semanas se passaram desde o ataque de Dionísio e o Santuário tentava voltar ao seu cotidiano. A urna que o encerrava havia sido colocada em um local secreto no Santuário e mais seguro, tornando praticamente impossível que alguém o libertasse novamente.

Todos tentava esquecer aquela noite que deixara cicatrizes em alguns. Mas de todos, havia alguém que ainda tinha as marcas mais profundas eram as de Naru de Dorado. Pelo menos deveria.

Habitualmente ela saia de sua casa e vai até o campo de treinamento destinado às amazonas, levando sua armadura e treinando duramente com o apoio das amazonas mais experientes. E treina até o dia findar e volta para casa ao anoitecer.

Ela nada comenta sobre aquele dia, quando saiu do Templo de Dionísio ao lado de Atena. Naru levava o corpo de sua mãe, recusando ajuda até mesmo para enterrá-la no cemitério de Rodório, com a permissão do líder do vilarejo e de Atena.

E em todos esses dias, ela o tem evitado. E Mu tem respeitado o desejo dela pelo luto. Mas estava começando a ficar incomodado com isso. Essa inquietação o tem perseguido em seus afazeres, desde que retomara às suas funções como Grande Mestre.

Mas o cavaleiro não ficava trancado na última casa, preferia ficar em seu Templo, onde se sentia mais à vontade. E lá estava enquanto Shaka lia um enorme relatório sobre as despesas com os reparos na vila, assumidos pelo Santuário após o ataque de Dionísio, o ariano olhava para a movimentação abaixo deles, sem prestar a mínima atenção nas palavras do loiro.

Ao longe via Aiolos conversando com o irmão, algum assunto animado, pois ambos sorriam. Era reconfortador vê-los assim após tantos anos separados pelo destino. E não deixou de sorrir quando percebeu que o cavaleiro de Sagitário parecia nervoso com a aproximação de uma amazona de cabelos ruivos e desolado por ela não ter lhe dado à atenção ao cumprimentá-la. Pensou que Aiolos precisava de ajuda quando se tratava de se relacionar com o sexo oposto.

—... E teremos gastos extras com o pronto socorro e... está me ouvindo?

—Sim. Sim. Continue. -fixando o olhar na direção da vila das amazonas, ao sentir a presença do conhecido cosmo dela.

Shaka para de falar ao notar Mu pensativo.

—Teremos que mandar todos cortarem os cabelos na máquina zero.

—Hm-Hm... pode liberar isso.

—Farei moicano em você. Concorda com isso?

—Concordo totalmente.

—Vou te chutar daqui. Posso?

—Sim... sim...

E em seguida, um chute foi o que Mu recebeu, sendo jogado escada abaixo da sua própria casa. Ele se levanta rapidamente encarando Shaka com olhar furioso.

—Ficou louco?

—Você permitiu. — Shaka sorri da expressão envergonhada do amigo. -Vá lá falar com ela. Creio que é o que ambos precisam nesse momento.

—Quem... eu... está evidente assim?

—Apenas um cego não notaria. -Shaka vai descendo as escadarias e senta alguns degraus acima do local onde o ariano estava. -Sei que ela, pelas perdas que sofreu, precisa de um ombro amigo.

—Sabe que não quero ser apenas um amigo dela.

—Eu sei e Naru também sabe. Vá falar com ela.

Mu concorda com um aceno de cabeça e se afasta na direção das cabanas das amazonas. Shaka se levanta e sorri ao perceber que Aldebaran se aproximava.

—Onde Mu está indo, Shaka?

—Finalmente falar com Naru.

—Finalmente. -o brasileiro ri, mas logo o sorriso dá lugar a uma expressão preocupada. -Shaka, Atena quer lhe ver em seu templo mais tarde. Aparentemente, vários mensageiros saíram em busca do mestre Dohko e de Saga também.

—Uma União Dourada?

—Não sei lhe dizer. Atena esteve em Star Hill e retornou de lá muito séria. --cruzou os braços, mostrando preocupação. -Mas pediu para chamar apenas vocês. Acho que os tempos de paz estão terminando.

Shaka suspirou. Não queria outra guerra surgindo no Santuário. Não quando muitos cavaleiros, inclusive ele, desfrutavam da paz e ao lado de pessoas que encontraram e aprenderam a amar. E nesse momento, vários cavaleiros estavam ausentes em missões ou cuidando de seus assuntos pessoais. Um inimigo atacar agora seria terrível.

—Espero sinceramente que não. — murmurou o cavaleiro de virgem.

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A paisagem do fim de tarde no Santuário estava tingida pelas cores do por do sol. Algumas pessoas voltavam para suas casas, alguns soldados se preparavam para a vigília da noite.

Naru caminhava perdida em seus pensamentos, quando parou a poucos metros de sua casa ao notar quem a esperava a sua porta. Vestia suas roupas civis, e parecia ansioso. Ela sentiu na hora a boca ficar seca.

“—Eu poderia me perder nesses olhos”, ela pensou, e agradeceu novamente por usar a máscara nesse momento, ou veria o quanto estava nervosa com sua presença.

—Olá, Naru.

—Olá.

—Podemos conversar?

—Sim. -A boca contraiu-se, ao abrir a porta e dando-lhe passagem. -Sobre o que quer conver...

Não teve tempo de reação, em um instante estava em seu braço, tendo a máscara arrancada de seu rosto e presa entre ele e a parede de sua casa. Ela o fitou ofegante, assustada. Será que ele estava fora de si de novo?

Não. Não havia malícia em seu olhar. Apenas carinho. Era o mesmo olhar bondoso que sempre tivera, e sentiu alívio. Mas não conseguiu relaxar prontamente, pois o mesmo a pressionara contra seu corpo.

—Pensei que queria conversar...

—Naru. Por quanto tempo pretende fugir de mim, do que sente e do que podemos ter juntos?

—Eu não estou fugindo. Apenas... -ela suspira, tentando manter a calma...mas como manter a calma com ele a agarrando daquele jeito? -Tenho medo de... Eu quase te matei!

—Mas não me matou.

—Mas te feri... -ela estende a mão e toca o local onde o atingira, agora havia apenas uma cicatriz quase imperceptível, graças aos cuidados de Shaka e seu cosmo, que aceleraram a cura. –O senhor Shaka disse que se eu tivesse atingido seu peito alguns milímetros para a esquerda, teria acertado seu coração e seria fatal! -Ela esconde o rosto na curva do pescoço dele e suspira, evitando as lágrimas, em vão. -Eu jamais me perdoaria se isso acontecesse...

—Eu me arrisquei, mas me arriscaria quantas vezes fosse preciso para te ajudar e te proteger. — tentava confortá-la, acariciando seus cabelos castanhos. -Mas valeu a pena só para te ouvir dizer que me amava.

—Achei que estivesse morrendo...

Ele sorri.

—Mesmo chorando, quer bancar a durona? -ele ergue seu rosto e limpa suas lágrimas com as pontas dos dedos. -Não vai me perder... -acariciando seus cabelos. -Não agora que a tenho aqui em meus braço, minha nereida.

Ela dá uma risadinha pelo apelido que ele lhe dera, erguendo o rosto banhado pelas lágrimas.

—De onde tirou isso? Eu, uma Nereida?

—Acho perfeito para você. Quero te beijar novamente, Naru. Faz tanto tempo que não provo sua boca. -ele disse contra o pescoço dela. -Tanto tempo.

—Mu, por favor...

—Não diga nada.

Os beijos dele mostraram a saudade e o desejo que o torturavam há dias. Ele devorou os lábios dela, gentilmente separando-os para que pudesse experimentar o frescor da boca úmida, enquanto as mãos exploravam seu corpo. Com os dedos trêmulos, ele traçou a linha do pescoço antes de tocar cada um dos seios.

—Sabe há quanto tempo quero te tocar assim, Naru? -ele sussurrou.

Atordoada pelo toque e beijos do cavaleiro, Naru apenas balançou a cabeça timidamente em negativa, fitando-o ansiosa.

—Minha vida inteira. -respondeu voltando a beijá-la com avidez. Suas mãos firmes deslizaram por todo o seu corpo até seus quadris, agarrando-os firmemente e impulsionando-os para cima, de modo que facilitasse que se encaixasse entre suas pernas. Se não estivessem vestidos, a teria possuído ali e agora, tamanha era a urgência que seu corpo exigia por aquilo.

A resposta da jovem foi entrelaçar os braços em volta de seu pescoço e corresponder ao beijo com igual ímpeto. As mãos ávidas do cavaleiro agora procuravam retirar as incômodas roupas da amazona, ao mesmo tempo em que agora a guiava até a cama que ocupava o quarto ao lado.

Parou ao perceber que ela era uma simples cama de solteiro.

—Não. Aqui não. Vamos para um lugar onde não seremos incomodados por ninguém.

—Para onde?

Quando percebeu já não estava mais no Santuário. O ar quente do mar mediterrâneo havia cedido lugar ao frio do Tibet. Foi quando notou que Mu os havia levado até seu refúgio, longe da Grécia. Precisamente em seus aposentos no alto de uma torre.

—Aqui é..?

—Meu lar. Jamiel. -respondeu, abraçando-a mais forte, usando seu cosmo para mantê-la aquecida, tempo suficiente para guia-la até uma cama formada antiga coberta de peles e almofadas. -Meu quarto. Ninguém vai nos perturbar aqui.

A deitou naquela cama almofada. De imediato, sem tirar os olhos dele, Naru retirou a blusa por sobre a cabeça, exibindo os seios nus. E percebendo o quanto o excitara com esse gesto, deixou de lado qualquer pudor e retirou o restante das suas roupas.

Os olhos verdes do ariano pareciam devorá-la. Rapidamente despiu-se das suas vestes e ficou diante dela nu e magnífico, o corpo harmoniosamente musculoso; ombros largos, cintura e quadris estreitos, pernas longas e fortes separadas.

Mu deitou-se ao lado dela e puxou-a para seus braços. As bocas se encontraram gentilmente, e as mãos acariciaram as costas em círculos, atraindo-a para mais perto. Ela correu os dedos pelo corpo másculo. Tudo, cada curva era exatamente como ela imaginava.

Mu traçava uma linha de beijos pelo pescoço de Naru, fazendo-a gemer de prazer, movendo a boca em direção aos ombros. Quando ele se aproximou dos seios, ela ficou tensa, esperando. Quando sentiu que tocava o bico rosado com a ponta da sua língua, ela contorceu-se na cama não contendo um gemido mais longo de prazer.

Que sensações eram essas? Não conseguia descrever, nem explicar. Nem ao menos falar algo conexo, enquanto ele começou a sugar seu seio, deslizando a mão livre por seu corpo até o vão entre suas pernas, começando a tocá-la, a brincar com sua feminilidade com os dedos, deixando-a louca de desejo.

E quase gritou quando esses mesmos dedos ágeis agora invadiam seu corpo, em um movimento de vai e vem que a estava enlouquecendo.

—Aahhh... Mu...-A respiração dela era entrecortada. -Por favor...

Ele deitou-se sobre ela e devagarinho a penetrou, sentindo o corpo de ela ficar tenso. Percebeu a face dela contrair pela dor e ele parou, preocupado se a machucaria. Mas Naru estende a mão e toca em seu rosto, acariciando-o.

—Continue... Eu quero.

Ele sorri, se inclinando e beijando seus lábios, voltando a se mover novamente penetrando-a por inteiro. Naru o abraça forte, sem separar os lábios que agora continham naquele beijo um gemido de dor, e em meio aos beijos que se seguiram, ele se movimentava cada vez mais acelerado e as mãos firmes apertavam o corpo macio.

Sentiu que logo tudo terminaria, e tentando prolongar a sensação diminuiu seus movimentos, curvando-se para acariciar os seios com a língua. De repente, foi demais para os dois, e os movimentos se aceleraram, levando-os finalmente ao gozo. E enfim, corpos suados e exaustos, abraçados e trocando beijos carinhosos, se aquietaram.

E assim permaneceram longos minutos, em silêncio, apenas a troca de carinhos e olhares cúmplices. Palavras naquele instante não eram necessárias. Quando finalmente separou-se lentamente dela, o cavaleiro falou, com um sorriso:

—Desculpe... acho que me empolguei.

—Acho que foi mútuo. -ela sorriu.

—Eu a machuquei? -havia preocupação em sua voz.

—Não. Estou bem...

Gentilmente, ele colocou o polegar nos lábios dela, fazendo um carinho.

—Sei que não sou uma pessoa fácil de lidar. -ela começou a falar. -Mas...

—Nada em nossa vida vai ser fácil. -ele a interrompeu. -O destino nos escolheu para uma vida incerta em relação ao futuro. Não somos como as demais pessoas que planejam suas vidas juntos em longo prazo, imaginando-se velhinhos e vendo os netos crescerem. Há qualquer momento algo pode acontecer e teremos que apostar nossas vidas pelo futuro de pessoas que nem sequer sabem da nossa existência e dos sacrifícios que fazemos. Por isso, devemos ficar juntos o máximo que pudermos.

—Mas quero passar o tempo que for ao seu lado, Mu de Áries. Um dia... um século, não importa.

Ouvir aquelas palavras deixou o rosto dele livre de qualquer tensão, os olhos aquecidos por um amor que não precisavam mais fingir que não existia. E a aninhou em seus braços em meio à cama de peles, ficando assim abraçados por um longo tempo.

Mu prometia a si mesmo que não a perderia. Foi necessária essa nova vida dada por Atena para encontrar finalmente alguém que o completasse. Jamais abriria mão de sua bela e arredia nereida. Mesmo que os deuses tentassem novamente separá-los, jamais ficariam longe.

Sentiu a jovem adormecer em seus braços e beijou sua fronte, estreitando ainda mais o abraço. E assim, esquecidos do mundo lá fora, das incertezas de seu futuro, apenas vivendo o amor e a felicidade de agora, adormeceram.

Sem saberem que algo muito antigo e terrível estava para despertar.

FIM

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Epílogo.

Em outro ponto da Terra, em uma cidade rústica com cara de poucos amigos. Homens truculentos voltavam de um dia duro de trabalho e entravam no bar local, falando alto e em russo. Criticando o governo e sua rixa com os países vizinhos. A guerra estava atrapalhando a vida de todos, tornando difícil chegar alimentos e remédios.

Os homens notaram a garota de aparência frágil sentada no bar, com uma garrafa de vodca. Ela estava quieta em seu canto, ocultando seu rosto com o capuz do casaco de frio.

Os homens trocaram alguns comentários maldosos e um deles se aproximou da garota.

—Gostaria de sentar conosco e beber, Gracinha?

Ela apenas o fitou com os olhos azuis e frios.

—Não em chame de “Gracinha”.

O que se seguiu foi rápido demais para os olhos humanos acompanharem. Uma explosão de cosmos, corpos dilacerados dos trabalhadores arremessados através da parede destruída pelo impacto e jogados longe na neve. Dentro do bar, o caos tomava conta de tudo, e a jovem continuava em seu canto bebendo sua vodca.

—Quanta violência! -uma voz masculina faz com que a garota estreite o olhar e virar o rosto para o recém-chegado.

Era um belo homem de cabelos desgrenhados e negros, com um sorriso debochado nos lábios. Era bonito, apesar da aparência desleixada que a barba por fazer lhe dava. Alto, muito alto. Porte atlético e um rosto que denotava em seu queixo quadrado uma forte aura de masculinidade. O casaco negro que cobria quase todo o seu corpo tornava a visão mais impressionante ainda. Mas foram os olhos verdes e frios que a incomodaram.

—Acho um desperdício que alguém com seus talentos tenham sido minados e desperdiçados por aquele bêbado inútil!

—Quem é você? -perguntou a moça, retirando o capuz e revelando os cabelos de cor anil. Era Ino, a única Bacante que ainda restava.

—Represento alguém que apreciaria uma jovem com seus talentos. -o homem caminhava até ela, sem se incomodar com os corpos espalhados pelo local.

—Não me interessa.

—Nem a possibilidade de ter a força para se vingar de quem matou suas irmãs? -perguntou, pegando um copo e se servindo da vodca da garrafa de Ino.

Aquelas palavras chamaram sua atenção. Vingança.

—Fale mais, sobre quem você representa. Quem é? Não posso aceitar proposta de quem eu não vi o rosto.

O estranho sorve a vodca com um único gole e lhe entrega um cartão, com um endereço de Moscou, uma data e horário escritos. Ele se afasta.

—Não se atrase!

—Qual o seu nome?

—Ah, perdoe meus modos... ou falta deles. Pode me chamar de Angst. –e faz um gesto exagerado de reverência.

—Não disse para quem trabalhava.

—O nome de meu senhor está atrás do cartão. Ele não vai estar na reunião. Só os privilegiados poderão conhecê-lo pessoalmente. Até mais, minha cara. -e se retira.

Ino olha o cartão novamente e o vira. Havia algo escrito em grego antigo: πόλεμος. (Guerra).

Fim...

Notas finais
Finalmente... mas não considero muito esses fins! Um fic sempre é o prelúdio de outro. Rsrsrss.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!