Notas iniciais
Obs: Essa história possui um arco de vários meses entre os acontecimentos, verão citações de fatos referentes à outras histórias. Aqui no caso do primeiro capítulo se inicia durante o tempo em que Afrodite e Aldebaran estavam no Brasil, no período em que Máscara da Morte conheceu Maeve, bem antes dos fatos narrados na história O Terceiro Selo.

Com graça, ela mergulha em suas águas límpidas, desfrutando das sensações de se unir como uma só com o grande mar. Ela nada, cercada imediatamente por vários golfinhos, seus irmãos, como sua mestra Dóris havia lhe dito.

A jovem ganha a superfície, respirando o ar puro e se deliciando com o calor do sol em seu rosto. Os cabelos castanhos moviam-se ao sabor das águas salgadas, longos, chegavam até sua cintura quando secos e soltos. Seus olhos castanhos miraram o continente americano, diante dela, há mais de quarenta milhas de onde se encontrava, estava a costa da Califórnia, atrás dela, tão longe, a ilha que foi lar por anos, sem nome, cuja localização não está no mapa.

Súbito, foi tomada de uma grande tristeza...Em breve partiria. Teria que abandonar sua ilha, o mar que tanto amava nadar, os golfinhos que se tornaram seus companheiros, a mestre que amou como se fosse uma mãe.

Mas era seu destino. Como amazona de Atena, deveria retornar ao Santuário em breve. Havia conquistado a duras penas sua armadura, atraindo para si a inimizade eterna de sua companheira de treinos e rival, Calipso. A jovem estava inconformada de perder a armadura de Dorado para a japonesa.

Mas, ela evitava pensar nisso. Evitava ter qualquer pensamento rancoroso em relação à Calipso, esperando que um dia retornassem a amizade que desfrutavam antes. Com braçadas rápidas, nadou tão velozmente quanto os golfinhos que a acompanhavam e logo chegou à praia. Parou ao defrontar-se com sua mestra Dóris, uma mulher com porte altivo, longos cabelos negros, pele bronzeada, cujo rosto era ocultado por uma máscara prateada.

—Naru. -ela a chamou, jogando um objeto para a amazona, que o pegou no ar. -Quantas vezes eu lhe disse para não esquecer a sua máscara? É uma amazona!

—Não vi necessidade de usá-la aqui, mestra. -respondeu sem graça. -Afinal, só amazonas vivem aqui.

—Partirá em breve e tem que se acostumar com a máscara. -respondeu a mestra. -Lembre-se que uma amazona deve ocultar seu rosto e sua feminilidade com a máscara, como prova de que é igual aos cavaleiros e não inferior a eles. Um homem ver uma amazona sem ela é uma ofensa terrível! E sabe o que pode acontecer se...

—Sei. Amar ou matar esse homem. -respondeu Naru. -Isso não vai acontecer comigo.

—Naru. Sente-se aqui. -mestra apontou uma pedra e sentou-se, Naru fez o mesmo. -Você se lembra de quando chegou aqui?

—Sim. Fui tirada de um orfanato no Japão e mandada para cá, para conseguir uma das duas armaduras de bronze da ilha.

—Dorado ou Golfinho. –ela completou. –Golfinho não está nessa ilha há um bom tempo, pois pertence a uma saintia agora.

—Sim.

—Desejava ser uma amazona?

—Não. -respondeu com sinceridade. -Mas, o homem que me mandou para cá, o senhor Kido, disse que seu eu voltasse com uma armadura, ele encontraria minha mãe que me abandonou. Mas, eu não quero mais encontrá-la. -completou com mágoa. –Não sei se quero vê-la.

—Não deveria carregar essa mágoa em seu coração. Lembro da menina que veio do oriente. -começou a mestra. -Tão pequena e assustada com sua primeira noite aqui. Que tinha medo até do mar. Agora, embora ela não queira admitir, essa mesma menina, hoje mulher...teme sair da ilha.

—A senhora não me deixou partir quando os cavaleiros de bronze ajudavam Atena a recuperar seu Santuário. -defendeu-se. -E agora disse que devo ir, de uma hora para outra!

—Não permiti que saísse para participar daquela Guerra terrível porque ainda não era uma guerreira apta para tal. E não a treinei para que se tornasse uma atração de TV como aquela Guerra Galáctica ridícula! Depois eu vi que foi uma decisão sábia, uma vez que aqueles garotos participaram de batalhas terríveis.

—Eles lutavam por Atena. -resmungou. -Eu deveria ter ido, teria lutado ao lado deles.

—E teria morrido. Não possuía uma armadura e não estava preparada ainda.

—Mas...

—Lembra da lenda de Limuw que te contei quando chegou aqui? Você e Calisto amavam ouvir essa história quando eram meninas!

Naru ficou calada e balançou a cabeça afirmativamente.

—A deusa da Terra, Hutash morava na ilha paradisíaca de Limuw, cercada pela bela natureza e lindas criaturas. Mas era infeliz, pois vivia sozinha, e queria compartilhar as belezas de seu lar com alguém. Então, ela foi até um campo florido, recolheu de cada flor uma semente e as espalhou no campo, ordenando que se tornassem homens e mulheres. Seu desejo se realizou e logo a ilha estava habitada por homens e mulheres, e a deusa ficou feliz.

A mestra parou a narrativa, observando a reação de sua pupila, que olhava seriamente para o mar. Prosseguiu:

—Os anos se passaram e os habitantes da ilha que viviam em harmonia, desconhecendo a morte, fome ou doença cresceram em número, até que a ilha ficou pequena demais para tanta gente. Logo vieram as discussões, os desentendimentos... e a deusa ficou infeliz em ver seus filhos brigarem por comida ou espaço na ilha. Então ela decidiu que iria dividir seu povo. Ordenou que metade dele fosse para o continente, uma terça parte viveria na ilha e outra partiria para outra ilha. E com um pensamento, criou duas pontes feitas de arco-íris que ligaram a ilha da deusa ao continente e a nossa ilha. Sabe o que aconteceu?

—Hutash ordenou que eles não olhassem para trás. -continuou a jovem. -Mas alguns desobedeceram e ao olharem para trás, caíram da ponte no mar. Como estavam se afogando, gritaram por socorro e a deusa os transformou em golfinhos e mahi-mahis, salvando a vida de seus filhos.

—Sim. E por isso que os golfinhos são considerados nossos irmãos, Naru. -completou. –E Dorado é o nome dado a constelação sagrada se refere ao mahi-mahi, o peixe-golfinho. –ela sorri. –Esta ilha é o berço dessas duas sagradas armaduras de bronze há séculos, pois descendemos do mesmo povo criado por Hutash. Eu descendo do povo que atravessou a ponte do arco-íris e chegou nessa ilha, deixei meu antigo nome indígena e assumi o de uma ninfa lendária do mar, por achar mais apropriado a minha posição.

—O que quer dizer com isso, mestra?

—Que mudanças acontecem. Que são necessárias e tem um motivo para que aconteçam. Não permiti que partisse antes, pois senti que não estava preparada ainda. E ainda acredito que tomei a decisão certa, mas agora... está forte não apenas fisicamente, mas mentalmente também. Pronta para assumir qualquer desafio. -a mestra ergueu-se e acrescentou. -Quando partir, não olhe para trás. Não cometa o mesmo erro dos filhos de Hutash que se tornaram criaturas das águas. Não se arrependa de seus atos ou decisões, se sentir que está certa. Questione se considerar que algo está errado, não seja cega.

E se afastou, deixando-a sozinha.

—Nunca retroceda Naru, amazona de bronze de Dorado.

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Santuário...Dias depois.

Mais um dia típico nesse lugar sagrado. O sol estava surgindo resplandecente, os habitantes desse lugar começavam mais um dia de tarefas árduas. Os jovens aprendizes começavam suas rotinas de treinos e mais treinos, sob os olhares severos de seus mestres, querendo demonstrar que estavam aptos a se tornarem membros da elite dos oitenta e oito cavaleiros de Atena.

Os servos em seu constante vai e vem, providenciavam tudo o que fosse necessário a seus senhores. Zelando por sua alimentação, vestimenta, suas casas em perfeita harmonia.

E nas Doze Casas, a rotina não era diferente do restante do Santuário. No espaço cedido onde os Cavaleiros moravam, a casa comunal, muitos despertavam após uma noite de sono, outros já haviam iniciado o dia, ocupados em suas obrigações.

Mu de Áries era um desses Cavaleiros que já se encontrava desperto e pronto para assumir seus deveres antes mesmo que o sol despontasse no horizonte. Como de costume, dirigiu-se até a Décima Terceira Casa, onde Atena o esperava. Logo, ela teria que partir para resolver negócios da Fundação Graad que não poderiam ser mais adiados, e deixaria o Santuário sobre a tutela de Áries, que ela considerava sensato e sábio o suficiente para esse fim.

No caminho, Mu passou pela Casa de Touro, vazia no momento, já que seu amigo Aldebaran estava em uma viagem pelo Brasil, com Afrodite de Peixes em uma missão para Atena.

A casa de Gêmeos. Mu pode sentir o Cosmo tenso de Saga de Gêmeos. Afinal, o cavaleiro protetor daquela casa ainda se culpava por seu passado e não deixava de ter um pouco de amargura em seu olhar. Atena sempre lhe dizia que orava para Saga se perdoar e se permitir encontrar a felicidade algum dia.

Na casa de Câncer, Máscara da Morte não se encontrava no momento, estava em Asgard agora, conhecendo melhor a família de sua esposa, Maeve. Lembrou-se de que Atena o incumbiu de retornar ao reino de Hilda e reparar imediatamente qualquer situação desagradável que Máscara da Morte tenha criado. Com custo, convenceu a deusa de que o cavaleiro de Câncer precisava apenas cuidar das consequências de um pequeno incidente causada pelo falecido primo de Maeve

Refletiu um pouco ao parar diante de Leão e sentir os cosmos harmoniosos entre seu morador e a amazona de Águia. Não eram apenas Aiolia e Marin ou Máscara da Morte e Maeve que partilhavam essas alegrias. Milo estava namorando firme Dione, Shura mostrava feliz com seu relacionamento com Maise, Shaka e Raga-Si compartilhavam a casa de Virgem em harmonia, embora às vezes tivesse a impressão que ela era quem mandava na casa. Apesar de constantes desentendimentos, havia um forte sentimento que unia Camus e Desirée.

Mu parou diante da casa de Câncer e se imaginou vivendo esse papel. Marido e pai. Nunca antes havia cogitado essas possibilidades, afinal seus deveres para com o Santuário e como mestre de Kiki já o mantinham ocupado o suficiente durante o dia...Mas, e ao final do dia?

Sentia realmente a falta de alguém com quem conversar e compartilhar suas ideias. Uma companheira. Balançou a cabeça negativamente, talvez a alegria de seus amigos havia mexido com ele. Mas não estava tão preparado assim para assumir um relacionamento. Não quando seus deveres falavam mais alto. Com isso em mente, reiniciou a caminhada até a Décima Terceira Casa.

OoooooooooooooooooooooooooO

Horas depois.

Naru havia chegado ao Santuário na tarde anterior. Foi levada por um soldado até a entrada da vila das Amazonas e apresentada a uma mulher chamada Marin de Águia. Logo percebeu que Marin era uma espécie de líder entre as amazonas e respeitada por elas.

A primeira impressão que teve ao conversar com Marin que era uma pessoa séria e muito ponderada. Mostrou-se amigável com a estrangeira, ainda mais quando descobriu-se que ambas vieram do mesmo país.

Na manhã Marin havia dito que teria uma surpresa para Naru. A jovem amazona estranhou, mas despertou antes do nascer do sol para esperar a amazona de Águia e descobrir que surpresa era essa.

Esperava do lado de fora da humilde casa que agora era seu lar e ao longe avistou a amazona de prata se aproximando, acompanhada de um rapaz de cabelos castanhos e camiseta vermelha. Estreitou o olhar e sorriu por detrás da máscara ao reconhecer quem era.

—Seiya! -ela gritou agitando o braço.

—Eu não acredito! Você é a Tampinha? -ele apontou o dedo para ela, rindo.

—Eu não sou Tampinha! -disse furiosa, mostrando o punho para o cavaleiro. -Você continua o mesmo peste de antes, Seiya. Você que vivia me perturbando!

—Ainda é mais baixa do que eu! Ainda é a Naru Tampinha para mim! -provocou.

—Ora seu... -parou a ameaça quando o amigo a abraçou, deixando-a sem graça.

—Estou muito feliz que você esteja bem, Naru. -disse Seiya, se afastando, segurando-a pelos ombros e fitando o rosto coberto pela máscara da garota. -Quando você não voltou para a Guerra Galáctica, fiquei imaginando o pior.

—Ah, estou bem. -ela se afasta. -Consegui minha armadura também!

—Quando me disse que Mitsumasa Kido a enviou para conseguir uma armadura, achei que conhecia o Seiya. -disse Marin. -Mas terão que conversar sobre os velhos tempos depois. Todos os novos cavaleiros devem se apresentar ao Mestre do Santuário e a Atena. Levarei você até ele, Naru.

—Sim. -e depois ela dá um soco dolorido no braço de Seiya. -Até depois, Magrelo.

—Ei. Detesto esse apelido, Tampinha. -fingiu zangado, mas assim que elas se afastaram, Seiya esfregou o braço dolorido e gemeu. -Que soco forte!

As duas amazonas chegaram às escadarias das Doze Casas e Marin notou o desconforto de Naru.

—Algum problema?

—Essa máscara. Ela me incomoda. -respondeu corando.

—Atena aboliu o uso obrigatório das máscaras, Naru. -disse enquanto caminhavam.

—E por que ainda você usa? Eu reparei que todas as amazonas ainda usam.

—Certos costumes são difíceis de serem esquecidos. -respondeu. -As amazonas ainda usam suas máscaras no Santuário, em batalhas, mas fora dele se sentem livres para ficarem sem.

—Sei não. Minha mestre Dóris disse que a máscara é o que nos iguala aos homens aqui. E que deveria seguir à risca a antiga lei das amazonas.

—Muitos ainda pensam como sua mestra. Mas, você é quem decide isso. -respondeu Marin, parando em frente à primeira casa.

—Que lugar lindo! -exclamou Naru. –Essa são as Doze Casas!?

—Sim. E essa é a Primeira Casa. Áries. -apontou a amazona de Águia. -Vamos, temos muito o que andar ainda.

—E onde está o guardião dessa casa? Ouvi dizer que eles a vigiam dia e noite.

—O cavaleiro de Áries é o atual Mestre do Santuário. Ele nos espera na Décima Terceira Casa. -respondeu Marin continuando a caminhar na frente de Naru.

Imediatamente a imagem de um homem bem mais velho, cabelos e barbas brancas veio a sua mente. Certamente para ser escolhido como mestre do santuário, o tal cavaleiro de Áries deve ser um homem bem experiente e sábio.

Com essa ideia em mente, subiu as escadarias acompanhando Marin até o Salão do Grande Mestre. Chegando, a amazona de Prata pediu que a aguardasse ali na entrada, enquanto iria informar ao mestre sobre ela.

Deu um suspiro, e cansada da longa subida, Naru sentou nas escadas em frente ao Salão esperando ser chamada. O dia estava terrivelmente quente e abafado, fazendo a moça retirar a máscara, esperando que com isso pudesse respirar melhor.

Ouviu passos leves atrás de si, e pensando ser Marin levantou-se de imediato sorrindo, e deparou com um homem de longos cabelos lilases e olhar sereno, que se arregalaram ao vê-la sem a máscara.

O sorriso nos lábios de Naru se desfez e ela o ficou encarando um bom tempo, até que o silêncio foi desfeito por ele.

—Quem é você?

—Eu.. -nesse momento ela percebeu que estava com o rosto exposto, virou-se rapidamente escondendo ele entre as mãos. -Ahhh...você não pode ver meu rosto!

—Bom...meio tarde para isso, não é? -falou meio acanhado.

—Droga! -ela ficou furiosa. -Meu primeiro dia aqui e já começo dando gafe!

—Calma. Isso não é tão grave assim. -respondeu com uma calma que começou incomodá-la. -É nova no Santuário? Não sabe que as máscaras não são mais obrigatórias?

—Sei sim! -ela suspira. -Mas sinto como se tivesse desobedecido minha mestra.

—Tenho certeza que ela entenderia. -sorriu.

—Mestra Dóris entender? -ela deu um sorriso de deboche. -Ela me arrancaria a pele por ter esquecido um dos princípios básicos das amazonas. Manter a máscara custe o que custar. Senão...

—Senão o que? -ele perguntou, interessado na conversa.

Quando a viu sentada nas escadarias, achou que estivesse perdida ou algo do gênero. Agora descobria que ela era a nova amazona que chegara da América. Nunca imaginou que ela poderia ser tão...linda! Depois piscou os olhos alguns instantes. Não era o momento de pensar nessas coisas, mas era quase impossível não ter certos pensamentos diante de alguém tão bonita.

—Terei que matá-lo. -ela falou com naturalidade, como se o que dissera fosse algo corriqueiro.

—Perdão. Não ouvi direito. Pode repetir? -ele perguntou.

—Viu meu rosto. Sabe a lei das amazonas?

—Sei. –estranhou que ele não parecia preocupado com isso.

—Matar ou amar o homem que veja o rosto de uma amazona. -ela se posicionou em combate. -Ai que desânimo. Meu primeiro dia aqui e tenho que matar alguém? –“e ele é tão bonitinho”, pensou.

—Não está sendo precipitada? -ele perguntou, ainda mantendo a calma. –Mesmo que queira lutar comigo, aqui não parece ser o melhor lugar.

—Bem...talvez. -ela avança para acertá-lo com um soco, que foi desviado com facilidade por ele. –Mas quem não me garante que vai fugir da luta se marcamos isso para outro dia e lugar?

—Nem me conhece ainda. Se me conhecesse talvez mudasse de ideia. –disse sem graça.

—Tipo...sair com você e cair em seus encantos? -perguntou sarcástica. -Homens, todos iguais. Bah! E mesmo você com esse rostinho de anjo pensa como os outros.

—Eu não disse para sair com você...acha que meu rosto lembra um anjo? -ele perguntou de repente apontando para o próprio rosto.

—Para de brincar! -ela tenta acertá-lo com um chute, depois com uma sequência de socos que ele desvia como se tudo fosse uma brincadeira.

De repente, ele fica entre ela e uma parede. Naru sorri, desta vez ele não escapava, mirou seu rosto, tentando acertá-lo, mas como um passe de mágica ele desaparece diante de seus olhos, fazendo-a acertar a parede. Ela olhou para os lados, confusa. Onde ele estava?

Então, ele aparece ao seu lado, de repente e a prende em um forte abraço, mantendo os braços de Naru imobilizados.

—Podemos conversar? -ele perguntou bem próximo do ouvido da jovem, causando arrepios nela.

—Não. -respondeu furiosa por estar naquela condição. -Você esqueceu de uma coisa.

—O que?

—Disso. -com toda a força, Naru dá um pisada no pé do rapaz, o fazendo soltá-la imediatamente para segurar o pé machucado. -Não prendeu meus pés.

—Isso foi golpe sujo. -ele reclamou, gemendo de dor.

—No amor e na guerra vale tudo. -ela responde debochada, dando um chute na canela da outra perna dele.

—Naru! -a voz de Marin alarmada chama a sua atenção. — O que está fazendo?

—Dando uma lição em um debochado? -respondeu com serenidade.

—Naru. -disse Marin com toda a calma possível. -Este é Mu. Cavaleiro de Ouro de Áries e Mestre do Santuário.

A garota abriu a boca espantada, olhou para Mu e depois para Marin várias vezes.

—Oi. -disse Mu, mancando levemente ao caminhar até ela. -Seja bem-vinda... Acho.

Totalmente envergonhada, Naru pega a sua máscara caída no chão e sai correndo, descendo as escadarias o mais rápido que pode. Havia se comportado como uma perfeita idiota!

Continua...

Notas finais
Notas: Naru...é uma homenagem a uma apaixonada pelo Mu de Áries, a naru misato san (Roberta), nossa querida Beta! A lenda de Hutash é amplamente conhecida pelos índios Chumashs, que ocuparam uma área das costa central da Califórnia, hoje Los Angeles, até o Condado de São Luis Obispo, ao norte. Os golfinhos são protegidos pelos índios dessas regiões e considerados irmãos por eles, e realizam cerimônias para honrá-los. Dóris na mitologia grega era filha de Oceano e Tétis. Possuía a habilidade da profecia, característica de todas as divindades marinhas. Esposou Nereu, com quem teve cinqüenta filhas, as Nereidas, das quais destacam-se Tétis e Anfitrite. Calipso era uma ninfa do mar, apaixonada por Ulisses, o manteve durante anos como seu prisioneiro em sua ilha, até que Zeus ordenou que ela o libertasse. Acabou morrendo de saudades de seu amado.