Notas iniciais
Passando rapidinho para postar o cap novo.

Londres, Inglaterra.

— Você disse... Radamanthys? — falou Shaka surpreso, depois percebeu uma mudança súbita no semblante da vampira. Ela parecia alarmada, e tudo levava a crer que sua perturbação repentina estava ligada a esse nome.

Com os olhos arregalados cravados ao vazio da noite, Geisty via, através da visão de Saga, a foto do Espectro projetada na tela, e em sua mente recordações nefastas do passado agora se misturavam aos dados levantados por Saori Kido e às acusações do sumo sacerdote Setita.

— Sim... Radamanthys! — murmurou a cigana com os lábios trêmulos, seus dentes rangiam de ódio — O braço direito de Hades, o líder dos Espectros das Sombras...

— Eu sei quem é Radamanthys, mulher, mas por que cita o nome desse pulha? — questionou Shaka em tom grave e firme.

— Porque é ele o seu inimigo, sumo sacerdote, não Hades. — afirmou a vampira com uma faísca escarlate nos olhos selvagens.

Shaka estreitou os olhos e galgou alguns passos em direção a ela, sempre sendo observado de forma prudente por Mu, que ao menor sinal de destempero por parte dos dois estava pronto a intervir novamente.

— E por que está fazendo essa afirmação com tanta veemência, cigana? — disse num ranger de dentes o Setita, encarando os olhos da vampira de forma ameaçadora enquanto se aproximava — O que vocês do Conselho sabem que eu não sei? O que estão escondendo?

— Não se aproxime mais, sumo sacerdote, ou... — determinou Geisty mantendo a postura firme de antes, pois mesmo estando momentaneamente enfraquecida não se deixaria intimidar ou subjugar pelo Setita.

— Ou o quê? — interrompeu Shaka — Então eu fui até a Romênia, perdi meu tempo expondo relatórios, pleiteando uma posição do Conselho quanto aos ataques sofridos pelo meu clã e agora você me diz que sabia o nome do meu inimigo desde o começo? — rosnou Shaka, parando a centímetros de distância da Pietone ao sentir a mão de Mu sobre seu ombro.

— Shaka, deixa-a falar. — disse o Nut com voz grave, enquanto divisava o rosto de Geisty, percebendo que ela avaliava as peças de um quebra-cabeças que acabara de decifrar — Sei que ela tem algo importante a nos dizer a respeito desse Radamanthys e eu quero ouvir. Vamos, Geisty, nos diga o que sabe. Basta de mistérios e informações veladas.

Silêncio.

Na Romênia Saga sentia toda a tensão vivida pela companheira, e quando percebeu que Geisty estava disposta a colocar todas as cartas na mesa dispensou Saori Kido e ficou sozinho na sala, conectado à esposa mentalmente, atento a tudo que ela diria no jardim daquela mansão em ruínas.

— Radamanthys foi o vampiro quem perseguiu, capturou e matou muitos dos membros do meu clã... exterminando a todos os que foram pegos. — disse num tom tão vigoroso quanto aflito — Os ataques nazistas às comunidades ciganas do Leste europeu eram apenas uma fachada para sua caçada... Capturado, meu povo foi submetido a todo tipo de experimentos científicos, usados como cobaias em laboratórios do Partido Nazista e mortos aos montes com requintes de crueldade... Eu sei que foi Radamanthys quem engendrou essa perseguição, porque eu segui seu rastro e ele me levou até um desses laboratórios... — Geisty fez uma breve pausa, então seus olhos carmins passaram a nadar em uma piscina de sangue escarlate —... Eu invadi o local e quando entrei em uma das saletas o peguei dissecando uma Pietone que outrora fora uma das mais belas dançarinas do meu clã... jovem... poderosa... — súbito o rosto melancólico da vampira se transfigurou em ódio terrível — Eles eram a minha família, todos eles, tanto os mortais como os imortais... Eu tinha o dever de protegê-los, jurei guarda-los... mas, não fui capaz... Naquela noite, houve uma luta ferrenha e consegui libertar poucos, bem poucos mortais, porém não consegui juntar provas, além do ataque covarde ao meu clã, e que fossem suficientes para apresentar ao Conselho vampírico... suficientes para acusar Radamanthys e... — encarou o rosto atônito de Shaka, sem titubear —... E sabe muito bem, sacerdote dos Seguidores de Seth, que o clã Pietone não faz parte do Conselho e que também não somos bem vindos nele. Somente o ataque ao meu clã não valia como acusação. Mesmo que fossemos canibalizados até o último membro, o Conselho jamais se manifestaria a nosso favor, muito menos nos acudiria... Estamos sozinhos nesse mundo, e só podemos contar uns com os outros para nos protegermos. Foi exatamente por estarmos desamparados desde sempre que convenci Saga, meu companheiro há séculos, a se candidatar à Presidência, para que assim, talvez, eu conseguisse salvaguardar os Pietone das incertezas do destino, mesmo que fosse de forma velada e sob os olhos vigilantes de todos os membros do Conselho... Era uma manobra arriscada, estávamos pondo nossas pós-vidas em risco, mas era tudo o que tínhamos ao nosso alcance... Mesmo que por debaixo dos panos, eu conseguiria dar apoio e proteção aos meus. Nas últimas décadas pusemos todos os nossos olhos e ouvidos voltados a Radamanthys de forma discreta, sem o consentimento do Conselho, mas aquele nazista é esperto como uma raposa velha, nunca deixa rastros... E ouso dizer, Setita, que ele é um inimigo muito pior que Hades jamais foi. Ele é maquiavélico em sua mais pura essência. Capaz de articular planos de uma ambição inacreditavelmente opulenta e conseguindo seguidores fiéis e devotos à sua causa de uma forma inexplicável. — enquanto falava, o rosto da cigana se transfigurava exibindo sutilmente os traços da Besta por conta do ódio que brotava de dentro de si.

Nesse momento o indescritível abraçou todo o ser do sumo sacerdote dos Seguidores de Seth, que tomado por uma raiva insana contorceu seu rosto numa expressão pavorosa, junção de tudo que sentia, desde incredulidade frente ao que acabara de ouvir da cigana à sensação de ter sido enganado por Saga, e num rompante de ira avançou contra Geisty tencionando agarrar-lhe o pescoço, mas fora impedido no ato por Mu, que ao lançar-se à sua frente o agarrou com extrema força o puxando para uma distância segura da vampira.

— Shaka! Contenha sua ira... — bradou o Nut na tentativa de chamar o companheiro à razão — Ou ao menos a use de maneira correta!

— Como pode me pedir conivência quando essa escumalha cigana e aquele pulha Patricii esse tempo todo tinham a resposta que eu procurava e nada disseram, Mu? Eu vou... — rosnou esbravejando enquanto se debatia nos braços do Nut.

— Você vai represar sua raiva para usá-la no momento propício. — disse Mu apertando mais os dedos contra os braços inquietos do sumo sacerdote, chamando sua atenção — “Shaka, ouça! Ouça!... Olhe para mim!” — falava com o Setita agora por telepatia — “Não desperdice sua ira contra ela, contra Saga ou o Conselho... Não são eles nossos inimigos. Nosso alvo é outro.”

Finalmente, quando Shaka voltou seus olhos azuis para encarar a face de Mu, o Nut continuou.

“Eu sinto sua raiva, sua revolta... Sinto tudo que sente, meu companheiro. Meu peito queima com a mesma indignação que consome o seu, mas uma batalha contra essa mulher aqui é um erro. Ela não é nossa inimiga... Na iminência da guerra o destempero é o caminho mais curto à derrota. Se não for capaz de controlar o seu ímpeto e pensar com estratégia não venceremos... O destino da cigana, e também o do Conselho, está traçado, e não está em nossas mãos.”

Após segundos encarando os olhos verdes do amado, Shaka meneou levemente a cabeça num gesto de concordância, então Mu lhe soltou os braços confiante, e passado um momento o Setita voltou a encarar a face firme de Geisty.

“Você está certo, como sempre esteve, Mu.” — disse o sumo sacerdote diretamente à mente do Nut, depois lhe pousou a mão sobre o peito por um instante e sem desviar os olhos da face da Pietone caminhou de volta até ela.

— Essa omissão, cigana, é só mais uma prova de que eu nada devo ao Conselho daqui para frente. Nenhum passo meu nessa guerra será reportado a vocês... Mesmo que sobrevivam ao que está por vir. — disse severo — Saga não deveria ter escondido essa informação de mim. Não quando acusei diretamente o clã dos Espectros. Eu disse a vocês que eles estavam nos caçando, e vocês preferiram nos usar como meras iscas.

— Não usamos o seu clã como iscas. Não! Precisávamos de uma prova cabal dos planos traiçoeiros dos Espectros das Sombras! — pontuou em voz baixa a cigana, que encarava o sumo sacerdote sem reservas.

— Tolos ingênuos... Quando meu clã for totalmente exterminado o de vocês será o próximo, e depois outros, até criarem sua própria raça e leis. Você diz que Radamanthys é nosso principal inimigo? Pois, saiba que não descarto a participação de Hades nesse golpe. Portanto, cigana, e você também, Saga, sua revelação apenas me serviu para colocar um alvo a mais na minha lista. Eu irei atrás de Hades e Radamanthys, e não ousem tentar me impedir.

Na mansão da Romênia Saga olhava enquanto apertava os dedos contra as palmas das mãos, sentido as unhas macularem a pele tamanha a força que imprimia ao ato. Estava tenso e apreensivo, por tudo que ouvira, pelas ameaças de Shaka, pela iminência de uma guerra entre clãs, porém principalmente pela segurança de sua amada esposa.

“Geisty, volte. Volte imediatamente. Não há mais o que negar ou investigar. A conduta de Radamanthys e Hades, e esse ataque Assamita à sede Setita são provas suficientes da traição dos Espectros das Sombras. Agora precisamos articular nossa defesa, fazer uma convocação extraordinária e de urgência com todos os membros do Conselho. Nós pegamos Radamanthys!”

— NÃO! Eu o peguei! — bradou Shaka quebrando o silêncio enquanto apontava o dedo indicador para a face assustada de Geisty, que arregalou os olhos, incrédula.

— Você... você está lendo a minha mente, Setita? — exclamou ela em tom surpreso e irado — Como se atreve?

— Ouça bem, Saga. Radamanthys e Hades são meus! — continuou o sumo sacerdote com os olhos flamejantes cravados aos de Geisty, trêmulo de ódio e inquietação — Alertei o Conselho sobre uma possível conduta traiçoeira dos Espectros e vocês nada fizeram a não ser colocar espiões e juntar números. Pois bem, enquanto juntavam números eles abraçavam um exército. Agora eles são meus!

— Pois bem, revide, sacerdote. Vá atrás de sua vingança. — disse a Pietone — Arranque a cabeça de Radamanthys, de Hades e de cada Espectro das Sombras que atravessar o seu caminho. Quanto aos Assamitas... Nunca foi preciso uma autorização direta para abatê-los, portanto se quiser caça-los também fique a vontade. O Concelho se armará e irá para o fronte. Depois dessa noite qualquer Espectro das Sombras agora é oficialmente declarado como nosso inimigo, e a ordem geral é abater e caçar a todos eles... Até não restar nenhum.

A cigana então desviou seus olhos púrpuras para fixa-los agora em Mu, que observava a tudo calado, e foi com pesar em sua voz de veludo que disse em tom de melancolia:

— Sinto muito você chegar em tempos tão difíceis.

Mu devolveu um olhar firme à Pietone.

“Não sinta. Os tempos são sempre difíceis para nós. No entanto, não pretendo deixar que o passado se repita. Desta vez eu lutarei em nome do futuro." — disse o Nut usando telepatia, sabendo que Shaka também o ouvia através do elo de sangue que partilhavam — “Irei fortalecer o meu clã, os Setitas, para a batalha, e aconselho que tracem uma estratégia para que não sejam pegos novamente de surpresa.”

Ainda abalada, Geisty assumiu sua forma vampírica e encarando os dois imortais à sua frente invocou seu dom do sangue para iniciar a metamorfose.

O Nut ainda lhe era uma incógnita. Fora até ali buscar respostas, mas não havia mais tempo sequer para lhe fazer as perguntas.

— Com você ao lado deles, talvez tenham alguma esperança. — disse a cigana ao olhar para Mu, e logo em seguida sua figura se dissipou no ar em forma de uma nuvem vaga que alçou aos céus e desapareceu diante dos olhos fúlgidos dos dois vampiros.

Visivelmente irritado, Shaka baixou a cabeça e esfregou a testa algumas vezes.

— Desgraçados. — resmungou entredentes — Esse tempo todo eles esconderam essa informação de mim... Dissimulados! Sabia que não podia confiar em Saga!... E... Radamanthys? Duvido que Radamanthys esteja engendrando sozinho esse golpe.

Acercando-se do Setita, Mu lhe passou um braço por cima dos ombros o puxando para um abraço.

— Eu não conheço a ambos, tenho apenas as informações que vejo em suas memórias, mas um golpe como esse jamais é orquestrado por um único cérebro pensante... No entanto, agora que nosso inimigo tem um nome é chegada a hora de nos preparamos.

Shaka levantou o rosto e cravou seus olhos aos de Mu, com um semblante sério e resoluto.

— Eu e todo o meu clã esperamos obstinadamente por esse dia, mas agora que ele chegou eu... — franziu ligeiramente as sobrancelhas finas, fazendo uma pausa breve —... Eu temo por ti, Mu.

— Teme por mim? — disse o Nut surpreso.

— O Sanguinem Mitto, ritual dos deuses, é audaz e jamais foi feito antes... Tudo que sei dele é baseado apenas nos papiros mais antigos... Depois... somos muitos!

— Ora, sumo sacerdote, será que está perdendo a sua fé?

— Não! De forma alguma!

— Você sabe, mais que qualquer outro ser, que meu despertar não é obra do acaso. Não existe acaso, Shaka. — disse Mu fazendo uma carícia na lateral do rosto do amado — Confie em mim. Confie em seu deus!... Eu farei cumprir as profecias!

***

Muito distante dali, na região da Baviera, sul da Alemanha, vestido em um roupão negro de veludo Radamanthys andava em círculos, agitado, pelo amplo quarto mergulhado em penumbra, até que o toque fortuito do celular o fez galgar apressado em linha reta pela primeira vez naquela noite até a escrivaninha que ficava no fundo do aposento.

Apanhou o aparelho ruidoso de cima do móvel dando uma rápida verificada na tela, então deslizou o dedo sobre a película e atendeu.

— Já passou uma noite, Valentine! — reprendeu com voz rouca e tom austero — Por que me retorna só agora? O que houve?

Do outro lado da linha, a voz incerta e timorata do subordinado deu a notícia a qual o vampiro tanto temia ouvir.

“Senhor Radamanthys... Sinto informa-lo que... os mercenários do grupo de El Cid... e o próprio El Cid... caíram!”

Um segundo de um silêncio sepulcral se fez no quarto do castelo.

— O... que? — rosnou o Espectro liberando a Besta que residia dentro de si, então seus olhos como num passe de mágica tingiram-se de um dourado vivo e reluzente, as presas afiadas projetaram-se da boca selvagem e em torno de si as sombras se adensaram — El Cid caiu? EL CID FOI DERROTADO?... Tem certeza do que está me dizendo?

“Sim, senhor. Absoluta. Eu mesmo estava lá junto dos outros dois que mandou para espionar o “serviço”.” — respondeu Valentine, que através das experiências genéticas feitas por Radamanthys, possuía o dom de ver e ouvir à distância através das sombras, além de possuir uma geração tão fraca que camuflava sua presença como se não existisse.

— MALDIÇÃO! — urrou o nazista em fúria desmedida, as sombras engolindo todo o quarto — Como isso é possível? Eu não posso acreditar!... Maldito Shaka! Verme imundo!... Como El Cid foi derrotado? Como?... Não podia haver falhas, eu avisei! Eu paguei uma fábula em dinheiro para o pulha capturar aquela víbora... Era só captura-lo e nada mais!

“Havia mais Seguidores de Seth na mansão, meu senhor.”

— E o que isso importa? Para El Cid e seus soldados degenerados os Seguidores de Seth são presa fácil! Eu mesmo já abati vários! Por mil demônios, era só trazer Shaka para mim!

Enquanto Radamanthys vociferava alucinado, a voz trêmula do outro lado da linha pedia atenção de forma tímida:

— O que, maldição? Fale! — berrou o Espectro.

“Senhor, eles abateram todos os Seguidores que estavam fazendo a guarda de Shaka na mansão, mas quando pensamos que enfim conseguiriam capturar o sumo sacerdote, um outro vampiro apareceu.”

— Um outro vampiro? Que vampiro?

“O convidado do sumo sacerdote. O que apareceu há pouco e a quem o Setita parece que vem mantendo a identidade em segredo.”

— Prossiga.

“Esse vampiro chegou em meio ao combate e deu cabo de três Assamitas sozinho... em poucos segundos.”

O ex-general nazista, atônito e alarmado, sentou-se em uma poltrona suntuosa que estava próximo a uma das grandes janelas do aposento.

— E você conseguiu ver como ele era?

“Não muito bem, mas senti sua poderosa Presença... E posso dizer com toda a propriedade que me cabe, senhor, que sua Presença é algo que jamais senti em nenhum de nossa espécie antes.”

Novamente o silêncio tomou forma entre eles.

Radamanthys tinha os olhos dourados presos a um ponto qualquer no pequeno espaço que separava um Caravaggio de um Rembrandt na parede, e quando pensou em articular uma pergunta o espião prosseguiu com o relato.

“O pior ainda está por vir, senhor... Há pouco Shaka me pareceu invocar alguém.”

Radamanthys franziu as sobrancelhas unidas num gesto de apreensão e curiosidade.

— Invocar alguém? Quem?

“Uma mulher... Uma mulher do Conselho.”

Num rompante de aflição e surpresa, o Espectro levantou-se da poltrona exacerbado.

— O que disse?

“Eu me aproximei o quanto pude. Não consegui ouvir a conversa toda, mas ouvi claramente o Conselho ser mencionado... e também o nome de Saga e de... Hades.”

As mãos do ex-general nazista tremeram, quase deixando o celular cair.

Ao mesmo tempo Radamanthys sentiu os pelos da nuca se eriçarem, e com uma ação involuntária devido à fúria que o tomava, esmagou o celular com a própria mão encerrando a ligação. Arremessou os restos do aparelho contra a parede enquanto vociferava de forma quase incompreensível.

— Malditos! Porcos malditos! Vermes podres!

Descontrolado, com um brado que quebrou o silêncio da noite agarrou a poltrona de veludo e a atirou contra a enorme janela de vidro.

— Não passam de bestas inferiores! Miseráveis! Eu vou matar todos eles, eu vou consumir a todos! Vermes imundos! — com as garras distendidas, retalhou as telas na parede, os lençóis da cama, a madeira dos móveis num ataque de fúria insana — Era para eu mesmo ter feito o serviço! Ou ter mandado gente melhor, gente competente! Era para ter mandado a minha gente! Bando de abutres filhos de uma puta! Incompetentes!... Agora vou ter que me acertar com o imbecil do Hades!... Maldição!

***

Quase no mesmo instante em que Radamanthys entregava-se a um ataque de fúria na Alemanha, outra criatura das sombras, a quilômetros de distância dali, no interior da Áustria, escondido no covil que servia de sede para seu clã, sentia o sangue morto em suas veias entrar em ebulição tamanho o ódio que tomara conta de todo seu ser quando seus olhos verdes correram pelas linhas impressas do comunicado oficial que o Conselho vampírico lhe enviara ainda naquela noite.

"Caros membros do Conselho.

Um levante contra esta instituição foi descoberto e provado nesta noite, cuja autoria parte do clã dos Espectros das Sombras.

Dentre as leis transgredidas configuram: o abraço de novos membros de forma desordenada e em dimensões de números nunca antes registrados, formando, assim, um contingente gigantesco perante aos outros clãs; ataques repetidos ao clã dos Seguidores de Seth; canibalismo criminoso praticado com o intuito de elevar sua força consanguínea, o que é tido como abominável por esta instituição.

Por terem quebrado regras e descumprido normas de conduta para a manutenção da nossa ordem e proteção da Máscara, o Conselho declara, através dos poderes a ele concedidos, que o clã dos Espectros das Sombras está oficialmente desligado dessa instituição, sendo considerado, a partir de hoje, renegados e declaradamente nossos inimigos.

Assim sendo, todo e qualquer membro deste clã abominável poderá ser caçado e exterminado pelos participantes desta instituição sem perigo de punição.

Saga, dos Patricii.

Presidente do Conselho”

— MALDIÇÃO!

O brado do líder dos Espectros das Sombras fez tremer os alicerces das galerias subterrâneas que sustentavam a suntuosa mansão e também os corações mortos dos vampiros que ali estavam reunidos com ele.

Hades amassou o papel com as mãos trêmulas, de cujas palmas soerguiam-se labaredas de uma chama negra como a noite.

— SÉCULOS PARA CONSEGUIR COM QUE NOS ACEITASSEM NO CONSELHO E AQUELE IMBECIL JOGOU TODO MEU ESFORÇO AO VENTO!

O papel que trazia o comunicado fora consumido pelas chamas em segundos, e dos dedos longos de Hades cinzas agora escorriam como areia que passa pelo veio estreito de uma ampulheta.

— E agora, senhor Hades, o que faremos? — perguntou Zelos, um vampiro recém-criado de estatura baixa, cabeça calva e rosto mal diagramado.

Tomado em ira Hades encarou o jovem membro. No instante seguinte, feito tentáculos longuíssimos e poderosos, as sombras projetadas de seu corpo esgueiraram-se pelo chão da câmara, e tão rápido quanto um bote certeiro de uma fera consumiram Zelos por inteiro, na frente de todos os outros membros que ouviam passivos os gritos agonizantes do jovem vampiro.

— Eu deveria fazer isso com aquele biltre do Radamanthys! — rosnou o líder dos Espectros enquanto estreitava os olhos diante das sombras que tragavam Zelos — Maldito seja! Séculos para nos fortalecermos, séculos para nos organizarmos, jogados fora...

Quando os tentáculos negros se retraíram, uma carcaça ressequida caiu inerte sobre o solo.

Hades ainda matou mais dois novatos. Precisava descontar a raiva e a revolta nos mais fracos para não dar cabo da existência de Radamanthys assim que o visse, e quando sua sombra funesta voltou a jazer abaixo de seus pés ele encarou as faces amedrontadas dos que ali restavam enquanto invocava seu poder.

— Vocês não farão nada até que eu retorne. — disse com voz gutural e autoritária — Deem um alerta de guerra a todas as outras sedes e aguardem o meu comando.

Após ter dado a ordem, Hades invocou a Escuridão usando um dos dons das trevas dos quais tinha domínio, então todas as sombras projetadas naquele recinto, salvo as dos membros de seu clã, fora drenadas para si o envolvendo completamente e fazendo sua forma física adquirir a mesma mateira etérea da qual era formada.

Assim, como um vulto fantasmagórico que paira pelos ares, o líder do clã dos Espectros se fundia com as sombras da noite locomovendo-se em velocidade alucinante até cruzar a fronteira alemã e chegar à região da Baviera em poucos minutos, e assim que entrou na área que compreendia o castelo ocupado por Radamanthys toda a antiga construção foi engolida por uma única sombra funesta, tão densa e opressora quanto o ódio que crescia no coração morto de Hades.

Dentro do palacete, o ex-general nazista fora pego de surpresa.

Foi com os olhos dourados estupefatos e a vontade oprimida e temerosa que Radamanthys divisou a sombra infausta de Hades adentrar seu quarto através do vidro quebrado da janela que havia destruído há pouco.

— Senhor Hades! — murmurou o alemão com os lábios trêmulos, sentindo a poderosa presença do vampiro se elevar assustadoramente.

— RADAMANTHYS! — o retumbar da voz troante do líder dos Espectros ecoou no recinto açoitando as paredes do quarto e fazendo toda a estrutura tremer — Amaldiçoada seja a noite do seu abraço, seu incompetente!

Assim que as sombras se dissiparam e a figura de Hades se mostrou em toda sua imponência e ira para os olhos alarmados do ex-general nazista, este deu um curto passo para trás, temeroso. No ato esbarrou em um dos vários castiçais que guardavam velas acesas quase o levando ao chão.

— Senhor Hades, o que... faz aqui? — questionou em baixo tom, observando a figura imponente à sua frente de Presença incômoda e exalando uma fúria tão intensa que lhe parecia quase palpável.

— O que faço aqui? — rosnou o vampiro de longos e rebeldes cabelos negros — Pelo visto você ainda não está a par das boas novas. — estreitou os olhos ameaçadoramente.

Radamanthys então consertou sua postura se pondo firme e ereto diante do líder, o encarando diretamente nos olhos inquisidores disse:

— Não. Creio que ainda não esteja integrado de novidades, mas... Para o senhor vir pessoalmente à minha morada sem prévio aviso imagino que as boas novas não sejam tão boas. — tentava se mostrar controlado, mas não convencia nem a si mesmo. Não depois do telefonema de Valentine lhe avisando da derrota dos Assamitas e da morte de El Cid.

— CÍNICO! — urrou Hades, e seus olhos brilharam malignamente quando se projetou para frente em velocidade espantosa avançando sobre Radamanthys, que foi empurrado contra a parede.

A escuridão no quarto se intensificou a mando do Espectro que a controlava a seu bel prazer, e apagando as chamas de todas as velas Hades permitiu que apenas uma, pequena e insegura em meio todo aquele mar de trevas restasse para poder usar a fraca luz que emanava dela como sombra projetada, a qual manipulou para prender o general, imobilizando-o.

Inclinando-se sobre o corpo de Radamanthys, Hades o agarrou pelos cabelos dourados dando um forte puxão para trás expondo sua garganta, depois abriu a boca e roçou as presas enormes na pele fria e alva.

— Nós fomos banidos do Conselho. — rosnou encarando a face apreensiva do alemão — Dados como renegados e declarados oficialmente inimigos.

— O... o que? — sussurrou Radamanthys, depois grunhiu ao sentir o cabelo puxado com ainda mais força pelas mãos poderosas de Hades.

— É isso mesmo que você ouviu, seu general de merda! Você e essa sua ânsia imprudente jogaram todo meu trabalho de séculos na lama! Séculos!... Nossos contingentes foram descobertos e eu sei que tem dedo seu nisso, Radamanthys!

Em fúria, Hades arremessou o subordinado contra o chão, que rolou alguns metros e bateu com as costas contra a parede do lado oposto tal qual um boneco velho de pano.

— FALE, RADAMANTHYS! O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ? — gritou o líder a plenos pulmões, enquanto já lançava tentáculos de sombras contra o alemão no chão os fazendo se transformar e chamas negras a consumir vorazmente a carne morta.

— Aaaaaahh, não mestre! Eu... Aaaah... — gritava o Espectro trincando os dentes ao sentir as chamas lhe consumindo. Sabia que Hades pretendia tortura-lo, porém não mata-lo, mas seu poder era tão grande e suas sombras tão vorazes que a dor que elas causavam fazia qualquer criatura, sã ou não, desejar a morte.

— Você o que, Radamanthys? — grunhiu Hades — Eu dei ordens expressas para que fosse com calma, com parcimônia, principalmente contra os Seguidores de Seth e Shaka, que é uma víbora perigosa. Avisei para não subestimá-lo, especialmente depois que soube que o maldito nos colocou sob suspeita direta frente ao Conselho devido à emboscada no Irã, a qual, diga-se de passagem, você fracassou em captura-lo e trazê-lo para mim!

— M-mestreeee... — rogou o general agonizando em dores, com o corpo parcialmente coberto por chagas horrendas.

— Shaka nos denunciou, não era hora para nos movimentarmos! Tínhamos que nos livrar dos olhos do Conselho antes, seu imbecil, incompetente! — Hades berrava enquanto a escuridão dançava ao seu redor feito um balé fúnebre.

Finamente sublimando as chamas que torturavam Radamanthys, o líder dos Espectros caminhou até o general se agachando a seu lado, então segurou em seu queixo o fazendo olhar para seu rosto ameaçador, enquanto observava as feridas no corpo do alemão cicatrizarem lentamente.

— Vai falar ou terei de consumir esse seu sangue ralo, essa salmoura indigesta que corre dentro de você para saber? Se ainda está nessa existência insignificante é apenas porque prezo por seus serviços como regente dos meus exércitos, mas já me causou tantos problemas que se me criar mais um empecilho não pensarei duas vezes em acabar com você.

— Eu... falo... — gemeu o Espectro contorcendo-se.

Hades então agarrou novamente em seus cabelos e o arrastou pelo quarto até atirá-lo contra uma das poltronas, depois colocou-se de pé à sua frente e reacendeu as chamas de algumas velas, permitindo que a luz sufocasse momentaneamente as trevas.

— Sou todo ouvidos.

Se o coração de Radamanthys ainda estivesse vivo estaria saltando ruidoso dentro do peito tamanha sua apreensão.

Com os olhos arregalados que exibiam as íris em tom amarelo intenso, o general alemão se ajeitou com cuidado na poltrona, e após pigarrear encarou o rosto de Hades.

Tentaria usar toda sua lábia e habilidade para manipular os fatos a seu favor como sempre fizera.

— Mestre Hades... — fez uma breve pausa —... Eu realmente não estou a par dessa decisão arbitrária do Conselho, mas devo assumir que fiz uma manobra audaciosa na tentativa de cumprir sua ordem de capturar o sumo sacerdote Setita... e deve ser a essa manobra que o Conselho se reportou.

— Que manobra foi essa, Radamanthys?

— Na ocasião do ataque ao templo dos Seguidores de Seth no Irã, aquela víbora escorregadia me escapou pelos dedos... Desde então eu nunca me conformei em ter de conviver com esse fracasso, e capturar Shaka passou a ser minha principal meta, por isso... contratei um caçador profissional.

— Está falando da nossa aliança com os Assamitas? Isso não me é novidade.

Hades arqueou uma das sobrancelhas.

— Porém, mais uma vez o pulha escapou da emboscada e o assassino foi abatido. — continuou Radamanthys. Sua mente trabalhava alucinada, pois sabia que precisava ser convincente para se livrar de uma situação desastrosa como aquela — Então desconfiei de um fato: Como um Setita que não possui força bruta, tampouco maestria nas artes bélicas, foi capaz de se livrar de um habilidoso Assamita treinado pessoalmente por El Cid?

Hades ouvia a tudo atento, com seus olhos vampíricos faiscando uma chama vermelha, enquanto Radamanthys lhe encarava firmemente, convicto do que dizia.

— Desde então eu enviei espiões à Londres. Todos os passos daquela maldita Serpente passaram a ser vigiados incessantemente.

— Como é? Estava espionando Shaka? E por que não fui comunicado?

— Senhor, eu não o comuniquei dessa manobra, uma vez que não achei relevante.

Hades rangeu os dentes, colérico.

— Radamanthys...

— Senhor, eu tinha uma suspeita rasa que queria provar antes de lhe comunicar...

— Que suspeita?

— Em poucos dias de investigação descobri que Shaka está dando abrigo a um... hospede.

— E o que isso tem demais, Radamanthys?

— O fato é que não se trata de um hospede qualquer, senhor, mas de um vampiro cujo poder e Presença jamais foram sentidos por nenhum de nós. E quando digo nós, isso inclui o senhor também, mestre. — Radamanthys falava de forma sedutora e envolvente, atraindo a atenção de Hades, o colocando exatamente onde e na posição que queria.

— Um vampiro extremamente poderoso? — questionou Hades curioso.

— Exato. Muito mais poderoso que o senhor, que Saga, que o próprio Shaka, que inclusive deve ter sido fortalecido por esse vampiro, já que está muito mais poderoso que o dia em que o embosquei no Irã! O maldito conseguiu regredir várias gerações em poucos dias. Nunca vi algo parecido antes... Isso me fez deduzir que aquela Serpente velhaca consumiu o sangue desse “hospede” para se fortalecer, o que para nós é um bom e um mau sinal... Somente isso explica o fato de Shaka ter conseguido matar El Cid.

Hades levou ambas as mãos ao rosto, esfregando a pele fria num sinal claro de destempero.

— O... o que disse? Você mandou o próprio El Cid para capturar o miserável do sumo sacerdote, Radamanthys?

— Sim senhor.

— Pelos infernos! E Shaka matou El Cid?

— Exatamente, senhor.

— O que mais eu não estou sabendo, Radamanthys? — perguntou pausadamente, chocado com tudo que ouvia.

Aquele era o momento propício que o alemão aguardava para tentar recuperar a confiança perdida junto ao líder dos Espectros das Sombras.

Radamanthys então se levantou da poltrona aproximando-se de Hades com ânimo eufórico e oratória impecável, como quando fazia seus discursos inflamados ao melhor estilo terceiro Reich.

— Meu senhor, não podíamos perder mais tempo! Shaka se fortaleceu e precisávamos do sangue dele o quanto antes para conseguirmos derrubar o Conselho como queríamos! Porém, só Shaka não bastava! Precisávamos da fonte de seu poder! O vampiro que ele hospeda em sua mansão londrina!... Eu não pude esperar pelo seu aval, uma vez que não poderia permitir com que Shaka compartilhasse tal poder com os membros do Conselho, os fortalecendo. Então, eu arrecadei verbas de todas as minhas fontes e dei um passo ousado... Os vencedores, meu grande mestre Hades, precisam ser corajosos! É a coragem que diferencia vencedores de perdedores, e eu fui corajoso e arrisquei. Contratei o líder Assamita dito como o melhor dentre os melhores mercenários para minha intenta... Porém, acabei de receber a notícia de um de meus informantes que El Cid... caiu. — gesticulava vigorosamente as mãos até fecha-las em fúria no ar — Shaka matou um dos vampiros mais poderosos e perspicazes da nossa Era e esse feito não é mérito dele, mas do vampiro que ele hospeda naquele covil de serpentes que ele mora.

— Eu não estou acreditando nisso... — Hades esfregou novamente o rosto num gesto enfastiado.

— Senhor, essa criatura é detentora de um poder incomensurável que vai muito além de nosso conhecimento, e que se cair em nossas mãos...

— Será o nosso trunfo e nossa vitória certa! — murmurou Hades encarando o general.

Hades sabia que Radamanthys era envolvente em seus discursos, habilidosíssimo, capaz de fazer o sangue dos mais sóbrios vampiros ferver de emoção e as grandes massas manipuláveis se erguerem e marcharem sob suas ordens, por mais absurdas que estas parecessem.

Tanto era o carisma e liderança do ex-general nazista que até mesmo o milenar líder dos Espectros das Sombras se via encantado por sua determinação, e era nesses momentos que Hades tinha a certeza de que escolhera certo o seu braço direito, mas jamais se deixaria seduzir de maneira leviana.

Em um único movimento, rápido demais para a percepção de Radamanthys, Hades o agarrou pelo pescoço com firmeza, imprimindo tamanha força à manobra ao ponto de provocar um estalo nas vértebras do alemão quando o ergueu a alguns centímetros do chão.

— Urhh... mestreee! — grunhiu o loiro.

— Acha que me seduz com esses argumentos? Tolo! Você foi imprudente! Eu disse que toda manobra tem de passar pelo meu crivo, Radamanthys!

— Me perdoe, mestre!... Perdemos essa batalha, mas ainda podemos vencer a guerra! — guinchou com voz exprimida, agarrando no punho do líder — Esse é o momento de nos erguermos contra o Conselho! É agora ou nunca!... Argh!... Mestre... Os Seguidores de Seth estão abalados, acuados e fracos... é a hora de atacarmos, antes que... antes que Shaka e esse vampiro misterioso os fortaleça! Mestre, não sou eu seu inimigo! Só agindo juntos poderemos capturar o sumo sacerdote e sua fonte de poder para alcançarmos a glória que tanto merecemos! Aaaaahh!

Enquanto fitava, pensativo e analítico, a face de seu subordinado, Hades podia sentir entre seus dedos a pele fria do alemão a exalar o instigante odor do medo. Era exatamente esse sentimento que o líder espectro queria provocar no general.

Com potência na voz de trovão que ecoava soturna no recinto e invadia os tímpanos do subordinado, Hades sentenciou:

— Radamanthys, seu miserável insubordinado, pela segunda vez você enfiou os pés pelas mãos! Eu já havia lhe avisado que o Conselho estava a esquadrinhar você, e por conseguinte a todos nós, em cada passo que dávamos. Só lhe dei uma ordem expressa, e muito simples: SEJA CAUTELOSO! O maldito Conselho está há séculos apenas esperando um único deslize nosso para nos chutar para fora e você nos entregou em uma bandeja de prata a eles, seu infeliz. Deu a eles as provas que tanto queriam para nos desligar e nos declarar inimigos. — vociferou atirando o general ao chão — Agora está feito! Eu te exterminar aqui não me valerá de nada.

O líder Espectro então fez uma pausa e usou de toda sua frieza de espírito para pensar racionalmente.

Os membros do clã admiravam Radamanthys, e apesar do alemão ser um vampiro considerado fraco devido ao número elevado de sua geração, ele conseguia inspirar lealdade, inflamar multidões e comandar seus exércitos como ninguém.

Definitivamente não seria nada inteligente elimina-lo. Ao menos não agora, pois logo estariam sendo caçados, e sabia que os Setitas, assim como todos os clãs ligados ao Conselho, viriam com força total.

Agora era hora de união, e até um verme como Radamanthys tinha seu valor.

Além disso, Hades ficou extremamente interessado no tal vampiro misterioso que residia com Shaka.

Se era mesmo tão poderoso quanto o ex-general nazista mencionara, bastava captura-lo e consumi-lo e a guerra estaria ganha. Tornar-se-ia invencível, tomaria o Conselho para si e depois poderia eliminar Radamanthys com um estalar de dedos.

Com isso em mente Hades deu uma última ordem.

— Pois bem, Radamanthys. Eu lhe darei uma segunda chance. — olhou imponente para o vampiro de joelhos no chão — Prepare nossos exércitos para a batalha! Erga nossos contingentes e trace uma manobra. Quero seu relatório de guerra com uma estratégia decente amanhã na minha mesa. Estarei na Áustria reunindo as tropas que defenderão nossa sede. Não ouse falhar novamente.

Dada a sentença o líder Espectro foi envolvido completamente pelas sombras que se erguiam no quarto e desapareceu diante dos olhos odiosos do general, que irritado, e agora furioso, deixou livre um rugido de puro ódio.

— Aaaaaaaaaah maldito seja, Hades! Você também vai me pagar, miserável! Todos vocês vão me pagar! Todos vocês! Ainda irão se arrastar aos meus pés me pedindo clemência! — socou o chão com tanta ira que feriu a própria mão.

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Fics trio ternura

Grupo Mushakismo

Notas finais
A guerra finalmente foi declarada... a fic se aproxima do fim, e muitas emoções nos aguardam ;)