A Máfia
2 Capitulo 2 - Facas, Verdades e Confissões
Notas iniciais
Uma semana havia se passado desde o término entre Renesmee e Jacob. A garota permanecia trancada em seu quarto quase o tempo inteiro, saindo apenas para comer — quando conseguia. Profundas olheiras marcavam seus olhos, e ela já não parecia a mesma. Seu sofrimento havia chamado a atenção de todos, inclusive de seu pai, que não compreendia o motivo de a filha estar naquele estado.
Jacob, por outro lado, tratava-a com indiferença e frieza. Parecia inerte a tudo ao seu redor, ignorando o sentimento que o destruía por dentro. Vê-la daquela forma doía, mas ele não sabia o que fazer. Sua própria mente era uma confusão.
A loirinha estava encostada à janela do quarto, olhando ao longe. A manhã estava fria; o inverno se aproximava lentamente, e em breve a neve chegaria — algo que ela sempre adorara. Suspirou fundo quando alguém entrou no quarto.
— Nessie, meu irmão está te chamando na sala de treinamento — avisou Claire.
Renesmee virou-se para a amiga e lhe lançou um sorriso singelo, assentindo antes de sair do quarto com ela. Ao chegarem à sala, todos já estavam reunidos. Jacob fitou a loirinha por alguns segundos; ela percebeu o olhar, retribuiu com amargura e virou o rosto.
— Claire e Renesmee, vocês vão treinar com facas. Podem escolher alguém para ficar à frente do alvo — anunciou Jacob, posicionando-se ao lado de Nathan, que exibia um sorriso travesso.
— Eu quero meu lindo namorado, Quil — disse Claire, animada.
Quil bufou, desconfiado, mas mesmo assim foi para a frente do alvo. Renesmee analisou todos à sua frente. A única pessoa em quem sentia uma vontade absurda de lançar uma faca era Jacob. Um sorriso perigoso surgiu em seus lábios.
— Eu escolho o Jacob — afirmou.
Ele não demonstrou reação alguma, apenas assentiu e foi para a frente do alvo. Renesmee pegou cinco facas, assim como Claire. Fitou Jacob com seriedade, girou uma delas entre os dedos e a lançou com força. A lâmina se cravou fora do alvo. Jacob mantinha os braços cruzados na altura do peito.
Sem hesitar, Renesmee lançou mais duas facas seguidas. Ambas se fixaram a centímetros do rosto dele, uma de cada lado. Por fim, arremessou as duas últimas: uma passou de raspão pelo braço de Jacob, abrindo um corte, e a outra se cravou ao lado de sua perna.
Renesmee mordeu o lábio, suspirando com um sorriso de canto.
Jacob respirou fundo e caminhou em passos firmes até ela. Claire interrompeu o que fazia, assim como todos os outros, observando a cena. O moreno parou diante da garota.
— Vem comigo — ordenou, puxando-a pelo braço com força.
Ele a levou até uma sala próxima e a empurrou sobre um sofá surrado, batendo a porta com força. Renesmee alisou o braço, fazendo uma careta.
— VOCÊ TÁ FICANDO MALUCA? QUER QUE TODO MUNDO SAIBA DO QUE A GENTE TEVE?! — gritou Jacob.
Renesmee se levantou do sofá, encarando-o com raiva.
— EU NÃO TÔ NEM AÍ SE TODO MUNDO SOUBER! EU NÃO ERA SÓ UM CASINHO PRA VOCÊ, ENTÃO! — gritou de volta, fechando os punhos com força.
— VOCÊ NÃO SABE O QUE TÁ FALANDO! — retrucou ele, passando as mãos pelo rosto, impaciente.
— AH, É? POR QUÊ?! — rebateu ela.
— IMAGINA SE SEU PAI DESCOBRE! — gritou Jacob.
A porta se abriu naquele instante.
— Descobre o quê? — questionou Carlisle, com expressão confusa.
Renesmee o encarou, séria, enquanto Jacob se jogava no sofá, sufocado.
— Pai, o que você tá fazendo aqui? — perguntou a loirinha.
— Ouvi gritos vindo daqui e vim ver o que estava acontecendo — respondeu Carlisle, cruzando os braços. — Vamos, digam-me: o que eu não devo saber?
Renesmee e Jacob se entreolharam.
— Pai, não é nada demais — tentou contornar Renesmee.
— Então por que estavam gritando desse jeito? — insistiu ele.
— É que… bem… foi que… — Jacob gaguejava, enquanto Renesmee sorria amarelo.
De repente, Carlisle começou a rir.
— Vocês mentem muito mal — disse, segurando o riso ao observar os dois perplexos. — Acham mesmo que eu não sei que vocês têm um caso?
Renesmee paralisou. Jacob arregalou os olhos.
— Vocês subestimam demais a minha inteligência — completou Carlisle.
— Co-como o senhor sabe? — perguntou Renesmee.
— Além de mentirem mal, vocês não sabem disfarçar. Sempre com sorrisos, carícias… enfim. Como eu não perceberia, se até a empregada já percebeu? — respondeu, dando de ombros.
— A Maria sabe? — perguntou Jacob, pensativo.
Renesmee levou a mão à testa.
— Metade dos seus já sabem — comentou Carlisle.
Jacob suspirou, cabisbaixo.
— Me desculpa — pediu.
Carlisle colocou a mão em seu ombro, sorrindo compreensivo.
— Quem melhor do que você para ficar com a minha filha? Jacob, eu sinto muito orgulho de você. Você é como um filho para mim.
Jacob sorriu e o abraçou.
— Ótimo. Agora que já pararam de falar de mim como se eu não estivesse aqui, eu vou indo — disse Renesmee, indo em direção à porta.
Carlisle a segurou pelo braço.
— Não, quem vai sou eu. Como dizem: em briga de marido e mulher, não se mete a colher — disse, piscando de forma marota antes de sair.
Renesmee caiu sentada no sofá. Jacob encostou-se à mesa, de cabeça baixa.
— Então… era isso. Era meu pai… Por que você não me contou? — perguntou ela.
Jacob respirou fundo.
— Mas isso nem importa mais — disse Renesmee, levantando-se e segurando a maçaneta. — Não consigo ficar aqui.
— Não! Renesmee, espera… eu…
— Eu o quê, Jacob?! Eu estou esgotada dessa situação! Você me trata como se eu não fosse nada, como se nunca tivesse existido intimidade entre nós! O que você quer de mim, afinal? — questionou, com a voz embargada.
Jacob engoliu em seco e a encarou.
— Eu quero você. Só você. Renesmee, eu nunca soube lidar com sentimentos… até te conhecer. Até olhar nos seus olhos e perceber que posso ser alguém melhor. Que o mundo não é só feito do ruim e do pior. Eu sei que te machuquei… e nunca vou me perdoar por isso — disse, aproximando-se, com lágrimas nos olhos. — Eu preciso de você. Do seu carinho, do seu calor… do seu amor. Do meu jeito todo errado, eu preciso te dizer: eu tô louco por você. Eu tô apaixonado por você.
Renesmee sorriu amplamente e pulou em seus braços, enchendo seu rosto de beijos, fazendo-o rir.
— Eu também! Eu também! Eu também! — repetia, enquanto ele a girava no ar e a beijava.
O momento, porém, durou pouco. A porta se abriu com força.
— Desculpem interromper, mas um dos nossos está ferido! — exclamou Claire.
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