A Máfia

30 Eles estão vindo por nós.


Notas iniciais
Olá meus amoresssssss Como estão? Espero que bem, porque depois desse capítulo, digamos que o emocional de vocês não serão os melhores hihihi Sim, vem treta, mas só lendo pra saber o que vai acontecer e aqui está mais um capítulo feito com muito amor para vocês, espero que gostem e, por favor, não façam macumba para mim depois dele kajskasjaksj p.s.: ao longo do capítulo, terá uma conversa entre o pai da Valentina e ela, e assim que a conversa acabar, deem o play em I See Fire do Ed Sheeran :) Enjoy :)

O consultório do Dr. Richard se tornou uma segunda casa para mim de tanto que já passei por lá. E não é nenhuma surpresa de que ele tenha me dado de “presente” um quarto apenas para mim. Com direito a decoração e tudo. Poderia ser cômico, se não fosse frustrante. Vim aqui para fazer o primeiro ultrassom e, por fim, descobrir o sexo do meu bebê. Vitor me trouxe pra cá bem cedo, praticamente me arrastou enquanto eu dormia. Pelo jeito não é somente eu que estou nervosa por conta do bebê.

O meu quarto é todo decorado de um rosa bem claro. Há algumas poltronas que parecessem ser bem confortáveis do lado da cama e algo que se assemelha a uma cômoda. Todas as mobílias são madeiras brancas. O quarto é bem bonito, mas como eu disse, é meio frustrante ter um quarto em uma clinica hospitalar só para você.

Assim que cheguei a clinica, uma enfermeira me direcionou para meu quarto e me pediu que me trocasse me entregando um daquele avental hospitalar para pacientes na cor rosa claro. Entrei no banheiro e me troquei. Fiz uma trança de lado, deixando alguns fios soltos e sai, encontrando Vitor sentado em uma das poltronas. Quando ele me vê, dá um sorriso de lado que permanece ali por um bom tempo, me deixando um pouco envergonhada.

_Por que está sorrindo desse jeito? – pergunto me aproximando da cama.

_Você está linda. – ele diz se levantando e ficando em pé ao lado da cama, se debruçando sobre mim e depositando um beijo em minha testa.

_Obrigada. – agradeço.

No segundo seguinte Richard entra exibindo um sorriso enorme de entusiasmos, fazendo com que Vitor e eu sorríssemos também.

_Como os papais estão hoje? – ele pergunta.

_Nervosos. – digo.

_Curiosos. – Vitor diz.

Sorrio, pegando a mão de Vitor e entrelaçando nossos dedos. Richard se sentou em um banco grande ao meu lado, pegou um tubo redondo grosso e transparente e o passou por minha barriga, me dando arrepios por ser gelado, depois pegou um aparelhinho e o deslizou por minha barriga. O médico apontou para a tela do computador e aos poucos algumas manchas brancas foram aparecendo.

_Estão vendo isso aqui? – Richard aponta para a tela. – Esse aqui é o bebê de vocês.

Começo a chorar sem ao menos perceber. As lágrimas rolam e são todas de pura alegria. Vitor aperta minha mão e me dá um beijo demorado na testa mais uma vez. Mesmo sendo em preto e branco, meu bebê é a coisa mais linda que já vi na vida.

_Como ele está? – Vitor pergunta.

_Muito bem por sinal, está se desenvolvendo bem e ouçam, esse é o som dos batimentos cardíacos dele. – sorrio ainda mais ao ouvir o coração dele batendo. Vitor expressa um “uau” e beija a minha mão. – E o sexo do bebê é...

_Espera! – grito. – Não quero que diga o sexo. – explico.

Ambos me olham confusos e Vitor ri nervoso.

_Como é? – pergunta ele. – Valentina, não comece com essas ideias malucas suas, eu já demorei para saber sobre a existência dele ou dela. Exijo saber o sexo do meu filho ou filha! Richard, por favor, nos diga.

Seguro o braço de Richard antes que ele conclua o procedimento.

_Exige o caramba! Eu sou a mãe aqui, eu decido as coisas por mim e por meu bebê.

_E eu sou o pai! – Vitor exclama.

_Isso é um mero detalhe. – digo dando de ombros. – Richard, quero apenas que nos informe sobre a saúde do nosso bebê, o sexo saberemos depois.

Richard concorda de leve com a cabeça e ele nos diz tudo que precisamos saber e passa algumas vitaminas para que eu tomasse ao longo dos meses de gestação. Ouço tudo com atenção me certificando de fazer tudo o que ele está pedindo e anotando mentalmente. Vitor voltou a se sentar na poltrona emburrado e eu me seguro para não rir dele.

Não é que eu esteja sendo má, por um lado ele tem razão, ele merece saber se ele terá um filho ou uma filha, a questão é que enquanto eu e ele víamos para o consultório do Dr. Richard, ele brincou dizendo que eu não aguentaria esperar nove meses para saber o sexo do nosso bebê. Claro que eu levei para o pessoal e nós fizemos uma oposta. E bom, eu odeio perder.

_Vai ficar com essa sua cara sexy de bravo ou já podemos ir? – pergunto assim que termino de me trocar.

Ele se levanta e caminha ate a porta, a abrindo para mim.

_Eu não acredito que você está mesmo fazendo isso comigo. – ele diz se fazendo de coitado, me fazendo rir internamente.

_Foi você que começou.

[...]

O tempo ainda continua fechado aqui em Chicago, vez ou outra a chuva desaba por no máximo meia hora e depois para. Vitor dirige com cautela por entre as ruas alagadas e mantém os olhos fixos na estrada. Não sei dizer se ele ainda está irritado por eu ter lavado adiante a nossa aposta, mas seu rosto está indecifrável.

_Para onde estamos indo? – pergunto a ele.

_Para casa, é claro. – diz ele.

_É eu percebi, mas por quê? Devíamos estar indo para o Quartel. – questiono.

Vitor suspira.

_O Quartel está um mar de estresse Valentina, não irei levar você pra lá.

Dessa vez sou eu quem suspira, tentando manter a calma e entender o lado de Vitor, mas é difícil. Estamos a um passo de finalmente achar Valentin e de acabar com o seus planos diabólicos e eu não posso participar de uma reunião se quer. Não que eu esteja sendo orgulhosa (e situações assim não se deve se orgulhar), mas Valentin arruinou boa parte da minha vida, eu merecia participar e ajudar a acabar com a dele agora.

_Então você está me dizendo que eu irei ficar em casa como uma boa esposa enquanto você sai e resolve os problemas do mundo? – pergunto indignada.

_Não, você vai participar do contra-ataque contra Valentin, mas essas reuniões aconteceram em casa, onde o ambiente é mais calmo. Seu pai e mais alguns líderes estão lá nos esperando.

_Ah. – exclamo mais calma. – Você está bravo comigo? – pergunto não conseguindo evitar o sorriso.

Vitor sacode a cabeça para os lados também tentando evitar um sorriso.

_Você é tão marrenta. – ele diz. – Eu ser pai do seu filho é só um detalhe?

Sorrio.

_Eu disse aquilo sem pensar, você sabe disso. – estico o braço e faço carinho em seus cabelos. – Me promete uma coisa?

_O quê?

_Você não vai subornar o médico para saber se é uma menina ou menino? – pergunto rindo ao me lembrar dele dizendo que foi exatamente isso que Miguel fez com Alicia.

Vitor me olha também rindo.

_Eu prometo.

[...]

Já em casa, vários homens vestidos de pretos com o brasão da Cosa Nostra bordado do lado direito de seus paletós andam de um lado para o outro armados. Assim que descemos do carro, eles fazem um corredor para nós até a entrada na casa e à medida que vamos passando por eles, eles elevam o braço direito com o punho fechado até o peito esquerdo, sobre o coração. Essa é uma antiga saudação que somente chefes importantes de Máfias importantes recebem. Eu e Vitor somos chefes de Máfias importantes, então é normal que recebemos esse tipo de tratamento. Eu, particularmente, adoro. Sinto-me importante e poderosa e eu adoro me sentir assim.

Quando entramos em casa, encontro mais seguranças ali dentro, junto de algumas empregadas. Vitor me guia para seu escritório no andar de baixo mesmo e lá, encontro meu pai (o que explica a quantidade de homens lá fora.), o pai de Vitor, Muriel e Miguel.

_Que bom que chegaram. – meu pai diz. – Está tudo bem com você querida?

Olho para Vitor. Nós havíamos combinado de não dizer nada para ninguém sobre minha gravidez. Na verdade, eu praticamente o obriguei a não dizer nada, principalmente a meu pai. Quero que minha gravidez seja motivo de alegria, não algo que gere mais preocupação.

_Estou pai. – respondo com um meio sorriso.

_Ótimo. – diz ele mostrando um sorriso fechado. – Podemos começar?

_Claro. – Vitor diz.

Eu e ele nos sentamos ao lado do pai dele. Muriel fica do meu lado e Vitor do outro. Meu pai está a nossa frente, demonstrando autoridade.

_O que foi que Josué contou a vocês? – pergunto, já iniciando o assunto.

_Ele disse que não sabia muito sobre os planos de Valentin, que ele só entrava em contado quando necessário e fazia o que era pedido. – Muriel contou, demonstrando irritação ao falar de Josué.

_Conseguiram alguma informação útil para nós? – questiono.

_Ele disse que os russos forneciam armas para ele, mas depois que você teve uma conversa com o líder, eles pararam.

Lembro-me então dá primeira reunião que tive com Hugo no Quartel.

“_E eu devia me preocupar com isso? – pergunto. Depois dou uma risada e curta e continuo. – Como você mesmo disse é uma guerra contra a Costa Nostra e nós somos uma organização mafiosa formada pelas maiores máfias de várias partes do mundo. Somos poderosos, Hugo. Quem é que vai querer começar uma guerra contra nós sabendo do nosso poder e união?

Xeque Mate.

Hugo estremece o olhar e seu corpo fica rígido, como se ele não tivesse pensado nisso. Mantenho a minha pose de poderosa enquanto minha cabeça quase dói com tanta coisa que se passa por ela. Ele fica em silêncio por um bom tempo e quando fala, pergunta sobre as minhas propostas com a sua Máfia.

_Eu até iria fazer uma proposta digna Hugo, mas eu não gostei da forma como falou comigo minutos antes, eu senti como se você estivesse me ameaçando, ameaçando a mim e a minha Máfia, que por sinal é a Costa Nostra. Então o negocio agora será diferente e quero que preste bastante atenção. – falo séria. – Você irá começar a me fornecer as armas a um preço ridiculamente baixo e não irá reclamar disso porque, caso você faça isso, EU irei começar uma guerra contra você. E quero deixar bem claro que se algum idiota deseja começar uma guerra contra a Costa Nostra, avise a ele que não é apenas com a minha Máfia com quem ele irá guerrear, será com Máfias espelhadas pelo mundo todo que não medem esforços para acabar com aqueles que a subestimam. Estamos entendidos?”

Pelo jeito, Hugo ficou com medo de entrar na guerra contra a Cosa Nostra, e isso graças a mim.

_Belo trabalho, filha. – meu pai aprecia orgulhoso, posso ver seus olhos brilhando por conta disso.

Agradeço com um sorriso singelo.

_Josué disse algo sobre Geovana? Se sabe onde ela está ou possa estar? – pergunto.

_Não, ele disse que não sabe. Valentin apenas pediu que afastasse Marcelina por um tempo. – Miguel diz e sinto a dor em sua voz.

Respiro fundo e todos ali fazem o mesmo.

_O que conseguiu com ele pai?

_Apenas o que já sabíamos: Valentin quer você. – ele diz a mim.

_Só que isso vai ser impossível. – Vitor diz rapidamente.

_Claro que vai. – concorda meu pai confiante. – Corletto está ficando obsessivo a cada dia que passa, temos que pegá-lo o quanto antes.

_Nos conte uma novidade. – Muriel murmura baixinho e meu pai o olha feio. – Perdoe-me suprema corte, – ele ironiza olhando para meu pai. – mas estamos todos aqui discutindo algo que todos nós sabemos e estamos cansados de discutir a mesma coisa sempre que Valentin apronta algo. Temos que acabar com ele! Vamos invadir a cidade toda, fazer um blackout em Chicago. Colocaremos a cabeça de Valentin a prêmio e tenho certeza que se fizermos isso, o acharemos. E quando a gente achar ele, metemos bala. Simples assim.

_Acha que já não pensamos em fazer isso? – o pai de Vitor, Lorenzo, rebate enfezado.

Então, todos ali começam uma discussão um com o outro, mas minha cabeça foca em outra coisa. Um plano. E ele pode dar certo.

_É um bom plano O’Conner. – digo em alto e bom som, fazendo com que todos calem a boca. – Porém eu tenho outro que talvez seja menos agressivo aos civis.

Todos me olham desconfiados, curiosos. Meu pai sorri com os olhos e apoia os cotovelos na mesa, fazendo um sinal para que eu prosseguisse.

_Mark me disse que vocês estão tentando entrar em contato com Valentin.

_É verdade. – Miguel assente.

_Mas vocês nunca conseguiram isso. – digo o olhando. – Valentin entra em contato apenas comigo e ninguém mais.

_Você é o nosso meio de comunicação com o inimigo. – Muriel suspira.

_Exato. Mark também afirmou para mim que ele pode rastrear a ligação de Valentin de um aparelho celular, então, quando Valentin ligar para mim, Mark receberá um aviso e irá rastrear a ligação.

_Assim localizamos Valentin e o pegamos. – Vitor diz.

_Isso, mas temos que ser rápidos. Temo que Valentin use sempre um celular descartável, e sempre que termina a ligação o destrói. Assim que Mark localiza-lo, vou tentar enrolar ele e dar uma vantagem para vocês. – digo.

_E como achamos minha filha? – Miguel pergunta apreensivo.

Respiro fundo. Essa é a parte difícil.

_Valentin nos dirá onde ela está quando o capturarmos. – tento soar confiante, mas falho.

Miguel assente com a cabeça, soltando o ar pela boca com raiva.

_Isso vai dar certo. – Lorenzo diz em voz alta, como um incentivo a todos nós.

_Vai sim. – meu pai concorda. – Bom, acho que tudo o que nos resta agora é esperar pela ligação. A reunião está encerrada. Vão todos para o Quartel e fiquem com Mark, Valentina ficará aqui com os seguranças.

_Eu fico com ela. – Vitor dispõe.

_Não. Se você ficar, Valentin não irá me ligar, ele sempre liga quando estou sozinha. – digo a ele que faz uma careta, irritado.

_Se ele fizer uma proposta a você, não aceite. Não banque a heroína, Valentina. Pelo amor de Deus. – Vitor sussurra a mim.

_Pode deixar, eu vou seguir o plano. Aliás, é o meu plano. – gabo-me a fim de lhe arrancar um sorriso, mas Vitor está tenso demais para sorrir agora e dá apenas um beijo em minha testa.

_Augustos, você vem? – pergunta ele ao meu pai antes de sair do escritório.

_Claro, quero apenas ter alguns minutos com minha filha. – diz ele. – Já estou indo.

Vitor assente e me deixa a sós com meu pai, que se levanta e caminha lentamente até a mim com um embrulho nas mãos. Ele o estende para mim e eu sorrio alegremente. Meu pai sempre me dava presentes quando eu era mais nova. Sempre me trazia algo de suas viagens e eu adorava recebê-los. Aguardava ansiosamente sua chegada apenas para saber o que ele me trouxera. E já faz um bom tempo que ele não me dá presentes.

_Abra. – pede gentilmente.

O embrulho é grande e logo deduzo que é um colar pelo formato da caixa. Quando abro, tento não ficar surpresa, porém seu conteúdo é maravilhoso. É uma joia. Um diamante azul em formato de coração. Ele é não é grande, mas também não é pequeno. É delicado e cabe perfeitamente na palma de minha mão. Mesmo sendo pequena, a joia é pesada e ela está incrustada em outro branco. Quando olho atrás, as inicias V. B. estão gravadas nele.

_Valentina Baldocchi. – sussurro. – Pai, isso é... É lindo!

Retiro a corrente da caixa e meu pai me ajuda a colocá-la em meu pescoço. A corrente também é em outro branco e eu não consigo nem imaginar o quanto esse presente deve ter custado ao meu pai.

_Mandei fazer especialmente para você. – ele diz assim que termina de fechar o fecho do cordão. A joia de coração bate entre meus seios e percebo que sempre posso usá-la, basta apenas colocar para dentro da blusa.

_Obrigada, pai. É realmente muito lindo e eu amei. – digo, me virando para ele e o abraçando.

Outra coisa que fazia tempo que não recebia além de presentes, era abraços de meu pai. E o abraçar agora me faz tão bem, me sinto segura, como se eu tivesse voltado a ser uma garotinha indefesa. Sinto meus olhos se encherem d’água e me afasto dele gentilmente. Ele acaricia meu rosto e dá um de seus raros sorrisos e diz o quanto me ama.

_Eu também pai, eu também. – digo a ele.

Ele assente e caminha para fora do escritório, me deixando chorando baixinho ali mesmo. Aperto o cordão que acabo de ganhar contra o peito e rezo pela primeira vez que tudo dê certo e que eu possa finalmente viver em paz com minha família.

[...]

Já estava anoitecendo e nenhuma ligação de Valentin até agora. Estou começando a ficar entediada e ando de um lado para o outro dentro de casa. Lia brinca com Julie no andar de baixo desde que Sarah a deixou aqui. Minha casa é a mais protegida no momento, ficar com Julie não seria problema nenhum. Até mesmo Lorenzo, o filho de Miguel e Alicia está aqui. Ele está dormindo em meu quarto, o coloquei sobre minha cama e o cerquei com alguns travesseiros, caso ele role sobre a cama. Seu sono é leve, tranquilo. Deito-me ao seu lado, ficando de lado e o fitando com um sorriso nos lábios.

Ele é tão lindo.

Não vejo a hora de ter o meu em meus braços. E eu liguei para Richard essa tarde e perguntei qual é o sexo do meu bebê. Vitor tinha razão, eu não aguentaria nove meses sem saber se é menino e menina. Apenas fiz aquilo para provoca-lo. E também porque eu teria a chance de finalmente fazer uma surpresa decente a ele. Nada de médicos dessa vez. Será somente eu e ele e o tal jantar romântico que sempre sonhei.

_Ei, pequeno. – sussurro para Lorenzo. – A tia Valentina vai ser mamãe! Ebaaaaa! – comemoro baixinho levantando meu dedo em que ele segura com a mão minúscula.

A porta do meu quarto range e um fecho de luz entra no quarto. Olho para trás, para ver quem a abriu e vejo Julie parada ao lado da porta entre aberta.

_Tia Valentina, o que está fazendo? – pergunta ela curiosa.

_Venha cá, querida. – estendo meu braço e a chamo, que corre nas pontas dos pés com um sorriso travesso no rosto e sobe pelo canto da cama, engatinhando até o outro lado de Lorenzo, ficando de frente para mim. Lorenzo ao nosso meio. – Estou paparicando o seu priminho.

_Oh. – ela exclama. – Posso paparicar ele também? – pergunta ela sussurrando.

_Claro que pode.

_Tia Valentina? – chama ela novamente. – Como é que se paparica um bebê?

Rio baixinho dela e mostro que é se fazendo carinho de leve nele e ela logo pega a manhã.

_Onde está tia Alicia? – pergunta ela de repente, pegando de surpresa. – Mamãe disse que ela está no céu agora. Podemos ir lá visitá-la?

Respiro fundo, sorrindo tristemente.

_Não, meu amor, não podemos.

Julie faz uma cara triste, mas não volta a fazer nenhuma outra pergunta. Ela volta a acariciar com cuidado o primo e eu apenas observo, e quando dou por mim, minha mão já está sobre minha barriga a acariciando e eu sorrio.

Nesse exato momento, Lia invade o quarto desesperada.

_Valentina, estão invadindo a casa! – ela grita desesperada.

Assim que ela termina de falar, uma guerra começa ao lado de fora da casa. Os barulhos dos tiros sendo trocados aumentam, indicando que há um grande número de pessoas lá fora. Lorenzo acorda com o barulho e começa a chorar, Julie fica assustada e se encolhe, com os olhos cheios d’água. Meu coração dói ao vê-la assim. Meu celular toca e eu nem preciso olhar para saber que é Valentin quem me liga, pego o aparelho e taco com tudo no chão, o vendo quebrar em várias partes. Pego Lorenzo no colo e me levanto, já mentalizando um plano para salvar todos ali.

_Lia, pegue Julie e me siga. – ordeno.

Corro com Lorenzo nos braços e saio do quarto, dando de cara com três seguranças da Cosa Nostra, ele diz que precisamos sair dali imediatamente, mas pelo número de pessoas que estão nos atacando, é impossível sair da casa sem que sejamos vistos.

_Temos que dar um jeito de salvar as crianças! – digo aflita.

Lembro-me então do quarto secreto que Vitor tem em seu escritório no andar de baixo. Lá é o melhor lugar para ficarmos a salvos até Vitor chegar com meu pai e mais homens. Ordeno que os seguranças nos dê cobertura, porque a essa altura, alguns dos homens de Valentin já estavam entrando na casa. Tento me manter calma e focar em deixar as crianças a salvo, mas o barulho lá fora é pavoroso. Quando descemos a escadas e passamos pela sala, posso ver pelas paredes de vidros homens se matando e carros sendo explodidos.

Aperto Lorenzo contra mim, e corro levando comigo Lia para o escritório.

_Valentina, quem são essas pessoas? – Lia pergunta assustada. Julie estava em seu colo e escondia a cabeça entre o pescoço e o ombro de Lia.

_Só pode ser Valentin. – respondo atônita.

Ando apressada para de trás da mesa de Vitor e aperto o tal botão, a parte da parede que na verdade é a porta, vem pra frente e eu a empurro para o lado a abrindo. Lia demonstra estar surpresa quando vê, mas uma bomba explode em algum lugar da casa, fazendo todas nós gritar.

_Rápido, entrem! – grito a elas.

Os tiros já começam a ficarem mais próximos, indicando que os invasores já estão aqui dentro de casa e por perto. Lia entra com Julie e a deixa sobre a cama, que chora assustada.

_Ei, amore mio, – digo me abaixando na frente dela. – vai ficar tudo bem, ok? Quando a tia fechar a porta, você não vai ouvir mais nada disso.

Ela assente com a cabeça eu limpo suas lágrimas.

_Valentina, a porta não quer fechar! – Lia grita com desespero.

Entrego Lorenzo nos braços de Lia e corro para fechar a porta, mas algo parece estar a prendendo.

_Inferno! – exclamo.

_O que foi? – pergunta Lia.

_A porta emperrou. – digo.

Como a porta é de correr e abre pelo lado de fora, saio de dentro do quarto secreto e tento empurrar a porta para que ela se feche. Dou vários impulsos, mas ela parece estar mesmo emperrada. Começo a chutá-la com força quando um dos meus homens aparece e eu suspiro aliviada. Peço ajuda a ele, que só com um empurrão consegue destravar a porta, deixando um vão por onde eu conseguisse passar.

_Grazie a Dio. – exclamo.

E no segundo seguinte, o homem cai morto ao meu lado com um tiro na cabeça. Olho para trás e o que eu vejo faz meu coração parar. Valentin me encara com um sorriso no canto dos lábios, com a arma ainda em punho apontando, agora, para minha cabeça. Sem pensar duas vezes, termino de lacrar a porta do quarto secreto, deixando Lia e as crianças lá dentro seguras. Ouço Lia gritar meu nome, mas não havia outro jeito. Sabendo que eles estarão seguros lá dentro me faz sentir melhor.

_Mon Amour. – Valentin sussurra.

Fico um tempo calada, e não posso negar que estou apavorada. Para piorar ainda mais a situação, começo a sentir dores em minha barriga e me preocupo com a saúde do meu bebê. Infelizmente não a nada que eu possa fazer. A guerra lá fora está ficando cada vez mais feia e não tem como eu não sentir estresse e nervosismo no meio disso tudo. Começo, então, a respirar fundo com calma, a fim de amenizar as dores.

_Valentin... – digo.

Ele exibe um sorriso de orelha a orelha, me causando um arrepio horrível na espinha.

_Eu disse que voltaria, não disse?

_Onde está a minha sobrinha? – pergunto e ele faz uma cara de desentendido, me fazendo gritar. – Geovana, cadê ela?

_Oh, sim. Ela é linda, sabia? Se parece tanto com a mãe que chega a impressionar, e é só um bebê.

Engulo em seco sentindo a raiva me subir, me esquecendo das dores e de tentar me manter calma.

_Como pode fazer aquela atrocidade com Alicia? Hein? Ela não fez nada para você, NADA! – grito com raiva.

Sinto uma pontada em minha barriga no instante que eu grito e eu me abaixo, me curvando de tanta dor. Valentin aproveita e vem ate a mim apressado, me pegando pelo braço e me arrastando para fora da casa. Eu me debato contra ele, tentando me soltar de qualquer maneira. Mas as dores só aumentam e começo a sentir tonturas, dificultando tudo. Aqui fora, as coisas não estão nada bem. Ainda há vários homens atirando um nos outros, vários carros e partes da casa pegando fogo, me preocupando mais. Se toda a casa pegar fogo e alguém não tirar Lia e os pequenos de lá, eles irão morrer. Grito desesperada e Valentin aperta seus dedos contra meu braço, apontando a toda hora sua arma em minha cabeça. Já estávamos nos aproximando de seu carro, junto de alguns homens seus, quando ouço a voz de Vitor atrás de mim.

_Solta ela, Corletto! – ele grita.

Valentin se vira para ele, me levando junto. A arma apontada para a minha cabeça faz Vitor recuar um passo. Apenas Vitor está ali, apontando sua arma para Valentin e isso faz com que todas as minhas esperanças rolem pelo ralo. Valentin está com toda vantagem aqui e isso está estampado em nossos rostos. Uma lágrima rola por minha face ao vê-lo e falho ao tentar dar um sorriso.

_Ora, ora, Vitor, que prazer vê-lo aqui. – Valentin fala sem ironia. – Achei que não chegaria a tempo para a diversão.

Vitor aperta a arma em sua mão e sua afeição demonstra a fúria e o desespero que está sentindo.

_Solta ela, seu maledetto!

Valentin ri. Sua risada é fria e causa calafrios em qualquer um. Ouvimos outra explosão e ela vem de dentro da casa, me fazendo lembrar-se de Lia.

_Vitor! – grito a ele. – Lia e as crianças estão na casa, você tem que ir pegá-las, eles estão no quarto secreto.

Vitor sacode a cabeça incrédulo.

_Eu não vou deixar você com ele!

O desespero em sua voz é nítido e sofro com isso. Eu também não quero ser deixada com Valentin, muito menos ser levada por ele com um filho na barriga. Mas é fato de que isso vai acontecer e se Vitor ficar e lutar, ele vai morrer. E isso eu não vou suportar.

_Você precisa salvá-las, meu amor. – digo entre as lágrimas. – Você tem que salvá-las.

Vitor fecha os olhos com força e uma lágrima escorre de seu olho. Quando volta a abri-los, eles estão avermelhados.

_Eu vou achar você. – sussurra. – Eu vou até o fim do mundo atrás de você.

_Eu sei. – concordo demonstrando um sorriso fraco e esperançoso.

Vitor e eu ficamos nos fitando por longos segundos, tentando manter a esperança um do outro viva.

_Eu amo você. – diz ele movendo os lábios, sem emitir som algum.

Quando faz isso, sinto uma paz enorme em meu peito, me fazendo respirar com mais calma e de algum jeito, as dores que sinto diminuem. Dou um sorriso profundo sem desviar meus olhos dos deles.

_Também amo você. – articulo movendo os lábios.

Valentin então se vira com brutalidade e me empurra para dentro do carro e eu perco a visão de Vitor. Caio no banco e me encolho no canto abraçando minha barriga e dizendo mentalmente ao meu bebê que tudo irá ficar bem. Tento não deixar isso muito visível, meu pior pesadelo será se Valentin descobrir se estou grávida, tenho medo do que ele possa fazer caso descubra.

O carro arranca e em alta velocidade, saímos da propriedade da casa e Valentin sorri vitorioso. Ele tenta me fazer carinho, mas eu desvio de seus toques, enojada. Por fim, ele me deixa quieta e ordena ao seu motorista que nos leve para a pista de voo. Fico nervosa ao ouvir isso, isso dificultara e muito para Vitor me achar, mas isso não importa, eu sei que ele fará isso. Não importa quanto tempo leve Vitor irá me encontrar.

Aperto com força a corrente que meu pai me deu horas antes contra meu peito.

_Eles irão me achar. –sussurro para mim mesma. – Eles irão nos achar. – digo ao meu filho.

Eu sei que vão.

Notas finais
Por favor, não me matem!!! AI MEU DEUS, EU PRECISO SABER SE VOCÊS GOSTARAM DESSE CAPÍTULO, PRECISO MESMO!!! EU QUASE MORRI ESCREVENDO ELE GENTE!!!! Sério, o que acharam? Gostaram? Odiaram? Acharam forçado ou coisa assim? Por favor, comentemmmmm Valentin finalmente conseguiu sequestrar Valentina e a pobre mulher está desesperada! Vitor então deve estar arrancando os cabelos. Vou dar um spoiler para vocês e avisar que no próximo capítulo terá um POV dele. Uhul haha É isso guys, espero que tenham gostado. E fico de coração partido em avisar que A Máfia está chegando ao fim :((( Então comentem, favoritem e recomendem enquanto ainda há tempo haha Beijão! P.S.: Deem uma olhadinha na nova capa da fic. Foi feita pela linda da Mari :D