A Máfia

32 A busca no fim do mundo.


"Vitor está impaciente enquanto aguarda seu jatinho particular decolar. Ele embarca com Augustos e Muriel para Itália, outros membros importantes da sua Máfia vou em outro avião, junto de alguns outros homens e armas. O pai de Valentina já havia mandado seus homens se prepararem para resgatarem sua filha e do modo que ele está puto da vida, Pallermo irá presenciar um cenário de guerra. Todos os membros da Cosa Nostra haviam mandado um terço de seus homens para ajudar a salvar a vida da filha do comandante. Até mesmos os russos estavam colaborando.

_Mark acabou de avisar que Valentina está se movendo. – Muriel quebra o silêncio. – Valentin está levando ela para a praia de Modello.

O coração de Vitor bate mais rápido e ele arranca o laptop das mãos de Muriel e observa o mapa na tela. Modello é a praia em que ele a levou para jantar no dia seguinte em que se conheceram e no mesmo dia em que fugiu com ela. Valentina estava tão bela. Só de relembrar a amada naquela noite, Vitor dá um sorriso apaixonado, relembrando todos os momentos bons do jantar. Mas por que Valentin a estava levando para lá? O que ele está armando dessa vez? Seja o que for, Vitor torce para que ele não a machuque e para o bem dele, é melhor que não.

_Temos que discutir o plano de ataque. – Muriel diz, chamando a atenção de todos.

_Entramos no lugar em que ela estiver, saímos atirando e pronto. Resgatamos Valentina. – Ryan, chefe de segurança do Quartel diz com naturalidade.

_Não. – Vitor apressa-se a dizer. – Esse plano deve ser bem pensado, planejado e executado. Não estão apenas falando de uma vida, mas sim de duas.

Muriel assente, já se preparando para trabalhar em algo, pois ele também sabia que Valentina está esperando um bebê e que deviam tomar cuidado para que ela não se machuque. Apenas Augustos que fica contrariado com as palavras de Vitor, afinal, por que se tratava de duas vidas? E é exatamente isso que ele pergunta ao genro.

_Sua filha está grávida, Augustos. – Vitor diz o olhando seriamente. – Você será avô."

*******

Fico estática com a declaração de Valentin. Com certeza ele enlouqueceu. Perdeu a cabeça. Dá onde ele tirou essa ideia louca de que ele agora é Vitor? Até onde ele vai com isso? Minha cabeça gira tentando assimilar tudo que está acontecendo, mas uma coisa é certa: Valentin me assusta a cada minuto que passa.

_Você não é o Vitor. – sussurro mais para mim mesma do que para ele. – Está enlouquecendo. – digo a ele.

_Não fale uma coisa dessas, está começando a me aborrecer. E eu não quero que isso aconteça essa noite. – ele diz calmo.

Mas eu não dou por vencida. Valentin está mesmo louco, pirado! E precisa se tratar ou algo assim, precisa tirar essa ideia louca da cabeça. Precisa procurar por ajuda e é exatamente isso que digo a ele. E como em um piscar de olhos, Valentin se enfurece e joga a mesa do jantar longe, gritando de raiva e se debruça sobre mim, me assustando.

_Por que você sempre estraga os nossos momentos juntos, hein? Sempre! Eu disse para calar a boca e você continuou falando até me aborrecer, eu tento ser legal com você Valentina, mas você está sempre me chateando. Sempre! – esbraveja furioso e eu me encolho na cadeira sem reação.

Ele se afasta de mim e passa às mãos nos cabelos com raiva. Ele anda de um lado para o outro tentando se acalmar, e quando ele vê a bagunça que fez, jogando a mesa de jantar para longe, ele volta a gritar comigo.

_Isso é culpa sua! Você estragou o nosso jantar, eu fiz... Eu fiz com tanto carinho para você e é assim que me corresponde?!

_Me desculpe... – sussurro a ele tentando conter o nervosismo.

Valentin para repentinamente e me encara pasmo, anda apressado até mim e me segura com força pelos ombros.

_Eu perdoo você. – diz ele já calmo. – Porque te amo.

Assinto de leve com a cabeça e encaro seus grandes olhos assustada. O azul de sua íris havia ficado cinza por conta da raiva repentina, mas assim como ele, já estavam voltando ao normal. Se que é podemos chamar Valentin de normal mesmo quando ele não está explodindo de raiva...

_Você é linda. – ele completa acariciando meu rosto gentilmente.

Fecho os olhos com força, deixando uma lágrima escapar. Volto a sentir fortes pontadas de dor em meu útero e isso me preocupa. Ficar com Valentin é agonizante. Richard me disse para ficar longe de qualquer coisa que me cause estresse ou me deixe nervosa, caso contrário, todo o mal-estar poderia afetar meu bebê e isso me deixa apavorada. Essas dores com certeza significam que algo está errado com ele. E eu não tenho ninguém com quem dividir isso. Ninguém para me ajudar.

Apenas Valentin. E esse não pode nem sonhar que eu espero um filho de Vitor.

Talvez uma boa noite de sono melhore minha situação. Talvez eu só precise descansar e recuperar minhas energias para passar por isso. Talvez eu devesse dormir para sempre.

_Valentin, olha, por que nós não vamos embora? Você pode me preparar outra surpresa se quiser, eu prometo que não irei estragar mais nada a partir de agora. – digo calmamente enquanto me levanto, entrando no papel que ele me impôs, entrando em seu jogo.

Valentin balança com a cabeça concordando.

_Claro. Até sei o que fazer depois desse jantar. – ele diz e se aproxima mais de mim, descendo sua mão de meu rosto para meus braços, dando um sorriso sujo.

Me afasto dele antes que ele chegue a tocar minha barriga.

_Eu estou cansada, Valentin. – desconverso. – Ainda não tive tempo para descansar.

Ele me olha sério e por um momento acho que ele vá voltar a ficar furioso, mas não. Ele apenas assente e pega minha mão, me levando até o carro preto que nós esperava e voltamos para o lugar que ele insiste em chamar de nossa casa.

Uma meia hora depois, quando finalmente chegamos, Valentin tenta me roubar um beijo, mas consigo desviar de seus lábios e subo correndo para meu quarto, onde arranco meu vestido e caio na cama chorando desesperada a madrugada toda.

[...]

Acordei tarde no outro dia, com uma das empregadas de Valentin me acordando gentilmente chamando pelo nome enquanto abria todas as cortinas do quarto, deixando a luz do sol iluminar o cômodo.

_Valentin exigiu sua companhia no almoço. – a jovem fala.

Sento-me na cama ainda meio tonta por causa do sono e esfrego os olhos bocejando. A empregada que me acorda é a mesma jovem que me arrumou na noite passada. Ela tem um sorriso no rosto, mas dá pra perceber o quanto ela está nervosa com tudo isso.

_Tem roupas em seu closet e eu já preparei seu banho. – ela completa.

_Obrigada. – sorrio. – Qual é o seu nome?

A jovem engole em seco, se perguntando se devia ou não responder minha pergunta. Ela olha em sua volta nervosa, mas por fim responde.

_É Olivia, senhorita.

_É a primeira vez que trabalha para mafiosos, Olivia? – pergunto e ela treme.

_S-sim. – gagueja.

_Você sabe que eu fui sequestrada pelo seu patrão? – disparo.

Ela assente tremendo e seus olhos ficam lacrimejados. Ela deve ser muito nova, não muito mais que vinte anos, com certeza deve ter sido vendida pelos pais ou sua vida não era muito melhor do que essa antes. Ela anda apressada até a porta e eu me apreço a ir atrás dela, segurando seu braço antes que saísse do quarto.

_Por favor, me ajuda, tudo que eu preciso é de um telefone. – suplico. – E quando vierem me salvar, levarei você comigo e prometo a você, você terá uma vida muito melhor do que essa. Você será livre.

Olivia me encara assustada por longos minutos e eu já começo a me arrepender de ter pedido ajuda a ela. Se ela contar a Valentin eu irei sofrer as consequências. Porém ela volta a fechar a porta do quarto e me puxa até um canto do quarto, perto da janela.

_Valentin proíbe qualquer tipo de aparelho celular nessa casa. Ninguém tem, nem mesmo telefones. Seus homens usam rádio. O único a ter um celular é o próprio. – conta.

Respiro fundo e xingo Valentin baixinho.

_Desse jeito vai ser impossível. – sussurro mais para mim mesma do que para ela.

_Eu sinto muito. – ela diz. – Mas saiba que pode contar comigo, o resto dos empregados são muito bem pagos para não se importarem com você.

_É eu percebi isso. – digo desanimada. – Mas e você? Como veio parar aqui?

_Eu sou a prostituta da casa. – diz sem rodeios. – Quer dizer, minha mãe é a prostituta da casa do pai de Valentin lá na França e como eu sou a filha dela...

_Se tornou a de Valentin. – completo e ela assente com um semblante triste. – Eu sinto muito. Quando eu sair daqui, irei levar você comigo, se prometer me ajudar, é claro.

_Eu vou sim, irei fazer o que estiver ao meu alcanço. – apressa-se a dizer. – Desde que Valentin me pegou para ele, eu pude perceber o quanto ele é obcecado para você, o amor que ele sente por você é insano.

_Eu sei, por isso preciso sair daqui antes que ele faça algo comigo. – digo.

Nesse momento, outra empregada entra no quarto, nos pegando de surpresa. Ela tem a cara fechada, assim como todos que eu vi aqui dentro, estou começando a me questionar se eles não são russos em vez de italianos ou franceses.

_O que estão fazendo? – pergunta em um tom grave.

Penso em algo esperto para responder, mas Olivia é mais rápida.

_Estava me certificando se ela está se sentindo bem, sabe que Valentin nos mataria se algo acontecer com ela. – responde.

A mulher parece engolir o que Olivia diz, mas não desfaz a cara de amarga que tem.

_Ela está ótima. Agora a deixe aí e venha me ajudar.

Olivia assente e as duas saem do quarto me deixando sozinha. Mesmo sem vontade alguma de ir almoçar com Valentin, arrasto-me para o banheiro onde tomo um banho demorado. Depois vou para o closet e visto uma calça jeans preta e procuro pela blusa mais larga, e encontro uma vermelha de gola V de mangas longas, por baixo, escondo o cordão que meu pai me deu, depositando um beijo sobre o pingente. Por cima visto uma jaqueta também preta e botas. Todas as roupas do closet são exatamente do meu tamanho e número, me deixando assustada, mas isso já era de se esperar vindo de alguém como Valentin. Ele deve ter isso tudo pronto há anos.

Aproximo-me da porta e fico surpresa ao constar que ela está aberta, caminho pelos longos corredores brancos iluminados e desço a escada com cuidado, encontrando um segurança ao final dela que me leva até o jardim, onde uma mesa está exposta com vários arranjos de flores sobre uma tenda branca. Valentin está sentado na ponta da mesa e exibe um sorriso enigmático quando me vê. Caminho até a mesa com passos lentos, observando atentamente o local, tentando achar algo que me ajude a sair dali, mas uma cerca viva de dois metros de altura cerca o local todo.

_Boa tarde mon amour, dormiu bem? – Valentin pergunta se levantando e arrasta uma cadeira para mim a sua frente.

Quando ele se estende, consigo ter uma visão clara de seu telefone por dentro de seu casaco.

Se eu conseguisse pegá-lo...

_Claro. – respondo dando um sorriso tímido e me sentando.

_Que bom. – ele diz e se abaixa, se aproximando de meu rosto e pronto para me dar um beijo na bochecha, mas me afasto, me esticando para pegar um copo de água. Ele suspira e dá um meio sorriso, voltando a se sentar. – Fiz uma surpresa para você.

Volto a olhá-lo curiosa e ele aponta para a bandeja a minha frente. Uma empregada aparece e retira a tampa de prata, revelando ser meu prato favorito quando criança: bife com batatas fritas e salada.

_Seu favorito. – diz ele sorrindo de canto a canto. – Coma! – pede entusiasmado enquanto se serve.

Olho para frente e vejo Olivia, que assente para mim me incentivando a comer antes que Valentin tenha outro ataque de fúria por esse motivo. Aos poucos, vou saboreando o prato e não posso negar que a comida está ótima e que ela foi muito bem recebida em meu estomago, afinal, estava sem comer a praticamente um dia e tanto eu quanto meu bebê, estávamos mortos de fome. Depois veio a sobremesa e nada menos que sorvete de baunilha enfeitados com corações de caramelos nos foi servido. Sorrio a contra gosto para Valentin quando ele faz menção dos corações.

Quando já estava mais que satisfeita, Valentin se levantou da mesa me levando consigo para dentro da casa, onde fomos até seu escritório. Começo a bolar um plano rápido em minha cabeça para tentar pegar o celular que tem dentro de seu casaco e mesmo que eu não queira, terei que me aproveitar da situação.

_O que quer saber, minha amada? – Valentin pergunta fechando a porta de seu escritório.

Fico parada em frente a sua mesa, onde me encosto encarando Valentin de um modo gentil. Tombo a cabeça para o lado, dando um sorriso tímido e volto a encará-lo.

_Me conta sobre seus negócios. – peço com a voz mais suave, de um modo persuasivo.

Valentin esboça um sorriso ligeiramente sujo, caindo no meu teatro. Ele começa a se aproximar de mim à medida que conta que é “empresário”. Vou concordando com tudo que ele me diz, alimentando seus sorrisos sacanas enquanto se aproxima de mim praticamente me comendo com os olhos. Quando ele para a centímetros de mim, senta-me em sua mesa, chegando a ficar cara a cara comigo. Valentin passa sua mão por minha perna, deslizando seus dedos por toda a extensão da minha coxa. Sinto repulsa só de ele estar me tocando dessa maneira, e sinto ainda mais ao pensar nas coisas que ele deve estar imaginando fazer comigo. Mas me seguro para não afasta-lo. Em vez disso, coloco suas mãos em seu ombro, retirando seu casaco. Verifico com cautela se o celular ainda está no bolso dele quando Valentin termina de retira-lo e o joga no canto da sua sala.

Valentin começa então a beijar meu pescoço, me dando náuseas. Ele começa a falar sacanagens em francês comigo e eu tento pensar em uma maneira de ficar sozinha nesse escritório com o seu casaco. É então que Valentin para de me acariciar e pede por um momento, saindo do escritório apressado, dizendo que já voltava. Assim que a porta do escritório se fecha, salto da mesa e corro até o canto onde o casaco está e começo a procurar pelo aparelho freneticamente.

_Dios, cadê você?!? – exclamo enquanto tateio os bolsos do casaco.

Acabo encontrando algo em um dos bolsos e o arranco de lá, mostrando ser uma capinha preta de celular, porém, quando a abro, ele se mostra vazio.

_Procurando por isso aqui? – Valentin me surpreende por trás, com o seu celular em mãos. – Sua vadia!

A mão de Valentin vai de encontro com meu rosto tão rápido que mal tenho tempo de raciocinar e já estou no chão, sentindo meu rosto arder com o tapa.

_Para quem você queria ligar? Hein? A única pessoa de quem você precisa sou eu, ouviu?! Apenas eu! – berra furioso.

Mexo o maxilar com uma pontada de dor e sinto o gosto de sangue em minha boca. Valentin segue quebrando todo o seu escritório enquanto grita furioso ora em italiano, ora em francês. O sangue também sobe minha cabeça e acabo gritando para que ele pare.

Valentin se volta para mim pasmo, e me olha como se pudesse me matar agora mesmo.

_Você está louco! – grito a ele. – Você perdeu completamente o juízo, anda por aí fingindo ser o Vitor como se pudesse ser um quarto do homem que ele é. Você não é nada, Valentin, nada! E você acha que ama? Vou lhe disser algo: à única vida que você tem é a doentia e a distorcida que você construiu aqui, uma em que você se esconde nas sombras, controlando tudo e finge que o mundo não existiria sem a sua proteção. Você é um homem doentio e solitário que só sabe mentir e chamar de amor! Eu tenho nojo de você Valentin Corletto, mas mais que nojo, eu tenho pena. Você é uma pessoa desprezível, nem seu próprio pai foi capaz de te amar, porque você é um covarde!

Os olhos de Valentin parecem que irão saltar de sua órbita assim que termino de dizer tudo àquilo que estava entalado em minha garganta. E não, não me arrependo de nenhuma palavra que disse, mesmo que isso vá custar minha vida, irei lutar até o último segundo que conseguir.

Valentin avança para cima de mim, me agarrando pelo braço com força e em seguida, me obriga-a olhá-lo.

_Cala a boca! – grita ele tapando minha boca com uma das mãos. – Cala a porra da sua boca. Você poderia ser mais ingrata? Eu te dei tudo Valentina, sempre fiz as coisas para você, sempre te protegendo e te amando, até matei seu irmão para que ele parasse de pegar no seu pé, e é isso que eu recebo em troca? Ingratidão?! Sabe, mesmo sendo difícil de admitir, eu falhei. E isso me entristece porque eu fiz tudo o que fiz por você, mas agora... Está na hora de acabar com isso de uma vez por todas.

Valentin levanta a mão para mim e eu fecho os olhos com força, já esperando a dor me atingir, mas ao invés de ouvir o som de sua mão contra meu rosto, ouço tiros. Vários tiros.

_Senhor, a Cosa Nostra está aqui! — um dos homens de Valentin invade o escritório já com a arma em punho e anuncia.

_Desgraçados. – sussurra Valentin.

Um sorriso brota em minha face assim que escuto as palavras Cosa Nostra e aqui na mesma frase. Meu coração bate rápido aliviado e eu não consigo parar de imaginar Vitor.

Ele disse que viria atrás de mim. E ele veio.

Valentin olha para mim e fica ainda mais furioso ao notar que eu estava sorrindo por conta disso. Ele me levanta bruscamente pelo braço e caminha até sua mesa, pegando duas armas. Uma ele coloca nas costas por de baixo da blusa e a outra ele destrava e aponta para mim.

_Se fizer alguma coisa, eu atiro. – ameaça.

Mas não me intimido. Vitor está aqui e isso me conforta de todas as maneiras possíveis. Mas mesmo me mantendo calma, as dores no útero voltam e com pontadas fortes, me deixando agonizada.

_Me ajude a tirá-la daqui. – Valentin diz.

_O senhor não escutou? – protesta o homem. – A Cosa Nostra está aqui! Não apenas uma Máfia, senhor, mas todas as Máfias que a constituem. São centenas de homens lá fora, estamos cercados.

Valentin atira na cabeça do homem antes que ele pense em se defender, cheio de ódio.

_Como eles nos acharam aqui? Malditos, malditos, malditos!!! – esbraveja fora de si.

_Você não vai sair daqui vivo, se eu fosse você fugiria. – digo para ele.

_Se eu for você também vai. Juntos para o resto das nossas vidas se lembra?

Esbugalho os olhos apavorada. Valentin se aproxima da gigante janela e dispara contra ela. O barulho dos vidros quebrando e indo de encontro ao chão é quase inaudível por conta dos tiros trocados lá fora. Valentin, sem cuidado algum, me joga pela janela e eu caio de joelhos em cima da grama com alguns cortes. Como o escritório de Valentin é no primeiro andar, pular pela janela quebrada foi como passar por uma porta para o jardim, só que de um jeito nada delicado e convencional.

Assim que me levanto – já com Valentin me agarrando pelo braço e pronto para sair me arrastando para um de seus carros. – ao longe vejo a quantidade de homens vestidos com ternos pretos e com o símbolo da Cosa Nostra bordado do lado esquerdo. E são muitos. Milhares e milhares que trocam tiros com os homens de Valentin já sabendo que teriam a vitória por estarem em vantagem. O homem que Valentin matou agora a pouco tinha razão, eles estão cercados.

E então o vejo.

Vitor salta do carro preto luxuoso com a arma já em mãos, a destravando. Sua afeição está um caco, parece que ele passou dias acordados sobrevivendo apenas com café, cansado. Quando o vejo meu coração parece saltar de meu peito de tanta alivio. Mas Vitor não me vê. Nem ele nem os nossos homens.

_Vitor! – grito sem pensar duas vezes, gritando por sua atenção e por necessidade, parece que faz anos que nós não nos vemos.

Vitor finalmente olha em minha direção e nossos olhos se encontram. Sorrimos no mesmo instante. E então por breves segundos o mundo para, sendo apenas nosso. A alegria que eu sinto ao vê-lo é tão grande que poderia jurar que nunca senti nada comparado, é diferente, libertadora e devastadora. Vitor também sorri aliviado e estávamos preste a correr para o braço um do outro se não fosse pela realidade nos puxando de volta ao mundo real. E nesse exato momento, é Valentin quem me puxa descontrolado.

Mas não deixo que dê mais nem um passo comigo em seus braços e me atrevo a me debater. Ele me xinga de diversos nomes, mas não lhe dou atenção, Vitor veio me salvar e eu tenho que ser forte por ele. Por nós.

_Valentina! – Vitor grita.

Olho para trás e vejo ele, meu pai e Muriel e mais centenas de homens, todos apontando suas armas para Valentin que me tem como refém.

_Nem mais um passo Chiacchio, ou eu acabo com ela! – Valentin vocifera.

_Você não vai fazer isso. Acabou Corletto, você perdeu, liberte-a e prometo que você terá uma morte rápida. – Vitor diz o olhando mortalmente.

_A única coisa que irá me separar de Valentina será a morte, e de preferência, a nossa. – rebate Valentin me causando arrepios movendo sua mão que porta a arma de um lado para o outro.

_Não seja por isso.

Muriel aparece ao lado de Valentin e de um modo muito ninja, por assim dizer, ele consegue atirar na mão dele, fazendo com que sua arma cai o desarmando e o distraindo, me deixando livre para correr para os braços de Vitor. Ele abre os braços para mim e eu praticamente pulo em cima dele, afundando meu rosto em seu pescoço e sentindo a essência forte e natural do seu cheiro. Os braços de Vitor é como água no deserto, ou a paz no Oriente Médio, até mesmo a paz mundial. Vitor é a minha paz. E ele está aqui, comigo, me abraçando quando eu achava que nunca mais o veria na vida.

_Você me achou. – sussurro repetidas vezes em seu ouvido.

_Eu disse que acharia, mio amore. Eu disse.

Vitor me põe no chão e desgruda de mim apenas o suficiente para ver meu rosto e me beijar calidamente. Depois, ele põe a mão sobre minha barriga, levantando minha bata e a acariciando alegremente. Isso me faz lembrar de que ainda não contei o sexo do bebê a ele.

_Vitor, — chamo sua atenção, fazendo ele me olhar. – É um menino!

O sorriso que ele dá é imenso e logo ele já está me beijando novamente. Sorrio durante um beijo e outro, mal acreditando que isso está mesmo acontecendo. Há alguns minutos atrás eu estava prestes a levar uma surra de Valentin e agora, estou nos braços de Vitor, recebendo seu amor.

_Você a engravidou. – a voz ameaçadora de Valentin nos tira dos nossos devaneios. Valentin está cercado por alguns homens da Cosa Nostra, pronto para ser preso quando ele vê Vitor acariciando minha barriga já a mostra. Ele nos olha incrédulo. – Você a engravidou! – grita ele sacando sua segunda arma e a apontando para nós, atirando na direção de Vitor.

Então tudo acontece em uma câmera lenta.

Assim que Valentin atira contra nós, Muriel dispara contra ele, atirando em seu peito. Meu pai grita por meu nome, assim como Muriel grita pelo nome de Vitor desesperado. À bala, vai em direção a ele e como um filme, toda a minha vida se passa diante de meus olhos. Mais especificamente todos os momentos ruins pelos quais passei, como a morte de meu irmão, as ameaças de Valentin e todas as coisas que deixei de fazer por causa dele, todas as pessoas que já sofreram ameaças de Valentin por minha causa e mais recentemente, a morte de Alicia.

Todos sofreram com isso. E tudo por minha causa.

E agora, Vitor está prestes a receber um tiro por minha causa, por minha culpa. Mas eu não posso permitir isso, não posso deixar que outra pessoa morra pela ira de Valentin causada por mim. Não. Não com Vitor. Não com o homem que eu amo. E sem pensar duas vezes, me jogo na frente de Vitor o abraçando, levando o tiro nas costas, por entre as costelas.

_Não! – Vitor grita me segurando.

A bala rasga minha pele provocando uma dor nauseante, insuportável e uma falta de ar terrível. Olho para Vitor que está branco e parece ter levado um soco no estomago. Lágrimas escorrem por meus olhos enquanto tento dizer algo, mas é impossível, não consigo pensar em nada que não seja a dor. Deslizo junto com Vitor para o chão, caindo ainda em seus braços e fitando seu lindo rosto como uma forma de tentar segurar firme, mas Vitor está tão acabado quanto eu.

_Por que você fez isso? – choraminga baixinho acariciando meu rosto. – Valentina meu amor, por que fez isso?

Meus olhos vão ficando pesados e eu quase já não enxergo Vitor mais, tudo que vejo agora são borrões pretos e cinzas, mas ainda sinto o calor dos braços de Vitor e tudo que eu quero no momento é me esquentar neles, de repente tudo ficou tão frio.

_Precisamos levá-la ao hospital, agora! – ouço uma voz familiar gritar com desespero.

Talvez seja meu pai, mas não tenho certeza. Começo a soluçar, puxando quantidades idiotas de ar para que meus pulmões continuem a fornecer-me o oxigênio, mas eles fracassam e Vitor se desespera.

_Fique consciente Valentina, fique comigo. – ele pede com a voz embargada.

_N-n-ão dá. – gaguejo, já sentindo meu corpo ir desfalecendo aos poucos.

_Você consegue, eu sei que sim. Vai dar tudo certo, meu amor, vai dar tudo certo. Lembra quando você me perguntou por que eu pulei atrás de você naquele penhasco? Sabe por que eu pulei? Porque uma parte de mim, Valentina, sabia que se você morresse, ela morreria também. Uma parte de mim sabia desde o momento em que eu coloquei os olhos em você, que você é o amor da minha vida... Eu amo você, por favor, fique comigo.

Com as poucas forças que me restam, estico o braço e acaricio o rosto de Vitor, chorando com suas palavras. E eu quero, quero muito ficar com ele. Mas me falta ar para dizer o quanto quero. Falta-me ar para dizer os prováveis nomes que pensei em dar para o nosso filho. Falta-me ar para lhe contar à alegria que senti quando ele disse que me amava. Falta-me ar para lhe dizer o quanto eu o amo.

E eu fui fraca. Não consegui aguentar.

A escuridão me engole quando fecho os olhos já sem forças.

Notas finais
~A autora dessa história teve que se ausentar por medo dos leitores depois desse capítulo~ Primeiramente, gostaria de deixar bem claro que vocês foram avisados nas notas da história que era pra vocês não esperarem um final feliz, então... Segundo, SE ACALMEM QUE AINDA TEM MAIS!!!!!!!!!!!! HAHAHAHHA Terceiro, por favor, não façam macumba com meu nome hahahah Agora, falando sério, gostaram do capítulo? Tem elogios para me darem? Criticas? Irei receber todos com o maior carinho, afinal, só restam mais dois capítulos para o final de A Máfia e eu adoraria me entrosar com vocês antes disso :D Mesmo sabendo que vocês devem estar me odiando depois desse final, eu vou adorar até mesmo ler os xingamentos (construtivos hein) de vocês hahahah Bom, é isso amores, dúvidas também é só virem perguntar, irei responder com o maior prazer! Não esqueçam de recomendar, favoritar e comentar, façam essa autora feliz :D Beijão!