Notas iniciais
Boa leituraa ♡ ♡ ♡

Ruas de Chanhassen, Minnesota – 22:42 hrs

Aposte em Deus.

Não era muito difícil confiar naquelas palavras, acreditava em Deus e havia tido um pouco de contato com esse mundo na juventude… pouco, bem pouco, mas alguém acostumado a ser o centro da própria vida aceitar aquelas coisas era uma tarefa exaustiva.

Caminhou em passos vagarosos, com as mãos nos bolsos e sem nenhuma direção em mente. Não tomou o carro, não quis dirigir após beber, não quis chamar o seu motorista particular, apenas sentiu a necessidade de ficar um pouco sozinho. Uma chuva passageira iniciou e, por um segundo, esta lhe pareceu lavar a alma. Fechou os olhos, deixou que a água escorresse pelo seu corpo, pelos seus cabelos, por suas joias e, enfim, quando os abriu, notou as gotas cintilarem as luzes de uma igreja. Os fiéis acenderam algumas lâmpadas para iluminar a fachada e outros abriram o templo ao público. Era uma igrejinha pequena, mas muito confortável, e lhe passava um pouco de paz em meio às ruas escuras e desertas.

Sentiu-se atraído por ela. Sentiu que precisava externar o seu coração doído com alguém que não estava nesse mundo, pois não havia ser humano na Terra que compreendesse a sua dor.

Seguiu em direção à igrejinha e não falou com ninguém. Não sabia se seria reconhecido, e mesmo assim não se importou. Alguns fiéis olhavam de soslaio, estranhando um tipo como o dele: usava uma blusa justa e aberta, quase de ombros despidos — o que evidenciava os seus músculos —, calças boca de sino e sapatos fechados de saltos, tudo em um azul brilhoso e extravagante, sem lhe faltar os anéis e pulseiras a enfeitar os dedos e pulsos, os colares escandalosos e os discretos brincos de fios de ouro. O seu olhar tinha um quê de feminino, e, para os outros à sua volta, parecia ter errado de lugar, mas o moreno sabia que estava onde deveria estar. Entrou sem se importar com os julgamentos, sem dar atenção aos estímulos exteriores, queria ter o seu encontro com Deus. O azul claro de suas vestes era de fato escandaloso, porém as luzes da casa do Senhor inundaram toda a cor do seu traje, lhe dando uma aparência nova, uma discrição intrigante, Prince agora se sentia menos como alguém extraordinário e mais como uma criatura comum.

Ele sabia que, ali, ele não era o artista mundialmente famoso. Ele era apenas Prince Nelson.

— Senhor… — sussurrou, após ajoelhar perante aqueles banquinhos de madeira. Fechou os olhos e buscou em seu interior alguma coisa de sincero, de humilde, alguma coisa boa. E mesmo que não tivesse nada para dar, daria o que encontrasse dentro de si. Deixaria o seu fardo nas mãos de Cristo. Apostaria em Deus — leve essa oração ao meu pequeno Amiir… por favor…

"Você é quem eu tenho esperado por uma eternidade

E meu amor por você continuará sempre crescendo forte…

Continuará crescendo forte…

Se eu pudesse, pegaria uma estrela cadente

Para brilhar em você, então eu saberia onde você está.

Pintaria um arco-íris em seu tom favorito

Para mostrar que eu te amo, que estou pensando em você…

Escreveria seu nome no céu.

Tudo que você pedir, eu tentaria, porque…

Apostei em Deus!

É você, sim, é você! Não deixe que te digam o contrário.

E meu amor por você continuará sempre crescendo forte!

Você é a pessoa em quem estou pensando!

E meu amor por você continuará sempre crescendo forte…

Continuará crescendo forte…

Eu te amo."

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Quando deixou a pequena igreja, faltava pouco menos de 1 hora para a meia-noite, a chuva passageira ainda assolava a rua e suas gotas ajuntavam-se à iluminação do local num misto de roxo e amarelo, como uma chuva púrpura e dourada.

Desceu as escadas em passos vagarosos, ainda absorto. Sua mente ainda estava naquela oração, e embora o peso de um fardo tenha ficado para trás, outro apoderava-se dos seus ombros, exaurindo completamente as suas forças. Deixou as lágrimas se misturarem à chuva, iria diretamente à sua esposa assim que chegasse em casa, porém Deus parecia ter pressa dessa reconciliação, pois o cantor desceu poucos degraus da pequena entrada e se deparou com o carro da mulher não muito longe. A olhava com espanto, não era comum que estivesse fora de casa naquela hora, mas, pela bíblia que carregava, o homem havia justamente caído na igreja em que ela frequentava.

Ficaram a se olhar por um tempo, como ex-namorados tímidos, sem saber quem daria o primeiro passo. Mayte ainda tinha medo, embora estivesse confusa de vê-lo ali. Prince, por outro lado, sentia vergonha. Tinha a vontade de envolvê-la em seus braços, de protegê-la e de cuidá-la — tinha, mas estava constrangido. Suas lágrimas desceram com mais força, escondidas pela chuva que tomava força pouco a pouco, e então, quando percebeu que suas pernas ainda estavam ali, o moreno empurrou o corpo para frente e se forçou a caminhar na direção da amada; sabia que o primeiro passo precisava ser o seu, sabia que precisava libertar o seu coração daquela mulher de carmesim.

Em passos apressados, desceu os degraus e ali mesmo a abraçou, a beijou, deixou que os lábios dela consumissem os seus. A chuva inundou os seus rostos, alterou o gosto de suas bocas; Prince não se importou, estava completamente desligado do mundo à sua volta.

— Eu não mereço você… — sussurrou entre o beijo, pouco antes de finalizá-lo completamente para enfim poder olhar nos olhos escuros de sua amada. Passou o polegar pela maçã de seu rosto e permitiu que ela acessasse o seu coração — me perdoe… eu preciso do seu perdão… por favor…

A morena mordeu os lábios, ainda muito emocionada. Sorriu genuinamente um lindo sorriso largo que o deixou aquecido por dentro, e bastou aquele gesto, acompanhado de mais um beijo em seus lábios, para sentir que ela plenamente havia o perdoado.

As suas lágrimas retornaram.

— Eu te amo — Mayte sussurrou e, pela primeira vez, Prince não desejou que a chuva parasse.

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Paisley Park, Chanhassen (alguns anos depois) – 14:26 hrs

Assim que Ted abriu o champagne, um jato de espuma se espargiu por todo o ambiente, gotejando seu líquido cítrico pelas cabeças do patrão e de sua esposa. Os demais convidados, também molhados pela bebida, buscaram os lencinhos descartáveis das mesas para se limpar enquanto o faz-tudo olhava para cada um, constrangido.

— Er… chefe, eu vou dar um jeito nisso!

Prince balançou a cabeça negativamente, aos risos.

— Esqueça isso. Quando enfim conseguir limpar tudo, a festa já vai ter acabado. É melhor apenas ficar longe das bebidas, okay?

— Eu concordo, querido — brincou Mayte, segurando uma risadinha.

Ted, entendendo o recado, rapidamente saiu para ao menos providenciar mais lencinhos. Enquanto isso, o moreno puxou um tecido de cetim do bolso e passou pelos ombros e pelo rosto de sua amada.

— Ele borrou minha maquiagem?

— Por que você se preocupa com isso? Se é linda de qualquer maneira…

Mayte sorriu, não conseguindo segurar o rubor em suas bochechas. Mesmo que Prince fosse seu marido, os elogios dele ainda a surpreendiam.

— Bom… eu adorei a comemoração dos três meses em tons de branco, você sempre pensa em tudo… — ela comentou, mudando de assunto — traz uma sensação de paz, não acha?

Prince aquiesceu, em silêncio, enquanto passava delicadamente o lenço pelo queixo dela, descendo até o seu pescoço e parando um pouco acima do seu busto. Às vezes os seus movimentos sutis provocavam cócegas, o que a fazia rir baixinho.

— E então… está mais calmo? — ela indagou, o que o fez olhar enfim em seus olhos. Ao alcançar as suas íris carameladas, Mayte sorriu e segurou uma das mãos do amado, levou delicadamente ao próprio abdome e o deixou passar os dedos pela saliência que havia ali. Uma pequena barriga se formava, já estava em 3 meses.

Prince olhou para aquele gesto e, então, deixou um sorriso discreto estampar o seu rosto. Acariciou sem pressa alguma.

— Sim… — sussurrou, convicto. Era mais um daqueles futuros incertos; mais uma daquelas situações em que o seu dinheiro e sua influência não controlavam. De qualquer maneira, tinha paz, pois fez tudo o que estava ao seu alcance, e deixou os seus medos, suas angústias, seu fardo, sua raiva e suas dúvidas para o Único capaz de carregá-las — estou bem, minha linda. Estou apostando em Deus.

Notas finais
É isso, gente, obrigada a todos que acompanharam até o fim! Algumas curiosidades gerais dessa história: — A música "Betcha by Golly, Wow!" recebeu um clipe musical com Mayte e Prince recebendo a notícia de que ela estava grávida. Isso foi gravado tempos depois de perderem o primeiro filho, e, de acordo com ela, era a forma que ele buscava de lidar com essa perda. — A música não é do Prince, mas foi gravada na voz dele. — Larry Graham foi o responsável por converter o Prince para as Testemunhas de Jeová na vida real. Pra quem quiser ver outras histórias religiosas ou reflexivas, recomendo visitar o perfil do Projeto VMOM: https://www.spiritfanfiction.com/perfil/1fb3189b78b0433ca8ca7a68b3766d Pra quem quiser ver as outras histórias desse desafio, link aqui [serão postadas aos poucos]: https://www.spiritfanfiction.com/listas/desafio-pecados-capitais-8510332 No mais, meu perfil é focado no MJ. Pra quem gosta, visitem as minhas outras histórias aqui: https://fanfiction.com.br/u/796656/ Até ♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!