A Morte da Engrenagem
1 A Guerra Dos Elefantes de Cobre
Notas iniciais
1893
Grimsby, Inglaterra.
Eu não me lembro de muita coisa. Eu só me lembro de um homem..ele se chamava John Sprocket, e era um gentil e simpático relojoeiro. Bom... ele era gentil até uma certa época.
Oh, já estava me esquecendo. Meu nome é Jon Hatchworth, um robô autônomo produzido para entretenimento. Mas você pode me chamar de Jon Hatch, quem sabe só Jon. Eu fui inventado por um grande amigo de John Sprocket, o Coronel P. A. Walter, grande inventor da época.
Voltando aonde eu estava, um dia avistei Sr. Sprocket chocado e angustiado ao discutir com um senhor. Esse senhor era Hamilton Sprocket, seu irmão e rival. Sr. Hamilton fez Sprocket se angustiar por causa da invenção horrorosa de um relógio digital. Sprocket era fascinado por relógios comuns, com aquelas lindas rodinhas que chamamos de engrenagens. Horrorizado, os dois brigaram até que meu mestre Walter separou a briga entre os dois. Walter foi descutir com Sprocket dentro da loja de relógios de Sprocket, enquanto eu espiava por uma porta pra ver o que estava acontecendo.
– Walter, precisamos fazer algo. — Dizia Sprocket.
– John, chega disso. Não ligue para a invenção idiota que seu irmão inventou!
– Mas você não viu aquela..aquela.. aquela monstruosidade?! Meu irmão foi longe demais! — Respondeu Sprocket, agarrando ferramentas e abrindo uma porta para uma escada, que iria parar em uma garagem subterrânea cheia de engrenagens e relógios cuco.
– Aonde você vai, John?
– Pegar materiais. Você precisa á me ajudar a conferir se o mundo aceitaria a bobagem digital de meu irmão.
– O que você quer dizer?
– Nós vamos criar uma máquina do tempo! E então iremos ao futuro conferir se o vírus digital dele se espalhou. Caso sim, voltamos e impedimos o meu irmão de criar tamanha idiotice.
–...John, você ficou louco?! Aquilo é só uma invenção idiota, você não precisa fazer algo assim!
– PRECISO!! — Gritou John. — EU PRECISO SIM!! AQUILO É UMA TOLICE IMUNDA, UMA HERESIA, UM APARELHO RIDÍCULO! RIDÍCULO! RIDICULO! — Saiam lágrimas de seus olhos á cada vez que ele berrava. Ele se ajoelhou, com o punho fechado pressionando o chão, chorando. Nem Walter, nem eu entendemos o escândalo que ele fazia. Mas Walter se lembrou da história passada de John Sprocket.
A família Sprocket nunca foi conservadora, sempre buscava inovar idéias a cada vez mais. Uma de suas ideias foi adotar um irmão para o sozinho e invocado Hamilton. O escolhido foi John Clockwork (Seu sobrenome de origem), um adorável menino apaixonado por relógios e engrenagens. A família Sprocket nunca gostou de relógios e engrenagens...eram muito "antigos" para eles. Eles queriam mais!
Por causa disso, John era sempre o excluído da família, e isso o deixou triste. Ele era maltratado, xingado e humilhado por todos ao seu redor. Mesmo levando o novo nome da família, John fugiu para a cidade, onde foi acolhido por uma esposa de um relojoeiro. 20 anos depois, John encontrava com Hamilton novamente. Hamilton não sorria nem nada, mas sentia ódio que seu novo irmãozinho fugira de a casa que tanto adorava. Foi apenas para mostrar sua nova invenção. Aí que tudo começou.
Após a máquina estar pronta, Walter inventou uma gigante girafa movida a vapor para ajudar em alguma batalha ou locomoção que teriam de fazer. Era uma máquina gigante e muito bonita, movida por eletricidade e, claro, engrenagens.
– Jon Hatchworth? — Chamou Walter.
– Sim? — Eu disse.
– No meio das invenções, eu e Sprocket trouxemos uma supresa para você. — Disse, puxando um pano que estava em cima de algo do meu tamanho. Eram dois novos robôs! Eu pulava de alegria enquanto ele apresentava meus novos "Irmãos".
– Estes são Spine e Rabbit. Spine foi criado com uma espinha de titânio nas costas, e Rabbit ganhou esse nome porque havia um coelhinho perambulando a garagem e ele adorou aquele coelhinho.
– Olá! Você deve ser meu novo irmão. Muito prazer, Jon! — Cumprimentou Spine, apertando minha mão.
– Eu sou o Rabbit. — Disse Rabbit.
Estávamos prontos para viajar ao tempo, quando algo nos atrapalhou. Um elefante gigante de cobre quebrou o teto da garagem. Eu consegui ver Hamilton rindo na cabeça do elefante, com um controle remoto.
– O que acha de meus relógios digitais agora, John?! HAHAHA! — Gargalhava Hamilton.
– Ainda continuam uma bosta, rapaz. Ainda continuam uma bosta. — Respondeu Sprocket.
Hamilton ficou furioso, apertou um botão e o elefante lançou uma bomba por sua tromba, da qual acertou todos nós e nos jogou para trás, me lançando perto da máquina do tempo.
Meu mestre percebeu isso, se virou pra mim e disse:
– Corra, Jon! Vá para o futuro e tente renovar essa bagunça! Você é nossa única salvação. Vamos todos ficar bem.
– Até mais, meu novo irmão. — Disse Spine, sorrindo melancolicamente. Não era agradável de eu ter conhecido meus irmãos e já ter me separado deles.
– Eu sou o Rabbit. — Disse Rabbit. — Boa sorte pro Jon, diz o Rabbit. — Ele deu o mesmo sorriso.
Eu corri para a máquina, digitei qualquer numero posterior àquele ano e parti. Meu mestre Walter olhou para mim com uma lágrima no olho, assustado sem saber o que fazer. Ele costumava ser sábio em todas as horas, menos aquela.
Um clarão apareceu em meus olhos, e de repente eu estava em outro lugar.
Um terreno todo acabado, destruído e cinza. Não havia vida por ali. Chequei a máquina para ver o ano em que pousei.
Grimsbury, Inglaterra
Ano de 2893.
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