A Morte Está Próxima.
2 A perseguição para a vitória.
Notas iniciais
Capítulo 2 — A perseguição para a vitória.
Sim... Tudo aquilo que aquele homem com voz estranha nos falou era verdade. Nós, estávamos presos em um lugar, onde lutaríamos entre a vida e a morte. Isso foi confirmado após a primeira morte. H13... A menina que chegou a falar comigo e o Humano Número dois... Ela havia morrido. Não teria jeito, fora lutar. Mas... Como saber se estávamos vivos? Não sabíamos nem sobre o nosso passado, nossos nomes, quem eram aqueles que estavam lá com nós, estávamos em desvantagens nesse jogo. Mas... Desistir nunca foi a opção. Eu não sei nada sobre mim, não sei meu passado, o meu destino, meus sonhos e meus medos, a única informação que eu recebi foi que eu sou o Número três dos quatorze humanos que estão lá.
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- E agora...? — Número dois perguntou para mim e a para H10, enquanto ele me olhava com um olhar sério, se passou uma noite depois daquilo, ninguém queria morrer, então trocávamos turnos para ficarmos acordados: As vezes eu vigiava, outras vezes a H10 e outras vezes o Número dois, mas ele foi o que mais vigiou, dizendo que não queria dormir e estava sem sono. Ele praticamente não dormiu, dormiu no máximo duas horas.
- Acho que o melhor a fazermos, seria continuar procurando os dez humanos que restam... Se não tentarmos sair daqui, iremos cair no esquecimento. Concordam...? — Eu disse, com um leve sorriso no rosto, tentando animar os dois, mas mesmo assim, sabia que iria falhar...
- Vocês estão certos. — H10 disse, seus olhos estavam vermelhos, ela também não tinha dormido bem e enquanto eu estava acordado, ouvi um pouco de choro dela, ela havia se sentido muito culpada pela morte da H13. O que foi errado, não cheguei a vê-la como culpada.
- Certo! — Número dois disse, enquanto se levantava. Ele olhava em volta da caverna em que estávamos (Sim, era uma caverna) — É... O que podemos levar daqui? — Ele perguntou, enquanto procurava alguns objetos que poderiam ser úteis.
- Ah... — H10 começou a falar. — Eu achei uma mochila rasgada perto de quando eu vinha para cá, e trouxe para cá, pensando que seria útil... Ela está aqui. — H10 apontou para uma mochila que estava no canto, Número dois foi até a mochila e pegou-a, olhou dentro e viu que tinha bastante espaço.
- Provavelmente já tinha começado esse tal '' jogo '' — Número dois comentou. — E parece que você estava muito tranqüila... Que estranho. — Ele riu de leve.
- Como assim...? — Ela perguntou.
- Não, nada. — Ele voltou com a mochila e sentou-se, colocando a mochila ao seu lado. — O que podemos levar daqui?
- É difícil... — Falei. Estamos em um lugar com poucos materiais, é impossível até montar algo bom, precisamos de tudo que é simples e darmos um jeito de nos virar com o simples, porque se não, estaremos perdidos. Certo? — Falei, número dois e H10 concordaram.
Olhei para o chão, apenas pedras. Peguei algumas pedras e joguei para Número dois, que não entendeu.
- É para por isso na mochila? — Ele perguntou. — Vamos carregar peso? Podemos encontrar pedras em qualquer lugar.
- Acredite, vai ajudar. — Eu respondi, ele jogou as pedras dentro da mochila com má vontade.
- Certo, mas quem irá carregar será você, eu não quero nem saber disso. — Ele falou, resmungando um pouco.
- Certo, deixe comigo. — Eu falei para ele. — Vamos dar mais uma volta na caverna para ver se encontramos algo.
- Certo. — H10 e Número dois falaram juntos. Ambos se levantavam começam a olhar pela caverna, para ver se encontravam algo, também fui procurar e deixamos a mochila no local onde estávamos.
Um pouco depois, H10 havia voltado com um isqueiro, Número dois estava com alguns pedaços de vidro e eu com algumas anotações de cálculos em papeis velhos e usados, que estavam amarelados.
- Armas por aqui...? — Número dois comentou.
- Como assim? — H10 perguntou, demorei um pouco, mas entendi.
- É simples... — Número dois começou a falar. — Você achou um isqueiro, enquanto eu achei pedaços de vidro e o Número três achou papéis usados e velhos. Acha que isso é coincidência? Não, não é. Estamos sendo treinados para sobreviver aqui, ou seja, teremos que aprender a matar e sobreviver, por um motivo que não sabemos qual, que pode ser inexistente ou até mesmo falso, mas é isso, ou morrer sem lutar. Qual você prefere?
- Eu já falei, a de viver. Irei ajudar vocês dois, fiquem tranqüilos, não sou uma inimiga...
- Apesar de tudo, não sou de confiar nos outros. — Número dois disse e continuou arrumando a mochila.
- Estamos prontos? — Perguntei para os dois, que confirmaram com a cabeça.
Até ali, nós éramos apenas três pessoas, que estavam se unindo para achar as outras pessoas e tentar salvá-las, mas salvá-las dom que...? Eu não sabia explicar...
Saímos daquela caverna, por fora dela, estava pior do que por dentro. Por dentro, era abafado e ficava um pouco ruim de respirar, mas para fora, havia uma enorme '' nuvem '' de poeiras, o que piorava a vista e acabava nos atrapalhando.
- O certo era nos separarmos, mas... — Falei com a mão direita na boca, para não entrar poeira na minha boca, enquanto com o braço esquerdo, protegia meus olhos. — Em um caso onde estamos, nunca que poderíamos nos separar, seria arriscado até demais.
- Sim, com certeza... — Humano Número dois concordou, H10 também.
Um pouco depois, ouvimos um grito. Não era um grito de dor e nem de felicidade, era de medo. Ouvíamos passos se aproximando como se estivesse correndo a pessoa que causava esses passos.
- O que foi isso?! — Número dois gritou assustado. — Droga... Quem está vindo? Não podemos ficar longe de problemas nem se quer por um segundo?! — Número dois olhou para H10 e para mim, ainda estávamos bem, provavelmente ele estava preocupado com isso.
- Tem alguém aí? — A voz falava, enquanto a pessoa dessa voz se aproximava. — Por favor, ajudem-me. Isso é estranho, apesar de eu amar ter medo... Quero acordar desse pesadelo! — Consegui ver um menino. Ele era moreno e tinha cabelo preto, devia ter cerca de 16 anos.
- Quem é você? — Número dois perguntou, enquanto jogava uma pedra para cima, como se ame assasse ele.
- Vocês também são maus?! — Ele gritou. — Eu não sei onde estou, qual a minha razão de estar aqui, se sou mau na minha verdadeira vida, mas não mereço ficar aqui! Até eu mereço algum lugar melhor!
- Ele é bom... — H10 disse sorrindo e foi até o menino. — Qual é o seu número?
Ele olhava para H10, ficando mais calmo.
- Sou o Humano Número cinco. — Ele sorriu. — Aqui é muito perigoso. — Ele levantou a sua camiseta branca que estava manchada de vermelho, revelando um corte por uma faca, ele poderia provavelmente ter morrido, se não tivesse se virado para fazer um curativo. O curativo havia sido feito por folhas de árvores, incrível, nunca pensaria em algo assim.
- E por que fica tão calmo? — Número dois perguntou.
- Estou desesperado e com medo, mas amo ter medo. E encontrar outras pessoas que ainda estão vivas e também estão com perigo de morte é bom, porque com isso, eu posso saber que não sou o único daqui e que não estou sozinho. — Ele falou com calma, parece que ele havia corrido muito para chegar aonde estávamos.
- Bom, é ótimo saber que achamos mais uma pessoa. Eu sou o Número três. — Falei, sorrindo para ele. Logo apontei para o número dois. — Ele é o Número dois e a menina, é a H10.
- Ah, entendo... — Ele disse. — Podem me ajudar? Perdi a minha amiga dessa mansão, estávamos andando, até ela sumir, estou com medo dela não estar mais viva... Apesar de não lembrar dela, ela foi legal e gentil comigo.
- Qual o número dela? — H10 perguntou.
- Ela é a H7. — Número cinco falou e H10 suspirou de alivio, provavelmente por não ser a H13, que já morreu.
- Ainda não vimos ela, então não sabemos... — Ela disse.
- Ah, entendo. Ficarei com vocês por um tempo apenas para procurar ela, tudo bem por vocês? — Nós três confirmamos com a cabeça. — Certo, muito obrigado, mesmo.
- Como fez esse curativo? — Perguntei.
- Não fui eu, eu não me lembro de quem foi... Estava sangrando e doendo, achei que ia morrer, até que levei um soco por trás e desmaiei, quando acordei, eu estava com esse curativo e estava bem, não estava mais doendo. — Ele começou a rir. — Isso é bem estranho, não é? Deve ser difícil de acreditar, mas acabou acontecendo.
- Entendo... — Eu disse, mas na verdade eu não entendia nada. A cada peça do quebra-cabeça encontrado, mais os fatos se desmontavam.
Estávamos lá apenas para morrer, mas estavam deixando com que nos curassem. Qual é a lógica disso?
Andamos por um tempo, enquanto procurávamos outras pessoas, não achamos nada. Nem sinal de alguém...
- Estou cansada... — H10 lamentou. — Estou com fome, com sede. Eu não estou agüentando...
- Pare de reclamar! — Número dois tossia um pouco. — Isto aqui é um jogo, é uma sobrevivência! Isso mesmo! Agora me diga: Por onde você começou? Se um jogo fosse tão fácil, não teria graça. — Logo percebi que aquele não era o Número dois, fui até ele segurei-o.
- Acalme-se Número dois. — Eu falei para ele, H10 me olhava. — Desculpe H10... Depois irei te explicar tudo. — Número cinco nos olhava com um olhar confuso.
- Temos que comer algo, afinal, morrer de fome é uma morte sofrida demais... — Número cinco falou.
- Todos vão morrer de qualquer jeito! — Número dois respondeu, seu olhar estava começando a me dar medo, eu ainda segurava ele, mas mesmo assim, estava ficando assustado.
- O que aconteceu com você...? Ei, Número dois! Volte em si! — Comecei a gritar para ele, ele tentava se soltar.
- Não... O jogo já começou, somos apenas marionetes sendo controladas por alguém bem mais superior, não tentem resistir, o melhor que faremos será nos entregar e poderemos sofrer menos. — Ele disse, tentando se soltar ainda.
- Volte ao normal, Número dois. — H10 foi até ele e deu um tapa no rosto dele, que ficou em silêncio por alguns segundos.
- Ei, H10, você está bem...? — Eu perguntei para ela, ela confirmou com a cabeça, sem falar mais nada, ela apenas encarava o Número dois, que estava de cabeça baixa, olhando para o chão.
Número dois começou a tossir, logo ele ficava com a sua aparência de sempre. Ele havia ficado bem mais calmo, após levar aquele tapa da H10.
- Humanos! — Voltamos a ouvir aquela antiga voz maligna. — Sou eu, o Deus de vocês! É hora de todos vocês, os treze humanos vivos, se verem! Preparem-se!
Iria falar algo, mas comecei a sentir uma grande dor de cabeça, via tudo embaçado. Olhei para Número dois, H10 E Número cinco, também estavam com a mão na cabeça, assim como eu, que tentava me livrar daquela dor que apareceu do nada por culpa daquela voz maligna, provavelmente.
Quando abri meus olhos, estava sentado em uma cadeira. Olhei em volta, vi mais treze cadeiras, todas numeradas. Número um, número dois, número três, número quatro, número cinco, número seis, H7, H8, H9, H10, H11, H12, H13, esta cadeira estava com marcas de sangue, provavelmente para mostrar que a H13 realmente havia morrido... E por fim, Número quatorze.
De repente, nas cadeiras, apareceram os outros doze humanos que ainda sobreviviam. Vi Número dois, Número cinco e H10.
- H7! — Número cinco gritou, enquanto olhava para a menina que estava na cadeira nomeada de H7.
- Número cinco! — Ela gritou de volta, ela estava chorando de felicidade, não sei se foi exagero ou não.
- Certo, é hora de começar! — Ouvi aquela voz maligna vindo de cima, olhei para cima e vi uma pessoa sentada em uma cadeira, ela estava apoiada em uma mesa, com várias peças de Xadrez na mesa, mas todas as peças eram peões. Um peão estava jogado no chão. O peão número treze, provavelmente... — Hora de saber o caminho de vocês, meros humanos! Eu sou o causador de tudo por aqui, das mortes, desgraçadas, tristezas, agonias, confusões. Eu sou um Deus!
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Notas finais
Vejo vocês no próximo capítulo, até!
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