A Morte Do Sol
7 A Mediadora

Flora, com seus dez anos e cabelos loiros ondulados, correu descalça pelos jardins sombrios da mansão Blackwood. Era tarde, cerca de três horas, o horário em que os esquilos costumavam sair de seus esconderijos e correr pelos jardins. O sol, fraco e encoberto por nuvens, lançava seus últimos raios tênues através das árvores retorcidas. O jardim, um labirinto de sombras e arbustos, parecia ter vida própria, sussurrando segredos e histórias de tempos passados.
Flora adorava explorar aquele lugar, mesmo que a escuridão e o silêncio fossem, por vezes, opressivos. Ela gostava de observar os esquilos, mas hoje algo diferente chamou sua atenção. Enquanto caminhava, sentiu um arrepio percorrer sua espinha, uma sensação de que estava sendo observada. Parou, e seus olhos grandes e curiosos vasculharam o entorno.
Foi então que ela o viu. Uma figura pálida e etérea flutuava entre as árvores, um espírito com olhos tristes e vazios. O vestido branco da figura ondulava como se movido por uma brisa que Flora não sentia. Flora não se assustou; em vez disso, seu interesse foi imediatamente despertado. Já estava acostumada a ver espíritos pelos jardins da mansão e, embora tivesse aprendido a não se assustar, cada encontro ainda trazia uma nova sensação de mistério. O espírito, que parecia ter um propósito ou uma mensagem, era apenas mais uma parte das histórias e segredos que Flora conhecia bem. Ela se aproximou, curiosa para descobrir o que esse espírito poderia querer.
Flora levantou a mão, hesitante, e acenou para o espírito. Em resposta, a figura etérea ergueu uma mão translúcida e fez um gesto semelhante. Flora deu um passo à frente, suas respirações curtas e rápidas, cada passo mais próximo da figura fantasmagórica.
Os olhos do espírito, sem vida, pareciam acompanhar cada movimento da garota. Flora se ajoelhou para apanhar uma flor murcha do chão e ofereceu-a ao espírito. O fantasma inclinou a cabeça, como se contemplasse o presente, e lentamente, como se em uma dança, flutuou mais perto.
Com um toque gélido, quase imperceptível, o espírito aceitou a flor, que imediatamente se desfez em pó em suas mãos etéreas. Flora ofegou, mas não recuou. O fantasma, agora a apenas um braço de distância, parecia querer comunicar algo, mas sua boca não se movia. Em vez disso, usou os gestos. Apontou para o coração de Flora, depois para si mesmo, e finalmente para a mansão.
Flora tentou entender a mensagem. Algo no coração? Na mansão? A conexão entre ela e a figura etérea estava se tornando cada vez mais clara, e o ar ao redor dela parecia mais frio. Sentiu uma mão gélida em seu ombro, e virou-se bruscamente para encontrar outra figura pálida, uma mulher, com olhos tristes e um sorriso melancólico. Estava cercada.
O jardim, antes um lugar de curiosidade, agora se tornava um palco de horror. As sombras pareciam se alongar, envolvendo Flora e os espíritos em um abraço frio e sufocante. Ela sentia o pânico subir, mas a presença dos fantasmas tinha algo de tranquilizador, como se quisessem protegê-la ou talvez avisá-la de algo.
Os gestos continuavam, agora mais frenéticos. A mulher apontava para a mansão, para as janelas escuras, e depois para o chão ao lado de Flora. Com um estalo, Flora compreendeu: algo estava dentro da casa, algo que os espíritos queriam.
O pavor misturado à curiosidade a fez dar um passo para trás, mas as mãos etéreas a seguraram, insistindo para que ela continuasse. O ar ao seu redor parecia vibrar, preenchido por um sussurro incessante, palavras que ela não conseguia entender completamente. Mas uma coisa estava clara: os fantasmas que habitavam a mansão dos Blackwood estavam tentando se comunicar com ela.
Com o coração batendo forte e os olhos arregalados, Flora sabia que precisava entender o que os espíritos queriam. Ao olhar para a mansão imponente, sentiu uma onda de apreensão. O que quer que fosse, algo profundo e desconhecido estava prestes a se revelar. Ela sabia que esse era apenas o início de um mistério que precisava ser desvendado.
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