A Morte Das Areias do Saara
56 Vento e trovão na escuridão do submundo
Notas iniciais

Ele me disse: "Não tema, não tema, plebeu.
Não embale seu rosto já que você me alcançou.
Eis que foi Deus quem fez você viver, ele o trouxe a esta ilha de ka.
Não há nada isso não está dentro dele; está cheio de todas as coisas boas. Eis que você fará mês após mês até completar quatro meses em casa nesta ilha.
Um navio voltará de casa com marinheiros que você conhece.
Você voltará para casa com eles e você morrerá na sua cidade.
~ Fragmento de “O conto do marinheiro naufragado”
Uma nuvem tímida de névoa embaçava a paisagem deprimente do Kur. Tudo estaria silencioso lá se não fosse o som da luta, da nuvem de mosquitos zumbindo insistentemente e das almas penadas que fantasmagoricamente reclamavam baixinho como uma música de fundo. Acompanhando o uivo macabro das almas, o agudo grito de uma das Lamashtu se rebatia nas paredes rochosas enquanto ela tinha sua alma retirada de seu corpo forçadamente por Anúbis.
O berro da Lamashtu era sofrido e, a cada milésimo de segundo que se passava, ele começava a ser cada vez mais interrompidos por soluços que ficavam gradualmente mais longos. O sofrimento do demônio aumentava conforme os poderes de Anúbis voltavam até que, como se algo estivesse estralado, o grito cessou. A criatura jazia no chão do Kur estatelada e com os olhos esbranquiçados fitando sem ver o teto do submundo.
Anúbis soltou um suspiro relaxado ao ver sua adversária do momento imóvel, morta, no chão. Era bom ter os poderes de volta. Contudo, não sabia se teria problemas com Ereshkigal por ter matado uma de suas serviçais, por mais que tenham se virado contra ela. Resolveria isso depois. No momento, se virou para a segunda Lamashtu que se contorcia conseguindo se livrar das faixas de linho enquanto ignorava despreocupadamente os múltiplos pequenos fragmentos de alma levemente esbranquiçados e fumacentos que subiam lentamente para o teto depois de terem sido forçadamente arrancados do corpo onde moravam.
Não muito longe dali, a poeira cinzenta do chão do Kur sujava o vestido e a bochecha de Anput. Caída no chão fraca, a deusa sentia a ânsia de vômito subir pela sua garganta. Seu corpo estava pesado e quente. Naquele estado deplorável, Anput se sentia pequena, fraca. Estar recuperando os poderes não parecia estar fazendo tanta diferença assim. Era um lembrete dolorido de que ela não era nem de perto tão forte quanto Nergal e isso a deixava com raiva.
Com a visão turva, Anput só conseguia ver uma das mãos de Imhotep e alguns mosquitos irritantes voando ao redor do alvo mais atrativo, Imhotep e seu sangue mortal, tão fácil de matar. Anput notou revoltada como aparentemente precisaria de ajuda.
Fracamente, ela começou a se erguer ainda mantendo os joelhos no chão, suas pernas tremendo pelo esforço, uma pedra embaixo da sua mão que se apoiava no chão tornando o processo mais incômodo, o pulmão doendo como se carregasse peso. A tentativa de se levantar fez ela ter uma visão melhor da situação ao seu redor. À esquerda pequeno Ninazu à olhava. Deitado no chão aparentemente com dor e tentando também se levantar. À direita, Imhotep poderia muito bem estar morto se não fosse uma leve movimentação que via em seus lábios. Não tinha muito tempo e estava longe demais dos outros para poder pedir qualquer ajuda ou para que eles vissem a situação.
Mais perto de Anúbis do que de Anput e desconhecendo a situação na qual Anput, Ninazu e Imhotep estavam, a briga continuava entre os sumérios. De pé com o queixo erguido em orgulho e asas abertas como prova de sua altivez, Inanna encarava a irmã com um olhar frio que continha uma única gota de angústia.
— Seu poder não foi diminuído quando passou pelos portões. — observou Ereshkigal olhando para a irmã enquanto pousava no chão novamente.
— Não. — disse Inanna.
Por uns breves segundos a conversa foi interrompida pelo grito da última Lamashtu restante. A criatura havia conseguido se livrar das amarras que a prendiam ao chão e com a boca monstruosa escancarada, pulou na direção de Anúbis visando seu pescoço exposto. A tentativa, no entanto, não conseguiu chegar em seu alvo final. Pois tudo o que o deus precisou fazer foi erguer a mão e a parede de névoa estava de volta ainda mais forte impedindo o avanço do monstro.
Com o rosto e os braços se desfazendo com o toque do monstro na névoa, pedaços cinzentos da pele fina do monstro caíam lentamente no chão como folhas macabras de outono. O rosto da criatura ficava negra, suas partes sumindo até mostrar o crânio. Um tormento tão profundo mas ainda tão simples de se fazer agora, que o grito de dor dor que rompia da garganta do monstro era seco e quase sem vida. Bastou que Anúbis lhe tocasse a testa para a putrefação se espalhar ainda mais rápido. A última Lamashtu começou à se desfazer mais rapidamente até que, em alguns segundos, ela não passava de um monte de areia.
Não que nenhum dos deuses sumérios tenham notado, mas a preocupação estava estampada no rosto de Anúbis. Sentia ainda dentro de si a vida se esvaindo de Imhotep. O que estaria acontecendo? Estariam levando tempo demais para tirá-lo dali ou algum problema teria acontecido no meio do caminho? Não conseguia mais achar Anput e Ninazu com o olhar, estavam longe demais para isso.
— Acharam que fosse durar mais? — perguntou Ereshkigal tentando parecer mais tranquila do que realmente estava enquanto Inanna encarava com nojo o monte de areia que um dia foi a Lamashtu.
Ao lado dali, o pobre Enmesarra olhava com os olhos arregalados o estado da última Lamashtu. Aterrorizado com o que poderia acontecer com ele, já que não era um deus tão forte assim, ele parou de lutar contra as amarras de linho que o mantinham preso. Começou a pensar que talvez fosse melhor ficar ali, esquecido pelos poderosos deuses que brigavam entre si.
— Talvez… — disse Inanna.
— Como conseguiu entrar aqui sem ter que pagar o preço dos portões? — questionou Ereshkigal e, ao ouvir a pergunta, uma pequena risada escapou dos lábios de Nergal.
— Perdeu mais espaço para mim do que imagina, Eresh. — disse Nergal se levantando lentamente do chão depois de tão alta queda que, por mais que tenha doído, não havia lhe afetado tanto.
Com o rosto se contorcendo de raiva, Ereshkigal venceu a distância que a separava de Nergal com um longo e perigoso pulo que terminou com as unhas da deusa fincadas na garganta dele. Nergal urrou com raiva e determinação se soltando de Ereshkigal. Sua forma de leão se tornando mais intensa ao escancarar ameaçadoramente as presas enormes.
Pronta para entrar na briga também, Inanna abriu suas asas orgulhosamente e pegou uma das lanças que carregava nas costas. Entretanto, ela não conseguiu levantar voo ou jogar sua lança, pois à uns três passos em sua diagonal, surgiu repentinamente o cetro de Anúbis que havia sido lançado ali por ele. Quando tocou o chão, o cetro lançou em tudo ao seu redor uma forte rajada de ar acompanhada da tão usada névoa negra.
Inanna resmungou de dor ao sentir a rajada a empurrando para trás enquanto ainda tentava putrefazer o que tocava. Seus braços ardiam e começavam a adquirir em partes uma coloração roxa escura enquanto a ponta de seus dedos ficavam negras. Aos tropeços, ela deu dois passos trêmulos para trás tentando se afastar do cetro mas logo foi pega pelas faixas de linho que a envolveram rapidamente.
Com Inanna aparentemente presa, Anúbis pegou seu cetro de volta e olhou de soslaio para a briga de Ereshkigal e Nergal. Não tinha muita certeza de o que poderia fazer com Inanna sem causar uma confusão enorme entre os dois panteões. Inanna não era só um demônio qualquer do submundo, era uma deusa. Todavia, nem teve tempo de pensar nisso, pois, de forma completamente inesperada, Inanna se soltou ao se transformar em vários pombos. Nos breves segundos que Anúbis levou para se virar para Inanna mais uma vez, esses pombos se uniram rapidamente formando uma leoa que pulou em cima de Anúbis com os dentes e garras expostos.
Por mais que Anúbis tenha tentado desviar, sua tentativa não foi o suficiente e os dentes de Inanna fincaram em seu ombro fazendo sangue prateado jorrar. O esforço de se soltar inclui ter que empurrar Inana para longe com toda sua força dando-lhe também uma forte joelhada na barriga. Não muito surpreendentemente, isso fez a ferida ficar ainda mais feia.
Com uma expressão de dor, Anubis botou a mão no ombro estraçalhado se perguntando quanto tempo iria demorar para a terrível ferida, que num humano provavelmente acabaria levando a morte, melhorar completamente até parecer que nada aconteceu.
— Você e o Nergal combinaram de virar leões? — perguntou Anúbis.
— Mencione um animal mais poderoso nas redondezas que um leão e falhe. — disse Inanna — Justificável tanto meu povo como o seu os admirarem tanto.
— Vocês iam se dar bem com Sekhmet. — disse Anúbis enquanto observava atentamente Inanna se remexendo como se preparasse os músculos do seu corpo de leoa para a próxima parte da briga.
— Me desculpe. Não é pessoal. Mas é necessário. — disse Inanna.
— Digo o mesmo. — disse Anúbis quando Inanna começou a ir para cima dele de novo.
No último momento Anúbis mudou de forma assumindo sua aparência de chacal. Dentre garras e presas afiadas, os dois animais divinos lutaram. Uma luta feroz cheia de rugidos e rosnados que derramava sangue imortal de ambos os lados. A penugem dourada da leoa e a penugem negra do chacal se contorciam e se confundiam numa luta perigosa.
Mesmo que Anúbis fosse um chacal maior do que qualquer chacal. Por mais carnívoros que chacais fossem. Um leão ainda era um leão. E era com isso que Inanna estava jogando suas apostas. Contudo, por mais forte que um leão pudesse ser quando comparado à um único chacal, Anúbis não parava de se lembrar da vez que havia lutado contra Sekhmet. E, ele teria que admitir, Sekhmet lutava bem melhor. Por mais ágil e forte que Inanna fosse, ela não sabia o que fazer com as mordidas repletas de névoa negra e por várias vezes não conseguiu escapar da mordida forte que teve como alvo sua garganta.
A cada ferimento que era infligido em seu pelo dourado, mais Inanna ia ficando preocupada até que, numa medida um tanto desesperada, resolveu fazer o meio termo entre duas de suas formas. Sem deixar a totalidade da forma de leoa de lado, Inanna invocou em suas costas suas fortes asas brancas e então voou alto carregando Anúbis consigo torcendo para ele não ter nenhuma asa ou algo do tipo escondida sob a manga, pois queria usar a vantagem da falta de chão.
Apesar de seus pouco mais de 400 anos, Anúbis ainda não tinha tanta experiência em lutas aéreas. Não demorou muito para ele ver que tinha que pensar em alguma coisa para frustrar os planos da adversária e, foi exatamente por isso, que ele não pensou duas vezes antes de tomar uma decisão. Ele rapidamente voltou à sua forma normal e, ao mesmo tempo, não foi muito difícil deixar o poder fluir até que uma forma de luz enorme o envolvesse. A forma de luz, com cabeça de cachorro, tinha metros de altura o suficiente para, apesar de Inanna já ter subido bastante, conseguir tocar o chão com os pés.
Com delicadeza alguma, Anúbis usou a enorme mão daquela camada de luz que o envolvia para agarrar Inanna brutalmente amassando suas asas fazendo ela soltar um rugido de dor. Ainda sem delicadeza alguma, ele, rudemente tacou Inanna no chão criando até mesmo rachaduras no chão do Kur.
Por alguns segundos ele ficou olhando a figura de Inanna. Estava viva, não muito surpreendente. Mas estava parada e ofegante enquanto lentamente voltava para sua normal perdendo as garras e as presas mas conservando as feridas que havia ganhado.
Anúbis olhou para o seu ombro ferido que latejava de uma forma tão irritante que os outros machucados adquiridos na luta eram insignificantes. Irritantemente, ainda não havia começado a se curar sozinho.
Dali Anúbis tinha uma visão privilegiada do que acontecia ao seu redor, ao menos em comparação com o que podia ver antes. Assim, se deu o direito de ignorar Ereshkigal e Nergal literalmente tentando se matar das mais diversas formas possíveis enquanto Nergal gritava pelas longas unhas de Ereshkigal arranhando-o no rosto, e começou a procurar por Anput com o olhar torcendo para ela e Ninazu terem conseguido tirar Imhotep do Kur. Dentro de si ele sentiu aquela sensação de uma alma mortal caminhando lentamente para a morte e assim ele soube que Imhotep não estava bem.
Apesar de não conseguir alcançar com o olhar onde Anput e os demais estavam, Anúbis resolveu seguir aquela sensação que ardia em seu peito dedurando o local do arquiteto. Quando já estava começando a andar para o local, aquela sensação parou. Como se milagrosamente Imhotep tivesse se curado. Enquanto tentava entender o que havia acontecido, Anúbis sentiu uma forte rajada de vento vinda de onde estava a entrada do Kur. Seus cabelos balançavam e ele lentamente voltou à sua forma normal ficando em pé ao lado de Inanna que fracamente tentava se levantar.
— Eu conheço esse vento… — disse Inanna com uma voz baixa.
Anúbis olhou para ela com o canto do olho ao ouvir isso e deixou o olhar escapar para Ereshkigal e Nergal. Os dois lutavam ferozmente voando entre as estalactites sem se importar com o que era aquele vento. O movimento da luta era muito rápido para distinguir qualquer coisa, mas o sangue que pingava no chão ou que manchava as estalactites provava que ao menos um dos dois estava ferido.
Mesmo o Kur sendo uma enorme e terrivelmente profunda caverna, naquele momento um trovão rompeu e reverberou pelas paredes de forma ameaçadora. Mesmo assim, Ereshkigal e Nergal continuaram lutando.
— Esse vento e esses trovões… o que é? — perguntou Anúbis olhando para Inanna.
— É Enlil. — disse Inanna soltando um suspiro de quem reconhecia a derrota — Demoramos muito para resolver isso.
Mais um trovão explodiu forte pelas paredes rochosas do Kur e esse atingiu Ereshkigal bem nas asas derrubando-a no chão. Nergal sorriu calmamente já sentindo o gostinho da vitória, mas um terceiro trovão atingiu-o também. Com isso, estavam todos no chão, parados e quietos quando Enlil chegou andando calmamente seguido por Seshat.
Apesar da calma com que Enlil se aproximava, o seu olhar era de irritação. Ele passou seu olhar para cada um dos deuses ali. Para Nergal que, com os cabelos arrepiados, estava estatelado no chão; para Ereshkigal que, de orgulho ferido e olhar raivoso, tentava se levantar; para Enmesarra que, com lágrimas nos olhos, estava largado no chão preso em faixas de linho; para Inanna que, embora extremamente machucada, estava de pé; e para Anúbis que, com o ombro doendo, olhada para os dois recém chegados tentando entender o que iria acontecer agora. O olhar de Seshat não dizia muita coisa. Ela parecia querer dizer algo mas não sabia como dizer silenciosamente.
— Uma enorme bagunça aconteceu aqui agora… vamos resolver isso, sim? — disse Enlil — Anúbis, poderia fazer o favor de soltar Enmesarra, por favor? Não são mais necessárias. Lidarei com os meus desobedientes.
— COMO OUSA ENTRAR ASSIM E ME ATACAR EM MEU TERRITÓRIO? — gritou Ereshkigal com raiva no olhar — ESTOU RESOLVENDO A BAGUNÇA QUE DEIXOU ACONTECER POR DEBAIXO DE SEU NARIZ.
— Sim. Lamento terrivelmente ter me distraído a ponto de ter deixado essa bagunça acontecer. Resolveremos isso agora. E não tenho culpa se não pararam de brigar ao ouvir meu primeiro trovão de aviso. — disse Enlil — Também agradeceria se tirasse os pagamentos dos portões ao menos por enquanto, Ereshkigal. São bem irritantes.
— Como sei que posso confiar em você? — perguntou Ereshkigal — O que não faltou hoje foi traidores.
— Tenho que concordar com ela. Assim, desculpe informar mas não irei soltar Enmessara.
— T-Tudo bem… eu tô bem aqui… — choramingou o pobre Enmesarra que se sentia impotente perto de tantos deuses mais poderosos.
— Bem, entendo o ponto de vocês. Pois bem, Seshat, por favor diga o que acabou de testemunhar. — disse Enlil.
— Encontramos Anput, Ninazu e Imhotep no meio do caminho. — disse Seshat — Ficaram doentes por causa de algo que Nergal fez aparentemente. Ninazu tinha acabado de conseguir curar um pouco de Anput e Imhotep. Enlil então usou os ventos dele para tira-los rapidamente do Kur. Devem estar na entrada nos esperando.
Apesar de isso certamente explicar o que Anúbis sentiu mais cedo quando tentou ir atrás dos três, ele ainda tinha dificuldades em confiar plenamente que foi apenas aquilo que aconteceu. Não poderia ter sido tão simples assim, podia?
— Não pretendo deixar que isso acabe como um conflito entre nós e o Egito. — disse Enlil enfatizando sua posição.
— Está perdendo uma oportunidade passando diante de seus olhos. — disse Nergal.
— Não. Não estou. Nem tudo se resolve com conflitos armados, Nergal. — disse Enlil.
— Muito menos sequestros. — completou Anúbis.
— Sim. Concordo de todas as formas possíveis. — disse Enlil — Agora, com meus sinceros pedidos de desculpas pela confusão, peço para que, por favor, Anúbis e Seshat, saiam para eu lidar com esses quatro.
O olhar ameaçador de raiva presente no rosto de Enlil dava bem à entender que o que aconteceria ali não seria nada agradável. Um tanto curiosos e preocupados, Seshat e Anúbis se entreolharam enquanto Ereshkigal notava um detalhe importante na fala de Enlil.
— Quatro? Como assim quatro? — questionou ela — Foram eles que começaram. Lide com eles.
— Sim. Com você também. — disse Enlil — Afinal, isso não estaria acontecendo se você tivesse ouvido meus alertas. Nunca concordei em deixar algo tão importante como o submundo nas mãos de uma mulher.
De olhos esbugalhados e boca escancarada, Seshat e Anúbis olharam para Enlil. Rapidamente, Seshat cobriu sua boca com as mãos e Anúbis desviou o olhar para Inanna e Ereshkigal notando o quão irritadas as duas pareciam.
— Ahm… Enlil… — disse Anúbis tentando achar as palavras certas — Não acho que isso tenha algo a ver com tudo isso…
— Claro que tem. — afirmou Enlil.
— Ereshkigal vem perdendo importância já à uns anos. — disse Nergal trocando olhares de ódio com Ereshkigal — Os humanos vêem cada vez mais preferindo à mim do que uma mulher governando aqui embaixo. Não importa que sejamos seres imortais e poderosos, a fé dos humanos ainda nos move.
— De toda forma… não é uma discussão que quero que participem, Anúbis e Seshat. — disse Enlil com um olhar frio que não dava brechas para respostas — Assim, poderia soltar Enmesarra finalmente?
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