Notas iniciais
OLÁ!! HEHE! Nossa q esse mês eu tô atualizando direto eim? bem, com esse cap essa fic e a Deuses da Mitologia ficam com a mesma quantidade de capítulos. então eu vou tentar dar uma aquietada no coração e voltar à um ritmo mais normal kkk até pq eu preciso dar uma estudada para continuar escrevendo a Deuses da Mitologia. Bem, sem mais delongas, aproveitem o capítulo. espero q gostem! estou empolgada pra ver a opinião e a reação de vocês quanto ao final

Então Nefer-ka-ptah e Ahura foram ao templo de Ísis e deram oferendas a Ísis e Harpócrates, e fizeram uma grande festa, e no dia seguinte eles embarcaram na barcaça real e navegaram alegremente rio abaixo em direção à terra do norte .

~ Fragmento de “O Livro de Thoth”

Minkhaf deixava Koptus para trás com um peso enorme no peito resultante da tristeza, do luto e do medo. Era uma jornada dolorosa agora, pois Ahura e Merab estavam mortos e a vingança de Thoth ainda não havia sido cumprida. Minkhaf sentia que qualquer hora seu tempo na terra poderia terminar. Os pelos de sua nuca se arrepiaram e o príncipe olhava o céu constantemente com medo de ver o pássaro de Thoth e com medo da presença do sol de Rá.

Havia passado boa parte dos últimos dias pensando no que fazer e, agora que o príncipe podia sentir as entranhas da magia clamando por sua vida, quanto mais se aproximavam do local onde Ahura e Merab haviam caído na água, Minkhaf sentiu que logo teria que por o seus planos em ação. Ele ficou pálido, mas cheio de resolução, quando começou a sentir o poder de Rá atraindo-o bem no exato ponto do rio que Ahura e Merab haviam se afogado. Embora ele lutasse contra a magia, ele sabia que iria conquistá-lo. Não poderia simplesmente ganhar em força contra um deus daquele jeito. Assim, ele botou seu plano em ação. Com um pedaço de linho real, fino e forte, ele rápida e apressadamente fez um cinto com o qual amarrou o livro ao seu corpo. O murmurar de magias poderosas encontradas naquele mesmo livro garantiram também que o livro jamais pudesse ser tirado de si e quem sabe poderiam salvar sua vida, disso ele já não tinha tanta certeza.

No último segundo, Minkhaf conseguiu prender o livro ao seu corpo e logo poder atraiu-o ainda mais fortemente. Como um transe, o príncipe saiu da sombra do toldo e começou a andar em direção ao rio. Conhecendo bem o padrão que se formava, os marinheiros tentaram impedir que Minkhaf se aproximasse da borda do rio. Os marinheiros gritavam e agarravam o príncipe, que era facilmente mais fraco do que eles, mas nada adiantou, pois a magia dos deuses os empurravam para longe. Então, tal como Ahura e Merab, Minkhaf se jogou no rio.

O rio o puxou sem dó para cada vez mais fundo conforme o caos se espalhava no barco e na margem do rio. Minkhaf afogava e seu último pensamento fosse que talvez pudesse se reunir com Merab e Ahura afinal, mas lembrou então que nada feliz assim estaria no horizonte de sua alma. A água entrou nos pulmões de Minkhaf que, sem poder lutar contra ela, logou vou sua vida sumir, mas seu corpo magicamente sumiu também. Pois, quando pularam na água para tentar resgata-lo, nada encontraram.

Com a falta do corpo, os mortais foram rápidos em deduzir que aquilo era parte do julgamento dos deuses. Sem corpo, sem mumificação, sem julgamento para a alma de Minkhaf. Tristes e desesperançosos, os marujos da barcaça real navegaram rio abaixo até chegar à terra do norte e chegar a Mênfis, e os chefes da barcaça real foram até o faraó e lhe contaram tudo o que havia acontecido.

Ainda sofrendo pela perda de Kawab, Khufu não tinha mais uma lágrima para fornecer à Minkhaf. A cabeça do faraó doía, suas olheiras pesavam e suas lágrimas já haviam secado. Já tinha uma sensação que era só uma questão de tempo até não ter mais filhos e netos para perder e na verdade já estava pensando em reabrir os templos por sua esposa que provavelmente não aguentaria ver outro filho morrer. Minkhaf pelo menos era filho de sua segunda esposa por mais que Meritites gostasse dele como filho também. Talvez o baque seja menor, teorizou Khufu, pois sentia que Meritites não teria forças para viver se outro filho dela morresse.

— Certeza que não encontram o corpo? — perguntou Khufu ao líder da embarcação.

— Certeza, senhor. — disse o homem de cabeça baixa em respeito ao faraó — Procuramos ao redor do barco e o povo procurou nas margens. A correnteza naquela parte é fraca, dificilmente teria sido levado rio abaixo. A teoria de meus homens é que Anúbis pegou o corpo para impedir uma mumificação como punição às tentativas do príncipe Minkhaf de trazer os mortos de volta à vida.

— Acho que tenho que agradecer por ter fugido desse destino então ao pedir para ele tentar trazer minha mãe de volta. — disse Khufu respirando fundo e sentindo que foi capaz de gerar ao menos uma lágrima, à qual ele escondeu do líder do navio ao virar o rosto e limpar discretamente — Mas duvido que os deuses tenham um lugar especial para mim depois de ter fechado os templos. Mas… faremos uma cerimônia mesmo sem um corpo. Ele merece ao menos nossa tentativa. E chame meu escriba. Acho que aprendi minha lição. Mande os templos reabrirem.

— Sim, senhor. — disse o marujo que saiu com passos apressados em busca do escriba.

Não tão longe dali, nas margens oeste do Nilo, Thoth, Anúbis e Hórus olhavam a cidade de Mênfis enquanto o sol se preparava para se pôr. O horizonte alaranjado começava a recortar as formas da enorme pirâmide que Khufu construía para ser seu lugar de descanso eterno.

—Tem certeza? — perguntava Hórus.

— Tenho. — respondia Anúbis — Eu não fiz nada com o corpo. Isso foi uma magia de Minkhaf querendo ganhar de nós no final.

— Ele realmente acha que ia conseguir? — questionou Anput.

— Um tolo. — respondeu Thoth

— Queria esconder o corpo para que não pegássemos o livro de volta. — disse Anúbis — O corpo vai aparecer eventualmente. A magia que ele usou deve entregar o corpo para o pai cedo ou tarde.

—Provavelmente quando Khufu fazer a cerimônia para Minkhaf mesmo sem um corpo para sepultar. — teorizou Anput.

— Minkhaf está contando com a magia dele para manter o corpo preservado também. — disse Anúbis — Sem mumificação. Tem medo de encarar o julgamento pois sabe que nada bom lhe aguarda.

—Isso será suficiente para fugir da balança ? — perguntou Hórus.

— Acho que não… né? — perguntou Anput olhando para Anúbis.

—Não. — respondeu Anúbis — Ele será julgado como qualquer outro. Mas já imagino qual vai ser a conclusão.

—Bom. — disse Hórus se transformando num falcão e voando para longe — Resolvam isso de uma vez. Já cansei desses problemas com esse livro.

Thoth, Anput e Anúbis ficaram para trás apenas olhando para a tranquilidade da cidade. Uma tranquilidade vista apenas de longe e que escondia os problemas que aconteciam em suas ruelas, casas, mansões e templos. Eventualmente, Thoth mordeu o lábio, respirou fundo e se virou para Anúbis.

—Tenho um pedido um tanto egoísta para fazer quanto a alma de Minkhaf. — disse Thoth.

Anubis olhou para Thoth já avaliando se estava disposto a fazer qualquer favor ao deus depois de tanta confusão.

— O que seria? — perguntou Anúbis.

— O destino de Minkhaf… — disse Thoth tentando escolher as melhores palavras — Imagino que será do tipo... criativo?

—Provavelmente sim. — respondeu Anubis e Thoth sorriu como se aquilo fosse uma coisa boa.

— Então tenho realmente um pedido para fazer. — disse Thoth.

Uma semana depois da morte de Minkhaf, como não havia corpo para sepultar, uma cerimônia foi feita mesmo sem ter que esperar as várias semanas necessárias para mumificar o corpo de alguém. O faraó e sua família vestiram roupas de luto. Assim como seus cortesãos, sumo sacerdotes e sacerdotes de Mênfis e até mesmo o exército. Era uma cerimônia digna de um príncipe.

Apesar dos problemas entre os irmãos, a perda de Minkhaf foi sentida por todos os irmãos. Khamerernebty chorava e soluçava lembrando-se de quão triste tinha sido a ultima conversa que eles tiveram e os demais irmãos se arrependiam de não terem dado mais atenção para Minkhaf no meio de tantas tragédias. Primeiro tinha sido Kawab, agora Minkhaf… o coração dos filhos de Khufu estavam em pedaços.

Mesmo sem um corpo, eles fizeram a cerimônia desde de início. Com um sarcófago vazio, caminharam em procissão até o porto de Mênfis em direção a barcaça real. Mas, quando chegaram ao porto, viram o corpo de Minkhaf flutuando na água ao lado da barcaça, perto dos grandes remos-guia.

Ninguém conseguiu acreditar no que via. A comoção foi grande e ninguém realmente entendia o que estava acontecendo. As pessoas fofocam, falavam alto e tentavam chegar perto para ver o que acontecia, mas os soldados reais tentavam afastar a multidão deixando apenas a família real e os nobres chegarem perto do corpo. Ao olhar de perto, era claro que o corpo de Minkhaf estava envolto em magia e em seu peito estava fixo o Livro de Thoth. Mesmo se todos no porto estivessem prestando atenção aos arredores, nenhum mortal notaria a presença de deuses magicamente escondidos na barca que deveria carregar o corpo de Minkhaf.

—Viu? Disse que apareceria no final. — disse Anúbis olhando para Hórus — Ele acha que se um sacerdote meu não fizer as etapas da mumificação, ele deve conseguir se livrar de mim e da balança.

— E onde ele acha que sua alma iria parar? — questionou Hórus.

— Talvez que poderia vagar pelo mundo. — sugeriu Thoth dando de ombros — Uma imortalidade vazia sem poder tocar em nada nem interagir com nada além de outras almas perdidas. Talvez achasse que poderia possuir alguma estátua sua tal como fazemos.

— Pensamentos de um tolo. — disse Hórus.

— Todos os humanos o são. — opinou Thoth.

Enquanto Hórus e Thoth discutiam a tolice e os planos de Minkhaf, Anúbis olhava atentamente para a bagunça que a cerimônia fúnebre se transformou. Anubis notou quando Khufu ordenou que um sacerdote seu analisasse a magia emanada do corpo de Minkhaf em busca de explicações.

— Essa magia parece fazer o que uma mumificação faria. — disse o sacerdote — Poderemos sepultá-lo assim de tão poderoso mago que o filho de vossa majestade foi e é.

Anúbis bufou e suspirou ao ouvir a conclusão do sacerdote pelo simples fato de que discordava dela. Talvez devesse fazer algum teste extra para a escolha de seus sacerdotes para encontrar pessoas mais capazes. Afinal, sim, a magia iria proteger o corpo de Minkhaf das forças do tempo, mas não eternamente. Uma mumificação, mesmo que barata, provavelmente duraria bem mais. Afinal, Minkhaf esqueceu de considerar que não teria um estoque infinito de magia para manter algo como aquilo. Da mesma forma, eventualmente o livro de Thoth sairia de seu peito.

Alheio ao verdadeiro veredito, Khufu ordenou que Minkhaf fosse sepultado junto com o livro que afinal de contas não saía de seu peito. Assim, enquanto todos ainda fofocavam sobre os estranhos acontecimentos daquela cerimônia, Minkhaf foi sepultado e com o sepultamento de Minkhaf, os deuses voltaram para o Duat pois tinham que dar um fim àquela confusão toda.

Diante das portas do Salão do Julgamento, o príncipe engoliu. Seu plano de fugir do julgamento final não tinha dado certo afinal de contas. Afinal não estaria ali se tivesse conseguido fugir de seu julgamento. Minkhaf tremia e sentia o peito apertado de medo. Sua única opção parecia ser implorar por piedade ou tentar aumentar seus feitos bons.

— É Ammit para mim, certeza… — resmungou Minkhaf para si mesmo quando entrou no Salão do Julgamento.

Lá, por mais que 42 deuses juízes fossem necessários, o salão estava muito mais cheio. Todos queriam ver aquele julgamento e uns, como Khnum e Khonsu, trocavam sorrisos frios entre si se divertindo com a situação.

— Ouvi falar que provavelmente será o meu tipo favorito de punição… — disse Sekhmet para Set abrindo um sorriso sério e cheio de presas — faz séculos que não temos um desses.

— De fato… de fato… — disse Set com um sorriso duro olhando de longe para Anúbis que com o canto do olho retribuiu o olhar do pai sem tirar a expressão séria do rosto — Também é meu favorito.

— Olha… — disse Serqet se juntando aos dois na conversa — Seu filho é muito diferente de você. Isso é inegável.

— Certeza que ele adoraria ouvir você falando isso para ele. — disse Set soltando uma pequena risada.

— Mas… — continuou Serqet erguendo um dedo diante do seu rosto -É nessas horas que vemos como ele puxou algo sim de você.

— Já essa parte ele não gostaria muito de ouvir. — disse Set.

Minkhaf parou diante dos deuses, da balança, de Anúbis, de Osíris. Desde o portal de entrada ele estava recitando todos os cantos, rezas e feitiços de proteção que conseguia. Havia sido sepultado com sua própria cópia do Livro dos Mortos. Assim, podia usá-lo de cola a qualquer momento que precisasse para ler qualquer feitiço de proteção ou reza. Contudo, nada disso deixava ele sequer minimamente mais calmo nem mais seguro considerando o tamanho dos problemas que ele tinha causado. Minkhaf tremia de medo e ansiedade e não pôde evitar dar dois passos para trás quando Anúbis deu um passo em sua direção. Ao notar isso, Anúbis parou e inclinou a cabeça analisando Minkhaf minuciosamente e com uma leve curiosidade.

—Tem coragem de desafiar os deuses em vida e agora não tem coragem de enfrentar as consequências do que fez? — perguntou Anúbis.

Minkhaf abriu a boca para responder mas não achou nada para dizer de tão aterrorizado que estava. Ficou apenas gaguejando mudo e sentindo, vergonhosamente, seus olhos se encherem de lágrimas como os olhos de um bebê.

Anubis deu outro passo em direção à Minkhaf e o príncipe imediatamente deu dois passos para trás. Notando isso, já sem paciência, Anúbis estendeu a mão para Minkhaf e magicamente puxou a alma dele para perto de si. Minkhaf prendeu a respiração e notou, apavorado, como no olhar de Anúbis não havia um pingo de piedade ou mesmo calma. Sem avisar, Anúbis arrancou o coração de Minkhaf e então deixou ele cair de joelhos no chão enquanto segurava o órgão transparente e fantasmagórico com a mão direita enquanto, sem muita dificuldade, com a esquerda invocou a Pena da Verdade enquanto encarava Minkhaf do alto.

— Seu julgamento será pelo mero senso de justiça. — explicou Anubis — Pois você tem direito de um. Contudo, não é difícil deduzir o resultado.

Minkhaf deixou as lágrimas escorrerem pelo rosto enquanto sentia vontade de abaixar a cabeça e esconder o rosto em pura vergonha. Entretanto, ele forçou-se à olhar para a balança. Afinal, uma pequena centelha de esperança, menor que uma formiga, ainda queria acreditar que seu destino pudesse ser diferente.

Anúbis se aproximou da balança e colocou primeiro a pena e a balança, mágica como era, ficou equilibrada na expectativa de receber o coração. Todavia, quando Anúbis colocou o coração do outro lado da balança, esta imediatamente pendeu. E pendeu tão rápido para o lado do coração que fez um grande barulho que todos acharam que ela havia quebrado em algum ponto.

O peito de Minkhaf se apertou e, em completo terror, seu olhar lentamente foi para Ammit que já se aproximava lambendo os beiços. Mas, para infelicidade de Ammit, Anúbis calmamente se pôs em seu caminho e, com um mero carinho em sua juba de leão, impediu que a demônio devoradora se aproximasse mais da alma de Minkhaf. Minkhaf olhou do demônio para o deus sem entender o porquê daquilo. Anubis, por sua vez, simplesmente olhou para Osíris que afirmou brevemente com a cabeça e, se preparando para o que viria, Anúbis respirou fundo.

— A inexistência que ser devorado por Ammit causa é uma punição leve demais para seus erros. — disse Anúbis friamente — Seu destino será pior.

—P-Pior? — gaguejou Minkhaf que involuntariamente deixou a voz mais aguda em puro medo.

—Pior. — afirmou Anúbis invocando em sua mão o Livro de Thoth e só naquele momento Minkhaf notou que o livro não estava preso em seu peito.

—Mas como? — exclamou Minkhaf apalpando o peito em busca do livro — Eu prendi mágica e fisicamente ele em mim!

—Nenhum dos dois métodos foi tão difícil assim de contornar. — explicou Anubis sempre sério e frio — Assim como claramente foram inúteis suas tentativas de fugir do julgamento.

—P-Por favor… — gaguejou Minkhaf sem saber exatamente o que dizer para melhorar sua situação.

— Queria tanto fugir do julgamento e brincar com a morte... queria tanto ficar com o livro… pois bem. — disse Anubis — Ao invés da inexistência, está condenado a passar toda a eternidade na completa escuridão da própria tumba sozinho com o próprio corpo em decomposição.

Uma tosse falsa e discreta de Thoth atraiu a atenção de Anúbis por um segundo. Não tinha esquecido do pedido de Thoth, apenas julgava se era algo válido mesmo a se fazer. Exatamente por isso que revirou os olhos antes de continuar sua fala.

— E… — disse Anúbis olhando rapidamente para Thoth e depois voltando a olhar para Minkhaf — Para lembrar de tudo o que perdeu e de tudo o que fez para chegar nessa situação. O livro que tanto queria ficará com você.

Imediatamente os burburinhos começavam entre os deuses tentando entender o porquê daquilo. Era um pedido de Thoth e Anúbis via lá seus lucros em Thoth estar lhe devendo uma. Além disso, podiam muito bem lançar vários feitiços no livro e na tumba, feitiços novos e mais poderosos do que os já usados, para que nada de ruim acontecesse novamente.

— O livro ficará ao seu alcance mas não poderá o tocar, afinal não passa de uma alma.- continuava Anúbis — E caso alguém chegue a tentar roubar o livro, você alertará para as consequências de roubar dos deuses e contará de tudo que perdeu. Do filho e da esposa que morreram por culpa sua e do poder que lhe subiu à cabeça.

Sem qualquer dificuldade, Anúbis invocou seu cetro e bateu no chão uma vez. Foi tudo que foi necessário para a alma de Minkhaf desaparecer dali e ir para a própria tumba. A mais completa e profunda escuridão recebeu Minkhaf com braços abertos e ameaçadores. A sensação de vazio que rodeou o príncipe num piscar de olhos era simplesmente aterrorizante e fazia sua respiração ficar mais rápida, seu peito doer e suas mãos tremerem. Ou ao menos era isso que ele acha que estava acontecendo. Era uma mera alma sem corpo. Não podia sentir muita coisa. Não sentia o ar abafado da própria tumba, nem o toque do chão ou das paredes. Era como estar flutuando no céu mas ainda assim trancafiado numa caixa das mais claustrofóbicas possíveis.

Minkhaf gritou. Ao menos pode ouvir o eco do próprio grito se espalhando pela tumba. Mas não podia ver nada, nem mesmo a si mesmo, assim como não podia sentir nada. Com a respiração rápida e acelerada, Minkhaf gritou de novo pedindo por alguém, uma companhia, alguém que ouvisse do lado de fora, qualquer coisa. Mas a densa escuridão guardava a voz dele muito bem.

O príncipe então lembrou que conseguia andar e assim o tentou fazer. Chegou até a se perguntar se estava de fato andando, já que não podia sentir o chão nem ver nada ao seu redor. Sua confirmação chegou na forma de um forte puxão que começou a sentir no peito. Um puxão que se espalhou por todas as partes do seu corpo até o forçar a parar e dar passos para trás. Perguntou-se se o corpo dele não estava logo ali ao seu lado e talvez não conseguisse sair de muito perto dele.

Arfando e com o peito doendo no que poderia ser melhor descrito como um ataque de ansiedade, Minkhaf caiu de joelhos num chão que ele não sentiu e gritou até sua garganta doer e até as lágrimas que começaram a escorrer pelo seu rosto caírem e desaparecerem antes de tocar o chão. Afinal, o ambicioso príncipe, não passava de uma alma perdida eternamente fadada à escuridão e à solidão.

Notas finais
reações por esse finalzinho aí? acharam tenso? espero q sim kkk pq foi a intenção ~~ REFERENCIAS ~~ book of thoth - https://www.sacred-texts.com/egy/woe/woe10.htm