Notas iniciais
oi!! desculpe a demora. foi uma semana bem cheia de coisa pra resolver e acabei me enrolando. aproveitem o cap! ♥

Então eu respondi à ele isso, meus braços dobrados em respeito em sua presença. Eu disse-lhe: "Eu estava indo para a mina do rei em um navio de cento e vinte côvados de comprimento e quarenta côvados de largura. Cento e vinte marinheiros estavam nele dos mais escolhidos do Egito. Se olhavam para o céu ou se eles olhavam para a terra, seus corações eram mais corajosos que os leões. Eles podiam prever uma tempestade antes que chegasse, um clima ruim antes que ocorresse. Cada um deles, seu coração era mais corajoso, seu braço mais forte do que seus companheiros. A tempestade veio enquanto estávamos no mar, antes de nos aproximarmos da terra. Enquanto navegávamos, uivava continuamente. Havia ondas de oito côvados. Um pedaço de madeira o atingiu por mim. Um barco morreu e daqueles que nele não ficaram, exceto eu. Eis que estou ao seu lado. Então fui lançado sobre esta ilha por uma onda do mar. "

~ Fragmento de “O conto do marinheiro naufragado”

Dada a situação preocupante havia se criado ali, não era de se surpreender que o Kush, por mais tenebroso que ele já fosse, começasse a parecer mais frio. Os recentes acontecimentos e reviravoltas também faziam toda a situação mais complicada de entender e saber como lidar.

O choque pelo golpe proferido por Inanna se espalhou pelos ali presentes surpreendendo até Nergal. Assim, por alguns segundos qualquer combate foi interrompido enquanto, lentamente, Ereshkigal virava o rosto na direção da irmã que terminava de se aproximar. No olhar do pequeno Ninazu estava o estampado o desespero pela segurança da mãe. Quer fosse uma família imortal ou não, a preocupação pelos entes queridos existiam. Além disso, por mais imortais que os deuses fossem, existiam formas de matá-los por mais que Ninazu não soubesse ainda quais seriam esses. Talvez, se soubesse, ele saberia que sua mãe estava fora de qualquer perigo.

— Inanna... ? — disse Ereshkigal com a voz repleta de confusão.

— Mãe! — exclamou Ninazu que quase correu na direção de Ereshkigal, só não conseguiu pois Anput segurou-o para que não acabasse muito envolvido na confusão.

— Fique aqui… é melhor. — disse Anput baixinho para Ninazu.

— Inanna, não foi Ereshkigal que sequestrou Imhotep. Foi Nergal. — disse Anúbis tentando resolver o que lhe parecia um mal entendido já que a principal suspeita no momento em que ele e Anput deixaram Inanna para trás era Ereshkigal.

Seguida das três criaturas tenebrosas, Inanna pousou perto do grupo com um olhar abaixado para o chão. Foi esse olhar tão cheio de significado que fez Anput trocar olhares de preocupação com Anúbis e a expressão de confusão de Ereshkigal trocar para uma de raiva. Os questionamentos ainda eram muitos, mas a risada abafada de Nergal respondeu muita coisa.

— Eu sei que não foi Ereshkigal… Não adianta mais esconder isso. — admitiu Inanna com um suspiro.

— O que você fez? — perguntou Anúbis já trocando sua expressão também e encarando Inanna que, apesar de tudo, parecia ao menos arrependida.

— Desculpe-me, de verdade. Mas foi uma parte necessária de uma ideia complicada. — disse Inanna — Peço desculpas principalmente à você irmã.

— O que raios andou passando pela sua cabeça, Inanna?! — exclamou Ereshkigal olhando para a barriga perfurada por trás, uma prova de que a lança usada era mágica, e se perguntando se poderia arrancar a arma e contar com a própria regeneração acelerada.

— Você se juntou com Nergal? — perguntou Anúbis tentando entender melhor a situação.

— Ah não… muito pelo contrário. — disse Nergal — Ela que me convidou para esse plano.

— Pode ser até uma medida desesperada… — admitiu Inanna — Mas estou cansada, irmã, cansada de ser lembrada apenas por causa da beleza, do sexo e do desejo. Bem sabe que sou deusa de outras coisas além disso! E… sabe bem que está ficando cada vez mais complicado para nós… deusas mulheres…

— Sei disso… — resmungou Ereshkigal com raiva encarando Nergal com o canto do olho — Mas você é deusa dos céus assim como sou deusa do submundo.

— E, ainda assim, é Enlil que tem toda a importância por mais bonito que o título seja. — disse Inanna revirando os olhos.

— E onde isso justifica sequestrar Imhotep? — perguntou Anput apesar de não ter entendido bem o que Inanna e Ereshkigal estavam querendo dizer com a dificuldade das deusas. Tinha alguns chutes pelo menos, mas nenhum certeiro.

— Uruk tem Gilgamesh, mas Utu ainda é a maior e mais antiga cidade. A competição entre as duas só cresce… — disse Inanna.

— Não somos um reino unificado como o Egito é. — completou Nergal.

— Com ele poderíamos construir um grande império centrado em Uruk. — disse Inanna.

— O homem não é um grande guerreiro até onde percebi… mas um cérebro desses… só nasce algumas vezes a cada século. — explicou Nergal suspirando pesadamente — Um peão entre os humanos seria bem útil.

Um breve assobio foi tudo que Nergal precisou para incitar as três feras demoníacas, as Lamashtu, atrás de Inanna à atacarem. O momento para explicações havia acabado quer eles tivessem ainda alguma dúvida ou confusão ou não.

Dos três monstros que Inanna havia trago de ajuda, dois deles avançaram na direção de Anúbis, Anput, Ninazu e Imhotep, que estavam relativamente perto um do outro. As duas Lamashtu abriram a boca de um jeito tão grotesco que parecia fisicamente impossível. Os dentes afiados brilhavam ameaçadoramente quando elas pularam na direção dos quatro. Anput tentou puxar Ninazu para atrás dela mas o garoto se soltou do aperto de sua mão para tentar proteger Imhotep. Esses breves segundos também foram os usados por Anúbis para prender rapidamente Enmesarra mais ainda com faixas de linho e então fazer aparecer em sua mão seu longo cajado de ponta dourada.

Diante da ponta de ouro puro do cajado, formou-se o que bem parecia uma parede tão densa de névoa que mais parecia apenas um muro completamente negro. Tudo isso uma medida para contornar o problema que já começava a incomodá-lo, o fato de ter pagado de pedágio várias partes de seus poderes.

Quando as Lamashtu bateram contra a parede de névoa densa, Anúbis notou que a tentativa dele de compensar a falta de parte dos poderes ainda não havia sido suficiente. Pois, naquele momento, apesar de com dificuldade, a primeira Lamashtu e então a segunda conseguiu passar o rosto pela parede. Seu rostos vorazes rugiam de raiva, salivando com uma aparente sede de sangue enquanto buracos vazios onde antes estavam os olhos encaravam os três deuses e o pobre humano que se viu no meio de tamanha confusão.

De forma ilógica, as Lamashtu continuavam tentando ultrapassar a barreira na mais pura força de vontade irracional. As partes corporais que conseguiram passar pela magia haviam perdido completamente a pele e boa parte dos músculos ficando ainda mais feia do que eram antes. A expressão no rosto de Anúbis provava a sua concentração e preocupação. Tentava impedir que os Lamashtu avançassem mais ou simplesmente resolvessem tirar o corpo dali e tentar alguma outra abordagem.

— Tia Inanna, mas porquê você fez isso com minha mãe? — perguntou Ninazu ignorando com o olhar o confronto dos deuses egípcios que se desenrolava mais perto de si e ficando preocupado com a luta que começava entre sua mãe, sua tia, Nergal e o Lamashtu restante — Porquê machucar ela assim?

A pergunta do jovem deus nem sequer foi ouvida pois o confronto entre Ereshkigal, Inanna e Nergal ficava cada vez mais sanguinário e violento enquanto Nergal se enchia de energia para voltar para briga e Ereshkigal arrancava a lança que havia se fincado em suas costas e usava para lutar contra os dois ao mesmo tempo e em, aparentemente até então, pé de igualdade.

Atrás de Anúbis, Anput lançou um olhar preocupado para Ninazu e Imhotep. Ninazu parecia bem mas Imhotep nem tanto. O estado do lendário arquiteto foi notado pelo jovem Deus também que se ajoelhou ao lado dele tentando entender o que acontecia. Sentado no chão cinzento e arenoso, Imhotep se encolhia e se abraçava com os dentes batendo aparentemente de frio. Sua pele, naturalmente de um belo tom de bronzeado, parecia mais pálida do que quando eles tinham acabado de encontrá-lo.

Apressada, Anput foi até Anúbis pegando rapidamente sua espada na mão e usou-a para cortar o rosto da primeira Lamashtu ao meio. Ou ao menos tentar. A espada, por mais afiada que pudesse ser, não conseguiu cortar os ossos do topo do crânio até o queixo grotesco. Parou logo acima do buraco que indicava onde antes havia um nariz.

—Temos mais um problema. — disse Anput tentando tirar a espada da cabeça do monstro que, por mais que não houvesse terminado o trabalho num golpe só, havia feito um bom estrago dada a importância de uma cabeça.

— Imhotep né? Notei. — respondeu Anúbis sem ousar desviar o olhar dos Lamashtu enquanto toda sua concentração parecia estar empregada em mantê-los presos ali — Temos que tirá-lo daqui ou então morrerá.

— É um longo caminho até a saída e Ereshkigal parece estar bem ocupada. Vamos acabar sendo seguidos. Sei disso. — comentou Anput e, de fato, com um canto do olho foi fácil notar que a deusa do submundo segurava a terceira Lamashtu, que se debatia, pelo pescoço de forma bem grosseira enquanto Nergal se transformava no meio termo entre um homem e um grande e poderoso leão de juba negra e pelo cinza cujo olhar estava repleto de sede de sangue.

— Vá com Ninazu e ficarei aqui impedindo que sejam seguidos. — disse Anúbis.

— Tem certeza? Não esqueça que usamos muita parte do nosso poder para chegar até aqui e, pelo o que entendi, esse tanto que damos de pagamento pode ter tirado um pouco de nossa imortalidade. — alertou Anput olhando para ele preocupada depois de, com um puxão, conseguir arrancar a espada do crânio da Lamashtu.

— Cada pedaço tirado foi o mesmo tanto entre mim e você? — perguntou Anúbis olhando para ela com um olhar preocupado — Notei antes que parecia apreensiva. Tiraram-lhe tanto assim?

— Talvez agora não seja a melhor hora para discutir sobre isso. — disse Anput desviando o olhar com uma aparente tristeza.

— Nem para qualquer conversa. — disse Anúbis ajeitando o certo em apenas uma mão enquanto movia a mão livre juntando o máximo de trevas que conseguia em sua palma e lançando goela abaixo da segunda Lamashtu — Vá. Rápido.

Com evidente pressa, Anput foi até Imhotep que, com Ninazu ao seu lado, já estava deitado em posição fetal no chão. Um olhar triste de preocupação de Ninazu pareceu dizer o que ela já sabia, Imhotep estava fraco demais para andar.

Se fosse uma mera humana, provavelmente nunca teria tido a força para fazer o que fez. Mas Anput era mais que isso. Fraca ou não, menor ou não, ela ainda era uma deusa de centenas de anos, mesmo que "apenas" um pouco mais de 4 centenas de idade. Assim, ela fez bom proveito de suas habilidades ao usar um pouco de força divina para carregar Imhotep nas costas como uma mochila.

— Me desculpe…. — disse Imhotep com fraqueza — por ter que fazer tal coisa com um reles mortal como eu.

— Eu vou também ajudar! — disse Ninazu — E porquê desculpa, Imhotep?

— Largue de besteiras, Imhotep. — ralhou Anput — Não há com o que se desculpar. Foi sequestrado por deuses. O que poderia fazer? Se estivéssemos em nosso território, um pouco mais do que um gesto de mãos ou estalar de dedos e estaria em casa. Mas as coisas aqui são diferentes…

A Lamashtu que havia sido atingida pela espada de Anput começava à se mexer novamente mostrando que não estava morto como podiam facilmente pensar. Isso fez com que Anúbis fechasse a cara numa leve irritação enquanto Anput começava a se afastar dos demais com Imhotep e Ninazu. Anúbis soltou um resmungo de irritação e, segurando novamente seu cetro com ambas as mãos, ele conseguiu as prender ali por tempo o suficiente para, com um movimento forte, lançar as duas criaturas na direção oposta que Anput ía com Imhotep.

— Ereshkigal, teria como devolver as partes de poder que foram tiradas nos portões? — perguntou Anúbis apressadamente enquanto tentava dividir os inimigos ao enrolar a segunda Lamashtu em linho enquanto apontava para a primeira Lamashtu com o cetro invocando uma magia que não poderia fazer nas duas ao mesmo tempo dado os pagamentos feitos no portão.

A criatura sombria, caída no chão, gritou de forma aguda arqueando as costas sentindo uma dor extrema vinda aparentemente do ponto mais profunda de seu ser. Se cortar ao meio metade da cabeça não fazia diferença alguma, Anúbis queria apostar que aquilo faria. Assim, por mais difícil que fosse fazer aquilo em sua situação atual, Anúbis tentava arrancar à força a alma e a força vital da Lamashtu.

Ocupada em sua própria luta contra Nergal e Inanna, pisando na poça de sangue roxo que um dia foi a cabeça da terceira Lamashtu, Ereshkigal demorou à dar qualquer sinal de que tinha ouvido a pergunta de Anúbis. Contudo, a atenção que Anúbis tomou para si com aquela pergunta, mesmo que por alguns milésimos de segundo, fez com que Nergal notasse que estava acontecendo a fuga de Imhotep.

Não estando nem um pouco disposto a deixar Imhotep fugir desse jeito, Nergal escancarou a sua boca e, ao invés de um grito, pelos seus dentes de leão pontudo e ameaçadores saiu uma nuvem de mosquitos. Podiam até parecer, individualmente ao menos, mosquitos normais como quaisquer outros. Mas eram, no final das contas, pequenos seres criados pelo próprio Nergal e, exatamente por isso, guardavam segredos em seus pequenos corpos.

Talvez mais rápido do que esperavam, os mosquitos alcançaram Anput, Imhotep e Ninazu. Anput até tentou usar algum jeito mágico de afastá-los, usar névoa por exemplo, qualquer coisa, mas notou que não tinha o suficiente para lidar com os mosquitos. Ela tentou envolver a si e os dois acompanhantes com névoa negra mas ela havia ficado tão fina ao se estender tanto que se provou praticamente inútil perto dos mosquitos. estava já usando tudo o que sobrava de seu poder para simplesmente carregar Imhotep nas costas. Assim, os três tiveram que se conter em evitar os mosquitos de jeitos normais, balançando os braços e tentando matá-los com tapas, que também se provavam inúteis diantes de mosquitos magicamente resistentes.

Diante da nuvem de insetos criada por Nergal, Ereshkigal voltou sua atenção para ele completamente, agarrou-o pelo pescoço e lançou vôo subindo cada vez mais alto e com extrema velocidade sem deixar de enforcá-lo com um prazer silencioso. Quando não conseguiu subir mais devido à uma enorme estalactite que se projetava do teto da caverna que era o Kur, ela soltou Nergal para que caísse no chão puxado pela simples e poderosa força da gravidade. Lá no alto, a deusa abriu com orgulho suas poderosas asas e recitou um feitiço quase tão antigo quanto a humanidade.

Anúbis viu primeiro uma tímida luz irradiando de sua pele e depois sentiu o poder dentro de si crescendo e crescendo lentamente enquanto se aproximava do nível que estava quando entrou na caverna no alto das montanhas que levava ao Kur.

O mesmo acontecia com Anput que, mesmo enquanto o poder ainda estava começando a voltar, tentava insistentemente usar magia para se livrar dos mosquitos que, no começo, por mais que fossem muitos, no máximo eram extremamente irritantes, mas agora ela via que esses mosquitos guardavam algo mais. Pois, a cada passo que dava, Anput se sentia pior e pior e notava que Imhotep também. Os três, principalmente Imhotep, tremiam de frio mas suavam como se estivessem com calor intenso, seus corpos ficavam pesados de cansaço e suas peles pareciam estar em brasa. A cabeça de Anput doía e ela ficava tonta enquanto estranhava tantas sensações estranhas que nunca havia sentido e todas ao mesmo tempo. Como deusa, nunca havia ficado doente, pelo mesmo motivo também nunca havia ficado tremendo de frio ou pingando de suor.

Não demorou muito para que Anput notasse com crescente preocupação que o fato de estar recuperando seus poderes não fazia essas sensações ruins diminuírem ou desaparecerem. Muito pelo contrário na verdade. Seu corpo parecia cada vez mais pesado e seu estômago se embrulhava pronto para vomitar. Quando os joelhos de Anput falharam forçando ela a deixa-los caírem de forma ruidosa no chão, a deusa deu à si mesma um breve lembrete silencioso. O de que Nergal era o deus das pragas e doenças.

Notas finais
########################################## REFERÊNCIAS O conto do marinheiro naufragado - https://www.ancient.eu/article/180/the-tale-of-the-shipwrecked-sailor-an-egyptian-epi/ Inanna - https://en.wikipedia.org/wiki/Inanna Doenças Antigo Egito - http://factsanddetails.com/world/cat56/sub404/entry-6405.html Nergal - https://en.wikipedia.org/wiki/Nergal Lamashtu - https://en.wikipedia.org/wiki/Lamashtu Ereshkigal - https://en.wikipedia.org/wiki/Ereshkigal Malária - https://www.google.com/search?q=malaria&source=lmns&bih=625&biw=1366&hl=en-GB&ved=2ahUKEwjs1ePPxbHmAhWnCrkGHeCOBlYQ_AUoAHoECAEQAA um breve aviso, dia 16/12 eu vou viajar e só volto no Natal. O que com certeza vai me deixar atrasada nas outras fics. Sem falar que tenho que escrever uma Oneshot de presente de amigo secreto kk então dois motivos para me atrasar. mas vou dar meu melhor para não me atrasar. Caso eu n consiga, já fica aqui meus desejos de feliz natal e próspero ano novo pra todo mundo