A Morte Das Areias do Saara

4 O pequeno acordo especial


Notas iniciais
Hello povo! Bem vindos ao capítulo novo. Esse capítulo saiu mais rápido pq eu to com preguiça de escrever capítulo novo pra minhas outras duas fics. hehe. Sabia que pra escrever cada capítulo eu preciso abrir umas 20 abas por causa de tanta pesquisa que preciso fazer? kkk desde coisas como "como os egípcios tomavam banho" até os mitos dos deuses e partes da história do Egito. enfim, nesse cap temos um único marcador com número [1] que você pode ler a nota do mesmo no final o/ Bom capítulo! * as imagens do começo do capítulo são screenshots do jogo Assassin's Creed Origins, pela Ubisoft. Os créditos pela maravilha das fotos e desse jogo, vão para eles. jogue! é muito bom! ♥ Muitas das referências e estudos dessa fic vem desse jogo. as imagens estão presentes para ajudar a imaginar tudo. no entanto, o jogo se passa na época de Cleópatra. Ou seja, lá pra 50 a.C. essa história começa lá pra 3100 a.C kk então tem uma diferença grande.

Minhas mãos estão estendidas em adoração ao seu nome de "Maat". Eu vim. Eu me aproximei do lugar onde a árvore de cedro não existe, onde a acácia não faz brotos, e onde o solo não produz grama nem ervas. Agora entrei na habitação que está escondida, e mantenho conversa com Set.

~ Fragmento do Livro dos Mortos

Semanas se passaram desde quando foi dado o anúncio de Geb de deixar o trono e, durante esse tempo, os deuses se prepararam para uma grande festa. Em algum momento entre essas semanas que se passaram, Geb se foi. Ninguém sabia onde ele estava nem ao certo como ele foi embora, mas todos podiam sentir sua presenta sob os seus pés mostrando que sua presença como deus da terra ainda permanecia.

— Onde está o vovô? – Anúbis perguntou no dia da festa para Ísis.

O menino se sentava nas bordas da pequena piscina de cerca de dois palmos de profundidade que havia na entrada do palácio do faraó, em seu colo, um pote de cerâmica contendo uvas que o menino comia com gosto enquanto Ísis vistoriava e ajudava a organizar as decorações da entrada do palácio para a festa que teriam.

— Ele está aqui e ao mesmo tempo não está, pequeno – disse Ísis deixando de lado o que fazia e se sentando ao lado do menino enquanto ainda segurava um buquê de flores em suas mãos – Ele está sob seus pés, está em toda parte. É a terra que faz a comida crescer, é a terra que treme, é a terra que olha para o céu com saudades da amada que lá está.

Ísis apontou para o céu que, ainda claro, era de um azul pálido e belo. Quase nuvem alguma se via no mesmo quando o garoto levantou o olhar olhando para o céu, olhando para Nut, sua avó.

— E ele vai vir pra festa também? – perguntou o garoto olhando para Ísis novamente.

— Creio que não. Acho que ele quer apenas ficar admirando a amada. – disse Ísis olhando para o céu e suspirando – É cruel o destino deles. Ficarem separados assim para toda a eternidade.

— Humm... – disse o garoto pensativo e cabisbaixo botando a mão na superfície da água e mexendo com ela de um lado para o outro.

— Venha. Pare de roubar as uvas que são para os convidados e venha me ajudar também. – disse Ísis gentilmente estendendo a mão para o garoto que afirmou com a cabeça e pegou.

Enquanto garoto ajudava levando as coisas de um lado para o outro, botando flores pra enfeitar aqui e ali, ele não conseguia parar de pensar na expressão que vira no rosto de Set quando Geb anunciou que Osíris seria o novo faraó. Além disso, a palavra “pai” vinha com dificuldade na mente do garoto quando pensava no deus do deserto e da desordem.

Depois de algum tempo, tudo estava arrumado. Enfeites, comida, anfitriões. O maior banquete que os deuses já haviam visto estava ali preparado mesmo que fosse irônica a presença de tão luxuoso banquete quando eles não precisavam de comida para viver. Os primeiros a chegar foram os músicos, já que uma festa não seria nada sem música. Acompanhados a eles, chegaram dançarinos e dançarinas para entreter os convidados. Quanto aos convidados, eles foram chegando aos poucos, cada um mais luxuosamente vestido do que o outro com linho da melhor qualidade e vários acessórios de ouro, prata, esmeralda, obsidiana e lápis-lazúli, independente do gênero do convidado. Todos os convidados, todos deuses, eram muito vaidosos usando fragrâncias requintadas que deixavam o ambiente muito cheiroso.

— Anúbis, os convidados já vão começar a chegar – dizia Osíris se abaixando na altura da criança – Temos que os receber.

— Temos mesmo? – perguntava Anúbis desviando o olhar de leve e, diante a pergunta, Osíris abriu um sorriso torto.

— Não quer né? – perguntou ele e Anúbis respondendo negando com a cabeça.

— Não.

— Por quê? Posso saber?

— Não gosto do jeito que eles me olham às vezes e... E...

— E o que? – perguntou Osíris já imaginando o motivo desse olhar. Sabia muito bem que os olhares direcionados ao pequeno eram por culpa da fama que Set carregava. Sabia que muitos deuses nem ligavam para isso, mas alguns acreditavam que ainda iria vir o dia em que Anúbis iria se provar sendo assim como Set.

— Nada. Nada não — disse Anúbis sem querer falar qual seria a outra justificativa.

— Façamos assim então. Vamos fazer um acordo? – perguntou Osíris – Você fica comigo e Ísis para receber os convidados...

— Mas... – interrompeu Anúbis, mas Osíris levantou um dedo diante de seu rosto e o menino parou de falar.

— Você fica comigo e Ísis para receber os convidados. – continuou Osíris – Nem precisa falar nada, pode até ficar atrás de nós se quiser. Mas pelo menos pra um convidado você tem que falar alguma coisa.

— Um? – pensou Anúbis considerando a proposta.

— É. Qualquer um que você quiser – disse Osíris – E se conseguir falar com mais de um, quem sabe eu deixe você ter algum animal de estimação assim como você vive pedindo.

— Sério? – perguntou o menino já ficando animado enquanto Osíris afirmava com a cabeça.

— O que acha? Temos um acordo? – perguntou Osíris.

— Sim! – respondeu o menino alegre e Osíris se levantou novamente orgulhoso de seu primeiro acordo com faraó.

Assim, os convidados começaram a chegar. Para os primeiros, Anúbis mal teve coragem de sair do ladinho de Ísis e Osíris. Mesmo que só tivesse chegado os primeiros, Anúbis já se preocupava se conseguiria achar dois deuses para cumprimentar e então ganhar o sonhado bichinho. Eis então que surge o salvador dos planos do garoto. Thoth. Sendo Thoth, Anúbis conseguiria sem dúvida receber.

— Olá senhor Thoth! Seja bem vindo – disse Anúbis recebendo o professor antes que Ísis ou Osíris se quer tivessem aberto a boca. Os três sorriram para o garoto com uma leve risada e Thoth também revirou os olhos.

— Sim, seja bem vindo, senhor Thoth – disse Osíris e então logo em seguida Ísis disse o mesmo.

— Como assim, “senhor Thoth”? – disse Thoth olhando para Osíris – Você é faraó agora. Eu que deveria te chamar de algo como “vossa majestade” ou “Lorde Osíris”. E Anúbis, gosto do cumprimento, mas talvez seja melhor você esperar Lorde Osíris e Lady Ísis falarem primeiro.

O garoto afirmou com a cabeça sem se mostrar magoado enquanto Ísis falava:

— Pode me chamar do que melhor lhe couber, mas lembre-se que ainda é filho de Rá e com ele ainda trabalha lado a lado. – disse Osíris.

— Sei disso, sei disso. – disse Thoth – Parece-me até que foi ontem que Nut estava grávida de vocês e... Bem... Seus dois irmãos.

— Aliás, aproveitando que aqui já está, tenho alguns planos futuros e gostaria de discuti-los o mais cedo possível depois do dia de hoje – disse Osíris.

— Pois bem. Marcaremos um dia – disse Thoth.

— Até lá, aproveite a festa – disse Ísis e, com aceno para os três, Thoth entrou para se juntar a festa.

Osíris já via o próximo convidado se aproximando quando uma pequena mão deu um igualmente pequeno puxão em sua saia.

— Já contou como um convidado que eu cumprimentei né? – perguntou o pequeno Anúbis e, com um sorriso, Osíris afirmou com a cabeça.

O segundo convidado que Anúbis teve coragem de cumprimentar, não foi tão difícil. Inclusive, foi até mais fácil.

— Sejam bem vindas Hathor e Anput – disseram Osíris e em seguida Ísis e em seguida Anúbis.

O garoto não conhecia Hathor direito, mas não tinha nada contra a deusa do amor e ela também não parecia ter nada contra ele. Ela não era a mãe de Anput, apenas cuidava dela [1]. Anput era uma daqueles tipos de deuses (não tão incomuns assim) que simplesmente surgiam do nada.

— Muito obrigada pelo convite – disse Hathor abaixando a cabeça levemente com a mão direita sobre o coração enquanto Anput olhava para ela e logo a copiava.

— Por favor, aproveite a festa – disse Ísis. Hathor foi entrando na festa que rapidamente ia ficando lotada, mas Anput parou e segurou o pulso de Anúbis.

— Você tem que ficar aqui? – perguntou Anput – Vamos brincar!

— Eu... – disse Anúbis, mas sem saber o que fazer. Ele queria ir brincar, mas também queria agradar Osíris. Osíris notou a indecisão do garoto e, vendo que o próximo convidado que se aproximava era Set, um olhar de seriedade e preocupação cruzou o resto do novo faraó. Este olhar de preocupação e seriedade se foi ao olhar para as duas crianças novamente.

— Pode ir. Conseguiu cumprimentar dois convidados, certo? Três se contar a Hathor também. Sua parte foi cumprida. – disse Osíris.

Anúbis e Anput, sem querer perder um segundo, imediatamente saíram correndo procurando qual seria a primeira coisa que iriam aprontar enquanto Qebui não chegava. Eles foram em direção à mesa do banquete e sequestraram a mesma vasilha de uvas que Anúbis comia antes da festa começar, mas que havia recebido mais uvas desde então.

Como o palácio era grande, eles foram para a porta lateral que dava passagem para um jardim com palmeiras, piscinas com vitórias-régias e muitos jarros de flores espalhados e geralmente ao lado dos bancos de calcário ricamente trabalhado e enfeitado com pinturas de padrões diversos.

— Você vai morar agora aqui então? – perguntava Anput enquanto comia as uvas e sentava no banco de pedra – Vi que o outro palácio desapareceu.

— É. – sentando ao lado dela – Ísis disse que vamos ficar aqui agora. Mas é tudo tão grande. Ela também me disse que eles vão ficar mais ocupados agora, ela e Osíris. Daí, pensei... Talvez um animal de estimação... Muitos dos humanos têm e alguns dos deuses também né?

— Seria legal! O que pensa em ter? Cachorro? Gato? Babuíno? Falcão? – perguntava Anput falando o nome de cada animal o mais rápido que podia.

— Não sei... Talvez um cachorro – disse Anúbis.

— Me deixa dar o nome? – perguntou Anput com os olhos brilhando e Anúbis sorriu levemente e afirmou com a cabeça.

Não demorou muito para Qebui chegar, mas, demorou para ele notar que os dois estavam no jardim lateral já que a festa não chegava até ali. O trio só foi se juntar quando Anúbis e Anput foram pegar uns pedaços de pão na mesa do banquete. Assim, os três ficaram brincando no jardim lateral e decidiram tirar as roupas e brincar na piscina que havia ali. Embora sua superfície fosse bem grande, a profundidade era pouca, não passava de dois ou três palmos e ficava um pouco longe da entrada do jardim lateral meio escondida dentre as árvores e os jarros de flores. Não, eles não deveriam ter entrado na água. Mas eles não ligavam.

Com a noite já escura, os três estavam cansados de brincar e decidiram sair de dentro da água. Pingando, eles saíram da água e estavam se vestindo novamente quando ouviram vozes agitadas vindo do portal do jardim. Um casal havia entrado no jardim lateral também, mas, não entrou muito profundamente dele. E, como eles agora estavam atrás da parede que continha o portal para o jardim, tudo indicava que este casal havia apenas, apressadamente, usado o portal para se esconder da festa.

No entanto, se engana quem pensar que eles estavam querendo namorar com privacidade.

— Você não pode fazer isso! – insistia uma voz que Qebui e Anput nunca haviam escutado, mas que Anúbis havia escutado sim, embora apenas poucas vezes e num tom baixo e tímido. Era a voz de Néftis que agora brigava com Set.

— Escondam-se! – sussurrou Anúbis o mais baixo que pode e os três se esconderam atrás das árvores e dos jarros.

— Você não manda em mim, mulher! – rugiu Set entredentes, mas sem gritar para não chamarem atenção para eles.

Anúbis não só se escondeu atrás de uma árvore ele também havia se transformado em um animal. O único animal que conseguia se transformar. Anúbis se transformou num chacal e, até o momento, ele não sabia por que podia se transformar num chacal, tudo o que sabia era que sua pelagem era completamente negra e consequentemente mais difícil de ser visto no escuro. O pequeno também não pensava em porque ele nunca tinha visto um chacal negro, tudo o que passava na cabeça do menino no momento, era se perguntar por que Set segurava na mão direita uma espada de lâmina encurvada de aparência letal e completamente feita de ouro.

— Pense bem! – dizia Néftis segurando o pulso do marido que continha a espada. Set, não gostando nada disso, agarrou os cabelos da mulher com a mão livre e os puxou. Ela mordeu o lábio de dor e segurou com as duas mãos a mão esquerda do marido na esperança de se livrar do puxão de cabelo – S-Se... Se for seguir seu plano aqui, b-botará todos contra você e nunca poderá escapar. Terá o gostinho da batalha no máximo...

Set ponderou sobre as palavras de Néftis e soltou-lhe o cabelo bruscamente. Pela sua expressão, ainda pensava. Ela, no entanto, estava aliviada por ele ter ficado mais calmo.

— Pelo menos uma vez o que sai dessa sua boca presta, mulher. – disse Set sem qualquer delicadeza.

Notas finais
[1] - Sobre a Anput. Existem pouquissimas informações sobre ela (não procurem se n quiser spoiler kkk) então, eu inventei isso da Hathor cuidar dela e dela ter brotado do nada. Até porque n tem nada sobre quem são os pais dela também. Escolhi a Hathor porque achei uma escultura que as duas estão juntas. Nenhum motivo além disso. Comentem! Adoro comentários!