A Morte Das Areias do Saara

17 Das areias vermelhas, a união


Notas iniciais
WAAAAAAAAAAAH SIM! OUTRO CAP! SOCORRO! EU TAVA DOIDA PRA CHEGAR NESSE PONTO DA HISTÓRIA! TO MUITO ORGULHOSA! ♥ recomendo dar uma passadinha no cap 8 caso queiram entender mais o título. Lembram? A previsão da Nekhbet. Vou deixar ela aqui: "Das areias vermelhas, a união. Estável. Instável. Se não. Enlutada. Morto. Semente. Cuidado com a semente. O falcão sobre aquele do terceiro dia do demônio. E aquele do terceiro dia do demônio sobre o falcão. Uma nova troca. Ultima troca até em muito tempo futuro. Cuidado com a semente"

Deixe a ordem para sua proteção ser o primeiro comando de Osíris, o Senhor até o limite máximo, que mantém seu corpo oculto. Que ele possa libertá-lo do Terrível que habita na curva do Rio de Amentet, e decida os atos que o farão se levantar.

~Fragmento do Livro dos Mortos

Sem os soldados inimigos para se preocuparem, os mortos que andavam pelas ruas de Mênfis à mando de Anúbis voltaram ao seu eterno descanso. Além da pequena ajuda no combate, Bastet enviou uma mensagem também. Era para se encontrarem no Palácio quando tudo aquilo acabasse. Como a única coisa que sobrou foi recolher os mortos e curar os feridos, Anúbis voltou para onde havia deixado o grupo de amigos com suas famílias. Torcia para que Anput voltasse também.

A mente dele ainda passava um pouco pela lista de mortos que carregava depois daquele dia. Sim, sentia o peso na consciência mas… quanto mais pensava, mais cada uma delas parecia fazer sentido. Entendia que aqueles soldados tinham provavelmente amigos e família, mas eles estavam matando pessoas indefesas. Estuprando. Mutilando. Enquanto pensava isso, começou a se perguntar se não seria então tão ruim quanto eles. Afinal, também matou. Sacudiu a cabeça diante da ideia. Não. Ele havia matado para proteger, para defender.

Quando ele deixou Bastet para trás e reapareceu nas margens do Nilo perto dos amigos, notou que Anput ainda não estava lá. Diante da chegada dele, Shadya e Iset se levantaram na hora. Os outros apenas o olharam embora a família de Chenzira parecesse morta por dentro sem qualquer reação se mantendo ao lado do corpo do jovem. Sentado sobre a areia, Qebui rabiscava distraidamente a areia com um graveto sem fazer nenhuma forma que fizesse sentido em particular, apenas matando o tempo. Diante da aparição de Anúbis, Neby também foi até ele com o rabo abanando e o jovem deus afagou a cabeça do animal com um pequeno sorriso no rosto.

— Já… está tudo bem por lá? — perguntou Iset um tanto insegura e Anúbis afirmou com a cabeça.

— Aparentemente os soldados que sobraram foram embora — explicou Anúbis.

No segundo seguinte Anput apareceu também e soltou um suspiro aliviada. Sua roupa estava suja de sangue. Sangue vermelho, como Anúbis notou, ou seja, não era dela. Ela segurava uma espada em sua mão que provavelmente pegou emprestada.

— Deu tudo certo? — perguntou Anput olhando para Anúbis — Encontrou Sobek?

— E Bastet — disse Anúbis depois de afirmar com a cabeça — Encontrou alguém interessante?

— Vi Sekhmet. — disse Anput olhando para Anúbis — Hathor e Bat me ajudaram com ela. Ouvi dizer que Lorde Osíris e seu pai estavam duelando.

— E pararam? — perguntou Qebui se juntando a conversa enquanto os outros só olhavam para quem estava falando.

— Aparentemente sim. Ainda não sei os detalhes direito — disse Anput dando de ombros — Falaram para irmos até o palácio.

— Não temos muito tempo aqui. — disse Anúbis.

— E eu realmente espero que vocês usem esse tempo para explicar melhor para a gnete tudo que acontece — disse Iset.

— Shiu. Não fale com eles assim. Não lhes falte r-respeito — disse Shadya olhando para os amigos com algo diferente no olhar, medo.

— Não precisa olhar pra gente desse jeito Shadya — disse Anput com um sorriso torto e triste.

— Não sei o que eu prefiro. Que vocês estejam falando tão levianamente dos deuses ou que… ou que sejam o que parece fazer sentido pelas falas… — disse Ahmen.

— Mais fácil a primeira opção… não é? — disse o pai de Shadya e Iset querendo acreditar nas próprias palavras e então olhando para Anúbis — Ela disse que seu pai e... e... L-Lorde O-Osíris… estavam duelando? Quem é seu pai?

Os três entendiam bem o medo do homem. Osíris, ao contrário deles, já era bem famoso. Anúbis sabia também que seu pai também era famoso, então já podia listar quais as reações esperadas quando revelasse o nome de seu pai.

— Set — disse Anúbis sentindo o nojo na língua por ter Set como pai.

O medo passou pelo rosto dos humanos. Shadya desviou o olhar com a mão tremendo e Ahmen ficou mais branco do que já estava.

— M-Mas… Set… Set-Set mesmo? — perguntou a mãe de Ahmen e Anúbis apenas afirmou com a cabeça.

— Então… vocês são…. — disse Iset deixando a frase no ar.

— Deuses… — completou Anput afirmando com a cabeça.

Não fazia sentido pedir provas. Todas as magias que fizeram para proteger eles eram as provas que precisavam. Enquanto a família de Chenzira parecia ainda nem ouvir a conversa e Iset, sua mãe e Ahmen ficavam paralisadas tentando digerir a notícia, os outros presentes, com exceção do pequenino bebê irmão de Ahmen, rapidamente se botaram de joelhos com os braços estendidos e a cabeça quase tocando na areia.

— N-Não… N-Não precisa disso… — disse Anput sem graça enquanto Anúbis coçava a nuca sem saber como lidar com aquilo embora Qebui parecesse gostar da atenção.

— Nós… queriamos continuar amigos como antes, se possível. — disse Anúbis olhando para Anput em busca da opinião dela e ela afirmou com a cabeça com um sorriso no rosto.

— M-Mas… vocês são deuses… n-não… não podemos… e se provocarmos a ira..? — disse Shadya.

— Não vamos fazer nada com vocês. — disse Anput deixando de lado a ideia de puniões pela ira que obviamente achava ridícula.

— Desde de quando? — perguntou Ahmen ainda tentando digerir tudo.

— Desde.. sempre? — disse Anúbis estranhando a pergunta.

— Desculpe, foi uma pergunta idiota — disse Ahmen dando uma risada nervosa — Não considerei direito a pergunta… afinal, é uma revelação grande.

— Sei que provavelmente tem muitas perguntas… mas acho que é melhor nós irmos — disse Anput olhando para Anúbis e Qebui — Podemos voltar e responder outras mais que tiverem, mas acho que precisam da gente agora.

— A cidade está segura então não precisam se preocupar muito com a volta — disse Anúbis dando de ombros mas a tristeza cruzando seu olhar ao fitar o corpo de Chenzira que não sabia bem o que fazer sobre — E… lamento pela triste consequência do dia.

A família de Chenzira não deu sinais de ter ouvido as palavras do jovem deus. Anúbis olhou para Anput que deu de ombros e botou a mão no ombro pálido dele. Não tinham mais muito o que fazer por Chenzira além de talvez dar uma carona para a casa dele. Antes de irem para o palácio, Anput chegou delicadamente perto da mãe de Chenzira e perguntou se queria ajuda para levar o filho para algum lugar, mas ela se conteve em negar com a cabeça depois de demorar vários minutos para responder.

Juntos, o trio saiu das margens do Nilo e num piscar de olhos voltaram para o luxuoso palácio que a família real divina chamava de casa.

— NÃO PODE ACEITAR! — gritava Bastet quando eles chegaram.

A deusa gata estava de pé claramente revoltada olhando para Osíris que estava sentado apoiando o queixo nas mãos claramente pensativo. Ao seu lado, Ísis se levantada da cadeira indo até Bastet e botando a mão em seu ombro tentando acalmá-la. Ali também estavam outros deuses. Entre eles, Hathor que sorriu ao ver os três deuses jovens chegarem.

— Sobre o que estão falando? — perguntou Anúbis para Hathor.

— Set e Lorde Osíris duelaram saindo ambos bem machucados embora as magias de cura já tenham recuperado o Faraó. As armas de Set foram bem úteis e ele conseguiu se aliar totalmente ao Faraó humano do Alto Egito. — explicou Hathor.

— Um homem que se denomina de Narmer — completou Bes se juntando a conversa.

Bes era um homem baixinho, claramente um anão, com uma monocelha e muito cabelo em quase toda parte de seu corpo que estava exposta.

— E o que exatamente Lorde Osíris tem que aceitar ou não? — perguntou Anput.

— Diante da enorme perda de soldados humanos dos dois lados não só hoje, mas também no decorrer de todos esses anos, Set propôs uma trégua. — explicou Hathor — Claro, só porque nós paramos de guerrear não quer dizer que os humanos vão. Mas a nossa intervenção na guerra gera mais mortes do que antes.

— Faz sentido… — disse Anúbis sabendo bem como sua lista de mortes aumentou depois daquele dia.

— Como estamos todos aqui… — disse Thoth interrompendo as reclamações de Bastet — Deixe-me salientar que embora as intenções de Set sejam questionáveis, segundo Bastet bem enfatizou, muitos humanos estão sofrendo por esse conflito armado. No decorrer dos anos desde que a guerra se manteve não só do lado humano, como também do lado divino, o número de mortos aumentou muito.

— Mais por causa deles do que de nós! — reclamou Bastet.

— Sim, é verdade. — disse Thoth — Mas também temos nossa parcela de culpa. Deveríamos ao menos ter protegido as vilas e cidades dos ataques de Set.

— Fomos tolos em imaginar que ele manteria seus ataques só em nós. — disse Osíris — Set claramente viu nosso ponto fraco de querer proteger os humanos e começou à os atacar diretamente no decorrer dos anos. Não é necessário dizer que isso é um combate um tanto desigual.

Para o trio de jovens deuses, aquilo era uma novidade. Sabiam que Osíris costumava sair para lidar com os conflitos, mas não sabiam que Set estava atacando vilas e cidades humanas propositalmente.

— Pensa em aceitar a trégua então? — perguntou Ísis.

— Ao menos por dois anos. — disse Osíris — Deixe que os humanos plantem, colham. Tenham filhos. Podemos não só ensiná-los a ler e escrever, mas também ensinar mais magias para eles. Não só os humanos terão tempo de se reerguerem, como teremos de prepará-los para o eventual combate melhor.

— Mas não se esqueça, senhor, assim como Set tramava antes, pode estar tramando agora — disse Bastet.

— Sei bem disso, Bastet — disse Osíris abrindo um sorriso tranquilizador.

Os dias seguintes foram muito corridos no palácio. Consequentemente, não houve tempo para Anúbis, Anput ou Qebui voltarem para Mênfis. Depois da luta na cidade, o valor dos jovens foi reconhecido e, com isso, ganharam o dobro de treino de antes e muitas coisas novas para aprender. No tempo livre que lhe restava, Anúbis ficava vendo Neby caçar notando que recentemente ele parecia estar com dificuldades de conseguir pegar uma presa. Não queria mimar o animal, verdade, mas uma ou outra vez não resistia à dar uma mãozinha.

Depois de alguns dias e muitos preparativos e hipóteses sobre os planos de Set, Osíris aceitou a oferta de trégua que o irmão oferecia. Considerando isso uma data memorável e que também chegava as datas dos aniversários de Osíris, Set, Ísis e Néftis, que nasceram um depois do outro, cada um em um dia, Set sugeriu fazer uma pequena festa para assinar o tratado de trégua e para comemorar os aniversários.

Foi por causa dessa festa que Anúbis olhava meio bobo para Anput. O longo vestido de linho de alta qualidade mexia levemente com a brisa da noite que nele batia. Os longos cabelos da jovem estavam, como sempre, presos em dezenas de trancinhas. Contudo, hoje, cada trancinha também tinha alguns rubis presos em lugares aleatórios. Os olhos da jovem estavam, assim como o de todos da festa, delineados com khol. Algumas moças, como Ísis, haviam escolhido khol azul, mas Anput tinha escolhido o preto. Em seu pescoço estava pendurado um amplo colar em camadas com cinco fileiras de pecinhas de ouro e uma fileira de rubis. Pulseiras extremamente parecidas mas com metade das fileiras de ouro adornavam cada um dos pulsos da garota. O pesado par de brincos, também de ouro, completava os enfeites caros em Anput. Todo o ouro e o linho branco do vestido, preso na cintura por um cinto de lápis-lazuli, contratavam lindamente com a pele negra da garota.

— Vai ficar quanto tempo me olhando assim? — perguntou Anput rindo sem graça vendo que Anúbis parecia ter travado ao fitá-la.

Ele tossiu sem graça duas vezes e desviou o olhar. Também tinha ido com as melhores roupas e ouro, assim como esperado (pra não dizer exigido). Com ainda tão poucas variações de estilo de roupas, cortes, costuras e cores existentes em plenos anos de 3100 a.C aproximadamente, não tinha nada melhor que ele pudesse oferecer além de roupas do melhor linho, braceletes de ouro, um anel de ouro com uma pedra de obsidiana e um colar de ouro muito parecido com o de Anput. Afinal, se tinha algo que os egípcios e os deuses gostavam, eram jóias e ouro.

Os dois, assim como praticamente todos os deuses que conheciam, já estavam na festa. A festa acontecia em um palácio magicamente e rapidamente erguido no meio do caminho entre o Alto e o Baixo Egito buscando o máximo de neutralidade possível. Embora Osíris estivesse sempre seguido de uma zelosa guarda, os deuses não fugiram da ideia de verificar cada centímetro do palácio em busca de qualquer armadilha. Principalmente porque muitos deuses ainda eram contra toda aquela ideia idiota de festa.

Anput foi até a mesa mais próxima e pegou um pouco de vinho para ela e para ele, afinal, ninguém tinha inventado ainda limite de idade para beber bebida alcoólica. Ela subiu para o andar de cima seguida de Anúbis, onde a festa continuava mas com menos gente. Basicamente com as pessoas que se contentavam em conversar e alguns seguranças de Osíris e de Set também. Ambos os lados bem cautelosos. Ela foi para a sacada enquanto Anúbis fingia não notar o jeito que o corpo dela se movia enquanto andava. A música tocava alto quando ela encostou no muro da sacada e passou o vinho dele para ele.

— Bem que podiam fazer mais festas assim né? — disse ela.

— Quem sabe se essa guerra parar, realmente façam — disse Anúbis bebendo dois goles do vinho que fora adocicado com mel.

— Eu iria gostar bastante — disse ela olhando para o céu fazendo as estrelas refletirem em seus olhos.

— Não sei se eu iria gostar tanto. Não gosto de lugares com tanta gente — disse ele suspirando.

— Podíamos fugir pra um cantinho esquecido. Que nem agora — disse ela dando de ombros.

— Tão esquecido esse que você conseguiu até despistar o Qebui — disse ele abrindo um sorriso de canto e ela fez pouco caso disso com um gesto da mão.

— Ele está muito irritante esses dias. Deixe-me ter uma folga dele ao menos por hoje. Já tenho que aguenta-lo todos os dias nos treinos.

— Provavelmente ele está com raiva porque não consegue ganhar de você em nenhum combate.

— E eu tenho culpa disso? — disse Anput se fingindo de ofendida.

Foram distraídos da conversa por um barulho que acontecia no andar de baixo. Sendo o segundo andar, onde estavam, apenas um corredor que contornava as paredes, as pessoas que ali estavam se aproximavam do muro na parte interior do segundo andar para acompanhar o que acontecia no andar debaixo. Curiosos, os dois fizeram o mesmo e viram que Set exibia uma bela e enorme caixa.

A caixa era facilmente maior do que Anúbis e Anput juntos. Era feito de madeira ricamente trabalhada e adornada com ouro, prata, obsidiana, rubi, lapis-lazuli e granada. Suas laterais pareciam contar uma história que eles estavam longe demais para conseguir observar com calma.

— Que bonito! — disse Anput maravilhada.

— O que ele quer com isso? — perguntou Anúbis perdido.

— Ele está oferecendo como presente à quem couber dentro — disse Bes ao seu lado ao ouvir a pergunta.

Bes estava aproveitando provavelmente a altura do segundo andar para conseguir acompanhar o que acontecia no andar de baixo já que os deuses do andar debaixo tinham se aglomerado ao redor da enorme caixa curiosos e Bes, tendo praticamente 1,20m, não iria conseguir ver nada. Ele também aproveitava-se de um banco para deixá-lo mais alto para ver as coisas.

— Isso não é difícil. Eu e Anúbis provavelmente encaixamos lá direitinho e ainda sobra espaço — disse Anput.

— Não é tão simples — disse Tawaret ao lado de Bes. A deusa hipopótamo deu uma piscadela diante da revelação do segundo detalhe — Não é só conseguir entrar e a caixa fechar, é entrar e encaixar perfeitamente.

— Não faltar espaço, nem sobrar espaço — disse Bes.

Eles voltaram a olhar para o andar de baixo. Alguns deuses, como Sekhmet, Khonsu e Hathor já tinham tentado ganhar a tal caixa que, talvez servindo ao seu pequeno desafio, também não era um quadrado perfeito. Alguns deuses obviamente logo não viam sentido em tentar experimentar a caixa já que eram obviamente pequenos demais, mas poucos eram quase tão grandes como a caixa. Set também experimentou e deu uma risada provando que não daria o presente para si mesmo quando espaço sobrou ao lado de seus ombros.

— Porque não tenta você, irmão? — disse Set estendendo a mão que segurava vinho para Osíris — Quase todos os mais parrudos, altos e gordos tentaram. Certamente chamaremos Ra ou nosso querido pai Geb para testar em seguida.

— Não, obrigado, irmão. Estou bem — disse Osíris evitando o pedido.

— Ora, tente. Não custa nada — insistiu Khonsu dando de ombros.

Sempre escoltado por seus fiéis guarda-costas, Osíris se aproximou da enorme caixa. Alto, forte, a expectativa dos outros deuses aumentava quando parecia que ele iria caber perfeitamente. E, quando ele se arrumou dentro da caixa provando que cabia com perfeição, esta se fechou magicamente emitindo uma forte onda mágica que empurrou os guarda-costas que estavam ali do lado para longe.

Lentamente as pessoas percebiam que tinha algo errado, mas os deuses que serviam à Set fora mais rápidos pois eles não foram pegos de surpresa. O caos começou quando começaram lutas e bloqueios impedindo à todos de chegarem perto da enorme caixa que se sacudia com Osíris tentando se soltar.

Anúbis, Anput e Bes chegaram a pular do segundo andar para chegar até Osíris, mas o plano deles foi frustrado por Sekhmet que saltou na direção deles conseguindo acertar os três ao mesmo tempo com seu corpo grande e musculoso jogando-os para mais longe da caixa. Ísis gritava quando Set fez a caixa se erguer no ar. Ele mesmo também se ergueu no ar diante da caixa e sacou uma espada feita especialmente para aquele dia.

O braço forte de Set descreveu arcos diagonais, horizontais e verticais de todos os tipos acertando a caixa mas magicamente atravessando sua superfície de madeira como se esta fosse água. Nos primeiros das dezenas de golpes que Set aplicou na caixa, pode-se ouvir os gritos de Osíris que estava preso na caixa. Depois, apenas o silêncio na caixa e a confusão entre os outros deuses. Lentamente, os pés de Set tocaram o chão e um sorriso arrepiante lentamente se abriu em seu rosto quando a caixa se quebrou finalmente exatamente nos lugares onde ele tinha cortado revelando Osíris de olhar vitrificado. A caixa caiu no chão com um baque surdo mas Osíris não. Na verdade, nos mesmos lugares que Set havia cortado, o corpo de Osíris se repartiu. Mão, braço, pés, perna, cabeça, pescoço. Os deuses assistiram paralisados de medo e surpresa ao ver o corpo do faraó se dividir em vários pedaços grotescos que pingavam sangue na superfície do palácio improvisado enquanto se desmontavam como se Osíris fosse um boneco macabro de montar.

Ninguém sabia o que fazer e ninguém conseguia chegar perto pois os aliados de Set faziam de tudo para se certificar disso. E logo eles não precisariam mais tentar quando se tornasse tarde demais. Quando, de dentro para fora, o palácio se desfez como um castelo de areia varrido pelo vento e junto com ele, cada pedaço do corpo de Osíris se separou saindo voando para longe deixando os deuses ali, no meio do nada e da areia, chocados para o ponto no céu onde antes Osíris estava.

Notas finais
E AÍ! O QUE ACHARAM DO MOMENTO MAIS FAMOSO DA MITOLOGIA EGÍPCIA? MUAHAHA! SIM! VAMOS À MORTE DO OSIRIS! ### REFERENCIAS ### A morte de Osíris - https://en.wikipedia.org/wiki/Osiris_myth Bes - https://riordan.wikia.com/wiki/Bes#Appearance / https://en.wikipedia.org/wiki/Bes Sekhmet - https://riordan.wikia.com/wiki/Sekhmet Hathor - https://riordan.wikia.com/wiki/Hathor Bat - https://en.wikipedia.org/wiki/Bat_(goddess) Narmer - https://pt.wikipedia.org/wiki/Narmer Jóias - https://ancientegyptonline.co.uk/jewellerycollar.html Moda - https://casorojewelrysafes.com/fashion-and-jewelry-in-ancient-egypt/ Pedras preciosas - https://www.gemrockauctions.com/fr/learn/did-you-know/ancient-egyptian-jewellery Vinho - https://en.wikipedia.org/wiki/Egyptian_wine Sarcófago - https://pt.wikipedia.org/wiki/Sarc%C3%B3fago ###################