A Morte Da Rainha Branca
1 Oneshot
Notas iniciais
Isto não é uma série, embora eu ainda tenha algumas ideias... talvez eu escreva um pouco mais. Talvez não. Deixem suas opiniões e críticas, façam a autora feliz :)
E, por favor, me avisem sobre quaisquer erros de gramática e ortografia.
Esta fic é minha estréia no Nyah e é bem mais lenta e sentimental do que meus textos normais. Não sou fã de melodramas. Se ficou melosa demais, por favor avisem.
Eu esperava no frio corredor do palácio. Estava quieto e triste, como aquela noite. Por trás da porta fechada, pude ouvi-la dizer:
-Não, não me calcem os sapatos! Não posso andar mesmo. Quero que saiam todas daqui. E mandem entrar o conselheiro Tolei!
A porta se abriu e várias meninas, suas damas de companhia, saíram do aposento. Uma delas dirigiu-se a mim e pediu que eu entrasse. Assim fiz.
Silenciosamente, o séquito desapareceu no corredor. Fechei a porta.
-Conselheiro Tolei, é você? Fale algo, para eu poder reconhecê-lo.
Oh! Então ela também estava cega. Aproximei-me de seu leito e murmurei:
-Sou eu, minha Rainha. Estou aqui.
-Oh- seu rosto abriu-se em um sorriso — Sim. Não há mais ninguém no quarto, certo?
-Ninguém, Majestade.
-Vê lá, hein? Confio em você. Agora, temos assuntos a dicutir... mas aqui não é seguro. Leva-me para um passeio — pediu ela.
Obedeci. Tomei-a em meus braços, passei pela porta que dava para o pátio e cruzei o chão de pedra. Ela mal respirava em meu colo, e eu sentia seu coração bater fragilmente... segurei-a mais forte. Não era difícil, do jeito que havia perdido peso. Vê-la naquele estado me partia o coração.
Chegamos ao jardim.
-Ponha-me no chão- ordenou, e no chão estava. Sentei-me ao seu lado. Recostada em uma árvore, ela mexia com os pés na grama, talvez uma das poucas coisas que ainda podia fazer.
-Tolei, eu estou partindo... você entende? Acho que é bastante óbvio. Enfim, não é isso que importa. Há outra coisa.
"Por Mercúrio, o que poderia ser mais sério?" pensei.
-O feitiço que protege o Reino Branco se dissipará quando eu for, e eu não sei o que acontecerá. A Rainha Negra... pode atacar a qualquer momento. E você, meu amigo, terá de preparar o país para uma guerra.
Ah, sim Havia isso.
Eu assenti, sem demonstrar que estava ruindo por dentro... mas eu fui egoísta. Na verdade, não eram as possibilidades de guerra ou destruição que me afligiam — era saber que, em pouco tempo, eu a perderia. E contra isto, não havia nada que eu pudesse fazer.
-Tolei, você me ouviu? Responda!
-Sim, Majestade!
-O que planeja fazer?
-Eu... não sei! Sinceramente, não consigo pensar nisso agora. Outra coisa não deixa!
-Por Mercúrio, homem! O que poderia ser mais sério?
Ela virou-se para uma pedra, encarando-a. Provavelmente achou que estava se dirigindo a mim, pobrezinha... Delicadamente, eu guiei seu rosto até que estivesse na direção do meu.
-Oh- ela exclamou, corando de vergonha — então você está aí. Mas que graça, não?
Lançou-me um sorriso frágil, e eu... eu não pude mais. As lágrimas caíram de uma vez em meio a soluços descompassados, como a água que destrói uma represa depois de ficar contida por muito tempo. Ela entendeu o motivo de minha dor. Com as mãos, procurou meu rosto, tentando secar as lágrimas — inútil, pois não cessavam.
-Não, não faça isso... você precisa ser forte agora, pelo seu país!- disse ela, apertando os olhos. — Não lamente minha partida, bom amigo. Todos nós partiremos um dia...
Mas ela era tão jovem! Mal chegara à meia-idade, e já estava cega e paralisada como uma velha. Foi aquele maldito feitiço, arrancando-lhe a vida como uma sanguessuga nojenta... Tantas vezes eu quis dizer-lhe para suspendê-lo. Mas eu sou um conselheiro, preciso agir com razão! Pensar na segurança do reino, e na sempre presente ameaça da Rainha Negra...
-Leva-me de volta agora. Quero chegar a tempo de jantar.
Tomei-a no colo outra vez. Voltei ao palácio a passos rápidos, preocupado com o sereno e com o jantar. Estava tão imerso em meus pensamentos que não percebi seu coração pulsar cada vez mais fraco...
Mais fraco...
E eu parei de senti-lo.
-Majestade! Majestade!- eu chamava desesperadamente, tentando acordá-la, esperando que fosse apenas uma brincadeira de mau gosto. Quando éramos jovens, ela vivia pregando peças em mim...
Mas não desta vez.
-Não!!
Os criados ouviram meus gritos e vieram correndo. Instalou-se a confusão: uns choravam, outros tentavam reanimá-la, outros chamavam mais criados. Eu assisti à cena, só com minha dorinsuportável e a amarga consciência de que nada mais poderia ser feito.
-Adeus, boa amiga- eu murmurei entre um e outro soluço.- Você foi muito mais...
Tão triste termina, como começou.
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