A Morte Bebe Leite
1 Capítulo Único - A Morte Bebe Leite
Notas iniciais
Bem-vindos à mais uma passeio pela minha mente louca e levemente interessante... Acho que dessa vez, mais louca do que qualquer outra coisa... Kkkkkkkkkkkkkkkkk
Essa fic era pra ser uma partida d'O Jogo do Desafio Duplo, mas a pessoa que estava jogando comigo não teve tempo de escrever... Vou deixar a ficha abaixo mesmo assim...
Enfim, boa leitura...
Título:A morte bebe leite( na moral só sei dar nome quando termino)
Mínimo - Máximo de Palavras: 1000 a 2500
Música: Milk and cookies - Melanie Martinez
Tema: Envenenamento
Personagens (1 - 4): Beth Saia Curta
Precisamente oito e vinte e três da noite quando meus ouvidos são agraciados pelo som do portão elétrico abrindo. Sempre o mesmo horário. Ouço o motor suave do carro desligar e, após o ranger da porta da frente, as batidas ritmadas dos saltos altos de minha mãe contra o chão de madeira cor de tabaco. Esse ritual é tão constante que eu poderia ajustar um relógio só por conta dele.
Depois de largar o sapato ao lado do tapete que ficava na entrada de seu quarto, ela caminhou para o meu, empurrando devagar a porta para me encontrar deitado na cama, porém de olhos abertos e com um sorriso largo no rosto.
“Oi, meu anjinho. Não está com sono ainda?” Me questionou em tom carinhoso.
“Caindo de sono. Mas não podia dormir sem um beijo de boa noite da minha Rainha” Respondi de um jeitinho infantil.
“Amorzinho da mamãe, eu já disse que não precisa me esperar.” Ela se aproximou e sentou ao meu lado na cama, impregnando meus pulmões com seu cheiro delicioso e inebriante. “Porque acordado ou não, eu sempre vou vir aqui te dar um beijinho e admirar essa criança linda que fiz.”
“Mas eu gosto de ver a senhora antes de dormir. Eu durmo melhor.” Sorri esticando os braços para abraçá-la pela cintura.
“Você é tão fofo, meu pequeno.” Mamãe acariciou meu cabelo e me deu um beijo na testa. “Eu te amo muito, príncipe. Agora que já cheguei e te dei boa noite, é melhor o mocinho pegar o tem pra Terra dos Sonhos ou vai ficar de corpo mole na hora de ir pra aula.”
“Sim senhora. Já estou com meu ticket em mãos e pronto pra viagem.” Soltei-a a contra gosto e me aconcheguei mais no lençol. “Antes de ir, preciso dizer que o Treinador não tava se sentindo muito bem essa noite. De novo. Sempre digo pra ele tomar algum remédio, mas não acho que ele tá seguindo as minhas recomendações porque só tá ficando cada vez pior.”
“Eu dou um puxão de orelha nele, pode deixar. Apenas durma, querido.”
Nesses momentos é que tenho certeza de que tudo o que fiz e que estou fazendo são o certo. Minha mãe me ama mais do que qualquer coisa e eu sinto o mesmo por ela.
E quem não faria de tudo pela mulher que ama?
Minha mãe é professora de português de ensino médio, por isso nunca ficou tanto tempo em casa. Meu pai trabalhava só meio período como vendedor de carros e vivia se gabando por me criar como se fosse o melhor pai do mundo. Mas era só fachada. Ele me largava na frente da televisão, do computador ou do celular e ficava o dia inteiro assistindo SporTV.
Mamãe sempre cuidou muito melhor de mim no pouco tempo livre. Levando-me pra andar na praça de bicicleta, cozinhando minhas comidas preferidas, vendo desenho comigo, me ajudando com os deveres e me ensinando a ser um ávido leitor.
Papai fingia não ser um cara machista, nunca bateu ou gritou com ela. Mas ele era machista sim, de um jeito bem sutil. Minando pouco a pouco a autoestima de minha Rainha, afastando-a devagar dos amigos e fazendo-a acreditar que dependia dele. Isso era ainda mais nojento.
Isso sem mencionar aquela, desculpe a palavra, desgraçada da Elisabeth da rua de baixo. Ou, como os meninos do bairro costumam chamar, Beth Saia Curta, que jamais perdia a chance de vir até minha casa quando mamãe não estava, e papai sucessivamente dava espaço pras gracinhas dessa garota assanhada com idade pra ser filha dele.
Eu sabia que minha mãe merecia coisa melhor e percebi aos sete anos de idade, quando me descobri apaixonado por ela, que eu poderia ser esse cara.
Comecei a arquitetar um plano. Primeiro eu me livraria do meu pai bundão, faria com que a minha Rainha não tivesse tempo pra nada além de mim, assim ela ficaria carente, depois entraria pra academia ou faria alguma atividade física pra virar, perdão a palavra de novo, um gostosão e me exibiria pra ela.
Eu não sabia como cumprir a parte um do plano até o dia em que fiquei entediado e fui ao escritório de minha mãe procurar um livro em sua prateleira. Escolhi um chamado A Marca De Uma Lágrima. O final me deixou chateadíssimo por meu OTP só ter rolado literalmente na última página, mas ler sobre o plano da vilã* foi muito útil porque era perfeito já que meu pai tomava remédios para dormir.
Não vou dizer que foi fácil conseguir o material para por essa ideia em ação já que eu tinha só nove anos na época, mas com determinação e esforço consegui. Papai estava fora da jogada.
Três anos depois, tudo corria como o esperado, mas aí entrei pra aula de Jiujutsu e o fato do mundo de minha mãe girar ao meu redor se virou contra mim. Meu instrutor acabou se interessando por ela e se aproveitando primeiro que eu da carência que reguei e cuidei tão atenciosamente no coração dela durante tanto tempo.
Claro que fiquei irritado. Irritadíssimo, aliás. E o pior foi nem ao mesmo poder demonstrar porque, falando na teoria, o Treinador não fez nada de errado e estava fazendo minha Rainha feliz.
Entretanto, eu já consegui me livrar de um obstáculo no meu caminho antes e não vou entregar a mulher que amo de bandeja pra qualquer um agora.
Mas lhes conto meus planos amanhã, agora preciso dormir ou, como minha Rainha disse, vou acabar fazendo corpo mole pra ir pra escola e não quero que ela me veja como imaturo, embora eu tenha apenas doze anos ainda.
(...)
Acordei, fui para a aula, tirei um cochilo, fui para o treino e agora, como prometido, irei contar como vou tirar a nova pedra no caminho para a felicidade ao lado da mulher que amo.
Comecei fingindo que gostei de ter de volta uma figura masculina na minha vida. Tenho saído muito com ele, feito coisas que garotos fazem. O que é um saco porque tenho que me fazer de burro ou o cérebro de macaco do Treinador não consegue acompanhar a conversa.
Descobri muitas coisas sobre meu adversário (comprovado, o melhor é manter os inimigos perto), uma delas foi que, como eu já desconfiava por conta de seu tamanho e gênio, ele é o tipo de cara que quase nunca procura um médico, preferindo tomar por conta própria todos os remédios possíveis, farmacêuticos ou caseiros, antes de desistir e por fim resolver ir pra um hospital. Nem preciso dizer o quanto isso facilita as coisas para mim.
Não me vejam como uma pessoa má, um psicopata mirim ou algo do gênero. Nem pensem que eu sinto prazer em matar porque não é bem assim, ok?
Apenas faço o necessário para que a mulher que amo tenha o melhor homem, o homem que ela de fato merece ter ao lado. E esse homem serei eu em três anos e meio. Enquanto isso, preciso manter longe os caras errados, entendem?
Claro que preparar os biscoitos especiais com um sorriso de canto enquanto ouço Melanie Martinez torna minha aparência um tanto quanto sádica, mas apenas acho incrível como não importa a situação ou o estado de espírito que você esteja, sempre vai existir uma música que parece refleti-lo exatamente.
Do you like my cookies?
They’re made jut for you
A little bit of sugar
But lots of poison too
De novo, não vou dizer que foi fácil conseguir porque definitivamente não foi. Dessa vez foi até pior do que a última porque aquilo era um remédio para dormir muito perigoso em doses erradas. Já isso é um veneno sem cor e sem cheiro. Dado em pequenas quantidades, causa sintomas muito comuns e até mesmo corriqueiros de várias outras doenças, e mata com uma eficiência estupenda caso não receba tratamento de imediato. Como dito anteriormente, o Treinador não vai a hospitais a não ser que todos os outros métodos tenham sido experimentados.
Os biscoitos terminaram de assar, separei os dele dos meus em pratinhos, enchi dois copos com leite morno, coloquei tudo em uma bandeja e levei pra sala, onde ele assistia De Volta Para o Futuro 2 na minha televisão, sentado no meu sofá.
“Não somos muito velhos pra comer biscoito com leite?” Questionou-me com um sorriso miúdo.
“Você sabe que eu não conto se você não contar, Treinador.” Respondi retribuindo o sorriso com uma piscadela.
Repousei a bandeja na mesinha de centro, peguei meu prato e meu copo, começando a comer em silêncio enquanto fingia dar atenção ao filme, mas o observava pela visão periférica.
Em menos de dez segundos minha vítima deixou a pose de adulto máster de lado e se deixou seduzir pelos biscoitos doces e envenenados. Foi fácil como roubar um pirulito de uma criança de três anos.
Levará alguns dias, talvez semanas e o Treinador estará fora do jogo.
Terei minha Rainha de volta só pra mim, ainda mais fragilizada. Me aproveitar disso pode parecer maldade, mas, como disse, só estou usando os meios que posso para fazê-la feliz no futuro. O ditado popular já nos ensina há décadas: os fins justificam os meios.
Notas finais
Espero que pelo menos tenha gostado. Kkkkkkkkkkkkkkkkk
Só por curiosidade, como vcs imaginaram, se imaginaram, o garoto, a mãe e/ou o Treinador?
xoxo
Atenciosamente, Leonardo Guedes.
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