A Morte
1 A Morte
Notas iniciais
Espero que gostem!
Boa leitura!
“A noite fria obrigava-me a vestir o casaco que eu levava em meu braço. Ao meu lado, meu pai tentava inutilmente esquentar suas mãos, esfregando-as uma à outra. Do outro lado, minha mãe sorria enquanto segurava minha mão. Havíamos acabado de jantar em um pequeno restaurante. Naquele momento, voltávamos para casa”.
“Os passos lentos e despreocupados da minha família deixavam-me calmo, apesar de a escuridão noturna ser assustadora”.
“Então, nós avistamos aquela pessoa aproximando-se de nós. Aquele homem não andava, mas cambaleava. Tentava manter-se em pé, porém não conseguia, chegando a quase cair a cada passo dado. Em sua mão, algo brilhava assustadoramente”.
“Ao notar o brilho, minha mãe apertou minha mão contra a sua. Ela engoliu em seco e colocou-me atrás de si. O braço do meu pai atravessou a frente da minha mãe”.
“- Calma – ela sussurrou para apenas eu ouvir”.
“Meus olhos travessos correram para o homem. Ele ainda ‘caminhava’ em nossa direção, e percebi, naquele momento, que mamãe começou a tremer levemente”.
“O homem parou de repente. Ele levantou sua cabeça e observou minha família. Seu cabelo negro e sujo caía sobre seus olhos, dando-lhe um ar sombrio. Estava totalmente bêbado e fora de si”.
“- Vocês formam uma família tão feliz... Tão diferente da minha... – ele começou a queixar-se. – Minha mulher tem um amante, minha filha de dezesseis anos vende seu corpo e meu filho se droga... Essa vida é um saco! Mas ver vocês, de alguma forma, me dá tanta raiva... Que eu posso até...”
“Antes de completar a frase, ele levantou a mão que carregava o que brilhava. Eu pude finalmente ver aquela arma de fogo. Aquele revólver que ele apontou em nossa direção parecia ainda mais assustador à luz do luar”.
“Minha mãe gritou e virou seu corpo em minha direção, abraçando-me a fim de proteger seu único filho de ser baleado. Eu apenas deixei várias e várias lágrimas caírem pelo meu rosto infantil”.
“Logo, eu ouvi os dois disparos. O sangue escorrendo pelo meu corpo, deixando-o quente. O sangue parecia queimar-me”.
“No mesmo instante, as lágrimas pararam de ser produzidos, e tudo o que meus olhos fizeram foram arregalar-se. O bêbado gargalhou alto o suficiente para fazer um eco pela rua. Ele, então, deixou-nos sozinhos”.
“- Ma...Mãe... – chamei com todas as forças que me restaram.”
“Ela não respondeu, estava morta, caída em um sono profundo sobre meu corpo pequeno. Virei meu rosto tão rápido para o lado que me deu dor no pescoço. Arrependi-me, pois, ali, caído ao nosso lado, estava meu pai, com sangue deixando sua boca. Assim como mamãe, ele estava morto. E a única coisa que pude fazer foi gritar o mais alto que pude”.
“Eu, com oito anos, havia perdido meus pais cruelmente”.
- Essa é a história, senhora – pronunciei enquanto ainda segurava o cabo da faca com força.
Já tinha dezesseis anos quando comecei a contar essa história para o único ser que poderia me ajudar.
Estava ajoelhado no meio de um quarto escuro, cheio de sombras fantasmagóricas. À minha frente, um corpo residia, o sangue caía no chão, sujava meus joelhos. Minha faca estava também suja daquele mesmo líquido vermelho.
Em meio a todas aquelas sombras, havia uma única real, e eu estava conversando com essa sombra.
- Senhora Morte, ouviu toda minha história? – perguntei para aquilo que usava um manto negro sobre seu corpo.
O capuz apenas balançou para cima e para baixo, revelando que concordava comigo. Eu sorri rapidamente. A morte, que segurava sua foice firmemente, caminhou até mim e tocou meu queixo com sua mão feita apenas de ossos. Então, levantou meu rosto.
- Por que me chamaste, mortal? – indagou. De algum jeito, eu sabia que ela sorria por debaixo do capuz.
- Tenho um desejo... – pronunciei firme.
- E qual seria este desejo tão forte?
- A morte – disse enquanto uma lágrima solitária deixava meu rosto. – Agora que matei o homem que matou meus pais, apenas quero que me leve para onde eles estão.
- Claro. Afinal o que eu, uma simples Morte, posso fazer contra o amor humano?
Então, a última coisa que senti em vida foi à lâmina fria da foice tocando-me a pele e cortando-a. Meu corpo já sem vida caiu sobre o chão duro, derrubando a faca que minhas mãos seguravam. Então, a Morte fechou meus olhos.
- Bons sonhos – ela sussurrou.
Quando abri meus olhos novamente, percebi que era aquela criança de oito anos mais uma vez. Levantei-me lentamente. Virei-me e lá estavam eles, meu pai e minha mãe. Eles sorriam como pouco antes de eu perdê-los. Corri até eles com um sorriso estampado em meus lábios. Eles me abraçaram.
Daquele momento em diante, éramos novamente aquela família feliz.
Notas finais
Mereço reviews? *-*'
Até o próximo conto de morte, gente!
Takoyaki ~ Bolinho de Polvo!
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