A Moonlight Waltz - Spellbound
14 Capítulo 14
Cibele Milan
A noite estava chegando ao final e eu ainda não havia aprendido mexer naquela coisa que funcionava através do toque. O manual era complicado demais de se entender e estava em muitas línguas, se estivesse em latim eu compreenderia bem melhor. Os primeiros fracos raios solares foram dados e eu fiquei contando as horas e os minutos para que desse meio-dia, era um crime ignorar o sono e dormir pouco, mas valeria à pena. As cortinas do meu quarto eram Black-out; não permitiam que nenhum raio solar tocasse algo dentro de minha fortaleza, então eu poderia fazer o que quisesse sem ter que me preocupar com o dia que raiava lá fora. Como será que Evan deve estar vestido nesse calor? Ouvi dizer que hoje começa o verão. Sem ter o que fazer e morrendo de tédio joguei-me na cama cantarolando enquanto novamente tentava fazer aquele pequeno pedaço colorido funcionar. Sem sucesso. Joguei aquele monte de folhas pregadas que continham informações a respeito do aparelho no lixo ao lado da cabeceira da minha cama; droga de manual! Os minutos iam se arrastando e as horas passavam junto com eles enquanto eu somente fitava aquele pedaço colorido jogado em cima do lençol negro de cetim.Eu tinha que ligar para o Evan. Peguei o celular na mão e comecei a fuçar por mim mesma, quando me dei conta já era meio-dia, forcei minha ultima tentativa sobre o aparelho e acabei tendo sorte. O teclado digital apareceu e com eles os números, deixei-o ligado sobre a cama e me virei tirando de dentro da gaveta do criado mudo o papelzinho que Evan havia me entregado no dia anterior. Rapidamente disquei e fiquei aguardando enquanto ouvia alguns barulhos estranhos no pequeno telefone.-Vai, atende logo! -Mordi o lábio ansiosa esperando poder ouvir a voz de Evan.-Alô? -Disse ele num tom de dúvida.-Adivinha quem é? –Hã? Porque eu falei uma coisa tão infantil?-Pelo doce tom de voz, é a minha gata. -Ele deu uma risadinha sexy.-Como você está?-Eu vou bem, e você Belle? -Belle? Ninguém nunca me chamou assim.-Estou melhor agora ouvindo sua voz. Quando a gente pode se encontrar? -Pulei direto para o assunto.-Podemos ir amanhã sexta à noite no Shopping.-E tem Shopping nesse lixo de cidade?-Bem mais pro centro tem um bem legal.-Eu topo ir. Que horas e aonde a gente pode se encontrar?-Eu passo na sua casa aí de carro.-Não! -Gritei. Sorte que dessa vez a porta tava fechada. -O meu pai Evan...-O sogro...tá eu te encontro as 7h30 naquele estacionamento.-Tá bem, eu estarei lá.-Ok. Beijos. -...Ahn, beijos. -E desliguei. –è parece que eu estou pegando o jeito da coisa. – disse olhando para o visor do celular.Lirith VenutoEu estava sentada na ponta da cama tampando a minha nudez com o lençol roxo, minhas costas estavam à mostra para não atrapalhar os beijos e as mordidas que Vlad me dava. Aos poucos isso foi me cansando e eu dei por mim que toda a carência havia sumido. Apareceram seqüências de imagens na minha mente, como o primeiro olhar no Vlad até a hora em que ele me mordeu e me condenou pelo resto da eternidade sem morrer. Como isso me deprime.Ele percebeu meu desconforto e se deitou puxando-me pela mão e me aninhando em seu peito. O sono profundo o buscou e logo Vlad passou a dormir como uma pedra, levantei-me e peguei minhas peças de roupa no chão vestindo-as. Definitivamente porque eu fui aceitar a louca idéia de Cibele? Pelo menos espero que ela seje mais feliz do que eu. Passei horas rodeando o quarto até anoitecer. Os primeiros raios do crepúsculo tingiram o céu e a noite logo fora anunciada, Vlad ainda se encontrava dormindo então sumir não seria problema. Toquei a maçaneta e a girei fazendo o mínimo de ruído possível, ao abrir a porta senti uma profunda frieza queimar minha costas. Olhei de relance e o vi acordado.-Já vai querida? – Eu apenas balancei a cabeça me despedindo, Vlad levantou da cama e pegou sobre acabeceira seu robe negro vestindo-o, andou até minha direção e me deu um frio beijo na testa. Apenas o olhei por este gesto e imediatamente deixei seu quarto. Estava na hora de ser livre.Passando pelas ruas, eu sentia uma vontade de mudar de vida, se eu continuasse assim provavelmente entraria no abismo da depressão. Eu queria ser como as mulheres modernas que eu via nas fotos coladas ao alto dos prédios .Com minha velocidade cheguei ao centro da cidade -que é realmente longe- tanto que tive que parar para respirar um pouco. Andando pelas ruas dali, algumas pessoas me encaravam; não os culpo, não deve ser todo dia que os mortais vêem uma mulher vestida às antigas. Entrei na primeira loja de roupas que bati o olho. Comecei andar corredor por corredor e nas prateleiras, eu queria algo diferente, chamativo. Cheio de vida. Andando até o final achei uma peça de roupa do jeito que estava procurando.Estava no manequim aquele conjunto que congelou meus olhos nele. Era uma regata com uma blusa paetê, junto vinha uma mini-saia de paetê, todo o conjunto era preto. E finalizando o look tinha uma meia estrategicamente rasgada e ankle boots.
-Está interessada no conjunto?-Disse a vendedora me olhando com seus olhos brilhando.-Sim, traga-me ele.Ela imediatamente foi pegar o conjunto e enquanto isso, eu enchi a sacola da loja com roupas que eu olhava e me agradavam. Tempos de mudanças.-Aqui está. -Ela me deu a sacola.-Ótimo. -Disse pegando um óculos preto que está na moda. -Vamos para o caixa.A vendedora deu as costas para mim e seguiu o caminho para o caixa satisfeita, ela lucraria muito com aminha compra, mas mal sabe ela que não receberia nada por isso. Coitada. Antes que ela se virasse, eu corri para casa em alta velocidade, só parei no meu quarto quando percebi que estava respirando de forma falhada.Após recuperar meu fôlego peguei todas as roupas da sacola e as joguei em cima da cama, fui separando peça por peça e guardando no meu guarda roupa. Deixei o conjunto de paetês por ultimo. Entusiasmada vesti-o com gosto. Olhei para mim mesma agora vestida nos trajes da moda atual e mal acreditei que minha mudança havia começado.. A roupa era realmente confortável e havia ficado muito bem em mim. Sem mais delongas sentei-me a cama e calcei as botas seguindo para minha penteadeira. Prendi o cabelo como um rabo-de-cavalo e coloquei os óculos escuros. Agora iria liberar as tensões na boate que havia descoberto. Bill KaulitzJá fazia algum tempo em que não via Lirith, aliás, nunca mais a vi. Estava sentindo falta de seu cheiro, de seu corpo, da voz dela. De seu rosto marmóreo sem expressão e de seus olhos verdes vítreos. Ela me fazia muita falta e só de pensar nela eu ficava louco. Ficava tão insano que nem havia reparado que estava andando em círculos no quarto. Lirith, Lirith, onde está você agora? Sentei-me a cama e cruzei as pernas, logo me veio a mente um barulho de música desconhecida e vozes, entre elas a de Lirith. Eu podia ouvir cada pensamento dela que aos poucos se desintegrava e tornava-se outro. Eu podia senti-la perto. Levantei-me um tanto desajeitado da cama e segui para a garagem, abri a porta do carro e ativei através do controle a abertura da garagem, após a porta se abrir completamente sai em disparada para o centro. Quanto mais eu pisava no acelerador mais perto dela eu estava, até que sua presença ficou forte de mais. Freei o carro e olhei do outro lado da avenida, uma nova casa de show havia sido inaugurada há algum tempo. A voz de Lirith e seus pensamentos vinham dali. Tranquei o carro e ativei o alarme, logo atravessei aavenida e fiquei na porta da boate. Havia muitas pessoas estranhas entrando e saindo do recinto, as roupas não eram modernas, pareciam ser medievais. Deve ser alguma festa a fantasia. Assim que entrei na boate, várias pessoas me olharam e vieram em minha direção. Lirith VenutoEu estava dançando sensualmente com muitos homens ao meu lado, e aos poucos os senti se afastarem de mim. Ainda dançando fui me virando até ver que eles estavam em volta de outra pessoa. Eram tantos que mal dava para ver de quem se tratava.-Me solta! – gritou a voz em alto e bom som. Aquela voz passou nos meus ouvidos como laminas e de imediato a reconheci. Oh não, Bill, mas o que ele estaria fazendo aqui? Sem demora segui até onde amultidão se encontrava, aquilo definitivamente não iria prestar.
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