A Missão
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Atravessei com o olhar o salão escuro que iluminava-se por vezes apenas por causa dos jogos de luzes coloridos, impedindo minha visão de assimilar devidamente o local em que estávamos. Mesmo que Renesmee me dissesse para ser quem eu quisesse naquela noite, eu não conseguiria ser outra pessoa, a não ser aquele que foi designado a proteger a vida do tesouro do quase primeiro ministro dos EUA.
Logo percebi que eu não estava sozinho. Ao meu redor, outros seguranças pessoais escoltavam seus tesouros. Havia muita bebida, e até algumas drogas rolando, mas que nada que fosse alarmante e que fizesse me preocupar com Renesmee. Ela sempre foi cabeça feita, claro, aprontou muito das suas, mas nunca a ponto de usar algo ilícito e prejudicial a saúde.
Enquanto eu observava o andar da carruagem lá dentro da festa, percebi como eu conhecia pouco da minha pequena protegida. Imaginei quando foi que ela teve conhecimento deste lugar e se algum dia ela chegou a vir nele. Sendo que eu sempre estava em seu encalço. Nessie era uma caixinha de surpresa, senão posso dizer de pandora. Misteriosa até certo ponto, doce como um capuccino que se aprecia o cheiro nas noites de inverno. E quente, extremamente quente, dentro daquele vestido chumbo acetinado, que contrastava com sua pele quase translucida e seus cachos avermelhados. Uma visão que poucos não olhariam, e que eu não estava conseguindo desviar os olhos.
Onde passava, Renesmee deixava um rastro de cabeças que viravam de forma quase instintiva, e meu sangue fervia a cada olhar masculino de luxuria. Eu sabia que não tinha direito nenhum sobre ela, mas era inevitável. Fui condicionado desde cedo a estar ás suas sombras, seria estranho se eu não tivesse o sentimento de posse. Ness virou a cabeça para trás e sorriu para mim. Ela estava feliz. Nessie vivia dizendo o quão difícil era manter o protocolo de “filha de Edward Cullen”. Sempre rodeada de regras, visitas a cidades para promover a carreira do pai, discursos e mais discursos assistidos, sem contar no quanto ela sofreu na escola quando seus colegas a julgavam através do pai. Era terrivelmente difícil viver algum momento só dela, e aquela viagem que estávamos fazendo era um desses momentos.
Peguei uma bebida da bandeja do garçom que transitava perto de mim, e me deliciei com o gosto de maçã e pêssego do champanhe Joseph-Perrier Cuvée Royale Brut. Se a noite continuasse daquele jeito, regado de mutia bebida cara e deliciosa, eu até poderia aliviar um pouquinho as rédeas de Renesmee.
Avistei mais ao longe, Ness cochichar no ouvido de outro cara. Ele era alguns centímetros mais alto que ela, não tinha o corpo tão atlético, mas não era magro. Os cabelos ondulados loiros, me lembravam aquele garoto cantor Justin alguma coisa. Mas ela não parecia estar se importando com isso, pareciam se conhecer á algum tempo já e aquilo fez-me perguntar outra vez quando foi que isso aconteceu. Talvez via e-mail. Eu esperava. A mão do tal sócia do Justin, escorregou lentamente das costas dela, e foi parar na curvatura de sua bunda. Meu sangue ferveu, e se p champanhe que estava em minhas mãos não fosse tão bom, certamente eu já teria despedaçado a taça entre meus dedos. Entornei o resto do líquido, larguei a taça em qualquer lugar e rumei em direção onde os dois pombinhos estavam sentados.
– Algum problema Renesmee? – perguntei, não gostando nenhum pouco de ver a maneira como ele cobiçava meu tesouro. Ela olhou-me divertidamente.
– Bem pelo contrário Jacob, apenas soluções. – ela deu aquele sorriso maroto que sempre costumava soltar quando queria zombar de minha cara. – Algum problema Jacob?
– Talvez. Mas ele é pequeno. Fácil de eliminar. – dei de ombros.
Renesmee riu alto, estava se divertindo com aquilo, enquanto o garoto com cara de desprezo olhava-nos sem entender nossa conversa. Ness explicou rapidamente que eu era seu segurança, disse que voltava logo e puxou-me pelo braço até um canto mais sossegado da boate.
– Já acabou? – ela cruzou os braços e ficou a me olhar.
– Acabou com o que? – indaguei.
– Sua ceninha de ciúmes. – ela levantou uma sobrancelha, e olhou-me debochadamente outra vez.
– Não estou com ciúmes, apenas te protegendo. – minha garganta secou diante sua acusação. Era óbvio que eu não estava com ciúmes, mas eu não havia gostado nenhum pouco daquele garoto. Ele me lembrava os outros babacas que ela já havia saído.
– Não precisa se preocupar com isso. Na verdade, Romeu é filho do Presidente dos Estados Unidos. – arregalei os olhos, como poderia o filho do homem mais importante do mundo estar assim a mercê de qualquer um. Afinal, eu não havia visto nenhum segurança ao seu redor. – Estou apenas assegurando a candidatura de meu pai. Quanto mais próxima de Romeu eu ficar, mais próximo de meu pai o presidente ficará.
– Tudo bem, mas caso note alguma movimentação suspeita, quero que me avise imediatamente. – cruzei os braços pra enfatizar minha ordem.
– Sim senhor capitão! – ela bateu continência.
– Então quer dizer que você só está aí com ele por pura intenção profissional?
– Sim. Talvez. – ela mordeu o lábio vermelho inferior – Não é sempre que se tem um Romeu caindo aos seus pés, não é?
– Engraçadinha.
– Talvez eu me torne sua Julieta hoje a noite.
– Prefiro que você continue sendo apenas Renesmee. – ri ironicamente.
– Com ciúmes outra vez, Sr. Blakc?
– Não. Mas se ele fizer algo contra você irei reviver as cenas do filme: Romeu tem que morrer.
Renesmee riu alto, perante minhas atitudes de posse. Ela aproximou-se de mim, e beijou demoradamente o canto de minha boca.
– E ele vai. — Ness sussurrou, antes de voltar para os braços de Romeu. Aquela frase fez meu corpo estremecer. As vezes o humor de Renesmee não era apenas negro ou sórdido, era sádico. Mas como tudo na vida, precisei me acostumar com esse se jeito estranho de ser.
Por mais que eu não gostasse que Renesmee ficasse de chamego com aquele garoto – mesmo ele sendo o filho do presidente dos EUA – eu não tinha direito de intervir nas suas vontades pessoais. Mais precisamente na sua vida pessoal. Apesar de diante dos olhos de seus pais, nós estivéssemos ali como namorados. Ri sozinho quando lembrei da cara de Edward. Era um homem respeitável, muito correto, mas que protegeria a filha com os próprios punhos se fosse preciso. E, claro, ele nunca aceitava muito bem nenhum de seus namorados. Até me surpreendi quando relaxou e concordou com nossa viagem.
Dei mais algumas voltas pela festa, e invejei aquela vida luxuosa. Garotas com diamantes até de baixo das unhas, homens com botões de ouro maciço em seus ternos, carros que extrapolavam o valor do meu salário mensal – as vezes até anual. Era esse tipo de vida que eu queria, era por esse tipo de vida que eu fazia o que fazia. Matava por matar, não me importando se era certo ou não. Minha adoração por Renesmee e sua família era gigante, mas eu não aceitaria passar o resto da minha vida servindo a outros. Eu queria ter os meus próprios seguranças. Beberiquei mais uns dois copos daquela bebida dos deuses, foi quando ouvi aquele grito agonizante, desesperado e assustado fazer a festa inteira congelar, principalmente meu sangue.
A música parou, e aos poucos garotas passavam com a mão na boca, a expressão de aterrorizadas estava impregnada em seus belos e maquiados rostos. De repente a festa virou um caos, tanto as garotas como os garotos eram rapidamente escoltados por seus seguranças para fora da festa. Olhei ao meu redor e não encontrei Renesmee em lugar algum, meu sangue foi do gelado ao quente em questão de segundos. Corri até onde ela estava com Romeo, e chegando lá fui entender o motivo do alvoroço todo.
– TRANQUEM AS PORTAS, NINGUÉM SAI DESTE LUGAR! – ouvi um segurança com o emblema da Casa Branca na lapela do terno, avisar pelo microfone do DJ. Em questão de segundos, todos estavam trancafiados dentro daquele recinto e o sentimento de pânico e medo predominava em todos ali.
Romeu Williams, estava estirado em um dos sofás, com a garganta aberta. O sangue esvaia-se de seu corpo, manchando sua camisa, e contrastando com o couro branco do estofado. Uma de suas mãos ainda segurava o copo de champanhe, a outra pendia para o chão. Uma cena um tanto quanto chocante. Os olhos esbugalhados, como se tivesse sido pego de surpresa. O desespero dos quatro seguranças de Romeu era desconcertante. A vida desses homens estavam perdidas, agora iriam mendigar por emprego, e precisariam até mudar de país para conseguirem seguir com suas vidas normalmente. Sem nenhum fantasma do passado para interromper.
Mas quem poderia ter feito aquilo?
Antes mesmo de continuar com a próxima dúvida, lembrei-me do meu tesouro. Procurei por todos os lugares, perguntei para algumas pessoas se a tinham visto, mas até então nada. Renesmee havia sumido, e agora eu que começava a ficar desesperado. Ela poderia muito bem ter sido sequestrada e terem saído com ela antes de fecharem as portas.
– RENESMEE! – gritei e não recebi nenhuma resposta, apenas alguns olhares confusos – NESS! – gritei outra vez, e nada de novo. Meu coração deve ter dado uma pequena pausa, porque doeu. Doeu saber que ela podia estar em perigo, mas doeu mais ainda saber que ela poderia estar morta.
Corri até o banheiro, o único lugar no qual eu ainda não havia olhado. Não me importei se era o banheiro feminino, apenas adentrei e mais uma vez naquela noite meu sangue correu solto por entre minhas veias. Eu não sabia se ficava feliz por encontrá-la lá, viva, sã e salva. Ou se ficava aterrorizado por vê-la tentar limpar uma mancha vermelha em seu vestido.
– Renesmee, o que é isso?
Nessie olhou-me espantada, mas logo sorriu. Meu corpo estremeceu, pois ela estampou nos lábios aquele maldito sorriso sádico.
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