Capítulo 22

POV Demi Gilbert

-Riley, podemos passar em casa do Damon primeiro?

-Porquê? – perguntou ele, mas indo em direção a casa dele.

-Preciso de saber se ele está bem. Elijah e ele tiveram uma luta…

-Tu queres dizer, Elijah deu-lhe uma coça – interrompeu-me ele e eu gargalhei.

-Sim, isso mesmo.

-Está bem – disse ele e entrámos na propriedade dele.

Riley parou o carro atrás de um jipe.

-Não reconheço este carro – comentou ele, tirando o cinto de segurança.

-Nem eu – concordei e saímos do carro.

A porta de casa estava aberta. Algo se passava. Um frio gélido percorreu-me a espinha e instalou-se no meu estômago.

-Mantem-te atrás de mim – murmurou ele, tirando do bolso do casaco uma estaca.

-Riley… — suspirei e entrámos na casa, silenciosamente. Peguei no seu ombro e fiquei a espreitar.

Alaric estava no chão inconsciente. Saí de detrás de Riley e coloquei os meus dois dedos no seu pescoço. Sem pulso. Olhei para o meu amigo, chocada.

-Morto – proferi, sem qualquer som.

Ele acenou e continuou a caminhar. Na sala não havia nada, mas na biblioteca sim. Damon estava lá acorrentado, com sangue a sair-lhe do pescoço e vários homens à sua volta, incluindo uma mulher loira.

Arfei por ar e Riley foi rápido em tirar-nos da mira dele. Colocou uma mão na minha boca e puxou-me para o seu peito.

-Shhh – sussurrou ele ao meu ouvido. – Passo por passo, vamos sair daqui e chamar a única pessoa que nos pode ajudar agora: Elijah.

Acenei com a cabeça, com as lágrimas a tentarem brotar pelo meu rosto. Ouvimos Damon a gritar.

-Agora – disse Riley e num passo apressado e silencioso saímos de casa. Assim que saí de casa, corri até ao carro.

Peguei no meu telemóvel e com as mãos trémulas, procurei na lista de contactos o número de Elijah. Ainda bem que ele mo tinha dado.

-Demi, respira – pediu Riley, conduzindo para fora da propriedade dos Salvatore.

-Sim? – disse Elijah, do outro lado da linha.

-Elijah? Preciso da tua ajuda – falei.

POV Riley Clouds

-Estão à procura disto? – perguntou Elijah, entrando na sala, com Demi. Não gostei nada daquele olhar dele para ela, mas não tinha outra hipótese. Lobisomens eram tão temíveis como vampiros. Ainda mais lobisomens à procura de vingança. – Vão em frente, peguem-na.

-Agora! – exclamou Demi e eu entrei com a arma a postos. Comecei a disparar sobre eles.

Elijah avançou e despedaçou o coração de dois indivíduos, uma deles fugiu e o outro escondeu-se com o capuz. Que imbecil.

Aproximámo-nos os três dele.

-E quanto a ti, querido? – indagou Elijah, obrigando-o a levantar-se. – Não queres tentar? Não? Sim? Não? Onde está a rapariga?

-Não sei – disse Damon.

-Não é realmente importante – falou Elijah e com um murro, quebrou o pescoço ao lobisomem.

Depois foi até Damon e arrancou-lhe as correntes que o prendiam à cadeira.

-Tens a noção que é a terceira vez que te salvo a vida?

Trocou um último olhar a Demi e saiu, não sem antes pegar na selenita.

-Tchau, Damon – disse ela, sorrindo para mim e virando-se para sair de casa.

-O quê? Vais deixar-me aqui?

-Tens o Alaric – respondeu ela, continuando a andar, e eu atrás dela. – Não ficas sozinho.

Saímos de casa e levei-a a casa.

-É impressionante como nunca conseguimos ter um dia sem algo sobrenatural acontecer à nossa volta.

Ela sorriu perante o meu comentário.

-É mesmo.

-Tem cuidado com Elijah – recomendei. – Não confio nele.

Ela alargou o seu sorriso.

-É claro que não confias. É um vampiro.

-Não é só por causa disso… acho que ele pode ter algum interesse em ti. E como disseste, é um vampiro. Já te chega o Damon.

O seu sorriso desapareceu completamente.

-Desculpa, não queria…

-Não faz mal – interrompeu-me. – Está tudo bem.

Estacionei de frente para a sua casa.

-Obrigada pela boleia. Vemo-nos por aí – deu-me um beijo no rosto. – E se reparares, somos ótimos parceiros no crime.

Sorri forçado e ela saiu do carro. Vi-a entrar em casa e depois segui para a minha.

Entrei em casa silenciosamente e dirigi-me para a cozinha, onde estava toda a família. Incluindo o meu irmão e a sua “noiva”.

-Ah, ainda bem que chegaste! – exclamou a minha irmã. – Senta-te! Íamos mesmo agora começar a jantar.

-Que bom – resmunguei e sentei-me entre ela e Lilianne.

-Lilianne estava agora a contar-nos que já viveu aqui – disse a minha mãe, colocando a salada na mesa. – Mas é engraçado porque não me lembro de a ter visto aqui alguma vez. Lembras-te de alguma coisa, Riley?

-Não, nada – menti. É claro que eu sabia que ela era de uma das famílias fundadoras, tal como nós, a questão era que ela era uma vampira que tinha sido transformada no século XIX.

-A minha família vivia um pouco longe do centro da cidade. E eu tinha aulas em casa – disse ela, sorrindo para mim.

-E onde se conheceram? – perguntei, com a fúria a subir.

-No campus – respondeu o meu irmão. – Estacionámos a bicicleta ao lado uma da outra.

-E foi uma sorte – disse ela, sorrindo toda romântica para o meu irmão. Só me apetecia vomitar.

-Querido, estás bem? – indagou a minha mãe para mim.

-Sim, claro. Só estou um pouco cansado. Acho que vou pular o jantar.

-Riley, temos convidados – falou o meu pai com o seu tom autoritário.

-Oh, se for mim, por favor, não se incomodem. Tenho a certeza que teremos outras oportunidades para falar – ela sorriu para mim. Céus, era mesmo igualzinha à Demi, à exceção do sorriso e do brilho perigoso no olhar.

-Claro – concordei e controlei-me para não revirar os olhos. – Bom jantar.

Subi as escadas para o meu quarto. Deitei-me na cama e fiquei a observar o teto. Havia tanta coisa na minha vida naquele momento que eu não sabia o que fazer. E depois havia Jennifer. Ela tinha-me mandado uma carta há poucos dias a dizer que ainda gostava de mim e que gostaria de passar algum tempo comigo nas férias de Natal. Trazê-la cá seria uma atitude suicida, mas ir para Nova Iorque, passar uns tempos fora de Mystic Falls era uma boa ideia.

O problema era Demi e tudo o resto. Jamais a deixaria aqui, sem Damon para a proteger e com um Original à volta dela, que as intenções ainda eram desconhecidas.

POV Demi Gilbert

Tocaram à campainha e eu fui abrir, já que Melinda estava a dormir. Ela tinha conseguido uma promoção e tinha passado para o horário da manhã, ou seja, tinha que se levantar às quatro da manhã.

-Elijah! – exclamei, vendo-o à porta.

-Olá – disse ele, educado como sempre. – Vim saber se estavas bem.

-Ótima, obrigada.

-Ainda bem – ele sorriu um pouco. – É que Damon e tu terminaram e…

-Eu estou bem – interrompi-o. – E sinceramente, não quero falar disso.

-Entendo – ele acenou com a cabeça. – Fiquei feliz por me teres telefonado. Significa que conquistei a tua confiança.

Sorri e inclinei a cabeça para o lado, encostando-me à soleira da porta.

-E isso é importante para ti porque…

-Porque significa que irás facilitar a minha tarefa em proteger as pessoas que Elena se importa.

Acenei com a cabeça e semicerrei os olhos.

-Quando é que Klaus irá aparecer?

-Não sei, Demi – respondeu ele e vi que estava a ser sincero. – Mas prometo que não deixarei que ele chacine esta cidade.

-Ei, tens sítio onde ficar?

Outro sorriso discreto.

-Estás a convidar-me para entrar?

-Só se não tiveres lugar onde ficar.

-Na verdade, eu tenho lugar para passar a noite – disse ele. – Mas obrigado pelo convite.

-Então, até mais, Elijah – falei.

-Vemo-nos por aí, Demi.

©AnaTheresaC

Notas finais
O que acham de Elijah? Ele terá algum interesse na Demi?
E Lilianne está a começar a arriscar, aparecendo assim para as pessoas.
XOXO,até para a semana!