A Minha Vida Em Mystic Falls - Season 2
14 Capítulo 14
Capítulo 14
POV Demi Gilbert
Quando voltámos, ficou um ambiente estranho, mas Alaric contou uma piada e tudo ficou melhor.
-Stefan não atende, estou a começar a ficar preocupada – falou Elena, sentada entre mim e Caroline, olhando para o telemóvel.
-Talvez não possa – sugeri.
-Se calhar está a caçar coelhinhos – falou Caroline com uma atitude estranha. Caroline tinha melhorado imenso desde que tinha começado a namorar com Matt, mas naquele momento parecia a Caroline fútil e bitch.
-Não percebo – falou Elena, triste.
-Não te preocupes, OK? – disse. – Depois disto tudo acabar, vamos a casa dele, está bem?
Elena sorriu para mim, e tudo pareceu melhor entre nós.
-Ás vezes esqueço-me que também tens um namorado com problemas.
-Damon é… Damon – concluí e rimos as duas. Caroline fechou a cara. – Que foi, Car?
-É que vocês parecem lidar com esta questão demasiado bem! – exclamou ela. – E, quero dizer, não é suposto darem-se bem com esta coisa porque vampiros podem arrancar as vossas jugulares a qualquer minuto!
-Caroline! – repreendeu Elena.
-Jenna e Mason podem ouvir! – falei baixinho, apontando para trás de nós.
-E depois? Eles deviam saber! O que achas que eles iriam dizer? Melhor, a tua tia sabe que namoras com um vampiro? – perguntou ela, virando-se para mim, julgando-me com o olhar.
Passei-me completamente.
-Para Caroline! – gritei. – Que coisa! Vai tratar da tua TPM e não me chateies!
Todos olharam para mim, mas eu levantei-me e fui para a cozinha, como se nada tivesse acontecido.
-Tens que ter mais calma com a Caroline – falou Damon ao meu ouvido.
-Também a estás a defender? – perguntei, incrédula. Damon defendia Caroline pela primeira vez. Uau, que novidade!
-Demi! – repreendeu Melinda e eu e Damon olhámos para ela. – Caroline é tua amiga e tens que compreender que nem todos estão no seu melhor neste momento. É verdade ou não que ela e Matt acabaram?
Acenei com a cabeça, a muito contra gosto.
-Vês? Ela está triste e isso fá-la dispersar a angústia para as amigas. Ela não se quer zangar contigo, só está triste – falou ela, com um sorriso no rosto.
Damon pegou na minha mão e a eletricidade voou entre nós. Olhei para ele, incrédula. Ele também parecia alarmado.
-Isto foi estranho – murmurou ele e Elena apareceu.
-Acho que tens razão, Demi. É TPM, sem dúvida – comentou Elena e eu sorri amarelo. Abriu uma caixa azul grande.
-O que é isto? – perguntou Damon, subitamente curioso.
-Faqueiro de prata da avó da Elena. É uma relíquia – respondeu Jenna e Damon sorriu travesso.
-E essa tarte, Jenna? Está com bom aspeto, não está?
-Sim, está – falou ela e quase atirou a tarte para os braços dele. – Toma, leva para a mesa.
Damon sorriu e pegou elegantemente numa faca de prata para cortar a tarte. Prata. Mason era um lobisomem. OMG, isto não ia correr nada bem. Peguei numa faca de prata e coloquei-a no bolso de trás das calças e disfarcei com a camisola por cima. Coloquei-me ao lado de Damon, olhando para Mason curiosa com o que ele ia fazer.
-Mason, tu primeiro – falou Damon.
Mason olhou para a faca, para a tarte, para Damon, Alaric e depois para mim. Pegou na tarte tirando uma parte com a mão.
-Que rude da minha parte! – exclamou ele. – Sou um animal!
Semicerrei os olhos e sentei-me ao lado de Damon que pareceu ter ganho a lotaria. Caroline acabou por se juntar a nós e todos comemos a sobremesa.
-E agora, que vamos fazer? – perguntou Alaric, subitamente.
-Pictionary! – exclamou Caroline, de repente e todos olhámos para ela. – O quê? Só uma sugestão.
-Uma excelente sugestão – falou Damon sorrindo demasiado para ela.
Pisei-lhe o pé com o salto e ele olhou para mim, ofendido.
-Cuidado com esses olhos. Podem não viver mais um dia para ver a luz do sol.
Ele fez beicinho de cachorrinho abandonado e eu revirei os olhos.
-Demi, posso falar contigo? – perguntou Melinda e eu acenei com a cabeça.
Enquanto todos foram jogar Pictionary para a sala, saímos da casa dos Gilbert e sentámo-nos no banco que estava no alpendre.
-Já começaste a ter alguns sintomas?
Ah, então era isso. Em vez de querer fazer as pazes comigo, ela queria saber se eu já tinha começado a ter sintomas do poder que a cobra me tinha dado.
-Ainda não.
-Mas há um que é visível.
-Ai sim? E qual é?
-Essa arrogância com tudo e com todos – respondeu ela, sem hesitar e o meu sorriso irónico desapareceu.
-Tem atenção aos teus sonhos. De certeza que a próxima mudança vão ser os teus sonhos.
Entrou em casa e deixou-me ali, a pensar no assunto. Elena apareceu subitamente, preocupada.
-Stefan não atende. Estou a pensar em ir lá. O que achas?
-Ainda não atendeu? Isso é estranho – comentei.
-É, eu sei. Demi, com a Katherine e a Lilliane cá, eu tenho medo do que lhe pode ter acontecido.
-Eu levo-vos – ofereceu-se Caroline, o que eu achei muito estranho.
-Eu ainda fico por cá – disse. – Mas vocês vão e depois dêem-me notícias. Também estou preocupada com ele.
Elena sorriu e abraçou-me.
-Até logo.
-Tchau, Caroline – falei e ela sorriu. Seguiram as duas para a casa dos Salvatore e eu entrei em casa.
Como só estavam eles, tinham começado a jogar poker com talheres. Eu sei, ridículo. E quem estava a ganhar? Damon.
-Ótimo! Assim somos número par! – exclamou Jenna, que parecia ter bebido um pouco mais do que devia. – Entra no jogo!
-Já que tanto pedem – brinquei e começámos a jogar todos.
As horas pareceram voar naquele bocado divertido, e recordou-me como era estar entre humanos e amigos, como as coisas podem-se tornar bastante banais.
-Está na hora de eu ir – falou Mason quando o jogo acabou.
-Então também vou andando – disse Damon.
-Eu ajudo-te a arrumar as coisas, Jenna – ofereceu-se Melinda.
-Obrigada, dava-me mesmo jeito – disse Jenna e encaminhámo-nos para a porta.
Damon vestiu-me o casaco e despedimo-nos de Alaric e Jenna.
-Jenna – falou Damon, beijando a mão de Jenna – , és uma anfitriã maravilhosa.
-E tu és um terrível artista – disse ela, tirando a mão.
-É a única coisa que me faz terrível?
-Ainda estou a decidir – falou ela, olhando rapidamente para mim.
-Suficientemente bom para mim! – exclamou Damon e eu dei um abraço a Jenna.
-Alaric – disse Damon, enquanto abria a porta -, não vamos combinar aquele jogo para a semana.
Ri. Mason não iria viver até para a semana.
-Até foi divertido – comentei. – Depois da Elena preocupada com o Stefan se ter ido embora e a Caroline com TPM também.
-Tenho que admitir que estou a adorar essa tua arrogância, mas eu gostava mais quando eras mais doce.
-Ah, agora sou arrogante?
-E ciumenta – disse ele, abrindo a porta do carro dele para eu entrar.
-Não sou nada!
-Hum-hum.
Ligou o carro, mas em vez de seguir em frente como era suposto para irmos para casa, virou na primeira curva.
-Onde vamos?
-Reparei que tens aí algo afiado nas tuas costas — tirou delicadamente a faca. – Acho que vou dar utilidade a isto. Estás comigo?
-Acho que é desnecessário perguntares – disse.
-Ele é teu tio.
-E segundo me lembro, tu também mataste uns quantos familiares – respondi, fria.
Estacionou atrás do Mystic Grill, com os lábios cerrados. Desligou o carro e ficámos ás escuras.
-Vamos esclarecer uma coisa, aqui e agora: eu já fui muito mau, mas tu mudaste-me. Agora, quando olho para trás tudo o que sinto é ressentimento por ter feito as coisas que fiz. A outra coisa é que se eu tivesse que matar a minha família inteira para estares a salvo, eu faria isso, sem piscar os olhos. Eu irei sempre escolher-te e não precisas de ficar com ciúmes porque tu és única e serás sempre minha. Estamos entendidos?
-Perfeitamente – falei, passados uns segundos.
-Muito bem, agora o plano é tu apareceres ao pé do Mason e falares com ele sobre sentimentos e blá blá blá, e quando chegar a hora, eu dou-lhe uma belíssima facada com esta arma branca da vovó Gilbert. Que tal?
-Maravilhoso. Começamos agora?
-Estou mesmo atrás de ti – disse ele e saímos os dois do carro. Ele desapareceu instantaneamente, e eu fui andando para o Grill. Passei por um jipe que sabia ser do Mason e ele abriu a porta.
-Demi?
-Oi – falei, docemente. – Tudo bem?
-Que se passa? – perguntou ele.
-Agora mostras preocupação?
-Eu não sabia o teu parentesco – disse ele, desesperado. – Desculpa, prometo que não volta a acontecer.
Suspirei.
-Espero que não, Mason. O que fizeste realmente magoou-me, assim como magoou as pessoas que eu amo. Mas eu queria falar sobre outro assunto.
-Sobre a Tiara.
-Sim, era sobre isso.
-Como está ele? – perguntou Mason, de repente. – Nunca soube nada sobre ele, nem sei onde ele vive?
-Kellan – respondi. – Era o nome dele.
-Como assim “era”?
-Ele morreu, Mason. No acidente que matou a Tiara e o Aaaron.
Ele pareceu chocado e os olhos começaram a lacrimejar.
-Tens… uma fotografia ou algo assim?
-Sim, tenho, está sempre na minha carteira – falei e abri o fecho da bolsa.
Mason grunhiu e caiu aos meus pés. Abri a boca, num grande O de espanto.
-Vamos, temos que ser rápidos – disse Damon e eu corri para ajudá-lo a abrir o porta bagagens.
-Sabem... – disse Mason e eu congelei. Virei-me para o encarar, completamente chocada. Não era suposto ele estar morto? – Acho que foram os lobisomens que começaram esta coisa da prata.
Ele levantou-se e caminhou até nós com calma.
-Provavelmente para momentos como este.
Afastámo-nos os dois e eu atrás de Damon, com medo. Eu sabia do que o Mason era capaz de fazer, e agora tinha sido irritado por mim e pelo Damon.
-Devidamente anotado – disse Damon, mas Mason olhava para nós com ameaça e escárnio nos olhos. Será que ele nos ia fazer alguma coisa?
-Estava ansioso pelo próximo passo – disse ele, olhando para mim. – Mas tu foste uma desilusão. Para ninfa, nem és muito ameaçadora. Agora, tu… Bem, eu já sabia do que eras capaz.
Aproximou-se de nós e eu peguei no braço de Damon, com a respiração entrecortada.
-Agora, fizeram um inimigo.
Respirei fundo, tentando acalmar-me, mas ele tinha feito uma ameaça declarada a nós dois. Do nada, ele foi empurrado para trás. Olhei alarmada para Damon.
-Corre! – exclamei e corri o mais que podia até ao carro dele.
Entrámos e Damon guiou o mais rápido que podia até casa, e só parámos quando já estávamos na garagem.
-Isto foi divertido – comentou ele e eu tentei não revirar os olhos.
-Não quero repetir a dose tão proximamente.
Saímos do carro e vi um vulto encostado à parede, mesmo ao lado das ferramentas.
-Mau dia? – perguntou uma voz demasiado conhecida, e no início até pensei que fosse Elena, mas não, era Katherine.
-Mau século – respondeu Damon. – Sabia que andavas por aí, mas aqui? És tão burra para estares aqui?
Algo me ocorreu de repente. Elena e Caroline tinham vindo ver Stefan, mas o carro de Caroline não estava por ali. Katherine estava aqui, o que significava que ela tinha vindo fazer algo cá.
-Elena – disse em voz alta e aproximei-me dela. – O que lhe fizeste? Melhor, o que fizeste a Stefan?
-Hum, temos uma heroína que não mede as consequências – brincou ela, enrolando um fio do seu cabelo encaracolado no dedo e olhando para mim, com os olhos a brilhar de diversão.
-Que se passa? Estás com ciúmes de eu ter passado o dia com o Stefan? Cuidado, já estive entre os dois irmãos, e acredita, não é nada fácil. E tu, Damon? Também estás com ciúmes?
-Não sou uma galdéria, ao contrário de ti – respondi rapidamente, com a fúria a subir-me à cabeça.
-Não estou com ciúmes, Katherine. Não contigo. Não mais – respondeu Damon, com calma.
-Então porquê esse mau humor de vocês os dois? – perguntou ela e colocou um dedo no meu ombro e obrigou a movimentar-me para o lado.
-Tentei matar um lobisomem e falhei. Sinto que não estou no meu melhor neste momento.
-Bem, lobisomens não são uma presa fácil – comentou ela, aproximando-se de Damon com a anca a movimentar-se demasiado.
-O que sabes sobre lobisomens? – perguntei, mas ela respondeu para Damon, não para mim.
-Porque não perguntas ao teu irmão? Não tentes ser o herói, Damon. Irás acabar morto.
-Já lá estive. Já morri. Pelo menos desta vez terá valido a pena – disse ele, com uma calma controlada que eu não sabia onde ele a ia buscar. – Anda, Demi. Já está tarde.
Esticou a mão para mim e eu peguei-a. Mais uma vez, a eletricidade passou por nós os dois e Katherine olhou para as nossas mãos juntas.
-Em tempos até gostei de estar no meio, mas isso já me aconteceu uma vez. Até mais.
Desapareceu e eu olhei para Damon.
-Ela mete-me medo – murmurei.
-Porquê?
-Porque ela olha para ti de uma maneira… e eu já sei a história de vocês os dois… e ela é má.
Abraçou-me.
-Ás vezes acho ridículo teres ciúmes, especialmente neste caso, mas compreendo-te. Katherine é incapaz de amar alguém para além dela mesma. Nunca foi de outra maneira, nem será de outra maneira. Para além disso, eu já não a amo. Podes ficar descansada, porque eu jamais irei tirar os olhos de ti.
Sorri e abracei-o com mais força.
Notas finais
Próximo capítulo será, no mínimo, super assustador.
XOXO
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