Notas iniciais
Today on A minha vida em Mystic Falls...
Foi uma dádiva...
-O que aconteceu? O que era aquela coisa? perguntei-lhe.
-Uma cobra dos bosques respondeu Melinda. Foste marcada.
-Como assim, marcada?
Ou uma maldição...
Tirei a camisola e quando vi a dimensão daquilo, arfei. Estava horrível. Era horrível.
-Não murmurei horrorizada. Os dois pontos eram profundos, sangrentos, com a carne a ver-se e apesar de a ferida já estar limpa, era horrível. Para além disso, o veneno tinha-se espalhado por ali, e algumas veias estavam mais salientes que outras.
Mas há sempre uma escapatória...
-Damon! exclamei. Onde estamos?
-Na Geórgia.
-O quê? perguntei, chocada. Onde vamos?
-Um lugar que eu adoro.

Capítulo 8

POV Demi Gilbert

Arfei por ar e abri os olhos. Damon foi o primeiro rosto que me apareceu, seguido de Elena, Bonnie e Melinda.

-O que aconteceu? – perguntei-lhes.

-Não te lembras? – indagou Bonnie.

Tentei recordar-me e as minhas mãos voaram para o meu ombro.

-Não – negou Damon, parando as minhas mãos. – Não queres ver.

-O que aconteceu? O que era aquela coisa? – perguntei-lhe.

-Uma cobra dos bosques – respondeu Melinda. – Foste marcada.

-Como assim, “marcada”?

-Foram-te dados super poderes para te ser possível defenderes de criaturas sobrenaturais – Melinda voltou a responder.

-Que poderes?

-Ninguém sabe – respondeu Bonnie. – Só a cobra sabe. E tu, brevemente.

-Assim que for o meu aniversário – completei e olhei para Damon em choque.

-Talvez. Talvez antes – falou Melinda.

Neguei com a cabeça, em choque.

-Não.

Encolhi-me na cama, mas Damon segurou-me e fitou-me com os olhos muito abertos.

-Não importa o que aconteça, eu estou aqui.

-Não quero – murmurei, de maneira a só ele ouvir.

-Eu estou aqui – falou ele, no mesmo tom. – Eu estou ao teu lado. Sempre.

Aquilo de alguma forma tranquilizou-me, mas não totalmente.

-Vai demorar uns dias a sarar. O mais provável é ficares com uma cicatriz para sempre – falou Melinda e eu voltei a lembrar-me da mordida. Tinha sido horrível, tinha doído e ela tinha perfurado com força, depois, adormeci. Coloquei lá a mão e doeu.

-Au! – exclamei e Damon tirou a minha mão imediatamente.

-O melhor é ficares a repousar durante uns dias – sugeriu ele.

-Nem pensar! – exclamei e olhei por apoio em Elena e Bonnie, contudo, as duas estavam desfeitas. – Porquê esses olhares?

Levantei-me de repente, rezando para Damon não me apanhar. Entrei na casa de banho e tranquei a porta.

-Demi! – gritou Melinda batendo com força na porta.

Tirei a camisola e quando vi a dimensão daquilo, arfei. Estava horrível. Era horrível.

-Não – murmurei horrorizada. Os dois pontos eram profundos, sangrentos, com a carne a ver-se e apesar de a ferida já estar limpa, era horrível. Para além disso, o veneno tinha-se espalhado por ali, e algumas veias estavam mais salientes que outras.

-Não – voltei a dizer e vesti a camisola. Encostei-me à banheira e coloquei a cabeça entre os joelhos, tentando respirar e não tentar o pânico tomar-me.

POV Damon Salvatore

Ela destrancou a porta e eu fui o primeiro a entrar. Ela tinha caído no chão, desfeita em lágrimas. O meu coração, apesar de não bater, falhou uma batida por a ver ali, deitada no chão.

-Demi – chamei-a e obriguei-a a encarar-me. Ela estava com a mesma expressão de quando Elena tinha descoberto a foto de Katherine no quarto de Stefan. – Olha para mim.

-Damon, ela não está bem – afirmou Elena, ajoelhando-se ao lado dela. – Isto não foi boa ideia. Devíamos de ter trancado a porta.

-Não – murmurei, vendo os olhos dela fecharem-se lentamente. – Demi!

-Damon – disse a tia dela, colocando uma mão no meu ombro. – Ela entrou em choque. Talvez seja melhor assim.

-Damon! – gritou Bonnie e eu olhei para onde ela apontava. A cobra estava a olhar para mim, fixamente, com a língua de fora a trepidar.

Levantei-me, pronto para atacar a qualquer momento, assim que ela fizesse algo. Ela avançou lentamente sobre mim e depois abriu a boca, mostrando as suas presas brancas e longas. Preparou-se para me atacar, mas Bonnie afastou-a de mim. Focou-se nela e Melinda pegou na mão de Bonnie.

-Canaliza através de mim. Precisas da minha energia para a mandar daqui para fora.

Bonnie acenou e começou a recitar algo. A cobra não parecia estar a gostar muito daquilo e foi-se embora, descendo as escadas. Só depois percebi que Elena estava agarrada ao meu braço, apertando-o firmemente, tremendo de medo e com a respiração ofegante.

-Elena? – chamei-a e ela olhou para mim com os olhos castanhos muito assustados. – Calma.

Ela respirou fundo e olhou para Demi, caída no chão, ainda inconsciente. Levantei-a e voltei a deitá-la na cama. Sentei-me ao seu lado, não me importando que houvesse três pares de olhos a fitar-me.

-É melhor eu ir embora – falou Elena. – Bonnie, vens comigo?

-Sim, vou – disse Bonnie. Aproximou-se de mim e colocou uma mão no meu ombro. – Nunca nos demos bem, sabes disso, mas desculpa.

Não lhe respondi. Na verdade, mal a ouvi. Tudo o que eu queria saber era que ela iria ficar bem. As três foram-se embora e Melinda voltou a aparecer no quarto.

-Bonnie e Elena não me quiseram dizer o que raio estavam elas a fazer na cave, mas fui lá e faltavam algumas caixas.

-Ela é curiosa e teimosa. Quer descobrir tudo por conta dela – disse-lhe, mas o nó na minha garganta impediu-me de prosseguir. A culpa era minha. Se eu tivesse ido buscá-la à escola, ela não teria vindo a casa. Eu não a deixaria cometer uma parvoíce como ir a uma cave sozinha, sem proteção alguma. Bonnie tinha lá estado, mas não tinha sido suficiente.

E depois havia Lilliane. Aquela vampira maluca e doida por atenção estava cá e eu ainda não tinha descoberto o motivo.

-Damon, podes ir, eu fico aqui com ela.

-Ela não confia em ti – disse-lhe. – Quero ser a primeira pessoa que ela vir quando acordar.

-Vou avisar a escola que ela não vai esta semana.

Acenei com a cabeça e fiquei ali a noite toda, sem adormecer ou pestanejar, esperando ela acordar do sono profundo em que ela estava.

POV Demi Gilbert

Acordei com Damon ao meu lado. Estava a fitar-me fixamente e sorri. Contudo, as imagens do dia anterior assolaram-me e o meu sorriso desfez-se. A minha mão correu para a ferida, mas Damon parou-a e negou com a cabeça.

Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto e escondi o rosto no seu peito. Não queria que ele me visse assim. Eu não era assim.

-Desculpa – falei.

-Porquê?

-Porque agora já não sou perfeita – murmurei enquanto tentava controlar os soluços.

-Mas que parvoíce é essa? Demi, tu és perfeita.

-Já não sou mais.

-Olha para mim – mandou ele e obrigou-me a fitá-lo. As suas duas grandes mãos rodearam as minhas maçãs do rosto e eu não tive oura solução senão olhar para ele. – Tu és perfeita para mim. Não é uma estúpida cicatriz que te vai fazer imperfeita.

-Tens a certeza? – perguntei-lhe.

-Tenho. Demi, tu és a única que eu amo e não vai ser uma cicatriz que vai fazer mudar os meus sentimentos. Prometo.

Abracei-o e evitei não chorar.

-Eu amo-te – murmurei.

-E eu a ti. E hoje vamos fazer algo que tu gostes.

-Damon, eu tenho escola – disse-lhe.

-Não, não tens. Tens que curar isso e a tua tia já avisou a escola.

Sorri.

-Então isso significa que o meu desejo se vai realizar?

-Qual era o teu desejo?

-Não ter aulas – respondi revirando os olhos. – Vá lá, Damon, não me digas que quando andavas na escola não querias isso?!

-Pergunta ao Stefan. Ele é que adora a escola – disse ele, piscando muito os olhos. – Já não me lembro de nada da escola.

Sorri.

-Mas continuas a ser a minha Wikipédia.

Ele sorriu enviesado.

-Mas só teu.

-Nem eu deixaria alguém pesquisar-te sem minha supervisão.

Ele arregalou os olhos e eu corei.

-Não nesse sentido. Tu percebeste!

-Claro, claro. É melhor mudares de amigos, esses são muito pervertidos.

-Damon! – exclamei e empurrei o seu ombro.

-Eu adoro-te assim – disse ele e rolámos na cama, ficando ele por cima. Gargalhei e coloquei as minhas mãos nos seus cabelos negros e sedosos.

-Eu sei que sim.

Bateram à porta e Damon voltou ao lugar, como se nada tivesse acontecido.

-Sim? – falei, e ajeitei o cabelo.

Melinda abriu a porta e sorriu, feliz por me ver acordada.

-Acordaste! – exclamou ela e lágrimas vieram-lhe aos olhos.

-Eu estou bem – falei. – Damon disse que estou dispensada a semana toda. É verdade?

Ela acenou com a cabeça e o seu sorriso desapareceu, quando notou o que o meu silêncio implicava.

-Não posso dizer que te compreendo, e tu sabes disso – falou ela, deixando escapar uma lágrima.

-Eu sei. Mas não podes fazer nada para me impedir.

Ela cerrou os dentes e olhou furiosa para Damon.

-Nem penses em atacá-lo! – gritei, sentindo algo a ferver dentro de mim. – Sabes bem do que eu sou capaz.

Ela revirou os olhos e fechou a porta com força. Recostei-me nas almofadas, respirando fundo.

-Dizes que me amas, não é? – perguntei, olhando para Damon. – Então prova-o e diz que me apoias.

-Sempre – disse ele, sem pensar duas vezes.

Levantei-me da cama e fui à casa de banho. Prendi o cabelo com um elástico e tirei a camisola para ver melhor a ferida. Ainda lá estava mas já tinha feito crosta. Respirei fundo. Não, não ia começar a entrar em pânico.

Virei-me para o chuveiro e entrei. Tomei um banho relaxante e saí da casa de banho. Damon estava de costas para mim, a mexer na minha secretária. Tirou um caderno azul-escuro e abriu-o.

-Ei! – gritei e corri até ele. Ele levantou o caderno no ar e sorriu. – Dá-me!

-Porquê? O que tem de especial?

-É… é… — engasguei-me. Ele ia rir-se de mim se soubesse que eu tinha um diário, de certeza.

Arqueou as sobrancelhas e eu saltei para tentar pegar no caderno. Ele abriu-o no ar e começou a lê-lo:

-“Querido diário, hoje tenho grandes planos. Chantageei o Kellan e ele vai sair com os pais para um concerto de ópera, enquanto que eu vou ficar em casa, a ser menina que se quer deitar cedo para o primeiro de aulas. Na verdade, eu vou…

-Damon! – gritei, sabendo o que vinha a seguir.

-“Na verdade, eu vou sair com a Sarah e com o resto da malta, vou curtir com alguém na pista de dança, vou chegar a casa um pouco bêbeda e no dia seguinte vou acordar bem cedo, provavelmente com Nate ao meu lado”.

Olhei para ele, furiosa.

-Não sabia que era o teu diário. Desculpa – disse ele, mas na verdade ele não tinha qualquer ponta de arrependimento na voz.

-Tu pagas! – exclamei enquanto ele saía do quarto.

-“Vou acordar ao lado do Nate”! – ironizou ele e eu atirei-lhe com uma caneta, que falhou e bateu na porta, já fechada.

Procurei uma roupa para vestir, e escolhi uma blusa azul escura com mangas a ¾, um casaco que também tinha o mesmo feitio mas era branco, uns calções de ganga, uns sapatos de salto grosso e baixo cor de creme, uma mala azul clara e branca, eyeliner, rímel, batom e perfume: http://www.polyvore.com/look_spring/set?id=45584363

Depois, arrumei o resto das minhas coisas, retirando tudo que sabia que iria fazer falta em casa do Damon, como por exemplo as coisas da escola, computador portátil, carregador do telemóvel, etc…

Desci as escadas com duas malas e coloquei-as à porta. Fui até á cozinha e lá estava ela, a beber café.

-Vou agora. Não procures por mim, eu estarei bem – falei rapidamente e saí da cozinha sem deixá-la dizer alguma coisa. Naquele momento, tudo o que tinha a ver com ela magoava-me, e magoava-me ainda mais ela saber que era a minha mãe de verdade e não me ter dito isso quando nos encontrámos no dia do funeral. Não iria diminuir a minha dor porque tinha vivido aquele tempo todo com eles, mas mentir era algo inaceitável para mim, durante toda a minha vida tinha tentado ser o mais justa e verdadeira possível e depois deparo-me com um escândalo de família.

-Esperem – disse ela e eu e Damon virámo-nos para trás. – Deixa-me dar-te uma coisa.

Ela foi até à sala e trouxe de lá um caderno de notas.

-É um diário. Muito antigo, provavelmente nem vais entender tudo, mas é necessário que o leias.

Acenei com a cabeça e peguei nele.

-É sobre as ninfas. Um das poucas fontes de informação que temos sobre o que somos.

-Obrigada – falei, mesmo agradecida.

Saímos de casa e fomos dar uma volta por Mystic Falls. Melhor, não fomos dar uma volta por Mystic Falls, o que ele queria na verdade era enganar-me. Quando dei por mim estava a ver uma placa que dizia “Bem vindos à Geórgia!”.

-Damon! – exclamei. – Onde estamos?

-Na Geórgia.

-O quê? – perguntei, chocada. – Onde vamos?

-Um lugar que eu adoro.

Notas finais
Next Tuesday...
Uma pequena descontracção...
-O que vão querer?
-Diversão em último grau falou ele e sorriu.
Com muitas observações...
-O que vocês Gilbert têm contra os pickles? Eu adoro-os
E quando se pensa que a diversão ainda não acabou...
-Daqui é a Caroline. De momento não é possível conversar com Elena Gilbert porque ela está a receber um ataque de cócegas sendo que houve aqui alguém que ganhou a aposta. Ligue mais tarde!
Ela transforma-se em drama...
-Kath - começou ele, mas Katherine partiu-lhe o pescoço.
-Não! gritei quando ele caiu no chão, imóvel e inconsciente. Damon!