Notas iniciais
Olá...
Nem sei se alguém ainda lê Crepúsculo kk, mas estou inspirada para escrever isto - o que posso fazer? Nostalgia dessa história, vamos matar a saudade.
Eu ia escrever apenas para eu mesma ler, mas pensei "vai que alguém ainda curte?" kk. É legal ler acompanhada.

Ser impossibilitado, fisicamente, de dormir, poderia significar um horror para muitos. Para humanos, é claro, e até para alguns vampiros, a impossibilidade seria um incomodo – estar sempre pensando, nunca descansando, sempre sentindo. Mas ás vezes, a impossibilidade poderia ser uma benção. Edward Cullen estava grato por essa limitação naquele momento. Afinal, mesmo com a super velocidade característica da sua espécie, havia tanto que eles poderiam fazer em uma única madrugada para se mudar de um estado para outro (ou mais precisamente, do Alasca para alguma cidade perdida por Deus em Washington).

Edward nunca tinha visto Forks, ou ouvido falar de tal cidade em toda a sua longa – 118 anos – vida. Mas quando você tinha uma irmã que podia prever o futuro, você precisava levantar ás 1h da madrugada e começar a arrumar as malas como se fossem fugitivos da CIA.

Edward estava apenas no meio de um dos seus livros favoritos e não exatamente prestando atenção nos outros moradores da casa quando ouvira um grito extasiado, como mil sinos tocando em sua cabeça, de Alice. O que ele sabia que só podia significar uma coisa: algo estava para mudar drasticamente. Alice não era tão empolgada por ter visões do futuro – aos 112 anos, ela já poderia dizer que estava acostumada com tal anomalia. Então uma visão que fizesse Alice surtar como uma adolescente só podia significar uma coisa: algo grandioso, fora do comum, estava para acontecer. Edward não sabia se ele temia ou se alegrava.

A reação natural foi aguçar seus “ouvidos mentais” para tentar captar o que havia despertado tamanha euforia na irmã, mas tudo que ele podia escutar era uma cacofonia de “Forks, lobos, família, oh isso é maravilhoso, meu novo guarda-roupa”. Ele só podia imaginar como seu irmão Jasper estava sofrendo naquele momento. Então, antes que Alice pudesse enlouquecer tanto ele como Jasper, Edward chamou:

— Alice?

Foi apenas um sussurro, mas sem sombras de duvida sua irmã poderia ouvi-lo, dois andares acima dele.

— Oh Edward, é maravilhoso! – Alice desceu as escadas como um tornado. Em segundos ela estava abrindo a porta e saltando sobre a cama do irmão.

Com 1,50m de altura, Alice poderia ser comparada á uma fada – Peter Pan, seu irmão Emmett diria. Delicada, com cabelos curtos e negros que balançava em todas as direções, Alice Cullen era o que qualquer um definiria como bonita – pele branca como alabastro, sem defeitos, e o mais chamativo olhos ambarinos que nenhum ser humano teria igual, ela era uma coisa pequena e graciosa. E uma força imparavel da natureza, Edward diria. Apenas de olhar para aqueles olhos ele já sabia que tudo que estivesse na mente de Alice se realizaria, porque quando ela queria algo, ninguém poderia Pará-la.

— Estamos nos mudando? – Ele não sabia porque se dava ao trabalho de perguntar. Bem, é claro que ele sabia; ele queria respostas sem ter que escutar as divagações mentais de Alice. Mesmo sendo um ouvinte mental, Edward detestava invadir a privacidade de qualquer pessoa, principalmente da sua família. Seu pai dizia que era por isso que ele recebera este dom, pois ele sabia usá-lo e respeitar o próximo. Edward tentava ao maximo respeitar a privacidade dos outros, tanto pela sua consciência quanto pelo orgulho de seu pai, mas havia momentos, como esse, em que Alice estava literalmente berrando, que era muito difícil não “ouvir”.

— Você viu isso, certo? Eu estava apenas checando lugares para onde poderíamos ir de férias, onde não fosse ensolarado, e quando eu vi Forks, essas visões simplesmente... Uau! – Alice falava dez palavras por segundo quando estava animada. Pra sorte dele, Edward podia entender com a mesma rapidez. – Eu sinto que esse lugar será especial para nós. Eu vejo todos nós tão felizes, realmente felizes...

— Você não acha que é um pouco cedo para nos mudarmos? – Edward interrompe antes que as divagações de Alice vão muito longe.

— Não, é o momento ideal. – Alice garante, sorrindo. – Estamos há 25 anos sem mudar, Edward.

— Sim, e estamos há 25 anos sem mudar por um motivo.

— Não se preocupe com isso, ele vai se adaptar melhor do que nós esperamos.

— Porquê agora?

— Porque é a nossa melhor chance de nos readaptar á vida humana. Eu estou sempre checando por alternativas, por lugares, e nunca parece certo. Forks apenas me trouxe todas essas visões realmente felizes de todos nós. Eu já posso ver a escola, e o hospital onde Carlisle irá trabalhar, e nós vamos fazer amigos, Edward!

As visões realmente haviam dado um nó em Alice. Edward apenas sorriu carinhosamente diante da empolgação da irmã. Ele amava ver sua família feliz. Mesmo que ele acreditasse que não havia muita felicidade reservada pra ele no seu longo futuro, ele poderia ao menos ser feliz ao ver sua família realizada.

Então a porta do quarto se abriu novamente, dessa vez mais tranquilamente.

— O que estamos comemorando á essa hora?

É claro que Jasper havia sentido toda a mudança sentimental no ar.

Jovem, aparentemente 20 anos, e mais belo do que qualquer um tinha direito de parecer ao ser incomodado ás 1h da madrugada, Jasper era alto, talvez 1,80m, dono de um cabelo loiro que era de dar inveja á qualquer mulher, e um corpo que estava no auge de um homem que fora “congelado” ao enfrentar uma guerra – ou seja, músculos. Jasper Cullen era o mais velho de cinco irmãos, um vampiro de 174 anos que tinha um dom extraordinário e infernal de empatia – não apenas de sentir o que outros sentiam, mas também de influenciar os sentimentos alheio. Com toda admiração que sentia pelo irmão, Edward não o invejava – seu próprio dom era uma benção e uma maldição, ele apenas sabia de primeira mão que Jasper sofria por seu presente, mais do que todos eles. Afinal, ele podia sentir a tristeza, cansaço, dor, de toda a família. Seu presente era um grande peso em seus ombros.

— Oh Jas, isso vai ser tão bom para você! Estamos mudando. – Alice literalmente pulou da cama como uma ginasta. – Preciso falar com Carlisle, comecem a arrumar as malas, estamos saindo ás 5h! Rosalie, eu sei que você esta ouvindo, saia da cama e não seja rabugenta! Você não pode estar cansada!

Edward fechou os olhos ao ouvir os gritos mentais de sua irmã Rosalie – “O quê? Eu pensei que estávamos presos nesse deserto congelado por mais cem anos. Alice enlouqueceu?”.

— O que é tudo isso? – Jasper está obviamente perdido.

— Alice teve uma visão. – Edward suspirou. – Cidade nova, tendo uma vida humana novamente. Iremos para Washington, eu acho.

Jasper é pensativo.

— Tão cedo? – Medo, mas também animação, estão no tom de Jasper.

— Alice diz que é o momento ideal. Se você não esta pronto, você deve falar. Não iremos a nenhum lugar sem você, Jasper. – Edward conhece os pensamentos de sua família o suficiente para saber que todos concordam com ele nisto.

“Sim, todos juntos, ninguém fica para trás” Emmett grita do seu quarto. Ele obviamente já ouviu tudo – as alegrias de se ter uma família com super audição.

Jasper sorri, mesmo que a preocupação esteja em seus olhos.

— Carlisle concordará?

Edward ri, mais cansado do que divertido. Ele já pode ouvir que Alice está no meio de convencer seus pais de forma espetacular.

— O que você acha? – Ele não tinha duvidas de que estavam se mudando ás 5h.

Jasper sorriu, seus olhos ambarinos brilhando. Mesmo conhecendo Alice há poucos anos, ele já sabia como funcionava os dons da pequena vampira.

— Bem, claro que sim; Alice já sabe.

Sim, Alice sempre sabia.

Notas finais
Tem alguém comigo? :)