A Metamorfose de Onevelion
2 Intrínseco
Relutando contra a nostalgia e o apreço duvidoso pelas coisas que fiz e vivi no passado, tenho novas interpretações da história que narrei há tanto tempo atrás. Claro que pra todo mundo será algo incontestavelmente barato e inconsistente como produto final, e eu sinceramente concordo, entretanto existe um porque daquilo ter sido feito, e que talvez seja um porque das pessoas tanto imaginarem coisas impossíveis de acontecer em suas histórias tão intensas, e na maioria das vezes tão depravadas também: uma mente brilhante distanciada de pessoas brilhantes; meio "adolescente edgy", mas fatidicamente estamos longes de mentes brilhantes quase que o tempo inteiro, ou perto de mentes brilhantes, que por vergonha, recusam-se a demonstrar sua inteligência publicamente. Estamos rodeados de pessoas que muitas vezes se negam a pensar um pouco além do que lhe é proposto, e isso chega a ser conflitante com o jovem que tanto almeja ser alguém e significar algo. Há nove anos eu só queria significar algo, ao mesmo tempo que queria me divertir com o que estava escrevendo, e por conta desse divertimento, eu estava cego quanto a querer significar algo socialmente. Não tem muito segredo, mas sempre parece super difícil de ser palpável essa ideia de divertir e querer algo ao mesmo tempo, isso porque depois que você cresce, esse paralelo utópico entre as duas coisas se torna até meio bobo, tendo em vista que inegavelmente temos que correr atrás dos nossos desejos e sonhos.
Onevelion é o planeta dos sonhos, onde guerreiros que possuem conexões com saiyajins malignos, entregam uma perspectiva rasa e boba de uma epopéia racial, cujos personagens da sua raça específica sofreram retaliação, e mesmo assim acreditam que retaliar é a opção correta; planeta dos sonhos, pois não tendo mobilidade com este assunto, o autor da história que narro, com treze anos, achou que toda essa violência generalizada com poderes estrondosamente exagerados, seria uma bela forma de suprimir sua saudade precoce, mesmo que aos 13 anos, de uma obra que não se vendia de forma midiática e audiovisual há vários e vários anos anteriores à Batalha dos Deuses, de 2013. Assistir Batalha dos Deuses foi como retomar cada um daqueles pequenos fragmentos de serotonina e dopamina que ele tanto exalava a cada episódio de Dragon Ball Z, na sua infância, e mesmo que Batalha dos Deuses fosse tão curto, ainda assim foi um marco em sua vida. Onevelion precisava ser uma catarse constante, como se não houvesse tempo para respirar de tão intenso e eloquente que aquela história poderia vir a ser, e teoricamente em seus momentos finais deveria proporcionar aos leitores a mesma emoção que o autor queria: ser impactado com algo surreal e inconsistente pois quando se é criança, pouco se pensa na qualidade do produto, e sim no quanto colorido e empolgante ele é; viciar é obrigatório. Cada personagem ali tinha sido escrito de acordo com a caricatura de suas posições em contexto narrativo da obra original, como por exemplo, o Piccolo tendo apenas duas frases de diálogo para expositivamente aparecer em um lugar do nada, e explicar coisas que aconteceram ali, ou até mesmo fornecer ajuda aos personagens principais.
— Porque me separo do autor? — eu me pergunto constantemente ao longo de escrever essa história. Sim, isso foi uma linha de diálogo... Eu esperava que alguém fosse aparecer para me responder, sabe? Era tudo que eu queria, mesmo que eu seja atualmente um narrador muito mais consciente dessa barreira entre leitor e obra; barreira essa que é necessária existir e não foi o caso quando eu escrevi Dragon Ball Onevelion. Sim, eu utilizei a palavra "eu". Não seria justo continuar separando autor e narrador de uma história onde todos os seus demônios são expostos para as pessoas de forma tão sarcástica e deprimente; se eu tive coragem de me expôr e tanto falo mal dessa imersão superficial em um mundo, o mínimo que posso fazer é me mostrar como um só ao público, certo? ...
— ...
— ...
— Não, não é o certo.
— Tem certeza?
— Sim, é uma história, transforme-a nisso de verdade, você só parece estar escrevendo um grande monólogo.
— Essa era a minha intenção...
— Não é melhor inventar uma trama lúdica em cima de todas as suas frustrações?
— Talvez, mas e se as pessoas não gostarem?
— No capítulo anterior, você simplesmente ignorou essa perspectiva do público. Por que não faz isso agora?
— Não me sinto suficiente pra isso.
— Sua narrativa já demonstra ser algo diferente em apenas dois capítulos, tenho certeza de que as pessoas acharão a história interessante.
— Eu não tenho tanta certeza quanto você, até porque eu sinto que atualmente, quanto mais coisas estão sendo ditas, menos pessoas querem ouví-las.
— É um sentimento normal, acredite, talvez todos desse site tenham esse pensamento, e talvez não seja tão irreal.
— É, talvez.
— O que está esperando? Mostre que você consegue embarcar numa aventura profunda sobre você.
— Sobre mim?
— Sim, sobre você!
— Quem sou eu?
— Não sei, muito menos sei quem eu sou.
— Nos misturamos... Que droga, quem está lendo com certeza também se perdeu...
— Nunca nos separamos.
— Mas existia uma base.
— Refaça.
— Refazer?
— Sim, reimagine essa história.
— Muito cedo para recomeçar uma história que só tem dois capítulos.
— Muito tarde para prosseguir como se fosse um diário de bordo depreciativo. Você não é um escravo colonizador do século XIV.
— Palavras duras... E engraçadas também, afinal de contas, pra quê você precisava falar especificamente de colonização e século XIV? Desnecessário demais.
— Palavras ditas por você mesmo.
— Certo... Olha, como eu disse, já são dois capítulos, realmente não sei se essa é uma boa ideia.
— Pode tratar como um grande prefácio, se preciso for.
— Reinventando a moda assim?
— Só tenta.
— Não.
— Sim.
— Não deve funcionar.
— Se não tentar, nunca vai saber.
Pego-me pensando fortemente nesse diálogo que acabei de elocubrar me divertindo muito, como se estivesse sob efeitos de entorpecentes, que além de me colocar em uma louca viagem que me faz divagar sobre mim mesmo, me coloca como um maldito prolixo, desajeitado e indeciso que sempre fui, tornando cada travessão em uma provável tortura literal que não chega em lugar nenhum, mas sinto que sim, eu posso criar uma história diferente do que ocasionalmente seria feito por alguém, eu só não tenho coragem... Pensando bem, na verdade os diálogos chegaram a algum lugar, hein?! Acho que eu realmente "tô de cogumelo". Nunca foi um personagem de um anime, nunca foi um narrador aleatório que só está fazendo o seu trabalho, nunca foi um autor estranhamente deprimente (na verdade, acho que esse aqui sempre foi), sempre fui eu e as minhas criações e imaginações sobre o que eu queria que tivesse acontecido, momentos que eu queria ter vivido ou personagens que tanto expressam toda a minha súplica de anos e anos numa viagem a terra do nunca; nunca mesmo, pra minha grande infelicidade, já que eu tentei fugir muitas vezes de estar me tornando um adulto, mas também, principalmente, pra minha segurança mental. Tudo demais, faz mal, e com o escapismo não poderia ser diferente.
Tolo é aquele que se agarra aficcionado em viver experiências sempre irreais, mas, ainda mais tolo, é aquele que acredita que as experiências reais são sempre as únicas que se pode ter. Sendo eu, o tolo das duas questões, que apesarem de opostas, se relacionam muito com momentos diferentes de minha vida como autor e narrador, aí está o motivo de meu fracasso constante como um independente escritor, roteirista, criador de conteúdo, filho, aluno, neto, designer moderno básico, editor de áudio básico, editor de vídeo básico... É... Ênfase no básico, aos três últimos fracassos. Tentei de tudo quando estava entrando na adolescência, durante ela, e ao fim da mesma. Tentei de nada quando estava entrando na fase adulta, mas ainda não acabei com ela, e na verdade estou só começando. —Porque tanto medo de tentar?! — tanto me perguntei; tantas dúvidas, tantos questionamentos e o que fica pra o agora é uma nova tentativa. Era pra ser um capítulo longo, mas a vida nos prega peças e transforma nossa imaginação conforme estamos lapidando nossa magnum-opus; uau, pra alguém que tem tanto problema quanto a aceitação de sua própria obra, esse foi um comentário inesperado... Estou contente com minha decisão. Acompanhe-me, leitor! Prepare-se para a nossa viagem antológica, com algumas mínimas conexões, que está para começar; vai ser uma viagem e tanto!
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