A Mente de Augusto

3 Melhores Amigos


Sexta-feira à tarde. Toca a campainha da minha casa. Eis que eu vejo alguém que não esperava ver tão cedo: André, meu melhor amigo.

- André! , que surpresa! Entre! Como foi a viagem?

André era um sujeito boa pinta. Tinha um físico legal, cabelo bagunçado, e vivia usando uma jaqueta de couro.

- Poxa Augusto... Foi simplesmente fantástico! Você precisa ver Tókio a noite!

André era o meu melhor amigo, desde sempre. Praticamente nascemos juntos.

- Você ficou desaparecido por nove dias, não é? Fiquei preocupado. O que houve?

- Ah, não se preocupe, eu fui acampar em uma reserva, e me perdi. Mas está tudo bem agora.

- Nossa, que terrível. Você deve ter passado por maus bocados.

Eu disse:

- Foi sim, mas graças a deus, estou bem.

Ele me disse com uma cara super empolgada:

- Cara, eu fui a um show lá em Tókio! Adivinha quem tocou!

Eu respondi:

- Foi um show do Metallica, e você estava no camarote vip, com duas garotas lindas!

Subitamente lembrei que podia ouvir o que sua mente dizia, e isso era muito mal.

Ele respondeu assustado:

- Como você sabe? Não havia mais ninguém comigo que pudesse ter lhe dito antes de mim.

Eu tentei explicar:

- Bom, então! Eu tenho que conversar com você sobre uma coisa que vem acontecendo comigo.

Eu não sabia se devia contar pra ele. Eu sabia que podia confiar nele, mas não sabia se ele entenderia. Se não teria medo de mim.

Resolvi contar, afinal de contas, alguém tinha que saber...

- André! Eu posso ouvir o pensamento das pessoas! Pronto, falei.

Ele riu e disse que eu estava bêbado.

Eu respondi que não. Que era verdade. E se ele quisesse que eu provasse, bastava pensar em algo e me perguntar o que era.

Ele falou:

- Ok, então me diga, em que estou pensando?

- Você está pensando, “Nossa, ele acha mesmo que vai ler a minha mente? Meu deus... Ele está dizendo exatamente o que eu estou pensando.. AHHHHHHH“

Ele estava tão assustado que eu não precisava ler sua mente pra saber que estava morrendo de medo. Eu via tudo que ele queria fazer! Ele queria fugir. Eu via os lugares os quais ele pensava em ir. Eu via absolutamente tudo em sua mente!

- Augusto, você está me assustando!

- Fique calmo André! Me deixa explicar...

Eu expliquei a ele tudo que havia acontecido. E no fim, apesar de ele achar muito estranho, ele acreditava.

- Cara, isso é bizarro! Mas, é super legal! Vamos pra Las Vegas jogar poker! Vamos ficar ricos!

Ele era meio doido, mas tinha ótimas idéias.

- Isso não é certo... Se eu adquiri esse dom, é porque existe algum propósito.

- Cara, para com isso! Você é quase um X-Man! Será que aquela “super audição” não vai voltar? Aliás, como você matou o cervo? Você deve ter uma “super força” e uma “super velocidade” também!

Realmente. Apesar de o que me dizia, ser totalmente louco, eu estava começando a acreditar que poderia ser verdade.

- Quer ver? Vamos testar! Dá um soco na parede, como toda sua força! Só toma cuidado pra não derrubar a casa.

Eu ri muito com o que ele disse. Mas minha vontade era realmente de fazer aquilo.

Eu soquei a parede! Acho que nunca senti uma dor tão grande no meu punho.

-AH! – Gritei.

- Seu filho da mãe, você me fez fazer isso!

Eu sabia que a culpa era minha, afinal de contas, eu socara a parede. Mas era mais divertido se a culpa caísse sobre ele.

Fomos correndo pro hospital, e após um espera, eles engessaram minha mão. Receitaram-me um remédio, e fui liberado.

Ainda estava com raiva do André pela situação que ele me fez passar. Passamos na farmácia pra comprar o meu remédio, e ela estava fechando. Por sorte, uma moçinha que estava lá nos deixou entrar. Percebi que não havia mais ninguém na farmácia, só eu, o André, e ela. Não pude deixar de notar o quão bela ela era. Cabelos cumpridos, lisos e castanhos. Olhos castanhos, e um jeito incrivelmente doce. Não, eu não me apaixonara por ela. Mas não pude deixar de ouvir seu pensamento, que dizia: “Tadinho, como será que ele quebrou o punho?”. Imediatamente eu virei pro André e falei:

- Seu filho da mãe! Me fez socar a parede!

Só depois de dito foi que eu percebi o quão estranho aquilo tinha soado. Como alguém pode obrigar o outro a socar algo? Acabei passando por louco.

Fomos embora. Chegando em casa, eu me deparo com uma pessoa na porta de casa. Era a Amanda. Fiquei assustado, o que será que ela queria falar comigo às 11 horas da noite?