A Mente de Augusto
1 A Floresta
Estava escuro. Mas uma luz que passava por uma janela quebrada me permitia ver o ambiente. Minha cabeça doía. Eu acabara de acordar em uma espécie de quarto de hospital antigo, totalmente consumido pelo tempo. A propósito, meu nome é Augusto, e eu tenho 18 anos.
Eu estava cansado, e usava uma bermuda e uma camiseta azul. Eu não sabia o que fazer. Pensei em esperar alguém vir, mas resolvi levantar. Quando abri a porta, tive uma surpresa. Aquilo não era um hospital. Pelo menos, eu não conheço nenhum hospital que tenha apenas um cômodo e fique no meio de uma floresta! Era uma espécie de construção antiga. Um templo talvez.
Abrindo a porta, eu senti o cheiro da mata, senti que aquele lugar não me era estranho, por um segundo eu pensava estar em casa.
Mas então, a realidade surgiu. Eu estava no meio de uma floresta! Não fazia a menor idéia de como tinha chegado até ali, e muito menos de como sairia dali!
Achei um tipo de garrafa jogada dentro do templo, peguei-a e comecei a andar. Cada passo que eu dava dentro da floresta me deixava mais preocupado, e mais assustado.
Depois de quase 3 horas andando, achei um rio, não pensei duas vezes e saciei minha sede. Só depois foi que eu me lembrei que a água de rios contém bactérias, e eu poderia ficar doente ao beber aquela água sem nem ao menos fervê-la.
Por algum motivo, não me preocupei com isso, enchi a “garrafa” que eu possuía, e continuei a minha caminhada.
O tempo era meu inimigo. Se eu demorasse muito tempo pra achar civilização, morreria de fome.
Sete dias se passaram, e minha fome era tanta, que eu poderia comer qualquer coisa!
Eu não entendia o que estava acontecendo, mas, tudo na floresta me irritava! O som das folhas balançando soavam tão alto na minha cabeça que eu estava à beira da insanidade.
Ouvi o som de um animal passando, era um som tão alto e claro que eu achava que ele estava a menos de 2 metros de distância. Quando me virei, vi ao longe, muito longe, uma espécie de cervo. Eu corri, corri, mas o cervo se distanciava cada vez mais. Uma fúria me consumia, e comecei a correr mais rápido, e mais rápido! Eu alcancei o cervo! E não apenas o alcancei, eu dei um soco nele, tão forte que eu pude ouvir o som de seus ossos quebrando! Ele estava morto. E minha fome estava saciada.
Eu olhei pra minhas mãos cheias de sangue e pensei: Meu deus! Como eu fiz isso? Um ser humano não correria mais rápido do que um cervo. Não mataria com apenas um soco! O que eu sou?!
Continuei minha caminhada, mas aquilo não saída da minha mente nem por um segundo!
Minha audição voltara ao normal, e após descer uma pequena colina, eu avistei uma casa! As lágrimas escorreram no meu rosto. Eu estava salvo. Mas meu medo de fazer mal para os moradores daquela casa era maior do que a minha alegria de estar salvo.
Um mal estar tomou conta de mim, não sabia se era o cansaço, ou se era aquela besta que tinha tomado conta de mim.
Minha visão ficou turva, e eu desmaiei.
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