Eu nunca havia passado o Natal sem minha família, eu me senti tão sozinha... Aquele velho idiota destruiu minha vida, eu estava perdida e o pior, eu ainda tinha aquela vontade incontrolável de vingança... Quem matou minha irmã? Esse desgraçado irá se arrepender.

Eu me levantei do lugar onde eu estava e segui meu caminho em frente, eu estava encapuzada por causa daquele frio todo, escondendo uma faca de baixo do manto...

As pessoas passavam por mim e me olhavam de uma forma estranha, isso talvez por causa dos meus olhos, ou talvez por ver uma criança tão jovem andar sozinha por aí sem a presença de algum adulto.

Eu simplesmente tentava ignorar aqueles olhares mas, como eram vários ficava um pouco difícil de deixar de lado. Eu segui em frente até a escola... Era de manhã e talvez Robert já estivesse saindo, eu queria saber se ele recebeu meu bilhete, mas aqueles garotos estúpidos me pararam.

– Depois de muito tempo, a pirralha aparece. — Disse o mais alto.

– Não tenho paciência para vocês hoje. — Eu respondi.

– Calma, onde você pensa que vai assim? — Perguntou o gordinho. — Já irritada peguei a faca e desferi um corte profundo no gordinho, comecei a encarar os outros garotos que ao verem o amigo cair de joelhos, correram desesperadamente de mim e gritando: "Sua vadia, monstra. Socorro!"

Eu realmente me senti melhor me livrando deles, eu sabia que estava errado o que eu fazia mas, era tão prazeroso ver o sangue de quem um dia me julgou mal, escorrendo pela neve branquinha e manchando de vermelho como tinta.

Eu procurei Robert por toda a escola e não o encontrei, talvez apenas ele pudesse me ajudar, eu sabia que estava ficando louca e precisava de algum tratamento e eu poderia contar somente com ele... Quem não me ignorou, e me viu enquanto eu era invisível.

Poderias se dizer que eu até gostava um pouco de Robert, mas em um descuido eu poderia matá-lo sem querer. Eu não tinha mais um rumo certo. Fazia muito esforço para não sair matando descontroladamente... Mas a cada dia isso se tornava mais difícil... Conviver em sociedade se tornava um desafio.

Saí da escola e comecei a andar pela rua até encontrar um papel escrito "Sanrisa, eu matei ela." Na hora não identifiquei o que queria dizer mas, então percebi... Elisa. O assassino me deixou uma pista.