A Mente Insana Da Suposta Inocente
15 Esse homem sujo
– S-sebas... — Ele acertou um chute certeiro contra meu rosto que jorrou sangue e fiquei cabisbaixa...
– Garota imunda. — O mesmo sorriu sadicamente com aquele seu olhar terrível de dar cala frios, seus olhos amarelo vivo como ouro e um olhar tão ameaçador quanto o de um gato... Sabe, aqueles gatos pela noite com seus grandes olhos. Brrr... Parecem demônios.
– Limpe muito bem sua boca antes de pronunciar meu nome, deves sentir tanto ódio de mim agora, não é mesmo? Nem me recebe com um abraço — ele cruzou os braços — Isso é jeito de tratar seu pai?
– Você não é meu pai...
– Grrhh... — Sebastião rosnou como um cão raivoso mordendo o canto de seu lábio inferior, aquelas terríveis sobrancelhas grossas quase juntas e desenhadas no seu rosto fino e com traços de um granfino qualquer, escondido por baixo de um terno elegante.
– O que você quer de mim? — Perguntei ingenuamente.
– Soube que me procuravas, talvez não exatamente a mim, e sim o assassino de sua... Irmãzinha. Eu queria que soubesses que em circunstância alguma eu fiz algo contra sua querida irmã. Não seria tão burro em arruinar minha vida com isto.
– Sua vida sempre foi arruinada. — Ele me olhou com desprezo, enquanto os capangas ao seu lado seguravam dois cães da raça rotweiller, pareciam furiosos de alguma forma, a baba escorria por seus dentes afiados, reparei atentamente aos cães e desviei meu olhar dos olhos do Sr. Sebastião.
– Eu sei que você foi o assassino... Talvez não tenha feito com as próprias mãos e sim mandou alguém já que tens tanto dinhei... — Fui cortada de repente a mão do desgranido passou a frente me interrompendo.
– Não minha jovem, na verdade eu estive falido esse tempo todo, perdi toda minha fortuna desperdiçando-a em jogos de sorte... Parece que a Deusa Fortuna nunca me amou muito. Olhe para seu rosto... Parece um camondongo, você esconde tantos segredos que sua mente não é capaz de lhe mostrar toda a verdade disso tudo... Esses sonhos, essas mensagens subliminares por que não assemelhas tudo?
– Como o Senhor sabe disso? — Olhei rapidamente para ele com as pupilas dilatadas e um soar incompreensível.
– Sei de tanta coisa que você nem imagina pirralha... — Ele não me apareceu um homem mau naquele momento, mas eu ainda guardava rancor dentro de mim por tudo. Ain... Minha cabeça latejava constantemente parecia que explodiria a qualquer momento. Coloquei minhas mãos ainda amarradas sobre a testa que fervia e olhei de canto para o Sr. Sebastião e seus capangas que se uniram virados de costas para mim, estavam perto a uma mesa de madeira... Hum, era algo bem rústico e bonito.
Os dois ficaram por alguns minutos conversando, eu precisava me soltar, fiquei olhando em volta perdida procurando algo enquanto via os senhores saírem daquela salinha vi ao alto de uma grande estante alguns potes de vidros, não sabia o que tinha dentro muito menos para o que aquilo servia simplesmente empurrei meu corpo contra a estante fazendo os potes caírem quebrando-se em milhares de cacos... Parei um pouco ouvindo passos talvez tivesse feito muito barulho, aqueles cães vieram correndo do porão latindo a tudo. Tinha pouco tempo.
Rocei as cordas que me amarravam contra o vidro tentando cortá-las. Yeah ! Com sucesso, porém me machuquei bastante, isso foi quando os cães me viram e paralisei sem o que fazer, mas por interessante eles me olharam e abaixaram suas cabeças. Não compreendo... Mas talvez seguissem a meus comandos.
– O QUE ESTÁ ACONTECENDO? — Os capangas de Seu Sebastião entraram arrombando a porta polida em mármore e me viram... Foi quando olhei para os cães e automaticamente eles atacaram os dois capangas...
– C-como...?
– Haai !! Cães inúteis, me soltem !!!! — Um deles chutou o cão menor contra a parede mas, mais um correu pelo porão e atacou o homem, os atacavam ferozmente assim aproveitei e tomei tempo para fugir. Corria pelos corredores daquela casa sem fim, as paredes pareciam se entortarem até que me reparei com o Sr. Sebastião. Pensei que ele fosse me agarrar e me prender novamente mas só o vi desmaiar... Uma arma foi apontada a minha direção e um garoto surgiu das sombras... Era...
– ROBERT !!! — Vi aquele sorriso iluminado em meio a escuridão toda, e saltei a seus braços o abraçando, entrelaçava meus braços por seu pescoço como se aquele fosse o último dia que o tivera visto.
– Pensou que eu lhe deixaria sozinha, pequena? — Ele riu, e segurou de minha mão. — Não temos tempo, vamos sair rápido daqui. — Eu apenas confirmei com a cabeça e ele correu rapidamente, enquanto os cães voltavam para nós.
– Como você me achou?
– Eu vi aqueles homens com você, e os segui... Só estava esperando o momento certo para ajudá-la, sabia que conseguiria se virar sozinha como sempre. Então não hesitei muito.
Estávamos ofegantes quando Robert bateu com um machado na porta arrombando ela e nos fazendo correr sobre a neve fofinha, os cachorros ainda nos seguiam assim que paramos em um beco pouco seguro eu suponho, mas serviria de apoio para aquela noite.
– Esses cães... Eles me obedecem, não compreendo.
– Rotweiller's são bem inteligentes, parecem bravos porém sempre seguem o lado bom da força... Devem ter se apegado a você por algum motivo quem sabe eles perceberam que você é uma boa garota... Ou te acharam linda. — Disse Robert se sentando a minha frente escorando-se nas paredes velhas e empoeirados de tijolos.
– Não diga essas besteiras... — Revirei meu olhar. — Sebastião insinuava como se eu tivesse algo de culpa... Relacionado com o assassinato de minha irmã...
– Shiu...! — Ele fez um sinal de silêncio com o dedo, não pensaremos sobre isso agora, você sabe melhor do que todos que aquele homem é um completo maluco, não daremos ouvidos a ele.
– Talvez eu seja a única maluca aqui... — O silêncio permaneceu um bom tempo enquanto Robert tentava montar uma fogueira, meio inútil isso, mas ele queria me manter aquecida. Olhei diretamente para os cães e percebi que um deles tinha os olhos iguais aos meus e o outro olhos bem azuis, tão azuis quanto o mar... — Darei nomes para vocês... Você — apontei para o heterocrômico. — Se chamará Salíere, e você... — apontei para o dos lindos olhos azuis. — Será Netuno, hihi o Deus dos Mares.
Os cães latiram para mim balançado suas caudas, pareciam felizes, eu sorri fechando meus olhos e em seguida adormecendo com o mínimo de calor que a fogueira de Robert estava criando.
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