Notas iniciais
Eu estava pensando em fazer algo que ilustrasse um pouco do que o Okita Souji sentia quando todo mundo falava para ele deixar o quartel general e cuidar de sua saude. Sobre os sentimentos de Okita Souji, foram criados por mim, onde foi baseado em seu comportamento no anime. Eu tenho essa história criada a algum tempo, estava criando coragem para publica-la. Bom, eu espero que gostem e que tenham uma ótima leitura.

Okita estava sentado na escada, em frente ao seu quarto, estava observando Hajime Saitou treinar os recrutas. Okita sabia antes, de todo mundo, da doença que tinha, também sabia que se saísse do quartel, poderia prolongar a sua vida, poderia ate mesmo criar uma família, quem sabe. Por vários dias e noites ficou se atormentando com o pensamento de sair ou ficar. Ele realmente conseguiria ficar em paz ao deixar aquele lugar? Abandonar seus companheiros? Ele realmente seria capaz de ter uma vida calma, mesmo sabendo que iria morrer? Não, a verdade era que ele não conseguiria suportar nem pensar nisso. Não conseguia se ver longe daquele lugar, longe de todas as pessoas que ali estavam.

Mas a verdade que escondia era que ele não queria deixar uma pessoa, uma única pessoa, e ele vivia se repreendendo em pensamento por ter tais sentimentos por um homem. Um homem não deveria sentir atração por outro, mesmo sabendo que Hajime Saitou chamava a atenção tanto que de homens como de mulheres, mas Hajime sempre rejeitava todos. E ele não se daria ao trabalho de ser rejeitado. Uma coisa que nem ele ainda aceitava tão bem. Por varias noites passara se revirando na cama, tentando entender como ou quando começara a sentir aquilo e qual o motivo daquilo, até que por fim, chegou a conclusão que nunca descobriria.

Okita Souji estava com um leve sorriso nos lábios ao lembrar que o outro havia conversado com ele, tentando convence-lo a sair do quartel e cuidar de sua saúde. Assim como ele, Hajime Saitou sabia que está doença não tinha cura. O mesmo, que pouco falava, falou um pouco mais do que o normal, tentando convence-lo a deixar aquele local, coisa que não aconteceu. E nunca aconteceria.

O sorriso de Okita sumiu ao dar lugar a uma tosse forte, fazendo o mesmo cuspir sangue. Porém, nem se importava mais com a quantidade de sangue que saia, cada vez um pouco mais. Então se ergueu rapidamente, limpando a boca com o lenço que estava em sua mão, em seguida levou a mão aos cabelos e se sentiu um idiota pelos sentimentos que possuía. Ele observou o momento em que Hajime terminou de treinar os recrutas daquele dia, o mesmo olhou diretamente para ele e assentiu levemente, logo falava com a Yukimura que passará ali perto. Depois os dois foram caminhando juntos para algum lugar. Ele ficou olhando por um tempo onde o Hajime antes estava, suspirou pesadamente e saiu do local, indo em direção a saída do quartel. Precisava dar uma volta para pensar no que faria.

Preferia estar morto agora, do que sentir isto. Pensou Okita consigo mesmo. Estava caminhando pela cidade, vendo as pessoas que pareciam felizes, mesmo quando sabiam que estavam em tempo de guerra. Que inveja sentia delas. Elas poderiam aproveitar o que tinham, ser felizes enquanto podiam. Mas ele não, ele nem ao menos tinha coragem de dizer o que sentia. Nem de dizer a si mesmo.

– Okita-san. — A voz de Hajime o fazia parar imediatamente. — Hijikata-san quer saber onde está indo.

– Dar uma volta. — A voz de Okita soava fria, ele nem ao menos olhará para o outro. — Apenas diga isto a ele.

– Não permitirei que saia sem que o Hijikata-san permita. — A voz do Hajime estava firme, porém nada demonstrava.

Okita ignorava o que o outro dizia e seguia para onde estava indo, precisava ficar longe dele, de tudo que se baseava a ele naquele momento. Enquanto caminhava, este ficava olhando para o céu, se perguntando mais uma vez se deveria deixar tudo aquilo para trás. Okita voltou a olhar para frente quando este foi parado pelo o outro, que estava a sua frente segurando a espada numa forma que o fizesse parar. Okita então olhava para ele com a sobrancelha levemente arqueada, de um modo debochado.

– Porque está fazendo isso? — A voz de Okita era tão baixa que o outro mal conseguia ouvir.

– Ordens de Hijikata. — Hajime apenas encarava o outro. — Anda me evitando ultimamente, tem algo contra mim, Okita-san?

A pergunta de Hajime o fazia ficar tenso e olha-lo de forma seria. Varias respostas passaram pela sua cabeça, até a mais provável que ele com certeza não falaria: Seus sentimentos pelo homem a sua frente. Sim, o Hajime não era um garoto, era um homem. E não o criticaria, talvez devesse contar?

– Não o estou evitando, Hajime-san. Apenas preciso de um tempo para pensar e colocar meus pensamentos em ordem.

– Então deixe o quartel e vá cuidar de sua saúde. — A voz do Hajime parecia um tanto preocupada, porém ríspida. O que deixou o Okita surpreso.

– Minha decisão sobre o quartel está decidida, irei sair daqui apenas quando a doença consumir a minha vitalidade, apenas quando a terra guardar o meu corpo! — Resmungou baixo, porém de forma ríspida. — Apenas assim eu sairei daqui. — Okita dizia lentamente cada palavra, como se para fazer o outro entender.

Hajime assentia com a cabeça levemente e então se encaminhava ao lado de Okita, indo em direção ao quartel. Okita segura o braço dele e fala próximo ao ouvido dele.

– E se eu contasse a verdade para você, mudaria algo? — A voz dele soava um tanto quanto ameaçadora.

Pode sentir que o Hajime ficava tenso e que o estava observando pelo canto dos olhos, sem nada a dizer, apenas esperando que o mesmo continuasse e assim ele fez.

– E se eu dissesse que tenho sentimentos por ti? E se eu confessasse que meu motivo por não querer sair do shinsengumi é apenas pelo motivo de querer vê-lo até o momento que eu partir? — Okita ainda segurava o braço do outro, sentindo o mesmo ficar cada vez mais tenso. — O que você faria?

– Você acabou de confessar cada uma dessas coisas que disse. — A voz do Hajime estava no seu tom normal, embora o seu corpo ainda estivesse tenso, porém em momento algum este tentou se afastar. — Desculpe Okita-san, mas não posso corresponder a estes sentimentos.

Okita ria de forma debochada, soltando o braço do outro, dando alguns passos para trás e logo sua voz voltava ao tom debochado de antes.

– Não pedi que tivesse sentimentos por mim, Hajime-san.

Colocava sua espada em cima do ombro e passava a caminhar em direção ao quartel, deixando o outro um tanto que confuso pelo que havia acontecido ali. Não foi tão ruim como pensará. Nem ao menos ficou nervoso com o que ele havia dito. Desculpe Okita-san, mas não posso corresponder a estes sentimentos.

Dias foram se passando e a doença de Okita ficava cada vez pior, até o momento que ele mal conseguia caminhar, deixando todos um pouco alterados com o seu estado. Yukimura e Hajime iam todos os dias fazer uma visita a ele, o Hajime ficava sentado apenas observando, enquanto Yukimura falava sem parar, distraindo Okita. Depois de um tempo, Okita se sujeitou a tomar o Elixir, prolongando um pouco mais a sua vida. Harada Sanosuke ficou completamente alterado ao descobrir o que o outro havia feito. Hijikata Toshizou nada disse. Hajime Saitou parou de visitar o outro e parou de falar com ele por algum tempo, devido ao que ele havia feito. O que mais doía era saber que Hajime Saitou não entendeu o seu motivo por ter tomado aquela atitude e assim Okita Souji fechou o seu coração, ficando mais sério e mais calado que o normal. E assim ele ficou até o dia final de sua existência, onde nunca mais ninguém ouvirá sua voz.

Alguns meses passaram e o Okita finalmente teve sua paz. Descansando onde havia sido a primeira base do Shinsengumi. Em sua lápide estava gravado tais palavras: Okita Souji. Encontrou sua paz fazendo aquilo que amava.

Todos os dias, sempre a mesma pessoa ia lá limpar o local e colocar novas flores para o tumulo dele.

Hajime Saitou.

Notas finais
Eu realmente amei fazer está fic, ela é a minha preciosa e preciosa. Eu espero que gostem dela o tanto quanto eu gosto. Obrigada a quem leu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!