A Menina Triste
2 Vagando no vazio

A princesa Flor vagava tendo um asteroide como casa e espaçonave. Vagava no vazio da sua alma e no vazio do vácuo. Haveria uma direção a seguir? Isso ela não sabia, pois não controlava a trajetória do asteroide.
Então ela pensou que se o pensamento a fez transformar-se em uma garota, assim como a fez habitar aquela pequenina rocha, também poderia conceder-lhe uma trajetória em direção a algum lugar que ela aspirasse.
No entanto, ela não conhecia lugar algum. Como pensar em um lugar bonito, sem jamais ter vivenciado a experiência sensorial de um lugar assim? Tudo o que ela tinha era o vazio.
Mas o vazio não estava dentro de si. O vazio era uma massa material, cercando-a onde quer que ela fosse. Queria apenas fugir do vazio, mas não conhecia um caminho, não sabia o que poderia haver além da massa invisível do nada.
Ela precisava de uma ação, aspirava por uma ação, só que a solidão extrema não concede ações nem mesmo se o ser se esforçar por isso. Não se tem um mapa de ações: pensa-se em como as coisas devem ser, sem que haja a menor ideia de como realizá-las.
Cada centímetro percorrido daquele infinito era uma dor a mais na alma da princesa. Sem dias nem noites, ela chorava.
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