A Menina Do Hotel
1 A menina
Meu nome é Edgar, estou a caminho do corredor da morte, fui condenado por Homicídio culposo. Matei uma menina, um amor, ou pelo menos pensava eu que era.
Tudo começou há mais ou menos três meses atrás, trabalhava de pedreiro, melhor, servente de pedreiro, junto com meu tio Harold e meu primo Yago. Recebemos um bom serviço, precisávamos dele pois as coisas andavam meio difíceis, o serviço era simples porém demorado, já que apenas nós três estávamos fazendo-o, basicamente era construir um prédio para um restaurante, trabalho que levaria aproximadamente um mês, trabalhando de segunda à segunda e em dias de chuva, começamos no dia seis de janeiro, verão. O bairro em que trabalhávamos é um bairro nobre, apenas as pessoas mais ricas moram lá, e no segundo dia de serviço eu a vi, Anabella, tão linda quanto o nome, ela saía todo dia às oito horas para correr, quando meus olhos bateram nela eu fiquei pasmo, boquiaberto, estava eu lá parado com tijolo na mão, eu nunca vou me esquecer daquele dia, tão meiga, tão doce, linda loira de olhos verdes aproximadamente um metro e sessenta e cinco, cintura fina e corpo esbelto, meu tio me xingou dizendo para voltar ao serviço, eu disse que já iria apenas queria ver o anjo do outro lado da rua, meu tio e meu primo vieram ver do que se tratava, viram Anabella e olharam para mim zombando, dizendo que eu nunca teria chances com aquela moça, e pensando bem que chances teria eu? Não poderia dar nada a ela, enquanto riam eles diziam, "não delira, tu um nego que não tem nem onde cair morto não deveria nem ta pensando em tal coisa", aquilo doeu, eles estavam duvidando de mim, agora eu precisava tê-la, não apenas por desejo mas sim por orgulho, sou pobre mas tenho orgulho. Já estava entardecendo e nada da menina voltar, era aproximadamente seis, seis e meia, mas como era horário de verão, ficamos até mais tarde, eu estava criando coragem de ir falar com ela naquele mesmo dia, Yago me disse que era pra esquecer a garota, e mesmo assim eu estava fedendo depois de um dia inteiro de serviço, ignorei, meu desejo era mais forte, deu a hora e meus parceiros pegaram suas bicicletas e foram pra casa, eu não, aah eu não, ia ficar ali nem que fosse a noite toda.
Aproximadamente oito e quarenta da noite, quando começava a escurecer eu a vi, vindo lá no final da rua, mas não estava mais com a mesma roupa que tinha saído de manhã, estava diferente mais arrumada, sei eu onde ela passou o dia todo, mas vinha calmamente caminhando na calçada com um fone de ouvidos, e mexendo em um aparelho estranho que se mexia com um dedo, tinha uma maçã mordida nele, não sei bem o que era, quando ela estava mais perto me levantei, estava decidido, bati nas calças pra dar uma limpada, uma mexida no cabelo e "voilá" estava pronto. Comecei a ir em direção ao outro lado da rua, mas tive que esperar pois vinha um carro, esperei o carro atravessar, mas ele parou bem na minha frente, não dava pra ver quem estava dentro, os vidros eram escuros, logo desceu um camaradinha engomadinho, com topete empinado e um óculos escuros daqueles que a gente vê na tv, o cara fechou a porta e me deu uma piscada, mascava uma goma, parecia um debochado metido mesmo, mas tudo bem dei os ombros, porém quando vi ela, a menina, vinha correndo ao encontro dele, ele abriu os braços e ela pulou nele, os dois se beijaram, sabe aquela sensação de que você não está ali, que parece mais um pesadelo, foi assim que me senti, baixei minha cabeça e me fui.
Durante a noite não consegui dormir, atormentado com aquela imagem, aquele cara fresco beijando a menina, eu não podia admitir aquilo, ela tinha que ser minha, minha, só minha e de mais ninguém, tomei uma decisão, iria acabar com aquele cara no outro dia, estava decidido, sim mataria ele.
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