A Melhor Coisa Que Nunca Me Aconteceu
3 Parte 3
Notas iniciais
No dia seguinte fui até a casa de Pedro. Passei a manhã toda pensando se eu deveria ou não, mas eu precisava saber o significado daquilo. Procurei em todos os lugares, mas não consegui achar o endereço dele, nem mesmo na internet. Não tive escolha a não ser pedir diretamente para ele.
Onde você mora?
O que?
Onde. Você. Mora.
Por que quer saber?
ONDE VOCÊ MORA?!
Ok, ok,...
E então, finalmente, ele me contou. Depois do almoço fui encontrá-lo e quando ele abriu a porta, ficou me encarando, apreensivo, como se eu fosse um monstro de sete cabeças que ia arrancar os olhos dele com as unhas e depois comer. E eu estava extremamente tentada a fazer isso, tirando a parte de comer, é claro.
Ele me guiou até o quarto dele e sentou numa cadeira. O quarto dele era exatamente o que eu esperava: as paredes beges estavam cheias de pôsteres de bandas, como Guns N’ Roses, Aerosmith, Iron Maiden e System of a Down, os móveis eram de madeira escura, assim como as cortinas, e havia um aparelho de som com bilhões de CDs ao lado. Sentei-me na beirada da cama (o único lugar disponível) e fiquei esperando ele começar.
- Então... Por que veio até aqui?
- Não é obvio?
- Não para mim – ele ia dar uma de desentendido? Ok, vou ter que deixar as coisas bem claras para ele.
- Quero saber por que fez o que fez ontem.
- E o que, exatamente, eu fiz ontem? – ele perguntou, sorrindo maliciosamente.
- Me atacou – eu não ia o deixar ganhar essa.
- Ataquei?
- Sim. Você usou o nosso trabalho como pretexto para se aproximar de mim.
- Talvez. Mas você gostou.
- O que? Eu... Eu... – eu não consegui responder. Não sabia se estava mais perplexa por ele ter admitido ou pelo comentário final. Por mais que eu odiasse dizer isso, ele estava certo.
- Isso... Essa não é a q-
Mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, fui jogada na cama e imobilizada por um corpo em cima de mim. Tentei me soltar, mas foi inútil. Ele me olhava sério e decidido, se aproximou da minha orelha e o que sussurrou me fez congelar.
- Eu te amo.
Ele se levantou e foi embora, me deixando sozinha na cama dele. Fiquei ali por alguns minutos enquanto me recuperava do choque, mas como ele não voltou, eu fui embora.
Nas semanas seguintes, ele parecia pior do que o normal. Além de ignorar todos como sempre fazia, ele dava a impressão de que a qualquer momento ele ia levantar e matar todo mundo. Mas o principal foi que eu fui totalmente ignorada. Mesmo quando eu tentei falar com ele, ele fingiu que eu não existia. Eu não entendi a reação dele e quando perguntei para Camila, ela também não viu sentido naquilo.
Quanto mais tempo passa, mais triste eu ficava, me sentia culpada apesar de não saber por quê. Não é como se fosse culpa minha. Ele tentou fazer uma brincadeirinha e ela não funcionou. Simples assim. Por que foi isso que aconteceu. Até parece que ele tinha falado a verdade quando disse “eu te amo”.
Num desses dias, ao sair da escola, eu o vi sentado num escada que ficava na lateral do prédio. Pedi para Camila guardar um lugar no ônibus para mim, pois ia falar com ele e logo voltava.
Aproximei-me dele e, como esperado, ele me ignorou. Sentei ao seu lado, mas ainda nenhuma reação.
- Ei – chamei-o. – Ei. O que houve?
Então, por incrível que pareça, ele se moveu. Mas apenas para me alcançar um fone de ouvido que eu aceitei. Fechei os olhos e deixei a musica preencher meus pensamentos.
I still press your letters to my lips
And cherish them in parts,
Of me that savor every kiss
I couldn't face a life without your light
But all of that was ripped apart...
When you refused to fight
Eu ainda aperto suas cartas aos meus lábios
E as mantenho em partes
De mim, partes que aproveitaram cada beijo
Eu não pude encarar a vida sem a sua luz
Mas tudo isso foi tirado
Quando você recusou a lutar
...
You never needed any help
You sold me out to save yourself
And I won't listen to your shame
You ran away — you're all the same
Angels lie to keep control...
My love was punished long ago
Você nunca precisou de nenhuma ajuda
Você me vendeu por inteiro para se salvar
E eu não escutarei a sua vergonha
Você fugiu como os outros
Anjos mentem para manter o controle
Meu amor foi punido tempos atrás
Meu inglês era bom o suficiente para entender aqueles versos e, por algum motivo, quando percebi, eu já estava chorando.
- Eu é que deveria estar chorando. Fui eu quem se confessou para a garota que amava, mas que não foi levado a sério e ainda foi confundido por um pervertido qualquer.
Não consegui responder, então sai correndo, de fone e tudo mais, mas ele me pegou pelo pulso e me fez parar. Quando dei por mim, ele já estava me beijando e meu corpo automaticamente respondia. Ele me puxou para o seus braços e me manteve ali, num abraço que me fez sentir segura e amada.
Meu coração batia desesperadamente e eu percebi algo que eu tentara esconder de mim mesma durante essas semanas. Percebi por que ficara tão incomodada quando ele me ignorara, por me sentia tão culpada e por que, não importava o quanto eu tentasse, não conseguia tira-lo da cabeça. Nesse momento, lembrei de outra música:
Hey, do you feel
Do you feel me?
Do you feel what I feel?
Do, do you need
Do you need me?
Do you need me?
You're so beautiful
But that's not why I love you
I'm not sure you know
That the reason I love you
Is you, being you, just you
Yeah, the reason I love you
Is all that we've been through
And that's why I love you
Ei, você sente?
Você me sente?
Você sente o que eu sinto?
Você precisa
Você precisa de mim?
Você precisa de mim?
Você é tão bonito
Mas não é por isso que eu te amo
Eu não tenho certeza que você sabe
Que a razão que eu te amo
É você, sendo você, só você
Sim, a razão de eu te amar
É por tudo que nós passamos
E é por isso que eu te amo
Interrompemos o beijo para podermos respirar e ele sussurrou para mim, com a testa encostada na minha:
- Eu te amo.
- Eu também te amo.
Podíamos não ser as pessoas mais felizes do mundo naquele momento, mas sentimos como se estivéssemos muito próximos disso. No nosso pequeno mundinho, só eu e ele, deixamos que os gestos expressassem nossos sentimentos, pois palavras já não eram necessárias.
“As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar.” (autor não identificado)
Notas finais
Eu pesquisei, mas em alguns sites dizia que era Leonardo Da Vinci e em outros dizia que era de outro (não lembro o nome)...
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