Notas iniciais
Boa leitura!

Alice me levou até a biblioteca da escola que ficava no subsolo do colégio. Era claro o corredor lá embaixo, iluminadas por lâmpadas amarelas. A porta da biblioteca era grande, parecia ter mais de três metros.

Dentro da biblioteca havia algumas dezenas de mesas ou menos, não havia praticamente ninguém, apenas a bibliotecária e uma menina misteriosa procurando algum livro, ela me lembrou Hannah, só que loira.

– Sente aí. — disse Alice puxando uma cadeira — Onde será que está?

A menina de vermelho começou a procurar nas estantes alguns livros sobre a história da cidade.

– Ano dois mil, dois mil e seis... Dois mil e oito! Achei! — disse ela pegando o livro de capa verde.

Alice colocou o livro na mesa e começou a folhear.

– Maio, maio, maio... Aqui. Está vendo este garotinho? — disse apontando para a foto. Era o mesmo menino do meu pequeno sonho que tive durante a aula de história.

Balancei a cabeça em sinal positivo.

– Então, era o irmão da Hannah. Ele foi sequestrado no meio da noite de dez de maio de dois mil e oito. O corpo dele só foi achado no dia dez de outubro do mesmo ano. Segundo a polícia, ele foi assassinado com dez facadas depois de ser extremamente abusado fisicamente. A pessoa que fez isso com ele, não consta aqui no livro. Parece que o caso não está mais em andamento.

– Hannah tinha dez anos. — falei — Tudo aconteceu com o número dez. Estranho.

– Não é? O estranho é que, desde a morte dele, vem acontecendo muitas mortes sinistras pela cidade. Por isso que não se vê tantas pessoas na rua.

– É, percebi.

O sinal toca, hora de voltar para a sala de aula e ver Hannah se ela está bem.

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Encontrei Hannah indo para a sala sendo empurrada pelas amigas de Catherine, essa cena me deixou com raiva. Alice correu até elas e começou a discutir com as amigas e com a própria Catherine.

Logo depois ouço palavras como "vadia" "filha da mãe" "cachorra" etc, e logo depois puxões de cabelo vão surgindo.

Hannah estava apenas olhando. As amigas de Catherine tentam tirá-las de lá, uma multidão de pessoas foram surgindo em volta. Quando a diretora chega, todos vão embora e Hannah desaparece.

Corro até a sala dela, para ver se ela estava lá, só que não.

Começo a correr pelo corredor vazio da escola.

– Hannah! — grito — Hannah!

Ouço alguns barulhos vindo de um corredor estreito que eu nunca tinha visto, deveria estar pelo menos uns dez metros de onde eu estava.

Os barulhos pararam, estavam vindo de um depósito de limpeza. Abro a porta, vejo Hannah caindo sob meus pés seminua. Ela estava com os braços e a boca amarradas.

– Hannah! — falo me abaixando até ela — Hannah.

Ela estava desmaida, provavelmente alguém dera sonífero para ela, esse alguém poderia ser Scott.

Neste exato momento, a inspetora do corredor estava passando.

– Senhora! Senhora! — grito tentando chamá-la.

– Minha Nossa Senhora, o que aconteceu? Já não basta acabar de ter acontecido uma briga de meninas.

– Minha irmã...

Quando a inspetora viu o estado em que Hannah estava, arregalou os olhos e disse rapidamente:

– Rápido, vamos levá-la até a enfermaria!

Balanço a cabeça em sinal positivo, coloco meu blazer sobre ela e pego-a no colo. O que Scott poderia ter feito?

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– Sem sinais de estupro. — diz a enfermeira — Mas se fosse mais um pouco... Melhor nem pensar no que podia ter acontecido. Você a salvou Tiago.

Abri um sorriso.

A enfermeira de cabelo loiro piscou pra mim e disse:

– Liguei para seu pai e para a polícia. Precisamos descobrir que poderia ter feito isso com ela. — disse a enfermeira Jéssica olhando para Hannah que estava vestindo um vestido amarelo que era da enfermeira que felizmente coube.

Eu sabia quem podeira ter feito isso com ela, mas não disse nada, pretendia acabar com ele com minhas próprias mãos.

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Sabela passou a noite inteira com Hannah no quarto dela conversando sobre o que havia acontecido aquela manhã.

– Hannah não quer dizer nada. — disse Sabela descendo a escada — Ela diz que não se lembra de nada.

– Ela está traumatizada. — disse meu pai enquanto lavava a louça.

– Tiago você sabe de alguma coisa?

– Não. — falei.

Odeio mentir, quase nunca minto principalmente pra meus pais.

– Tem certeza? — disse ela enquanto sentava no sofá marrom da sala.

– Absoluta.

Sabela suspirou e começou a chorar.

– Eu só quero o bem para a minha filhinha! — disse ela soltando cahoeiras de lágrimas — Desde que eles se foram a vida dela nunca mais foi a mesma! Merda de assassino dez!

Meu pai veio consolá-la e acariciar o cabelo castanho dela.

– Calma meu bem...

– Merda! Merda! Merda! — nesse último ela jogou a almofada contra a parede.

– Tiago, vá para seu quarto. — disee meu pai.

Desliguei a TV e subi a escada. Sinto vontade de saber como Hannah estava.

Bati na porta e chamei o nome dela. Nada. Chamei novamente e Hannah não respondia.

Abri a porta, Hannah não estava lá, a janela estava aberta, mas o livro estava na cama. Me aproximo da janela e vejo um vulto correndo pelos telhados das casas vizinhas. O vulto olha para trás, mesmo sem conseguir ver quase nada, percebo que era Hannah.

– Hannah! — gritei, mas ela continuava à correr.

Subi na janela e comecei a andar no telhado, tentando seguir Hannah. Peguei o jeito em menos de um minuto, e corri até onde "O Vulto Hannah" havia desaparecido.

Ela desapareceu em uma casa. Na casa de Scott.

Me aproximo da janela, e vejo Hannah se paroximando da cama de Scott. Ele acorda surpreso ao ver Hannah no quarto dele de repente. Depois abre um sorriso e diz:

– Ah, é você minha princesa.

Hannah se aproxima da cama e senta do lado dele. Ele começa a acariciar o cabelo dela e a beijar o pescoço. Ele a deita na cama e começa a entrelaçar a língua na boca dela, Hannah retribui. Faço cara de nojo, ver isso ao vivo dá muito nojo.

De repente Hannah pega "algo" que estava na calça dela. Era um canivete.

– Ora, ora decidiu deixar a brincadeira mais quente? — disse ele abrindo o zíper da calça.

– Não. Decidi matar você. — disse Hannah enfiando o canivete na barriga do Scott, ela torce com muita força e ele grita.

Sangue voa pelas paredes brancas do quarto dele, e pelo rosto de Hannah

Scott cai no chão com a barriga ensanguentada.

Hannah pega o canivete e limpa com a blusa dele o sangue e as digitais, pega um pouco de sangue no dedo e escreve na parede, bem no canto "HX". Ela sai pela janela sem me ver. Sigo-a, de repente ela para e vira para trás.

– Tiago? — disse ela.

– Sim. — falo colocando a mão no bolso da minha blusa.

– Por que me seguiu?

– Por nada. Agora me explique. — me aproximo dela, um vento fez com que nossos cabelos voassem — Por que você bancou a oferecida para aquele canalha?

Ela abre um sorriso e disse:

– Scott já tentou fazer aquilo comigo hoje. Ele me desejava, aliás eu não gostei de nada daquilo que ele tentou fazer, o único jeito era matar.

– Nossa, primeira vez que ouço você falar tanto.

Ela revira os olhos e segue correndo para a casa, dessa vez, a nossa.



Notas finais
Mesma coisa de sempre: Elogios, críticas (seja elas boas ou ruins) e dicas sempre estarão bem vindas!!
Kissus ( ^ 3 ^)